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Os ruminantes precisam de aminoácidos, não de proteína!

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 08/07/2021

7 MIN DE LEITURA

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Na nutrição de ruminantes, ainda é bastante comum considerar o nível geral de proteína bruta (PB) fundamental, com apenas uma atenção marginal ao conteúdo de aminoácidos. Considerar apenas o teor de PB da dieta é muito arriscado. Hoje em dia, é sabido que nem todas as fontes de proteínas, têm a mesma biodisponibilidade de aminoácidos. Em outras palavras, podemos ter uma alta PB, mas deficiência de metionina, dependendo das fontes de proteína. A falta de metionina está estritamente relacionada com os problemas de fertilidade nas vacas leiteiras.

Simultaneamente, PB e carboidratos fermentáveis elevados, são causas parciais do aumento de doenças podais, mastite e redução da fertilidade (Butles, 1998). Nas últimas décadas, o nitrogênio ureico no plasma, acima de 19 mg/dl, foi associado a efeitos negativos no balanço energético, na produção de progesterona e na fertilidade. Além disso, a ureia plasmática e o pH uterino são negativamente correlacionados. O elevado teor de PB na dieta resultou na elevação do nitrogênio plasmático e, consequentemente, em maior produção de prostaglandinas (PGF2α) e menor sobrevivência embrionária.

Outro ponto importante, é a diferença entre o nitrogênio ureico e a ureia do leite, bem como, entre a ureia do leite do tanque e os valores individuais. Porém, culpar um excesso genérico de PB na infertilidade provavelmente será uma saída fácil para não investigar as causas etiologicamente muito mais complexas da "síndrome de subfertilidade", que afeta as vacas leiteiras.

A seleção genética dos últimos anos das vacas holandesas, teve como objetivo aumentar a concentração e o rendimento diário da proteína do leite: no Brasil, esse valor oscila com o nível de produção das vacas de 3,15% (região sudeste, Roma et al., 2009) a 3,30% (estado de Rio Grande do Norte, Andrade et al., 2014), e caseína de 2,65% (Rio Grande do Sul, Zanela et al., 2006). Do ponto de vista prático, 40 kg de leite/dia de produção significa 1 kg/dia de caseína. A proteína do leite deriva principalmente da proteína metabolizável (os aminoácidos absorvidos no intestino), que é composta pela proteína microbiana do rúmen, proteína alimentar não degradada no rúmen e uma pequena porção derivada da renovação celular do sistema digestivo. Durante a primeira parte da lactação, a glândula mamária, é o primeiro órgão que utiliza aminoácidos. Mesmo que os ruminantes possam sintetizar aminoácidos de diferentes fontes de nitrogênio, parte dos chamados essenciais (AAE) devem ser ingeridos na dieta. Para as vacas leiteiras a metionina (Met) e a lisina (Lis) são AAE limitantes: a falta de ambos, resulta em uma menor produção de proteínas, mesmo se o restante dos aminoácidos estiverem presentes em altas concentrações.

O ideal seria que a proteína metabolizável fosse utilizada pelo animal totalmente e não houvesse excreção de ureia no leite. Na realidade, a deficiência de AAE, a ingestão desequilibrada de aminoácidos ou a deficiência de carboidratos fermentáveis no rúmen, são comuns e causam a baixa utilização de aminoácidos alimentares, bem como o aumento da ureia no leite (acima do limite superior de 30 mg/dl). 

Os resultados de estudos italianos demostraram que dietas para vacas, no início da lactação, são geralmente deficientes em aminoácidos: a ureia do leite está sempre presente, mais de 40% das vacas holandesas tinham ureia do leite até 20 mg/dl aos 5-60 dias de lactação (Figura 1), enquanto que cerca de 4% apresentaram concentração superior a 36 mg/dl, valor que poderia comprometer a saúde animal (Figura 2). Esta situação poderia ser similar ao sul de Brasil; onde os registros de 16.013 vacas leiteiras de diferentes raças, produzindo 32 kg/vaca/d no Paraná (com 3,4% e 3,13% de gordura e proteína, respectivamente), mostraram uma concentração média de ureia no leite de 30,9 mg/dl. Porém, este valor atingiu 34,8 e 34 mg/dl durante o inverno e a primavera, respectivamente (Doska et al., 2012). No mesmo estado, a estratificação de 3.926 lactações de vacas Holandesa, segundo o valor máximo de ureia no leite antes da concepção (< 33,2; 33,2–38,5; 38,5–43,9 e > 43,9 mg/dl), mostrou efeito negativo no intervalo parto-concepção (123,7; 150,2; 160,5 e 184,5 dias, respectivamente) (Doska, 2011). Portanto, seria necessário um reajuste da dieta que considere, entre outras coisas, a suplementação de aminoácidos essenciais protegidos da ação do rúmen e disponíveis para o animal no intestino.

