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Mercado de leite: o que esperar de 2009?

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PANORAMA DE MERCADO

EM 23/12/2008

7 MIN DE LEITURA

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Essa é a pergunta que todos fazem e que, já adianto, não tem prognóstico fácil. Qualquer previsão, por si só, já é arriscada; no atual cenário de incertezas na economia global, apresenta altas chances de equívoco. De qualquer forma, é possível analisar alguns elementos e, dentro do quadro que existe hoje, tecer algumas possibilidades.

O comportamento do mercado em 2009 vai depender de quatro variáveis: oferta de produto no mercado interno, demanda interna, câmbio e preços externos dos lácteos, especialmente o leite em pó integral. A interação dessas variáveis é que ditará o ritmo dos preços no mercado interno. Vamos comentá-las:

Oferta interna de leite

Tudo indica que em 2009 a produção crescerá muito pouco, se é que vai crescer. Pelo menos para o primeiro semestre, a previsão é de crescimento muito baixo ou negativo. Essa afirmação pode ser feita ao analisarmos o comportamento da oferta nos últimos meses, de acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea/USP. De maio a outubro, a produção cresceu apenas 5,3% neste ano, contra 36,2% em 2007. Tanto setembro quanto outubro de 2008 estão apresentando produção inferior à do mesmo mês de 2007. Pelo gráfico 1, nota-se que a queda na oferta, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, foi muito mais rápida do que a ascensão. Diante dos baixos preços do leite e preços da arroba elevados (até determinado período), o produtor pisou no freio, reduzindo suplementação e enviando vacas para o abate.

Essa característica de resposta rápida na produção, tanto para aumentar como para diminuir a oferta, é típica de situações onde prevalece baixa produtividade, sistemas em maior ou menor grau extensivos e em que não há significativas barreiras de entrada ou saída. Diante de preços muito convidativos, a oferta rapidamente cresce, tendendo a reequilibrar o mercado; diante de desestímulo, o inverso ocorre.

Há alguma expectativa de reversão nesse quadro de oferta restrita? No primeiro semestre, não. Pode haver no segundo semestre, caso os preços subam significativamente a partir de março. De qualquer forma, pode-se apontar com razoável precisão de que a oferta elevada não será, desta vez, a vilã que derrubará os preços. A oferta restrita atuará estimulando aumento de preços.


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Demanda interna

Essa variável já é bem mais complicada de se prever. Afinal, ela é produto do crescimento da renda - e há enormes divergências a respeito do crescimento do PIB brasileiro em 2009. Enquanto o governo busca 4,0%, o Banco Mundial aponta 2,8% e os agentes consultados pelo Banco Central do Brasil falam em 2,5%. Uma diferença significativa. Mas não é tudo: um ex-diretor do FMI disse outro dia que se o Brasil crescer 0% em 2009, deve comemorar. Segundo ele, os EUA podem ter um retrocesso de 3 a 4%, fruto da crise mundial. Aí a coisa complica mesmo.

Matéria de ontem (22/12) no jornal O Estado de São Paulo, coloca que a crise pode interromper a trajetória de crescimento da classe média que, só no último ano, engordou em 20 milhões de pessoas. De onde vem esse prognóstico? O desemprego tende a subir de 7,6% para 8,5% ou até 10,0%, dependendo da previsão; além disso, o crédito já está mais caro e difícil. Tudo isso significa um breque na mobilidade social ascendente que caracterizou os últimos anos.

O gráfico 2 mostra o enorme crescimento do consumo da classe média. Nos últimos quatro anos, segundo a Target Consultoria, a elevação foi de nada menos do que 30% ao ano. A previsão para 2009 é de míseros 3,0%, considerando crescimento de 2,5% do PIB. O gráfico também mostra a variação esperada caso o PIB cresça 2,0% ou 4,0%; mesmo com 4,0%, o consumo da classe média não repetirá nem de longe os resultados dos últimos anos.

Diante desse cenário incerto, é muito difícil tecer qualquer comentário a respeito do crescimento do mercado de lácteos, exceto de que o crescimento na demanda, se houver, será pequeno. Um fato, porém, pode ser colocado: certamente outros setores sofrerão bem mais do que os lácteos. Os setores automobilístico e de construção civil, por exemplo. Dentro dos lácteos, produtos de maior valor agregado devem sofrer queda maior nas vendas do que o leite fluido, para ficar em um exemplo.


