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"Atacado" e campo na contramão!

POR VALTER BERTINI GALAN

PANORAMA DE MERCADO

EM 29/03/2019

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O antigo ditado recomenda: “crie animais de estimação, mas não expectativas!”. Pois a cadeia leiteira é hábil em criar expectativas e alimentá-las em seus diferentes agentes, mas pouco efetiva em entregá-las. E isso aconteceu novamente este ano!

No começo de dezembro, a falta de chuvas em Minas Gerais e Goiás trouxe desequilíbrio no balanço entre oferta e demanda de leite no mercado brasileiro no final do mês de novembro/início de dezembro. Como consequência, o leite UHT teve considerável aumento no “atacado” (preços de venda da indústria aos diferentes canais varejistas), arrastando também o leite spot e, em menor proporção, a muçarela.

Criou-se então uma forte expectativa de que o mercado reagiria forte neste ano, com o novo governo indicando um cenário de recuperação econômica e o consumidor absorvendo as altas de preços verificadas até então. No entanto, não é bem isso que está acontecendo... Os gráficos 1 e 2 mostram a tendência de preços do leite UHT e da muçarela no “atacado” neste início de ano e sua comparação, em valores deflacionados, com anos anteriores.

Gráfico 1. Preços do leite UHT no “atacado”. Fonte: MilkPoint Mercado.

mercado do leite início de 2019

Gráfico 2. Preços da muçarela no “atacado”. Fonte: MilkPoint Mercado.

mercado do leite início de 2019

Os preços no “atacado” estacionaram e, com a forte alta do leite spot (primeiro) e do leite ao produtor (logo depois), as margens da indústria nos dois produtos ficaram bastante comprometidas – como mostram os gráficos 3 e 4.

Gráfico 3. Margens aparentes da indústria no leite UHT – R$/litro (*). Fonte: MilkPoint Mercado. (*) - Março/2019 é uma estimativa.

mercado do leite início de 2019

Gráfico 4. Margens aparentes da indústria na muçarela – R$/kg (*). Fonte: MilkPoint Mercado. (*) - Março/2019 é uma estimativa.

mercado do leite início de 2019

Assim, com preços ao produtor atingindo níveis 26,5% acima do ano passado e o indicador Receita menos Custo de Ração (RMCR) 35% acima de sua média histórica, criou-se um ambiente de mercado de incentivo ao crescimento dos volumes de produção que, no curto/médio prazos enfraquecerá os já “claudicantes” preços de atacado.

O que se pode esperar então do mercado? Se, no curto prazo, nenhuma reação mais forte vier do lado da demanda (e nada aponta para isso nas próximas semanas), os preços ao produtor, a partir do pagamento de abril (pelo leite de março) tendem a estabilidade/queda, seguindo a movimentação já observada no leite spot. O tamanho do estímulo via preço (e via RMCR) ao produtor dirá, nos próximos meses, quanto de leite adicional será produzido e qual será o ajuste adicional de preços necessário, caso continue estagnada a nossa demanda. Expectativa criada e estrago feito.

Vale a pena destacar que Valter Galan será um dos palestrantes do Interleite Sul 2019, que ocorrerá nos dias 08 e 09 de maio em Chapecó/SC. O título da sua palestra é "Tendências de curto e médio prazo para o setor leiteiro no Brasil" e fará parte do painel "Economia e Mercado". Confira a programação completa aqui! 

VALTER BERTINI GALAN

MilkPoint Mercado

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RODRIGO VIEIRA DE MORAIS

SÃO JOSÉ DO RIO PARDO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/04/2019

Uma coisa que deveria ser feito é avaliar as expectativas de mercado no momento da derrubada da Dilma e verificar se elas foram atendidas ou não. Pelos gráficos observamos que a margem das indústrias despencaram (2017, 2018, 2019), causadas pela política econômica do governo Temer e seguida pela política econômica do Bolsonaro. Façam uma avaliação justa e isenta da situação.
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 04/04/2019

Oi Rodrigo, obrigado pela participação.

Os 4 últimos anos foram muito ruins para produtores, indústrias e, principalmente para o consumo de lácteos - para algumas categorias, como iogurtes, retroagimos quase 10 anos nos volumes vendidos no mercado. Neste cenário não há justiça ou injustiça - a cadeia produtiva inteira é muito prejudicada.

Abraço!

Valter
BRENO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 04/04/2019

Desculpe em discordar, mas a cadeia produtiva do leite foi afetada pela crise do governo do PT, não estou defendendo governo algum, mas o PT acabou com toda industria do Brasil, sou Advogado, fui pequeno empresário, com um mercadinho e sou produtor de leite há mais de 15 anos, a crise real veio agravando ano a ano, tenho notas guardadas desde 2006, sendo notas fiscais de leite e de insumos, combustivel, ração, sal, remédio etc. em 2006 vc comprava 1.300kg, de ração por litro de leite, hoje 1 litro não paga um kg de ração, em 2007, recebi 0,82 centavos de real pelo litro de leite, e veio caindo ano a ano, até chegar no mesmo valor em 2017 e 2018, governo não conserta um pais em 2 anos, mas pode sim acabar com um país em 2 anos, desde 2010, venho sentindo a crise no escritorio, no comércio que fui obrigado a fechar as portas, como centenas em minha cidade, e ainda não parei com o leite por que gosto muito da atividade e estou implementando medidas para continuar sem ter prejuizos, então, o que vejo é o Brasileiro não ter memoria e não ter controle para ver a realidade de cada época e de tudo que vi e vivi a pior época foi final do governo do PT que quebrou o pais e deixou uma bomba relógio para os próximos governos. que não estou defendendo, mas sei que estão sofrendo os impactos dos gasto elevados e sem controle e a corrupção generalizada que saqueou os cofres públicos, é só observar as prefeituras e estados que estão falidos desde o pleito passado.
DANIEL RIBEIRO CAETANO

