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Nutrição funcional, uma ferramenta para encarar o estresse térmico das vacas leiteiras

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 14/12/2021

8 MIN DE LEITURA

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Nos bovinos, o estresse térmico reduz o consumo de matéria seca, a saúde, e o desempenho produtivo e reprodutivo (West, 2003). Muitas pesquisas são desenvolvidas com o intuito de diminuir os efeitos negativos do estresse térmico nos sistemas de produção de gado, destacando-se a utilização de raças tolerantes ao calor, a modificação do meio ambiente (resfriamento e a integração de árvores ao sistema), as mudanças no manejo (horas de ordenha) e o aprimoramento da nutrição animal (dietas mais concentradas e suplementação, tanto de vitaminas do complexo B quanto de gordura by-pass).

Na pecuária leiteira, o desafio é ainda maior; uma vaca que produz 30 kg de leite deve dissipar a mesma quantidade de calor que 16 lâmpadas incandescentes de 100 watts. As vacas dissipam calor, principalmente aumentando a frequência respiratória: os mecanismos de dissipação podem falhar quando o índice de temperatura e umidade (ITU) se eleva. No gado europeu, a 22°C e 40% de umidade são ativados diferentes mecanismos para reduzir a produção de calor metabólico e aumentar a dissipação, a fim de manter a temperatura corporal constante, em torno de 38,5°C. A primeira reação, é a redução do consumo para diminuir a fermentação ruminal e a consequente produção de calor. O animal também se movimenta menos para produzir menos calor muscular, aumentando o consumo de água e a frequência respiratória. Todos esses mecanismos têm como consequência negativa a redução do desempenho produtivo e reprodutivo.

Um incremento de 0,5 °C na temperatura corporal, com mais de 80 respirações por minuto, significa que o animal está sob estresse térmico e é incapaz de controlar o aumento do ITU. Se mais de 15% dos animais estão sob estresse térmico, existe risco para todo o rebanho; caso contrário, apenas alguns animais precisam de ajuda.

No Brasil, as vacas leiteiras podem sofrer, no mínimo, estresse térmico em alguma época do ano. Em Marilândia (ES), estimativas mostram uma menor produção de leite nos meses mais quentes do ano (ITU> 72), mas a intensidade da queda foi maior à medida que o nível de produção aumentou (2,5 vs. 0,5 kg/vaca/d para vacas produzindo 20 e 10 kg/vaca/d, respectivamente) (Oliveira et al., 2013). Em Maringá (PR), no período de dezembro a março (maior ITU do ano), vacas com potencial de produção de 32,5 kg/d podem perder até 3,15 kg leite/d devido ao estresse por calor (Klosowski et al., 2002). Também no Paraná, oito anos de medição mostraram que as vacas (média de 20,6 kg leite/d) que iniciam a lactação durante os meses quentes apresentam uma menor produção de leite (0,6 kg/vaca/d) (Souza, 2008). Em Minas Gerais, as perdas estimadas durante os meses mais quentes variam entre 1,9 e 7,9 kg leite/vaca/d para vacas produzindo 10 e 30 kg leite/vaca/d, respectivamente. A diminuição média do consumo de matéria seca é de 3,2 kg/vaca/d (Nascimento et al., 2014).

Durante os meses quentes, o padrão de pastejo também muda, podendo diminuir o tempo total de pastejo por dia (Payne et al., 1951) ou aumentar a proporção de tempo dedicada para esta atividade durante a noite (Cowan, 1975). Dependendo da intensidade e da distribuição do estresse térmico durante o dia, o pastejo noturno variou de 34% (Stobbs, 1970) a 67% (Payne et al., 1951) em relação ao tempo total da atividade. À medida que se aumenta a produção de leite, se incrementa também a proporção de tempo no pastejo noturno (Stobbs, 1970), talvez como forma compensatória para se controlar o calor metabólico resultante da maior ingestão exigida pelo nível de produção. A queda no desempenho pode piorar nas vacas sob pastejo porque, além das consequências do estresse térmico, existem outras limitações que deprimem ainda mais o consumo de alimento, como a diminuição de digestibilidade das gramíneas tropicais, os níveis inadequados de nitrogênio para sustentar o desempenho (Dragovich, 1981) e a perda de estrutura do dossel (diminuição da relação folha/caule).

Estudos indicaram que a diminuição da produção, consumo de alimento e fertilidade perduram, sem motivo aparente, mesmo após a redução da temperatura ambiental, inclusive no inverno. Nas regiões temperadas, essa “síndrome de baixa produção de leite no outono” depende de vários aspectos diferentes. A produção de leite ao longo dos anos de vacas holandesas da Itália (Figura 1), indica que essa começa a cair antes do verão e essa condição dura até o final do outono, mesmo se o ITU já estiver abaixo do valor crítico. Esse é um problema global: os países europeus, a Rússia, os EUA e a China têm os mesmos resultados, enquanto os países do hemisfério sul experimentam o contrário.

Produção média de leite de vacas holandesas da Itália incluídas no sistema nacional de seleção genética.

Figura 1: Produção média de leite de vacas holandesas da Itália incluídas no sistema nacional de seleção genética.

