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E o mercado virou...!

POR VALTER BERTINI GALAN

PANORAMA DE MERCADO

EM 23/10/2014

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Crescimento elevado da produção, consumo estabilizado (estaria estagnado?), exportações brasileiras já não tão competitivas (bendita Venezuela que nos salvou até agora...!) e importações podendo bater à nossa porta.

O cenário de mercado mudou bastante no último mês e meio, com um recuo mais pronunciado dos preços dos lácteos no atacado. Os gráficos 01 e 02 mostram (de acordo com os valores monitorados pelo Cepea) que o pico de preços no atacado para o leite UHT e também para a muçarela foi verificado no mês de agosto. De lá para cá, o UHT perdeu quase 20 Centavos/litro em seu valor de venda e a muçarela caiu 6,5%.

Gráfico 01. Preços do leite UHT no atacado*
Fonte: Elaboração de MilkPoint Inteligência, com base em dados do CEPEA
*Preços de outubro/14 estimados com base em levantamento próprio de MilkPoint Inteligência


Gráfico 02. Preços da muçarela no atacado*
Fonte: Elaboração de MilkPoint Inteligência, com base em dados do CEPEA
*Preços de outubro/14 estimados com base em levantamento próprio de MilkPoint Inteligência


Como sempre, estes recuos de preços foram refletidos, inicialmente, no mercado de leite spot (aquele leite negociado entre empresas quinzenalmente – observe a evolução recente do leite no spot em diferentes estados e na média Brasil nos gráficos 03 e 04). As reduções de preços neste mercado estiveram, até agora, entre 15 e 20 Centavos/litro e a perspectiva é de que este ajuste seja ainda maior até o final do ano – lembremos que ainda não começou a chover no Centro-Oeste (principalmente Goiás) e no Sudeste (principalmente Minas Gerais).

Gráfico 3. Preços do leite spot em diferentes estados
Fonte: MilkPoint Inteligência

Gráfico 4. Preços do leite spot – média Brasil
Fonte: MilkPoint Inteligência

Ao mesmo tempo os preços médios Brasil ao produtor continuam, de acordo com o levantamento do CEPEA, bastante estáveis, ao redor de R$ 1,08-1,1/litro (valor bruto ao produtor) – valor que tem se mantido pelos últimos 5 meses. Apenas nos estados do Sul (notadamente no Rio Grande do Sul, como mostra o gráfico 5) já começa a ser verificado um ajuste de preços – no Rio Grande do Sul, do pico de preços (em junho) até a última verificação disponível (setembro), a redução foi de R$ 0,035/litro.

Gráfico 5. Preços do leite ao produtor – Rio Grande do Sul
Fonte: Elaboração de MilkPoint Inteligência, com base em dados do CEPEA

E quais são as perspectivas?

É esperado um ajuste (redução) de preços mais significativo ao produtor na média Brasil apurada pelo CEPEA a partir de outubro. Historicamente as reduções de preços acontecem até o mês de janeiro, o que deve se repetir este ano. Historicamente, o tamanho do ajuste tem sido entre 7 e 10 Centavos/litro de redução e, dada a situação do mercado brasileiro hoje, a expectativa para este ano é de que as quedas sejam iguais ou, provavelmente, maiores do que este patamar histórico.

Outros dois pontos de atenção:

Milho e Soja: A relação de troca com os principais insumos (principalmente o milho e a soja), principalmente em relação ao milho, que apresentou elevação de preços, entre 10 e 12%, neste último mês. A tendência do milho é seguir em subida até a entrada da safra de verão no mercado, o que acontecerá apenas no final de janeiro/início de fevereiro de 2015. Os sistemas mais dependentes da suplementação concentrada são aqueles mais expostos e que devem aferir mais detalhadamente seus números;

Chuvas: o clima e, principalmente, a falta de chuvas, tem sido assunto recorrente. A entrada do período das chuvas e a maior exploração das pastagens são esperados com ansiedade por boa parte dos produtores do Centro-Oeste e Sudeste do país, onde a safra leiteira historicamente também começa agora.
 

Outros conteúdos exclusivos e o mais completo banco de informações sobre o mercado lácteo brasileiro e mundial, podem ser encontrados no novo serviço de inteligência para o mercado de leite, o MilkPoint Mercado (www.milkpoint.com.br/mercado).

Caso tenha interesse em conhecer e interagir com a plataforma, podemos disponibilizar gratuitamente uma senha temporária para um período de “degustação”. Acesse www.milkpoint.com.br/mercado e preencha o formulário “Assine aqui” ou envie um email para inteligencia@milkpoint.com.br

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VALTER BERTINI GALAN

MilkPoint Mercado

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MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/10/2014

Esse cenario de reduçao de preços nao e nenhuma novidade para essa epoca do ano. Nos produtores devemos nos preparar e ajustar custos de forma que a baixa dos preços seja menos impactante no orçamento. Baixa em fim de ano nao e surpresa. O remedio e planejamento.
ARTHUR