Porcentagem de animais com ureia no leite até 20 mg/dl, indicados por ano e dias após o parto (dados italianos)

Figura 1: Porcentagem de animais com ureia no leite até 20 mg/dl, indicados por ano e dias após o parto (dados italianos)

Porcentagem de animais com ureia no leite> 36 mg/dl, indicados por ano e dias após o parto (dados italianos)

Figura 2: Porcentagem de animais com ureia no leite> 36 mg/dl, indicados por ano e dias após o parto (dados italianos)

A observação individual da proteína do leite pode ser útil para detectar a deficiência de aminoácidos: estudos italianos evidenciam que, mais de 25% das vacas holandesas têm proteína do leite <2,9% entre 16 e 75 dias em lactação, indicando uma deficiência de aminoácidos na dieta. No estado de Minas Gerais, registros de produção de 175.485 vacas Holandesas (189 rebanhos), mostraram também uma porcentagem média de proteína no leite inferior a 2,9% durante o período do dia 20 ao dia 60 de lactação (Teixeira et al., 2003). Durante os primeiros dias de lactação, o animal pode perder até 17 kg de proteína corporal para enfrentar a alta exigência de aminoácidos: outro biomarcador da deficiência alimentar é a redução da espessura do músculo Longissimus dorsii (Van der Drift et al., 2012). Toda deficiência de aminoácidos afeta fortemente a produção de caseína, o balanço energético, a função do sistema imunológico e a qualidade dos oócitos, folículos, corpos lúteos e embriões.

O Sistema de Proteína e Carboidratos Líquidos de Cornell (CNCPS), e as plataformas comercias do CNCPS®, podem ajudar os nutricionistas a regularem a ingestão de proteínas dos animais, com um estudo preciso do perfil de aminoácidos. No início da lactação, quando a vaca ainda não está prenhe, o objetivo da dieta é maximizar a produção de proteína microbiana do rúmen: o CNCPS é capaz de predizer, eficientemente, a quantidade desse tipo de proteína. Se as condições climáticas, ambientais e de manejo forem favoráveis, a ingestão de matéria seca de uma vaca leiteira de alto valor genético, no pico de lactação pode ser superior a 28 kg MS/vaca/dia. Assim, o rúmen pode produzir mais de 1600 g de proteína metabolizável de origem microbiana, além da proteína derivada da dieta não degrada no rúmen (RUP): essas fontes de proteína sustentam, teoricamente, uma produção de leite de 50 kg com 3,3% de proteína.

Se as vacas produzem menos proteína do leite do que a esperada, isso poderia ser devido a uma deficiência em um ou mais aminoácidos na proteína metabolizável (PM). O melhor perfil de aminoácidos, muito semelhante ao do leite, é o da proteína microbiana, enquanto a RUP está longe disso. A melhor relação Lis:Met é atualmente definida como 2,7:1 (6,74-7,10% de Lis e 2,30-2,52% de Met na PM). No entanto, a interação entre energia e proteína exerce um papel importante em como os aminoácidos serão utilizados pelo animal e, por esse motivo, foi sugerida a relação de 3,03 g Lis/Mcal EM e 1,14 g Met/Mcal EM (Higgs, 2014). 

Para atender às exigências de Lis e Met dos animais, a dieta tem que otimizar a fermentação ruminal, maximizando a produção de proteína microbiana. Depois disso, é necessário equilibrar a RUP, com aminoácidos protegidos da ação do rúmen, principalmente Met e Lis. Esta é a única maneira de se permitir que o potencial dos animais geneticamente superiores seja expresso da melhor maneira, obtendo-se os mais altos padrões possíveis de produção, fertilidade e saúde.

O Timet®, que é a metionina protegida da ação ruminal da Vetagro, é um produto de biodisponibilidade testada (Fontoura et al., 2019). A suplementação do Timet nas dietas de vacas leiteiras em lactação permitiu: I) aumentar a eficiência de uso do nitrogênio ao reduzir o nível de PB alimentar, sempre que o suprimento de PM fosse adequado em quantidade e balanço de Lis:Met (Fredin et al., 2015) e II) incrementar a produção de leite e seus sólidos nos animais consumindo dietas conducentes a uma deficiência de metionina metabolizável (King et al., 2019). 

Atuando desde 1982 a nível mundial como fonte protegida de metionina e formando parte das bibliotecas de alimentos dos softwares mais conceituados na formulação de dietas para ruminantes, o Timet®, em parceria com a Farmabase, distribuidor exclusivo da Vetagro, apoiam a produção leiteira no Brasil.

Quer saber mais? Fale conosco!

 

Referências disponíveis mediante solicitação. 

Artigo original de Alessandro Fantini disponível na língua italiana aqui 

Adaptado por Luis Depablos (luis.depablos@vetagro.com)

 

Este é um conteúdo de Vetagro. 

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