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Dólar valorizado pode ser novo elemento no mercado de lácteos

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PANORAMA DE MERCADO

EM 25/05/2006

3 MIN DE LEITURA

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No último artigo, comentamos que o mercado andaria de lado nos próximos meses, caso nenhum fato novo ocorresse. A repentina valorização do dólar, fruto das incertezas no cenário externo, em especial do aumento da inflação e redução nas expectativas de crescimento dos EUA, refletindo em juros mais altos, repercute nos mercados e pode vir a se constituir no "fato novo".

Há apenas 15 dias, a moeda norte-americana fechava em 2,06. Ontem, em meio ao que os analistas consideraram um novo ataque especulativo ao real, o dólar estava cotado a impensáveis (dada a conjuntura até então) R$ 2,40, representando uma valorização de mais de 15%. Alguns analistas apontavam valorização esperada para R$ 2,40 ao longo do ano, mas não em apenas uma quinzena de maio.

Sem dúvida, é precipitado fazer qualquer tipo de previsão quando se está em meio ao furacão. No exato momento em que escrevo, a cotação do dólar é de R$ 2,32, já refletindo uma queda significativa em relação ao fechamento de 24/05. É possível que, dependendo da conjuntura externa e da atuação do governo, o dólar venha a retroceder novamente. De qualquer forma, essa súbita valorização traz novas expectativas em relação ao mercado de leite. Isso porque, nesse patamar de câmbio, o leite brasileiro cai para algo em torno de US$ 0,20 por litro, tornando as exportações ao menos marginalmente interessantes, coisa que não acontecia há alguns meses, embora o ideal fosse R$ 2,70 para cima. Ao mesmo tempo, essa cotação dificulta a entrada de leite de outros países, especialmente da Argentina, nosso principal fornecedor externo. O resultado dessa situação é uma menor oferta de leite no mercado interno, o que afeta positivamente os preços de leite.

E não seria em má hora. Após um início de mês até que aquecido, com vendas de longa vida com preços até 12% maiores, o mercado reporta uma piora do cenário. O leite "spot", o primeiro que reflete o mercado, caiu 2 centavos nessa quinzena, embora as perspectivas para o mês seguinte sejam de manutenção. Também, há quem reclame de leite em pó disponível no mercado a preços bastante baixos. Não que a situação seja crítica, ou muito pior do que antes; o que se pode dizer é que o mercado vem oscilando, sem força para elevações significativas, mas também sem razão para grandes quedas.

Dado o momento, em que o mercado vem acenando com possibilidade de reversão do quadro de recuperação de preços, uma eventual valorização do dólar é bastante bem vinda, embora os resultados não sejam imediatos. Primeiro, há um tempo considerável para que, com mudança de patamar do dólar, haja reflexo no setor. Há contratos feitos, há produto internalizado, há compromissos de preços. Segundo, em um momento de elevada volatilidade, as empresas tendem a postergar os negócios, uma vez que a probabilidade de erro - e prejuízo - ao fechar um câmbio em um momento desfavorável (pode subir ainda mais, por exemplo) é maior. Os efeitos nos custos dos insumos também não são diretos, mas não se pode esquecer que esse representaria o lado "ruim" da valorização do dólar ao produtor.

Há ainda uma outra possibilidade que pode afetar os preços. Trata-se da oferta. Embora nessa época do ano o leite do sul se eleve, no centro-sudeste é época de entressafra. Em março, o CEPEA/USP havia identificado queda de 5,19% na captação dos laticínios, em relação a fevereiro. Agora, algumas regiões em Minas reportam queda na captação nos últimos 30 dias, chegando em alguns locais a 20%, em função da falta de chuvas e do frio que chegou. Em Goiás, a estimativa é de se trabalhar com 3% de aumento nessa entressafra em comparação ao ano passado, nada perto dos 13% do ano passado. A oferta nesses importantes estados pode ficar apertada, o que contribuiria para a manutenção do mercado mesmo que o câmbio não favoreça as exportações. Segundo estudos do CEPEA, a diminuição de 10% do volume de leite aumenta em 14,8% os preços ao produtor, sendo sempre uma variável importante nesta época do ano.

Considerando o cenário turbulento, qualquer previsão fica carregada com uma dose maior de incerteza do que o normal. Embora venhamos a ter uma idéia mais clara após a reunião do Federal Reserva, no dia 31, que pode definir os rumos das taxas de juros nos EUA em junho, o mais provável hoje é que o mercado continue andando de lado nos próximos meses, embora o dólar a R$ 2,30 ou mais certamente represente um novo alento ao mercado. Se essa situação for firme, se os preços do mercado internacional de lácteos se mantiverem e se outros países exportadores de leite não tiverem desvalorização de suas moedas ao mesmo ritmo do real, o mercado interno poderá reagir, a despeito das previsões anteriores.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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SAVIO SANTIAGO

OUTRO - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/05/2006

Esperamos realmente uma reação positiva do mercado estimulada por uma melhora nas exportações e diminuição nas importações. O problema é que, na prática, nós que participamos do mercado atacadista observamos que nem sempre as perspectivas correspondem à realidade.



Nesse momento, por exemplo, os mercados de leite longa vida do Rio de Janeiro e São Paulo apresentam tendência de queda. Iniciamos o mês com o longa vida valendo em torno de R$1,18 a 1,20 e agora a realidade já é de R$ 1,15 a R$ 1,17.



Todos os potenciais compradores do produto passam uma expectativa de queda. Algumas indústrias concorrentes na região já anunciaram redução no preço de R$ 0,02 a R$ 0,04 para produtores no mês de junho. A Nestlé já fala em queda de R$ 0,02 no mercado "spot". Esperamos sinceramente que esses fatos negativos não se confirmem e que essas alterações cambiais ajudem a segurar o preço do leite.

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