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A grande questão a se responder é se a oferta menor ou ao menos mais regulada vai se equilibrar com a demanda mais baixa. Se a demanda for pouco afetada, isto é, se a crise aqui for mesmo uma marola, pode haver escassez de leite e elevação dos preços, talvez a partir de março. Qual será o teto? Isso dependerá das duas outras variáveis: câmbio e preços externos.

Câmbio

O câmbio é uma variável-chave, pois influi diretamente na nossa competitividade externa, isto é, com que facilidade conseguimos exportar, ou com que facilidade o produto importado entra no país. A valorização do dólar e a conseqüente desvalorização do real desde agosto, sem dúvida, compensam parcialmente a queda nos preços internacionais. Mas traçar qualquer prognóstico de câmbio é difícil nesse momento de grande volatilidade. O Boletim Focus, do Banco Central, feito com agentes do mercado financeiro, indica câmbio médio de R$ 2,20 para 2009. Há quem esteja trabalhando com 2,30. O quadro abaixo mostra o preço de equivalência, considerando diversas taxas de câmbio e preços de leite no mercado internacional. Supondo câmbio de R$ 2,20 e tonelada do leite em pó a US$ 3.000, por exemplo, o preço de equivalência (máximo preço a se pagar pela matéria-prima nacional) seria ao redor de R$ 0,67/litro.



Preços externos

Outra variável importante e para a qual há um cenário incerto. No primeiro semestre, porém, as perspectivas não parecem muito animadoras. O último leilão da Fonterra chegou a valores pouco abaixo de US$ 2.100 a tonelada para entrega em fevereiro e US$ 2.440 de junho a agosto. As notícias vindas dos Estados Unidos não são boas. Com a recessão, o consumo cai e o governo está comprando grande quantidade de leite em pó que, em algum momento, terá de ir ao mercado. Na União Européia, não será surpresa se a partir de março o sistema de intervenção (leia-se subsídios à exportação) retorne.

O que pode mudar isso? É possível que a oferta global tenha também uma desaceleração. Afinal, os baixos preços chegaram aos mesmos países que responderam com elevação de oferta diante dos preços recorde de 2007. No entanto, assim como no caso brasileiro, fica a dúvida sobre como a demanda vai se comportar, principalmente o quanto os países emergentes serão afetados. São esses os países que têm capitaneado o aumento da demanda e que, em última análise, fizeram com que os preços subissem no mercado internacional em 2007.

Possíveis cenários

Considerando todas essas variáveis, podemos apontar os seguintes cenários possíveis, lembrando que mais de um cenário pode ocorrer em 2009, dependendo da época do ano:

1)Mercado interno ajustado: a oferta menor se equilibra com a demanda, não há grandes excedentes nem tampouco importações significativas. Os preços seguem, em linhas gerais, o mercado externo. Esse é inclusive o cenário atual, embora as importações tenham aumentado e já preocupam.

2)Escassez moderada de leite no mercado interno: nesse caso, entra leite do Mercosul, especialmente Argentina. A variável aqui é como se comportará a produção no país vizinho. Nesse ano, 2008, os dados indicam crescimento entre 5 e 6%. Será que 2008 terá comportamento parecido? Pouco provável, mas é possível que, nesse cenário, tenhamos aumento das importações.

3)Escassez significativa de leite no mercado interno: esse cenário pressupõe que a demanda não cairá tanto e que a menor (ou igual) oferta, mesmo com complemento do leite do Mercosul, será insuficiente para suprir o mercado interno. Nesse caso, os preços internos se descolam do mercado internacional, pois o leite importado de fora do Mercosul paga 27% de imposto de importação, além de tarifas anti-dumping adicionais para a União Européia e Nova Zelândia. Nesse caso, os preços internos sobem significativamente e as exportações obviamente caem bastante.

4)Há excedente de leite no mercado interno: nesse cenário, a oferta continua crescendo e, com a demanda mais tímida, há excedentes que serão exportados. Dos quatro cenários, esse é o menos provável no curto prazo, embora possa se tornar realidade no final de 2009, principalmente em seqüência ao terceiro cenário.

