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Especial Coração do Leite, Cabanha DS: ''desistir da atividade foi como perder parte de nós''

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 04/11/2020

5 MIN DE LEITURA

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Todos nós já passamos por momentos difíceis, alguns deles que nos fazem até querer desistir e abandonar tudo. Na produção leiteira não é diferente! Mas, muitas vezes, a paixão pela atividade fala mais alto e nos leva a tentar novamente. No Especial Coração do Leite de hoje vamos contar sobre a Cabanha DS, pertencente a uma família de muita garra, que chegou a perder tudo, mas deu a volta por cima. Quem conversou conosco foi João Vitor, Engenheiro Agrônomo, e um dos herdeiros da propriedade.

A Cabanha DS se iniciou em 1989, lá em Vila Lângaro, no norte do Rio Grande do Sul. Os irmãos Daniel e Delacir Secco e as esposas, Silvana e Elizabete, compraram uma vaca cada um e iniciaram a produção. “Na época, levavam o produto em uma panela a noite na beira da estrada para o leiteiro coletar. A ordenha era manual, em uma estrebaria adaptada”, contou João.

Três anos após o início, o irmão mais novo, Darlan, entrou na sociedade. Com isso, compraram mais seis animais, uma ordenhadeira de um conjunto e um resfriador de tarro (latão). Da mesma forma, levavam os tarros a noite na estrada para o leiteiro recolher. Em 1999, construíram uma sala de ordenha espinha de peixe, adquiriram uma ordenhadeira canalizada e um tanque de expansão. Neste período, já ordenhavam 30 animais e investiam fortemente na pecuária leiteria.

Passaram-se anos de muito trabalho e investimento, e, em 2014, a Cabanha DS estava em plena expansão de produção. Possuíam um plantel de 400 animais – entre vacas, novilhas e bezerras – 170 em lactação, com média de 30 litros/dia. Resolveram até investir na construção de um galpão de Compost Barn que comportava metade nos animais. Mas, no início de 2015, ao enviar alguns animais para o abate, foram identificadas lesões características de tuberculose em 6 deles. Foi aí que começou a tempestade.

“Junto com o exame de tuberculose, resolvemos realizar também o exame para brucelose. Primeiro foram testados aproximadamente 100 animais e obtivemos 12 positivos, alguns com tuberculose e outros com brucelose. Posteriormente, foram feitos exames em mais 80 animais e foi aí a maior surpresa: cerca de metade eram positivos. Todos os infectados foram para o abate sanitário. Depois deste primeiro diagnóstico, passamos mais 2 anos testando os animais a cada 60 dias. Às vezes o resultado vinha quase zero e achávamos que tínhamos vencido as doenças, mas depois passavam mais 60 dias e novamente outra surpresa, a doença aparecia novamente”, contou o agrônomo.

Foi assim que, depois de tanta insistência, os proprietários resolveram tomar uma decisão que vinham adiando. Em 12 de agosto do ano de 2017 decidiram colocar um ponto final na angústia: resolveram fazer o vazio sanitário e todos os bovinos da propriedade foram enviados para o abate. “Nós tivemos que desistir da atividade e foi como perder parte de nós. Nos primeiros meses tivemos que ser muito fortes, ficamos sem chão, afinal parecia que todos os sonhos, projetos e objetivos terminavam ali. Tantos anos de luta, trabalho e história para terminar em um abate sanitário. A partir deste dia, não sabemos se por decepção ou desconsolo, falamos que nunca mais teríamos a atividade na propriedade, que nunca mais produziríamos leite”, disse João.

O Ministério da Agricultura determinou 6 meses de vazio sanitário na Cabanha DS, que foram cumpridos e todas as instalações foram desinfectadas. Depois disso, os proprietários tentaram trabalhar com gado de corte, mas a paixão pelo leite falou mais alto. “Passaram-se em torno de 2 anos e meio e, neste período, a saudade da atividade leiteira foi batendo, cada dia que passava ela aumentava. Era saudade da ordenha, da ‘bezerrada’ nascendo, de todos os desafios e alegrias diárias que a produção leiteira nos proporciona. Até que um certo dia fomos vencidos pela saudade e pelo amor pela produção deste alimento tão rico, então decidimos que ergueríamos a cabeça e voltaríamos a produzir, fazendo tudo com muita paciência e excelência, um passo de cada vez”, contou João Vitor.


