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Mercado em julho: "leilão" de leite deve continuar impulsionando os preços

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E ALINE BARROZO FERRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 12/07/2007

9 MIN DE LEITURA

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As constantes altas de preços de leite no mercado interno e o momento inédito por que passa o mercado internacional, influenciando a comercialização local, deixam uma pergunta no ar: até que ponto os preços vão aumentar?

A forte concorrência entre as indústrias processadoras de leite tem elevado os preços. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor máximo cotado pelo leite em junho foi de R$ 0,7838/l, na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Alguns agentes do setor acreditam que para o pagamento em julho, os valores ultrapassem os R$ 0,80/l. Há informações de cooperativas no Triângulo Mineiro anunciando que vão pagar, para o leite de junho, entre R$ 0,82 e R$ 0,92/litro. Os valores são tão diferentes das expectativas que um experiente comprador de leite, com 30 anos de mercado, nos confessou que não têm condições de fazer qualquer previsão futura.

Em junho, os preços, em média, ficaram em R$ 0,6244/l, atingindo o mesmo patamar de 2005, e a variação em relação a dezembro de 2006 foi de 24% considerando a inflação. A média de preços obtida no primeiro semestre deste ano foi de R$ 0,5463/l, considerando o IGP-DI. Em 2006, no mesmo período, o preço médio foi de R$ 0,4826/l, mostrando uma recuperação nos valores de 13,2% nesse intervalo.

Gráfico 1. Evolução da média de preços de leite nacionais, deflacionados pelo IGP-DI, em real por litro.


Em dólar, o valor médio pago pelo leite aos produtores em junho ficou em US$ 0,3235/l, e, no mês anterior, em US$ 0,2955/l. Segundo dados da LTO Nederland, em maio, o preço médio na Europa foi de US$ 0,3662/l, nos Estados Unidos foi de US$ 0,4333/l (leite Classe III) e na Nova Zelândia de US$ 0,2445/l.

Gráfico 2. Preços pagos pelo leite aos produtores em dólar por litro no mês de maio de 2007.


O aumento de preços ocorre desde janeiro deste ano, em função da oferta de leite insuficiente para atender a demanda no país. De acordo com o Cepea, a captação de leite do início do ano até maio caiu quase 16%. No entanto, esse recuo, apesar de maior do que nos últimos 2 anos, está dentro do que ocorreu desde 1997 (gráfico 3), segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De janeiro a maio, entre os anos de 1997 e 2006, a redução média da captação de leite foi de 14,6%. Os preços médios, por sua vez, tiveram um aumento um pouco superior ao dos últimos anos.

Gráfico 3. Redução da captação formal de leite de janeiro a maio, em porcentagem, e aumento dos preços no mesmo período, em termos nominais, em porcentagem.


*2007 - Dado da variação da captação do Cepea - redução de 16% no volume adquirido pelas indústrias de janeiro a maio

Gráfico 4. Captação de leite entre janeiro e maio, em mil litros.


*2007 - Aumento de 3% na captação em relação ao mesmo período de 2006, segundo pesquisa do Cepea

Considerando normal a captação deste período do ano (gráfico 4) e a redução da mesma desde janeiro em virtude da entressafra (gráfico 3), parece claro que a situação atual, de escalada de preços, se dá muito mais em função de um possível aumento de demanda do que por uma grande crise de oferta. Isso não quer dizer que a oferta não esteja ajustada - o que é diferente de dizer que há queda absoluta na produção.

As exportações pouco têm contribuído para o escoamento da produção nacional. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), apenas os preços médios dos láteos exportados aumentaram neste ano. Em volume, no primeiro semestre houve uma queda de cerca de 12% em relação ao mesmo período.

Analisando o consumo aparente desse setor no mercado interno, através da dedução do equivalente em leite das exportações e soma do equivalente em leite das importações à captação formal de leite até maio (considerando o índice de captação do Cepea de aumento de 3% no volume adquirido pelos laticínios nos cinco primeiros meses do ano), obtém-se uma variação pouco significativa em relação à média mensal de 2006 (0,7%), permitindo inferir, por essa análise, que a disponibilidade interna não está tão baixa quanto poderia se supor e que, portanto, o aquecimento da demanda poderia de fato ser a variável mais relevante para explicar o momento atual, além das cotações externas, que puxaram os preços de leite em pó (e da matéria-prima) nesses primeiros meses do ano.