Como é possível perceber, há muita incerteza e diversas possibilidades. Ainda, há questões relativas à saúde financeira de empresas brasileiras atuantes no setor, o que pode ou não piorar o cenário. De qualquer modo, o produtor deve esperar 2009 com cautela; apesar dos custos de produção mais baixos (principalmente em função dos concentrados energéticos, fertilizantes e sal mineral), os preços médios recebidos devem ser também mais baixos (espero estar errado!). Penso que 2009 não será um ano memorável, mas talvez não seja também a tragédia que se pinta.

Por fim, uma frase com a qual terminei algumas palestras recentes para empresários do setor. Ela é de Sam Walton, fundador do Wal-Mart, maior empresa norte-americana: "Me perguntaram o que eu achava da recessão. Pensei sobre ela e decidi não participar". E você, o que pode fazer para não participar da crise?

Feliz Natal e um Ótimo 2009 para todos os nossos leitores, colaboradores e apoiadores!

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ANA PAULA SALVADOR BATISTA

COLORADO DO OESTE - RONDÔNIA

EM 29/04/2009

Parabéns. É um artigo que esclarece muitos pontos que até em tão eram dúvidosos.
OSMAILSON SILVA ARAUJO

PIRITIBA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/04/2009

Gostaria de saber se nesse ano de 2009, os produtores pode ficar animado em relação o mercado do leite, crecimento, exportação, credito.
MARCUS FLAVIO UCHOAS

DELFIM MOREIRA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/02/2009

Sou dono de um pequeno laticinio, trabalho hoje com 1000 litros de leite por dia. Estou lutando para conseguir o registro do orgão federal, mas acho que vou desistir, já gastei o que tinha e que não tinha. Agora foi informado que tenho que fazer reserva ambiental de 20% da minha área. Não tenho área disponivel e não tenho como comprar. É assim que o governo nos ajuda?
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2009

Prezado Marcelo: É interessante constatar que a crise não atinge somente ao setor leiteiro mas, na verdade, é o produtor que sustenta a derrocada dos demais. Explico: se o dólar aumenta, o preço do leite ao produtor cai; se há um rombo na Pevidência Social, o preço do leite ao produtor cai; se a bolsa de Londres fecha em queda, o preço do leite ao produtor cai; se há um escândalo no Congresso (???), o preço do leite ao produtor cai; se o presidente tropeça na "pelada" do fim de semana, o preço do leite ao produtor cai; se o Obama vence as eleições nos Estados Unidos, o preço do leite ao produtor cai.

O mais intrigante é que, nas prateleiras dos supermercados, ele e seus derivados continuam seu histórico de alta ou de mantença de preços. O resumo desta "ópera do malandro" é que, na república do presidente operário, alguém sempre se enriquece às custas do suor alheio. Uma pergunta muito simples nos assalta neste momento: dizem que é o tal do "atravessador". Mas, quem é esse algoz que, tal como cabeça de bacalhau, todos sabemos que existe, mas nunca conseguimos ver? Os laticínios dizem que não são eles, os supermercados, "idem ibidem", os outros comerciantes nem ousam dizer o nome. Quem é este fantasma? Com certeza é o Nhô Bento, com sua vaquinha magrela e os doze filhos opilados, que insiste em sobreviver, lá no fim mais fim do pé-da-serra, desdentado, pobre e teimoso, que recebe a vultuosa quantia de R$ 0,55 pelo litro do leite que produz.

Se o Governo Federal não lançar mão de projetos sérios para impedir a exploração do capesino, com preço mínimo, subsídios, financiamentos a longo prazo, extensão rural e assistência técnica, todos os anos teremos um artigo seu ditando as mesmas incertezas e previsões pessimistas para o setor. E nós, produtores de leite, tal como os nordestinos do polo das secas, continuaremos a orar para que a chuva do bom preço caia sobre nosso produto ou a esperar "o último pau-de-arara", porque nossa vaquinha não vai ter mais nem o couro e nem o osso.

Quanto ao "marketing", vamos sempre esbarrar no problema do livro: ele é caro porque o brasileiro não lê ou o brasileiro não lê porque ele é caro? O leite é um produto conhecido, a Coca-Cola é que não é. Propaganda para quê? Estas indagações é que sentimos no mercado leiteiro em geral, carente de profissionalismo. Aí, eu pergunto: por que será que a Parmalat lançou e relançou a campanha dos bichinhos? Porque são técnicos do setor, profissionais e entendem a força da publicidade. Mas nós, desunidos produtores, vamos sempre estar no complexo da Carolina, do Chico Buarque de Hollanda, que enquanto o tempo passou na janela, não viu.