SACRAMENTO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/10/2014

Esse ano o mercado está totalmente diferente, não só pela seca, mais pelo momento da economia que estamos passando, acredito que Janeiro 2015 o cenário será o reflexo do ano que estamos passando, diferentemente dos outros anos. A copa do mundo só veio para "quebrar" o mercado, ano de eleição, inflação fora de controle, falta de chuva na região Sudeste, e outra série de fatores que influenciaram esse ano ruim do mercado leiteiro.
VALTER BERTINI GALAN

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/10/2014

Prezado Paulo,



Não há dados oficiais (do IBGE) sobre a evolução da produção até o mês de outubro; o último dado disponível indica crescimento da produção formal (Pesquisa Trimestral do Leite), na ordem de 8,6% no primeiro semestre de 2014 vs. o mesmo período de 2013. Nossas conversas semanais com diferentes agentes do mercado indicam que o ritmo de incremento tende a diminuir, mas ainda assim temos um volume de produção bastante maior que no ano passado. Este indicativo num cenário de economia que praticamente não cresce indica um represamento de volumes que apontam para um ajuste de preços, como indica o artigo.



Um abraço!



Valter
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 27/10/2014

Prezado Marlon,



No mercado internacional, o leite em pó integral, que era vendido no início do ano a cerca de US$ 5000/ton, hoje é comercializado a US$ 2500-2600/ton. Esta forte queda foi devida a um significativo aumento na produção nos países/regiões de produção mais relevante no mundo (Nova Zelândia, Austrália, União Européia, Estados Unidos) e a queda das importações dos grandes consumidores, principalmente a China, a partir de meados do primeiro semestre.

No Brasil, o leite em pó industrial também está em queda e, de acordo com o levantamento semanal do MilkPoint Mercado, fechou semana passada a R$ 9,8/kg.
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

GOIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2014

Um problema bastante sério e sempre relegado é que nossos produtores adquirem insumos para sua "produção futura", vendem o leite hoje para receber no mês que vem, calculam seus custos de produção com custos do passado e tem obrigação de repor seus estoques pagando com o passado. O farelo de soja que adquiriu no passado, passou pela boca de suas vacas que lhe devolveram leite, leite esse que pode não ter mais a capacidade de compra para reposição do farelo de soja
JEAN JUNIOR SCHERER

GETÚLIO VARGAS - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 27/10/2014

Bom dia Paulo F. Stacchini!

Ótima reflexão, até pouco tempo trabalhava para uma pequena indústria de laticínios, e todo ano era a mesma situação, baixa de preço nessa época, perda de produtores e em fevereiro correr atras de novos produtores.

Acredito que o que vem se desenhando no mercado é uma pequena baixa agora, porém não muito acentuada, pelo que não se sabe sobre o clima no cento-oeste e sudeste, se as chuvas chegarão ou serão suficientes e pela entrada de novas empresas estrangeiras do setor que (acredito eu), não vão querer perder volume e algumas precisarão repor algum volume perdido (caso da empresa que assumira a unidade da LBR em Tapejara-RS).

Também concordo que é mais inteligente não perder agora do que correr atras depois, e acredito que diferentemente do anos anteriores este será difente.
PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/10/2014

Olá Valter, parabéns pelo artigo! Já existem dados em relação à captação no Sudeste e Centro-Oeste refletindo o efeito da estiagem nessas regiões a partir de setembro? As chuvas continuam escassas e nesse tradicional período de transição entre inverno-primavera já é normal se observar alguma redução de produção (nos sistemas mais tecnificados pelo calor/estresse térmico e nos menos tecnificados por falta de forragem). Mas nesse ano, com a estiagem prolongada, produtores já "perderam" outubro em termos de produção de forragem. É bem provável que até condições de umidade do solo se normalizarem, novembro tenha se perdido também. Como a seca começou mais cedo esse ano e vai terminar mais tarde, estamos observando no campo uma grande dificuldade do produtor em manter o suprimento de forragem, o que tem ocasionado uma redução na produção de leite maior que o normalmente  é esperado nesse período. Em alguns produtores consultados, observam-se quedas de 15-20% no leite produzido em setembro e outubro em relação aos volumes de leite produzidos em Julho e Agosto. Mais uma vez, acredito que o comportamento baixista pressionado pela demanda mais enfraquecida, mas também antecipadamente repassado pela indústria ao produtor pode ser um "tiro no pé". Uma hora esse déficit na captação aparecerá no mercado, fazendo com que o que se "economizar" agora, será perdido mais à frente, a não ser que a demanda realmente continue muito enfraquecida. A indústria tem reduzido sistematicamente os preços pagos ao produtor em novembro e dezembro, mas tendo que iniciar compras em fevereiro dos anos subsequentes num patamar muito maior. Será essa a estratégia mais inteligente de manter e repor margens?

Abraço, Paulo Stacchini - COWTECH
HONORIO LAZZAROTTO

NOVO HORIZONTE - SANTA CATARINA

EM 25/10/2014

para complicar mais aqui no oeste SC o leite é adulterado ,tudo isso vai estourar no produtor.
MARLON MARTINS MORAES

LAGOA GRANDE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/10/2014

e o leite em pó? qual senário...
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2014

Com dez centavos de redução no preço vai haver 40 % de redução na produção.