Há indícios da demanda estar aquecida. Segundo reportagem da revista Exame, em função de um aumento da renda e do emprego formal, de janeiro a abril houve um aumento de 16,5% no faturamento deflacionado das vendas de lácteos em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (Abia).

É importante alertar que para o cálculo da disponibilidade aparente foi utilizado o índice de captação de leite do Cepea, uma vez que a captação oficial do IBGE só está disponível até março. Utilizando-se os dados do IBGE, a disponibilidade interna provavelmente seria menor do que em 2006. Afinal, no primeiro trimestre do ano, a amostragem do Cepea resultou em mais do dobro de aumento quando comparado a pesquisa trimestral do leite do IBGE: 1,7 x 4,7%. E, pelo IBGE, de janeiro a março, 2007 foi perdendo volume em relação a 2006, o que faz supor que em abril, maio e junho a situação de oferta relativa ao ano passado possa ter piorado.

Na tabela 1, foi utilizado o volume equivalente em leite das exportações e importações de lácteos do capítulo 4 da Nomenclatura Comum do Mercosul (leites UHT, leites em pó, cremes de leite, leite evaporado, leite condensado, iogurtes, manteigas, soro de leite e queijos), e o doce de leite.


Tabela 1. Consumo aparente de lácteos no mercado interno.


Segundo agentes do setor, o mercado de leite está como um "leilão". Em função do volume de leite insuficiente para a demanda, as indústrias acabam oferecendo mais pela matéria-prima necessária para sua produção e o produtor vende para "quem der mais".

No mercado spot de Minas Gerais, a média de preço é de R$ 0,90/l, sendo que o valor pode chegar a R$ 1,00/l (com ICMS), segundo agentes de mercado. Vale ressaltar que em janeiro o valor do leite no mercado spot girava em torno de R$ 0,50/l.

Em São Paulo, agentes de mercado afirmam que no mercado spot o valor do leite já ultrapassou R$ 1,00/l, em função da elevada demanda pela matéria-prima.

De acordo com agentes do setor, os estoques das indústrias são baixos e esse cenário pode requerer certo tempo para mudar. Isso porque a resposta da produção frente aos melhores preços obtidos pelo leite ainda não é suficiente para abastecer o mercado. Nesse ponto, alguns analistas se perguntam por que a oferta ainda não subiu como estímulo aos preços elevados. As vendas de ração estão bastante aquecidas, mas a produção é insuficiente.

Três possíveis fatores estão atuando: primeiro, a seca no Sudeste e Centro-Oeste afeta a disponibilidade de forragens, havendo um limite para o máximo de ração a ser fornecida; segundo, fruto dos baixos preços do leite em 2006 e dos altos preços do milho nesse início de ano, muitos produtores não fizeram reserva de volumoso suficiente; terceiro, também em função dos baixos preços, é possível supor que muitas vacas não estão em condição de responder da forma que responderiam em uma situação de manejo e nutrição adequados (sem contar os efeitos de mais longo prazo da utilização de rebanhos de corte em vacas leiteiras).

A alteração desta situação poderá vir, alternativamente, através da redução do consumo, principalmente de leite longa vida, em função do aumento dos preços ao consumidor. Essa é uma questão que o setor está avaliando de perto, uma vez que os preços ao consumidor se elevaram substancialmente nos últimos 2 meses.

De fato, a valorização do leite longa vida tem sido bastante noticiada pela mídia e fica a expectativa sobre como o consumidor vai se comportar frente aos preços mais altos. Enquanto no início do ano o leite UHT estava, em média, a R$ 1,11/l no atacado de São Paulo, segundo dados do Cepea, e em maio passou para R$ 1,63/l. No varejo, os valores já ultrapassam R$ 2,50/l em algumas capitais.

Apesar disso, agentes de mercado acreditam que os preços do leite longa vida ao consumidor ainda podem aumentar até setembro, em função da insuficiente quantidade de leite disponível.

No mercado externo, os preços de exportação no Oeste da Europa e na Oceania continuam em patamares elevados. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), no início de julho, o leite em pó desnatado no Oeste da Europa ficou entre US$ 4.900/t e US$ 5.250/t e na Oceania entre US$ 5.000/t e US$ 5.300/t.