Parabéns por mais esta pérola de informação.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA -OLARIA - MG
MARCOS ANTONIO POLLO

PASSOS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 09/01/2009

Bom dia Marcelo, muito importante seu ponto de vista, nos deixa bem posicionados no mercado, pois trabalho com custo de silagem x produtividade.
Parabens.
PAULO ROBERTO VIANA FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/01/2009

Parabens pelo artigo. Indico a todos os pequenos produtores para lerem o artigo, e que procurassem organizar seu sistema de produção, porque logicamente que crise será passageira e sairá na frente quem estiver preparado. Abraços, Paulo Viana.
CHRISTIAN LIBER RAMOS

CHAPADÃO DO SUL - MATO GROSSO DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 06/01/2009

Parabéns Marcelo pela matéria.
Gostaria de comentar que concordo que muitas variáveis podem influenciar o preço do leite, mas na minha opinião, pouco o produtor pode fazer para alterá-las (como por exemplo cambio, preços externos, etc); sendo assim, acredito que deveríamos nos preocupar mais com aquilo que podemos alterar, como melhorar nossa produtividade, diminuir os custos e aumentar eficiência. Dessa forma estaremos mais preparados para um período de restrição e caso ele não venha teremos mais rentabilidade no sistema.

Feliz ano novo e sucesso a todos.

abs,
Christian Liber
MIGUEL ANTONIO PACHECO LONGHI

SANTA FÉ DO SUL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/01/2009

Caro colega Marcelo, é degrande valia toda a informaçao passada, porém o produtor, principalmente o pequeno, não suportará arcar com os custos de produçao se nao houver aumento do preço ao produtor. Faz-se necessario, independente de crise interna ou externa, políticas que regulem o preço mínimo de venda em funçao de custos básicos de produçao, caso contrário o setor sofrerá uma crise própria, se ja nao existe.
ROBERT M HAWKINS

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DOS LACTICÍNIOS

EM 05/01/2009

Parabéns, Marcelo! Muito boas suas analises. No entanto surge uma dúvida... Temos hoje no Brasil muitas fábricas novas de leite em pó, que terão que rodar para serem pagas, isto não mudará a relação de oferta e demanda? Seria possivel você comentar este assunto?

Feliz Ano novo!

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Robert,

Obrigado pelos comentários e um Ótimo 2009 também!

Você tem razão. O número de plantas novas de leite em pó, em um primeiro momento, forçarão a concorrência pela matéria-prima, em um momento em que os preços do leite em pó estão deprimidos. Será um momento difícil para essas fábricas. Pelo menos no primeiro semestre.

Saudações,

Marcelo
JOÃO LÚCIO DE ALMEIDA SILVEIRA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/01/2009

Precisamos de uma instituição nova ou não que assuma a incumbencia de ser parceira num monento em que uma revolução no setor é mais que necessária, é de urgencia urgentíssima.

Quanto ao Social, ambiental e econômico: Ouço muito essa frase no dia-a-dia: "economicamente viável, socialmente junta e ambientalmente correta." É até poético... mas não vivemos de poesia. E também não vivemos a atividade com algo isolado. Ela é parte da vida e não a vida é parte da atividade (vida... vide dicionario). A atividade carece da nossa ação, trabalho, esforço, dedicação. E quando falo "nossa" não estou falando de cada um no seu setor se organizar. Estou falando do produtor rural agir em todos os setores.

Desculpe a colocação um tanto quanto veemente ou bruta. Mas, considerando por hora somente o dito "tripé", acredito que o produtor, junto com os parceiro que realmente tiver, contratados ou entidades de classe é que devem buscar a sustentação (tripé).

Se o governo ajuda, bom. Se não ajuda, procuremos a saída assim mesmo!
Se a CNA ajuda, bom. Se não ajuda, procuremos a saída assim mesmo!
Se a Faemg ajuda, bom. Se não ajuda, procuremos a saída assim mesmo! Se o Fetaemg, bom. Se não ajuda, procuremos a saída assim mesmo!
Se os Sindicatos ajudam, bom. Se não ajuda, procuremos a saída assim mesmo!

A única questão que ainda não questiono da mesma forma é a relação entre produtor - cooperativa / laticínio - consumidor. Essa terá que estar em sintonia, conhecendo o grande "chefe" que é o mercado.

