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É realmente útil suplementar vitaminas do complexo B nas dietas de ruminantes?

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EM 10/11/2021

9 MIN DE LEITURA

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As vitaminas do complexo B e a vitamina C são conhecidas como vitaminas hidrossolúveis. A colina também é inserida, indevidamente, dentro desse grupo, devido a certas funções metabólicas e porque algumas vezes, a dosagem de uso se confunde com o termo exigência do animal. As vitaminas hidrossolúveis são sintetizadas pela microflora ruminal e intestinal e sua suplementação com a dieta ainda é debatida. As vitaminas do complexo B são cofatores enzimáticos essenciais no metabolismo da energia, dos aminoácidos, dos ácidos graxos e dos ácidos nucléicos (Tabela 1), consequentemente, sua deficiência pode afetar fortemente as funções bioquímicas.

Tabela 1. Vitaminas do complexo B e suas principais funções no metabolismo animal.

Vitamina

Metabolismo

(B1) Tiamina

De proteínas e carboidratos. Crucial na síntese de ácidos graxos a partir dos carboidratos (descarboxilação do piruvato). Participa na produção de acetilcolina, regulação do sistema imune, atuando ainda como fator antiinflamatório e como antioxidante.

(B2) Riboflavina

Energético. Reações biológicas de oxidação e redução: componente das flavoenzimas (FMN e FAD). Envolvida com mais de 100 sistemas enzimáticos de oxido-redução.

(B3) Niacina

Nicotinamida ou Vitamina PP

Energético. Precursora das coenzimas NAD (Nicotinamida adenina dinucleótido) e NADP (forma fosforilada do NAD), envolvidas em mais de 200 reações metabólicas. Promove o funcionamento adequado dos sistemas imunológico e nervoso. Possui função vasodilatadora; em vacas leiteiras favorece a perda de calor interno diminuindo o estresse térmico. Também diminui os AGNE e BHB em vacas sob BEN.

(B5) Ácido Pantotênico

De carboidratos e de lipídeos. Se liga ao acetato para formar acetil-CoA sendo, portanto, importante nas reações de liberação/armazenagem de energia. Participa do metabolismo lipídico (colesterol, esteróis) e auxilia na formação das hemácias. Também apresenta papel na manutenção das cartilagens

(B6) Piridoxina

Piridoxal ou Piridoxamina

Cofator de 50 enzimas (carboxilação, transulfuração, dessulfuração, etc). Participa no transporte de aminoácidos através das membranas, na gliconeogênese, na conversão dos ácidos essenciais linoleico e araquidônico, na sínteses de hemoglobina, epinefrina e norepinefrina, bem como na expressão gênica.

(B7) Biotina

Síntese de ácidos graxos, gliconeogênese e no catabolismo de aminoácidos. Também tem papel na regulação da expressão gênica. Importante na saúde do casco dos animais: a deficiência diminui os filamentos estabilizantes na camada superior do corium.

(B9) Ácido Fólico

De aminoácidos (serina) e ácidos nucleicos (síntese de bases) sendo importante, portanto, no metabolismo de proteínas. Sua forma reduzida funciona como receptor e transportador de unidades de carbono. Participa na expressão gênica e na regeneração de metionina a partir de homocisteína (junto à vitamina B12). A deficiência pode provocar anemia e defeitos congênitos.

(B12) Cobalamina

De aminoácidos e ácidos nucleicos. Fundamental na gliconeogênese (formação de succinato a partir do propionato produzido no rúmen). Participa na hematopoiese. O cobalto faz parte do centro ativo da molécula de B12; em ruminantes a absorção de Co pode ser baixa e as pastagens de algumas regiões podem ser deficientes no elemento.

Fonte: NRC (2001); McDowell (2003); Berchielli et al., (2006); NASEM (2021)

Em geral, as vitaminas hidrossolúveis são incluídas nas dietas para ruminantes por duas razões:

  1. Nutrição basal: tanto vitaminas hidro e lipossolúveis, quanto minerais, são incluídas nas dietas, independentemente da fase produtiva do animal.
  2. Nutrição clínica e funcional: as vitaminas são suplementadas na dieta para melhorar a função hepática e auxiliar no metabolismo animal, como cofatores enzimáticos de diferentes vias. Por exemplo, a cobalamina (B12) é necessária para o correto funcionamento da metionina sintase, para a regeneração da metionina no ciclo de metilação e está envolvida no ciclo de Krebs (Figura 1) para a produção de succinil-CoA (Girard & Matte, 2005; Girard et al., 2005).

A participação da vitamina B12 na formação de glicose no ruminante

Figura 1. A participação da vitamina B12 na formação de glicose no ruminante

As exigências nutricionais de gado de leite (NRC, 2001), afirmavam que os microrganismos do rúmen são capazes de sintetizar quantidades adequadas de vitaminas hidrossolúveis e que essas moléculas estão amplamente presentes nos ingredientes alimentares, de modo que, não há a necessidade de suplementá-las na dieta. Porém, em 2001, havia poucos estudos sobre esse tópico, e eles não foram realizados com vacas leiteiras (Miller et al., 1986; Zinn et al., 1987). A falta de interesse neste tópico deveu-se parcialmente à falta de sinais clínicos de deficiência de vitaminas do complexo B. Desde o ano de 2001 as pesquisas mostram que, mesmo que sem sinais de deficiência, há vantagens na suplementação de vitaminas do complexo B nas dietas dos ruminantes, especialmente às dos bovinos de alto valor genético (dose-resposta) (NASEM, 2021).