No caso da manteiga, no Oeste da Europa, a variação no início de julho frente ao mesmo período do ano anterior foi de 184%, ficando em US$ 5.150/t, em média, na primeira semana deste mês.

Assim, altas de preços têm influenciado uma maior atratividade de exportação do leite em pó. O preço médio obtido pela exportação do leite em pó desnatado brasileiro em junho foi de US$ 3,47/kg. No mesmo período do ano passado, o valor médio era de US$ 2,10/kg.

Próximos meses

Como o período é de entressafra, em função do clima mais seco, e a resposta da produção aos atrativos preços no mercado não é imediata, espera-se que esse aumento ainda demore alguns meses para ocorrer. Isso deve sustentar os preços do leite ao produtor, provavelmente até meados de setembro, quando aumenta o volume de chuvas e, assim, a produção de pastagens. O que fica no ar é que o estímulo que está sendo dado à produção com os preços atualmente praticados é muito significativo e poderá promover um grande aumento na produção a partir de outubro, com efeitos ainda incertos.

Mercado regional

No Sudeste e em Goiás, a oferta permanece em baixa em função do clima mais seco e da falta de produção de pastagens. A tendência é de aumento de preços enquanto a produção não se recuperar (com a chegada da época das águas) e os estoques nas indústrias continuarem em baixa. Isso porque a concorrência entre as indústrias nessas regiões é bastante acentuada, o que estimula, no mínimo, uma estabilidade dos preços.

No Rio Grande do Sul, a seca ainda compromete o desenvolvimento de pastagens em algumas regiões. No entanto, já se observa um crescimento da produção, porém, aquém do esperado para essa época do ano, em função do baixo volume de chuvas.

A tendência no estado é de aumento de produção nos próximos meses em função do desenvolvimento das pastagens de inverno. Entretanto, o acréscimo na oferta regional não deve influenciar de forma significativa o mercado nacional.

No Paraná, a expectativa dos agentes é de aumento de preços em função do atraso de desenvolvimento das pastagens, em função das geadas ocorridas na região, seguidas da falta de chuvas.


Qual sua opinião em relação ao atual cenário de mercado de leite? Comente através das cartas do leitor.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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EDINALDO DE SOUZA TEIXEIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/08/2007

O preço do leite para o produtor sempre foi uma vergonha, por isso, muitos produtores partiram para o plantio de cana, em que há pespectiva de preços mais estáveis.

Não acredito que a alta do leite esteja relacionada com seca, sempre teve seca. Acredito na alta constante do milho, do soja, da uréia, medicamentos etc. Não há nenhum estímulo para produzir leite. Para produzir leite com qualidade e tecnologia é preciso ser "viciado em leite".

Sei que muitos produtores estão aproveitando aoportunidade e vendendo suas vacas por bom preço e caindo fora do ramo, estão partindo para gado de corte. Continuarão no leite os teimosos.

Eu era menino e meu pai, tirador de leite, já falava: este ano o preço do leite vai melhorar. Estou com 71 anos - estou vendo agora, mas isso é passageiro.
Só teremos preço justo no dia em que os pecuaristas forem unidos, com cooperativa forte. Vamos torcer para que os preços não caiam.
JORGE ANTONIO LOEBENS

VERA CRUZ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/08/2007

Parabéns pelo artigo. Foi uma análise sensata e real do panorama de mercado atual, baseada em dados concretos e que nos possibilitam ter uma noção clara do que está acontecendo.

Para contribuir, na minha região (centro do Estado) teve empresa pagando de 0.62 a 0.80 centavos por litro para a produção de junho e paga no início de julho, dependendo da faixa de produção (a primeira faixa engloba produtores até 5000 l/mês e a última acima de 20000 l/mês). Acrescente-se a este preço básico a possibilidade de mais 0.04 centavos/litro de bonificação por qualidade e gordura, podendo chegar a um preço máximo de 0.84 centavos/litro.

Há de se deixar claro que sobre este preço incide o desconto de Funrural (2,3%) e 1% de retenção de cota capital praticada pelas cooperativas. Apesar de concordar que o preço pago ao produtor melhorou e fez com que 2006 não deixe saudades, quero crer que ainda há margem para melhorar a remuneração de quem produz, pois é a parte da cadeia mais esquecida na hora de repartir os "loiros".