Portanto, considero muito as representações da classe e acho que estas deveriam fazer um trabalho para conscientizar o produtor de que ELE (produtor) é que está a frente de tudo. ELE é que manda, gerencia, tem lucros e prejuizos. Portanto ele é que é importante. Fortalecer verdadeiramente o produtor, e não ser uma proteção para ele. Desta última forma, quando a representação enfraquece, por motivo qualquer (e isso acontece sempre), o produtor mostra sua fraqueza que antes se escondia numa blindagem. não queremos uma blindagem. Queremos ser fortes. Os papeis precisam se inverter. O produtor tem que ser a força da sua representação e não o contrário. As entidades representativas precisam do produtor e não o contrário. Assim as representações estariam sustentadas e poderiam atuar.

Dou ênfase a essa necessidade: conscientizar o produtor que ele é a parte forte.

sdç
JEFERSON PIROLI

VIDEIRA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2009

Parabéns Marcelo, excelente matéria.

Sucesso a todos em 2009!

Abraços, Jeferson Piroli, Cabanha Piroli gado Jersey Videira - SC.
JOÃO TADEU GREJIANIN

GUARACIABA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/01/2009

Parabens pelo exposto. Eu tambem não vou participar da recessão, ate porque vejo que está tendo adequação nos custos de produção, e claro, aplicando uma boa gestão, ate porque os preços estavam totalmente fora de um historico e o consumidor não aguenta.
JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/12/2008

Com todas essas incertezas, o que resta é desejar-lhe um feliz ano novo e a certeza que estaremos juntos no próximo ano.
ALEJANDRO MAURINO

BUENOS AIRES - TRADER

EM 31/12/2008

Felicitaciones por su articulo.

Feliz 2009! para Ud y todo el equipo que hace MilkPoint
MARCO AURELIO MARTINS DE OLIVEIRA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 31/12/2008

Parabéns Marcelo pela matéria.

Eu concordo com suas afirmações e também com suas dúvidas, porém a minha opinião é que o grande vilão de 2009 será a parte comercial interna, houve uma
precipitação em concentração de poder que resultou em um desequilibrio que terá consequencias para algumas empresas inrreversíveis.

Precisamos de profissionais conhecedores do mercado de leite e que volte a colocar nos trilhos a elaboração de metas sustentáveis, com preços se ajustando conforme a demanda; estamos pagando a conta da cobiça em colocar o leite a R$ 2,00 do dia para noite, é um absurdo os valores perdidos e com empresas que tinhas metas de ser a n° 1 e hoje estão a beira da falência. O futuro já chegou e estamos pensando no amanhã, precisamos acordar, agua e
refrigerante tem melhores preços que o leite; precisamos como no passado transformar o hábito do consumidor de leite saquinho para longa vida.

O futuro chegou, transformar o longa vida em pó e tranformar a industria como uma padaria, a farinha a disposição do padeiro ou melhor dizendo o leite em pó
a disposição do queijeiro.
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 30/12/2008

No momento atual, falar em futuro e/ou perspectivas do leite para 2009, com a devida venia, salvo melhor juizo, é muito fácil. Pois pior que já estava e está, não tem praticamente nenhum espaço para piorar, a não ser quebradeira de laticinios/cooperativas e nem este preço que estão praticando colocarem na conta. E já tenho conhecimento de fatos desta natureza acontecendo. A crise para o produtor de leite já existe há um bom tempo.

Desde quando começou esta gastança, com base em crédito para algumas modalidades de consumo, fiquei preocupado, porque determinados tipos de consumos devem ser feitos a custa de poupança. Vejamos um exemplo, os aposentados reclamam de suas perdas, em razão dos índices de reajustes e razão lhes assistem. Mas ainda são induzidos a terem seus contracheques podados por descontos de empréstimos, que foram usados naqueles determinados tipos de consumos, que deveriam ser feitos a custa de poupança. Será que isto era um consumo consistente? O tempo vai nos dizer ou, parece que já está nos dizendo.

Concluindo, Como produtor de leite, no que diz respeito a preço, acho que já estamos em crise há um bom tempo e daqui pra frente vamos é sair da crise ou convivermos com a mesma por mais algum tempo, e o que espero é que não seja por muito tempo. Feliz ano novo!
RAIMUNDO TEIXEIRA FARIA FILHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/12/2008

Prezados,

Aproveito a oportunidade para registrar nosso reconhecimento pela importancia das informações que recebemos deste Site, pois a partir de informações confiaveis e reais é que traçamos nossas estratégias de mercado hoje e sempre.