Ao longo dos anos, muitas fazendas implementaram sistemas de resfriamento, reduzindo as perdas econômicas devido ao estresse térmico. O próximo passo, seria selecionar animais geneticamente mais resistentes a altas temperaturas: enquanto isso, a nutrição clínica e funcional pode atenuar a redução do desempenho. O menor consumo de alimento, requer a revisão da dieta e o manejo rigoroso durante o período quente. As vacas se alimentam principalmente durante à noite e, por isso, as luzes devem ser mantidas acesas e a ração deve ser fornecida no mesmo horário da ordenha da tarde. A chave de ouro é alimentar os animais com ração totalmente misturada (TMR), duas vezes por dia, na hora da ordenha da manhã e da tarde. As dietas de verão devem ser compostas de ingredientes palatáveis e forragens de alta digestibilidade.

O consumo de água no verão aumenta em 50% (cerca de 120 l/vaca/dia), e os animais bebem a maior parte após a ordenha (60% da ingestão total). As áreas com bebedouros devem ser localizadas preferencialmente na parte traseira da pista de alimentação e na saída da sala ou robô de ordenha. Nos piquetes, o acesso à água deve estar à sombra. O aumento do consumo de água e a redução do consumo de alimentos causam maior risco de acidose. Outra consequência, também relacionada à redução do tempo que os animais passam deitados, é o aumento da laminite clínica durante o final do período de estresse térmico.

Durante os períodos de calor, a ingestão reduzida de alimento diminui a proteína metabolizável. A consequência, é a redução da proteína do leite. É útil aumentar a ingestão de proteínas com fontes mais digestíveis na dieta e aminoácidos protegidos da ação ruminal (metionina e/ou lisina, de acordo com a sugestão dos modelos).

A redução da fermentação do rúmen causa a redução da síntese de vitaminas pela microflora do rúmen. As fontes de vitaminas protegidas da ação ruminal podem ser úteis para atender às exigências dos animais, especialmente para as do grupo B. A niacina (vitamina PP ou ácido nicotínico), tem múltiplos efeitos positivos no verão. O balanço negativo de energia e proteínas durante esse período, principalmente nas últimas semanas antes do parto e nos 90 dias seguintes, leva à mobilização elevada de gordura. A vitamina PP (pelo menos 6 g/dia) pode reduzir a produção de AGNE, o risco de cetose metabólica e esteatose hepática. Esta última, é a patologia mais importante das que causam baixo desempenho produtivo em vacas da raça holandesa, chegando os casos subclínicos a reduzir 7% da produção de vacas com potencial para 40 kg leite/dia. Além disso, a niacina ajuda a dissipar o calor endógeno, devido à sua atividade vasodilatadora periférica.

Quando o ITU é superior a 68, o uso de macrominerais na dieta muda. A molécula mais importante, é o bicarbonato de sódio: este é um tampão ruminal e é necessário para reduzir o acúmulo de íons hidrogênio nas células epiteliais do rúmen, reduzindo seus danos. Por outro lado, o aumento da frequência respiratória sob estresse térmico, aumenta o risco de alcalose respiratória devido à alta eliminação de CO2. Fazendas com alto risco desse problema aumentam a concentração de cloro e enxofre na dieta, durante o período seco: o objetivo é reduzir o risco de alcalinização sanguínea por potássio e fósforo, ingeridos com fenos extremamente ricos nesses elementos. Na Tabela 1 são reportadas as concentrações sugeridas de macrominerais para vacas leiteiras em lactação, durante os períodos quentes.

Tabela 1: Valores sugeridos durante os períodos de estresse térmico. Fantini Professional Advice SRL 2015.

Molécula

Valor sugerido (MS %)

Sódio

≤ 0,6

Potássio

Sem limites

Cloro

< 0,25

Magnésio

0,33

Cálcio

> 0,9

Fósforo

> 0,4

Balanço cátion-ânion na dieta (mEq) [(Na + K) – Cl] / 100 g

+35/+40

Vacas leiteiras confinadas apresentaram mudança nos tempos de alimentação para períodos mais frios durante o dia, e podem mostrar perdas de peso e escore de condição corporal (balanço energético fisiológico negativo) caso o manejo não seja ajustado (Polsky et al., 2017). Este problema, que também é experimentado em vacas leiteiras sob pastejo,  e pode ser agravado se o manejo conduz as vacas às baias ou barracões após a ordenha da tarde/noite, limitando o pastejo noturno. Nesse caso, devem ser tomadas medidas para aliviar o problema, facilitando o consumo de matéria seca noturna, fator crucial da produção leiteira sob esta condição.

O MecoVit® é um blend da Vetagro para suplementar simultaneamente algumas vitaminas do complexo B e doadores de grupos metil (metionina, colina e betaína), durante a transição das vacas leiteiras. Este produto foi testado tanto para biodisponibilidade dos nutrientes, quanto para a promoção da saúde do fígado, prevenindo a deposição de lipídios no orgão (Zang et al., 2019). Outras fontes microencapsuladas de vitaminas do complexo B (Microtinic®B-Complex, Microtinic®B12 e Microtinic®PP), também da Vetagro, mostraram respostas satisfatórias na eficiência alimentar (maior produção de leite com similar consumo alimentar) de vacas holandesas com 100 dias de lactação. Estas soluções estarão disponíveis na Farmabase, que é a distribuidora exclusiva da Vetagro, para todo o território nacional.

Quer saber mais? Fale conosco!

 

Referências disponíveis mediante solicitação.

Fantini. MilkPoint. Dezembro, 2021

Adaptado do artigo original da língua italiana disponível aqui.

Adaptado por Luis Depablos (luis.depablos@vetagro.com)

Este é um conteúdo da Vetagro.

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