E digo isto por um raciocínio muito simples: provavelmente o leite longa vida que está sendo posto no mercado hoje por algo acima de 2 reais foi captado por algo em torno de 0.50 centavos do produtor. Esperamos que a remunerção de julho melhore mais.
MIRIAM

PIRACANJUBA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 24/07/2007

Os produtores devem ficar atentos, pois esse quadro de alta nos preços do leite com certeza não permanecerá por muito tempo. E é aí que a coisa pega. Nós, seres humanos, acostumamos muito rapidamente com o que é bom; de repente esses preços começam a cair, e aí? Como ficarão?

Então, não se iludam, coloquem os pés no chão.
ANTÔNIO CORDEIRO COSTA JÚNIOR

ÁGUAS BELAS - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2007

É nossa vez de ganhar. Porém, fiquem atentos porque o mercado é o grande juiz, e se não aceitar os aumentos nos derivados do leite, quem vai pagar mais uma vez a conta somos nós.

É uma cadeia, e nós estamos na outra extremidade, se o consumidor não comprar, não temos a quem vender. Procuremos o equilíbrio.
LUIZ MIGUEL SAAVEDRA DE OLIVEIRA

SANTO ÂNGELO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/07/2007

Se para nós, produtores, os preços estão ficando aceitáveis, para os consumidores, está sendo desestimulante, diminuindo o consumo. E quem está mais uma vez ganhando com isso são os mesmos que, quando o consumo está "baixo", reduzem nossos preços de forma aviltante e sem aviso. Mas porque têm compromissos com exportação, não lhes interessa o mercado interno.

Daqui a alguns dias, alguma barreira sanitária criada por mercadores externos é capaz de nos tornar dependentes do mercado interno, mas a margem de lucro dos mercados e companhias não será afetada!
EDEVAL BENATI

DIADEMA - SÃO PAULO

EM 17/07/2007

O produtor de leite não pode se iludir num momento como o de agora. Há mais de 30 anos, sabemos que quem menos ganha é o produtor. Ele é sempre penalizado. As indústrias e as revendas são sempre as ganhadoras.

Sempre ouvimos a palavra parceria, isto é, eles parceiros no lucro e nós no prejuízo. Que bom seria se houvesse uma legislação que obrigasse aqueles que compram do produtor, a produzir pelo menos 10% do que utilizam. Iriam sentir na pele.

Se continuar assim, dentro de pouco tempo, o Brasil será o maior produtor do mundo, tirando leite até do gado de corte. Até os preços caírem, é claro.

Talvez esse seja o melhor momento que surgiu até hoje para fazer a coisa certa, isto é, vender por bom preço o gado leiteiro. É lamentável.
AROLDO AUGUSTO MARTINS

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2007

Hoje estamos vendo consumidores, latcinios e queijeiras reclamando, só que todos acabam esquecendo o que o produtor passou e continua passando, já que os insumos, como energia, combustível, mão-de-obra também subiram.

É hora de produtor, latcinios e cooperativas se unirem, para valorizar este produto, e mostrar que quem acaba ganhando muito são os comerciantes, tais como supermercados, padarias.
ALEX M. M. SÁ ANDRADE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 15/07/2007

Os produtores devem aproveitar os preços pagos pelos laticinicios, e os laticinicios devem aproveitar e colocar os preços de leite num patamar que ele possa tirar os prejuizos juntamente com os produtores.

Agora os supermercados não podem comprar o leite a R$ 1,65 e querer vender a R$ 1,29. Isso tem que acabar, porque desvaloriza o próprio produto e prejudica toda uma cadeia.
PEDRO MARCOS TORRES

SANTOS DUMONT - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2007

Será verdade tudo isto que está acontecendo com a cadeia produtiva do leite?

1º - O produtor sempre paga para produzir (roçadas, ração, mão de obra etc);
2º - O laticínio sempre repassa o prejuízo para o produtor. Quando aumenta, é de R$0,01, quando diminui é de R$0,05;
3º - A padaria também sempre repassa, nunca perde;
4º - A agropecuária só tem aumentos de preços, nunca há reduções;
5º - O consumidor sempre paga os aumentos.