Parabéns pela qualidade e profissionalismo que vocês tratam a cadeia de lácteos. Esperamos contar com esta parceria hoje e sempre.

Abraços e ótimo 2009 a todos.
EDUARDO FONSECA PORTUGAL

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/12/2008

Marcelo! Parabéns pelo seu posicionamento!

Gostaria de ressaltar alguns pontos:1) Por que o medo de comentar sobre o ganho do supermecadista? 2) Produtor e industria tem que adotar a política de ganhar juntos e perder juntos; 3) Continuamos a não nos preocuparmos com um programa de pagamento da matéria prima, cujo ítem qualidade continua sendo muito pouco aplicado; 4) A perda gradativa de mercado do leite em relação a misturas do leite de soja, sucos, etc.

Penso que o elo Produtor-Industria continua frágil e mesmo com os conselhos paritários estaduais(Conseleites) exercendo uma melhora nesta relação, ainda paira um certo distanciamento. Não é só custo de insumos agrícolas que sobe, custos indústriais também! O mercado vende uma água com sabor limão e outros sabores a R$ 1,50 ou até R$ 2,00, e leite pasteurizado e longa vida abaixo deste preço! A tempos o leite nesta forma fuída apenas serve como chamariz de prateleiras, onde atrai o cliente a consumir outros produtos de margens atraentes com forte apelo da mídia.

O leite está sendo coadjuvante nos produtos de misturas, perdendo seu espaço, aí a importância do marketing institucional. A busca imediatista por melhores preços, mesmo antes do mercado demonstrar melhora, já apresenta a famosa "dança de produtores" entre as indústrias que fatalmente vão reprisar os fatos do inverno de 2008, quando em plena entresafra, por falta de sustentação, os preços despencaram até R$0,10 em um único mês.

Sobre critérios de qualidade para composição de preço, saliento que o produtor profissional se sente desvalorizado quando não existe esta compensação, pois justamente quando a demanda não é muito grande, seu leite deveria ter um preço com um "Plus" para compensar o diferencial de ganhos da indústria em produtos especiais e fatores de rendimento. Uma coisa é certa, para 2009 o prognóstico é de grande desaceleração na atividade econômica, mas como você colocou, e bem, ninguém vive sem se alimentar, outros setores da economia sentirão mais, e o leite seguirá sua gangorra de produção, aumento de demanda com crescimento imediato e o inverso acontecendo nos momentos difíceis.

Sds, e bons fluídos para 2009.
AGENOR TEIXEIRA DE CARVALHO

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/12/2008

Marcelo,
Acredito que com agravo da crise mundial e o Brasil crescendo menos, nossas perspectivas poderão ser as melhores possíveis. Se houver perda de poder aquisitivo da nossa classe média, vamos ter aumento de consumo de leite que é muito mais barato que sucos, refrigerantes e outros (a história nos conta, como aconteceu após plano cruzado 1986). Em época de "vacas gordas" bebe-se whisky, em época de crise vai cachaça mesmo, ou seja, não para de beber.

A nossa produção com certeza vai continuar caindo ou, na melhor das hipóteses, vai estabilizar, devido a insegurança do produtor que não vai mesmo investir com tantas incertezas e também a crise que já está dentro dos currais antes mesmo da chegada da crise mundial.

Quanto à exportação, acho que pouco poderá influenciar independente também do câmbio, já que o nosso forte é o consumo interno. Temos também que ficar atentos com as importações preservando as medidas anti-dumping. Agora estão falando em "preço mínimo" que poderá bagunçar tudo e proteger somente a indústria que é mais forte que a classe produtora. Fala para o fundador da "Wal-Mart" que os produtores brasileiros são bem mais fortes que ele, porque não sabem como produzir sem recessão, pois são sempre eles que pagam o "pato".

Abraço Forte e um 2009 cheio de inspiração.
Agenor
RICARDO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - FOOD SERVICE

EM 30/12/2008

Marcelo excelente texto e com certeza você vai acertar com o primeiro cenario. Você poderia traçar um cenario para o soro em pó?

Abraço e sucesso em 2009!
Ricardo Roldão
MilkPoint AgriPoint