Primeira bezerra nascida após o retorno das atividades

Isto aconteceu em meados de 2019 e os proprietários passaram a reorganizar e reformar as estruturas, que haviam ficado mais de dois anos paradas. Feito os ajustes, iniciaram a busca por animais para começar a produção. O padrão exigido para os animais era alto: novilhas de boa genética, de propriedades certificadas como livres de brucelose e tuberculose e que fossem também negativas para leucose. Segundo João, foi extremamente difícil encontrar animais com essas características e, depois de muita busca por toda a Região Sul, conseguiram comprar 8 novilhas que chegaram na propriedade em abril deste ano. Elas ainda não estavam próximas à época de parição e a busca por outros animais continuava, pois queriam comprar pelo menos 30 para que a atividade fosse viável. Por fim, conseguiram adquirir mais 33 animais em Santa Catarina, que chegaram na propriedade entre maio e junho deste ano, permitindo um novo recomeço no leite para a família Secco.


Reinício da produção, com 6 animais em lactação

Atualmente, a propriedade está produzindo cerca de 225 litros diários, com 8 vacas em lactação – todas primíparas – e média de 28 litros de leite/dia, alojadas em Compost Barn. Toda a família participa da atividade: Delacir e Elizabete têm dois filhos, João Vitor, que é engenheiro agrônomo e nos contou esta história, e Daniquelem, que é bióloga; Daniel e Silvana têm três filhos, Alex, Gustavo, que é médico veterinário, e Marcos, que está terminando o curso de Medicina Veterinária. O pai de Delacir e Daniel, Dorvalino, tem 79 anos e ainda ajuda na produção leiteira.


Família Secco, da Cabanha DS

Com uma história tão bonita e de tanta superação, é claro que a Cabanha DS não quer parar por aí. “A meta de nossa propriedade é produzir leite de altíssima qualidade, podendo o consumidor ter segurança no momento de adquirir e consumir esse alimento tão nobre. Em um futuro próximo, queremos industrializar o leite em nossa propriedade. Falando em números, temos o objetivo de nos próximos dez anos chegar a pelo menos 300 vacas em lactação e já estar com nossa marca no mercado”, explicou João. “Esse é um breve resumo da nossa fazenda e a história que tem por trás de tanto trabalho e luta para superar todas as dificuldades desta atividade, mas que, no final, nos gratifica com conquistas e alegrias. Um de nossos lemas é: O sonho é a realidade de quem acredita”, finalizou.

Foi um prazer para nós do MilkPoint contar a história da Cabanha DS, que, com certeza, irá inspirar pessoas por todo o Brasil. Se você também quer contar sua história ou conhece alguma que mereça ser contada, entre em contato conosco preenchendo o formulário disponível neste link.

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ANDRÉ QUINTO TURATTI

CAIBI - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/11/2020

Que história mais linda! Parabéns pela superação !
MILTON CESTARI

TOLEDO - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 04/11/2020

Aproveitando a oportunidade gostaria de fazer um comentário a respeito da extrema dificuldade para eliminar a tuberculose de uma propriedade. Como veterinário assistente técnico e clínico tive a experiência numa propriedade leiteira. Mesmo seguindo rigorosamente todas as recomendações técnicas de exames e eliminação de positivos e suspeitos, repetindo os exames periodicamente, estudando profundamente as possíveis fontes de contaminação( e eliminando-as)... não conseguimos debelar o problema. O produtor, muito sério e tecnificado, foi obrigado a parar com a atividade para eliminar a tuberculose.
Recomendo todo o esforço para impedir a entrada da doença na propriedade porque eliminar é quase impossível.
Foi frustrante, mas nesse caso a prática é bem mais complexa que a teoria.

Milton Cestari
Médico Veterinário
Cafelandia- PR
FELIPE SECCO

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/11/2020

Trajetória muito interessante dessa Fazenda, uma lição de dedicação e coragem! Que esse recomeço traga muitas alegrias para a Cabanha DS, contém sempre com a nossa parceria como foi no passado, que nos ensinou muito principalmente sobre sanidade e sem dúvida proporcionará um futuro de excelência na produção de leite!!
ADENILSON N

BOA VISTA DA APARECIDA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/11/2020

Aqui na minha propriedade já deu brucelose. Aí fica a minha indignação para que ser obrigado a vacinar as Bezerra e ter gastos com vacina se quando da positiva nas vacas vacinadas os laboratórios donos da vacina não se impõe aí resolver o caso .é só o produtor que fica no prejuízo
IDENO PAULO PIETROBELLI

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/11/2020

Parabéns à família Secco pela garra e recomeço. Pessoas do bem construindo seus sonhos e objetivos, com os pés no chão e muito conhecimento. Obrigado pela parceria.
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