Gostaria de dizer aos colegas produtores que não se iludam com o que está acontecendo, apesar das evidências de mercado indicarem boas novas, pois temos exemplos passados de quebradeiras.

Temos sim que trabalhar com profissionalismo, com os pés no chão e com segurança, pois o futuro é incerto. Temos que ter união, principalmente na hora de comercializar o nosso produto.
JOSÉ ANGELO MARCHINI

ITAPORÃ - MATO GROSSO DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 14/07/2007

Realmente o momento é favorável tanto para os produtores como também para as empresas. Isto é muito bom, pois há tempos precisávamos de um bom momento de evolução e firmeza de mercado.

Tomara que o bom senso leve todos a ganhar dinheiro com o momento, não se matarem em concorrências sujas que não levam a lugar nenhum.
MARCUS BASTOS TEIXEIRA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2007

A hora do produtor chegou?

Infelizmente a pecuária de leite no Brasil sempre foi uma atividade muito deficitária. Preços alvitantes e a situação de incerteza de preços. Acredita-se que esta é a única atividade em que o produtor produz e entrega sua produção ao longo de um mês para, no dia 20 do mês seguinte, quando do pagamento, ficar sabendo quanto vai receber, ao bel prazer dos oligopsônios.

As indústrias que processam leite estão colhendo o que semearam. As adversidades da atividade levaram o produtor a abandonar a especialização, os investimentos, liquidando rebanhos e utilizando nelores para produção de bezerros ao invés de matrizes leiteiras.

Sem dúvidas a produção de leite é para heróis, pois verifica-se que, até na Europa, apesar do mar de subsídios, que os jovens, filhos de produtores, não sucedem seus pais.

A mão-de-obra especializada é escassa e a rotina do trabalhador da atividade é escravizante e, em razão dos preços recebidos, não tão bem remunerada. Muitas vezes pensei em acabar com meu plantel, mas quem sabe a esperança voltou a brilhar no céu da pecuária leiteira, e a verdadeira remuneração dos produtores encurte as margens avantajadas dos intermediários que, por tanto tempo, exploraram sua galinha dos ovos de ouro até definhá-la.
JOSE EDUARDO JUNQUEIRA FERRAZ

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/07/2007

O momento do leite hoje é tão preocupante quanto em periodo de baixa, pois pela fata de leite o preço pode chegar a um patamar que podemos perder comsumo interno. Só coseguiríamos manter o preço estavel, (que seria o ideal para qulquer setor da economia) se fôssemos bastante unidos para equilibrar excesso e falta de leite no mercado.

Presisamos ficar em alerta.

José Eduardo Junqueira Ferraz
PAULO AUGUSTO DA SILVA SANTOS

SÃO PEDRO DOS FERROS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2007

O momento atual do leite tem sido aguardado com ansiedade há alguns anos pelo setor. Porém, é preciso tomar devidas precauções no sentido de se capitalizar e investir em produtividade e eficiência, pois sendo o consumidor final o equilíbrio da balança, qualquer mudança no consumo pelo aumento do preço pode fazer retornar o quadro de preços baixos e pouca valorização do leite.

É preciso união dos pecuaristas para divulgar as dificuldades da produção e agregar valor ao produto ainda na fazenda, através da melhoria da qualidade do produto e outros meios.

E para finalizar, é importante frisar que não se deve criar grandes expectativas futuras em razão do cenário atual. Planejamento a longo prazo é muito importante para qualquer atividade.
RICARDO NIERO DE SOUSA

POUSO ALEGRE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/07/2007

Nada mais estimulante do que ver esse aumento no preço do leite. Há quanto tempo não esperávamos uma reposição de preços, para termos condições para investir e viver? O único problema que vejo nesse momento é que a qualidade, algo que até então era valor, parece que foi esquecida.