POUSO ALEGRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/04/2019

Boa noite Valter, parabéns pela matéria, faz tempo que estou esperando ler coisa à respeito, venho acompanhando as altas para nós produtores e acompanhando os preços de leite uht nos supermercados, realmente as altas nos supermercados não foram expressivas como para nós produtores.
Faz tempo que estou reparando isso, mas na minha opinião poderiam ser duas coisas , ou os laticínios estavam prevendo uma falta de leite e foram aumentando os preços para comprar leite de novos fornecedores e segurar os que já tem, para futuramente despencar os preços assim como ocorreu em 2017, depois vieram com a conversa que a produção de leite no Brasil estava muito alta. Ou o que eu acho mais provável, que os laticínios tiveram essa postura porque terá mudança na normativa e os laticínios não conseguiram comprar esse leite, pois o leite terá que ter qualidade, como os produtores estão abandonando à atividade assustadoramente, eles sabem que não conseguiram comprar esse leite, foi uma previsão deles. Aí vai minha pergunta procede isso que eu acabei de escrever?
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 04/04/2019

Olá Daniel,

Parece-me que a coisa foi mais conjuntural e, ao mesmo tempo, menos racional por parte da indústria. Houve falar de chuvas em dezembro, que fez reduzir a produção e causou um rally de preços naquele momento. Os preços subiram além do que o mercado suportaria, notadamente numa economia derrapando e com uma demanda que ainda não reagiu. Assim, os preços começaram a "retornar" (isto é, baixar).

Abraço!

Valter
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/03/2019

É sempre assim,, cada vez que aumenta o preço ao produtor, a indústria começa a justificar a queda que virá. E, sempre, com uma justificativa pífia, que não convence nem aos pares. As margens estão tão ruins para a indústria que, recentemente, foi divulgado o balancete de um grande grupo do setor, com lucros bilionários. Precisamos parar com essa mania de explorar quem produz a matéria prima e entender que esse estado de coisas provocou a saída de milhares da atividade. A continuar assim, a indústria laticinista, em breve, poderá impor o preço que quiser pelo produto, pois não haverá o que ou de quem comprar, Valter Bertini Galan.
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 04/04/2019

Guilherme,

Na minha visão a "culpa" foi da indústria, que criou expectativas e subiu preços, e não de produtor, que recebeu a sinalização de preços mais altos e, em função dela, vem acelerando a produção.
Quanto a lucros bilionários, não sei a qual empresa se refere, mas acho pouco provável que seja exclusivamente numa operação aqui no Brasil.
Finalmente, lembro do crescimento forte da produção dos Top 100 - o leite comprado neste mercado virá destes e de outros produtores.

Abraço

Valter
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 30/03/2019

Bom dia, é o que venho dizendo aos produtores que o mercado não está absorvendo as altas que estão acontecendo no campo. Mas ai vem as indústrias aventureiras que não se sabe como conseguem pagar 20% a mais que os demais pelo leite, ai faz toda essa bagunça
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 02/04/2019

Olá Eliseu,

Obrigado pelo comentário! De fato, no campo ainda observam-se movimentações de preço que não são explicadas pelo que está acontecendo no "atacado" (preços médios de venda da indústria aos varejistas). É a tal "expectativa" de mercado...

Abraço!

Valter
HENRIQUE COSTALES JUNQUEIRA

CASTRO - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/03/2019

Se tem algo que me atraí nas questões do mercado é a grande variedade de cenários e encenações dos seus atores.

Cada ano que passa há possibilidade de uma história diferente!

Obrigado Valter pelo texto que é fruto da profundidade das suas investigações e que reflete de fato o cenário do momento.
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 02/04/2019

Olá Henrique

Obrigado pelo comentário! Grande abraço!

Valter
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/03/2019

Atacadistas manipulando mercado!! Nada mais, nada menos!
VALTER BERTINI GALAN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 02/04/2019

Olá Roney, tudo bem?

Obrigado pelo comentário! Na verdade, quando falo "atacado" aqui, refiro-me ao preço médio de venda da indústria aos diferentes canais varejistas (atacadistas, super,mercados, pequeno varejo, distribuidores, etc.). È claro que o varejo (de forma geral) está cada vez mais concentrado, o que dificulta a capacidade de negociação dos vendedores.
De qualquer forma, neste caso específico, parece-me mais um descompasso entre oferta e demanda do que propriamente algum tipo de manipulação.

Abraço!

Valter