Não se comenta mais, não há preocupação, pelo menos aparente, com a qualidade do leite. Será que quando os preços estabilizarem teremos que recomeçar a discutir questões básicas e primárias, como limpar e manter o equipamento de ordenha, os resfriadores, e reduzir a CCS?
RICARDO JOSE DE SOUZA

CÉU AZUL - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/07/2007

Eu não acredito que com as chuvas vamos ter um aumento significativo na produção. O plantel leiteiro diminuiu muito nos últimos anos, pelos preços baixos que eram pagos pelo leite. Pela opção de diversificação (cana-de-açúcar e soja) devemos ter uns seis meses de bons preços.
MARCOS A. MACÊDO

PIUÍ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/07/2007

Srs,

Acredito que o patamar de R$,80/l de leite já é um preço elevado, e até certo ponto insustentável a médio prazo, 6 meses, porque o preço do leite em pó no mercado internacional para leite brasileiro não ultrapassa os U$ 4000/t. É só fazer a conta na conversão de leite em leite em pó.

A indústria queijeira terá um menor volume de produção, custos fixos elevados, e queijos com baixo valor agregado é suicídio ecnômico do negócio.

Mussarela, queijo minas padrão, a tendencia é baixar o consumo, os queijos com olhadura também, pois o poder aquisitivo do brasileiro de classe média não cresce nesta velocidade. Logo, para o produtor de leite o bom é um equilíbrio, ou seja, um aumento de produção e preços mais equilibrados, dando uma estabilidade e remuneração à produção leiteira. Para que as indústrias de queijo continuem competitivas, e não fiquem os produtores dependendo sempre das grandes industrializadoras de leite em pó, pois o resultado é conhecido.
JULIANO BAIOCCHI VILLA-VERDE DE CARVALHO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/07/2007

A disputa por matéria-prima é fruto da alta dos preços internacionais do leite em pó. Pelo menos é a minha percepção da movimentação dos agentes da cadeia produtiva instalados no Centro-Oeste.

O artigo relata que as exportações não aumentaram, mas as novas plantas industriais secadoras de Goiás e Triângulo Mineiro ainda não atingiram seu ponto de equilíbrio e devem estar acumulando volumes para futuras exportações.

Minha opinião sobre o futuro próximo é a seguinte: o produtor que estava parado ou mesmo o fazendeiro com gado azebuado está só esperando a vacada parir (ago/set) para aproveitar o bom momento e voltar a "entregar" leite. Assim, teremos uma sobre-oferta nunca antes vista e os preços cairão de forma proporcional - como sempre.
ÍTALO DIÓGENES HOLANDA BEZERRA

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/07/2007

Estamos vivendo o novo momento do leite. Sem dúvidas, quem vai regular o preço será o consumidor. Mas essa queda de braço entre produtor (que está mais conciente e principalmente profissionalizado) e os laticínios tem muito a amadurecer...
EVERTON

MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/07/2007

Os preços do leite estão bons, mas não tão bons como estão sendo apregoados. Ontem vi uma nota de um produtor de 300 litros que vai receber R$ 0,62/l no dia 17 - leite vendido em junho. O de julho talvez chegue a R$ 0,65/l, bem longe dos preços citados de R$ 0,82 a R$0,92, que podem existir para produtores acima de 5.000 litros dia.

A mesma coisa é dita do preço para o consumidor de R$ 3,10, isto é em uma minoria de padarias.

Os preços do leite estão subindo bem mais na mídia do que a realidade do campo para a grande maioria dos produtores, que há muitos anos estão no sacrifício.

A dona da casa critica e reclama com razão, pois há uma disparidade muito grande entre o que o produtor recebe e o que o consumidor paga.

Ontem também presenciei um aumento de quase 50% na tonelada do sulfato de amônia e ninguém dá a noticía, e assim são todos os insumos para a produção. Os custos do adubo, defensivos, produtos veterinários, combustíveis, mão-de-obra, energia, estão muito elevados, portanto, nada mais justo qua haja bons preços para o leite.

Os preços que estão sendo praticados na realidade ainda estão defasados em relação ao seu alto custo.
Preços de R$ 0,62/l no pico dos preços, qual será os preços de novembro/dezembro?
OLIVINO DOS SANTOS FILHO

CAMPINA DO MONTE ALEGRE - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/07/2007

Acho que do jeito que vai a coisa, logo vamos pagar R$ 1,00 pelo litro de leite para produtor. Nunca vi isso nos meus vinte anos acompanhando o leite.

Só espero que alguns produtores não arrisquem trocar o laticínio que eles entregam há muito tempo por esses que estão prometendo preços absurdos. Só agora está facil vender leite.
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