É preciso considerar que os bovinos criados até a década de 90, do século passado, eram completamente diferentes dos atuais. Suas produções eram, de fato, significativamente menores e seu metabolismo menos "demandante". Certamente até essa data, os ruminantes domésticos não precisavam de suplementação com vitaminas do complexo B, mas hoje, é nosso dever nos perguntar se essa afirmação ainda é relevante.

Em ruminantes, o aporte de vitaminas do grupo B, não pode ser calculado exclusivamente da ingestão, porque a microbiota do rúmen tanto é consumidora, como produtora de vitaminas do complexo B. Apesar de existir absorção de algumas vitaminas do complexo através das paredes do rúmen, o maior aproveitamento acontece no intestino delgado. Portanto, o fluxo duodenal é usado para determinar a quantidade de vitaminas B, potencialmente disponíveis ao animal. O fluxo duodenal de vitaminas B é o somatório da síntese microbiana e das oriundas da ingestão alimentar.

Calcular a quantidade exata de vitaminas B de origem alimentar é difícil: plantas da mesma espécie podem ter concentrações muito diferentes, enquanto o armazenamento e os tratamentos alteram seu conteúdo. Adicionalmente, as vitaminas do complexo B, de origem alimentar, são degradáveis no rúmen (Tabela 2), de modo que, sua biodisponibilidade é fortemente afetada se elas não estiverem protegidas. Mais complicado e variável ainda é o cálculo da síntese ruminal aparente (SRA) das vitaminas do complexo B. O NASEM (2021) reúne informações de várias pesquisas mostrando valores de consumo, fluxo duodenal e SRA muito variáveis para as vitaminas B. Para ilustrar o fato, o SRA pode oscilar do negativo (mínima síntese ou elevada degradação no rúmen) ao positivo, fato que acontece para a maioria das vitaminas do complexo.

Tabela 2. Degradação ruminal das vitaminas do complexo B de origem alimentar não protegidas da ação do rúmen.

Vitamina

Degradação ruminal (%)

(B1) Tiamina

32-48

(B2) Riboflavina

99

(B3) Niacina

90

(B5) Ácido Pantotênico

78-85

(B6) Piridoxina

0-40

(B7) Biotina

55

(B9) Ácido Fólico

72

(B12) Cobalamina

63-90

Fonte: Zinn et al. (1987); Santschi et al. (2005); NASEM (2021)

Nem na NRC (2001), nem no NASEM (2021) são indicadas as exigências das vitaminas do complexo B. No caso da biotina, devido aos efeitos positivos na saúde do casco, o conhecimento atual aponta para o fornecimento de 20 mg/d em vacas em lactação, mas sem nenhuma indicação sobre a forma protegida da ação ruminal ou não. A biotina está envolvida no processo dependente de zinco da queratinização do casco, aumentando a síntese de ácidos graxos nos queratinócitos. Também foi demonstrada uma melhora na produção de leite e fertilidade após a suplementação alimentar de biotina e cobalamina (Bergsten et al., 2003; Girard & Matte, 2005). No Brasil (Jataí, GO), vacas Girolando mantidas em pastejo durante a estação chuvosa e confinadas durante a estiagem, recebendo concentrado de acordo com seu nível de produção, apresentaram uma tendência à melhor produção leiteira (18 vs 17 kg leite/vaca/d), devido à suplementação de biotina (Queiroz et al., 2019). A casca de soja é um alimento conhecido por fornecer uma grande quantidade de niacina, mas nem sempre esse subproduto está presente nas dietas das vacas leiteiras.

A suplementação (dose elevada) de niacina em vacas sob jejum induzido diminuiu a mobilização de reservas corporais e a produção de AGNE (Pires et al., 2007). A suplementação de niacina permite uma melhor resposta das vacas leiteiras sob estresse térmico. A vitamina estimula a vasodilatação, incrementa a transferência de calor do núcleo para a pele e aumenta, portanto, a perda de calor periférica das vacas (Di Costanzo et al., 1997). Durante o verão do Sudeste Brasileiro, vacas leiteiras confinadas sob estresse térmico (THI média 71,7) suplementadas com leveduras, tiveram aumento na produção de leite (26,7 vs. 25,4 kg/d) e no conteúdo de niacina plasmática, que aparentemente facilitou a dissipação de calor, pois com temperatura corporal semelhante foi observada uma frequência respiratória mais baixa (Salvati et al., 2015). Na mesma fazenda, uma pesquisa posterior, com ainda mais estresse térmico (THI média 72,8), também encontrou efeito positivo da suplementação de leveduras na redução da temperatura retal, frequência respiratória e temperatura da pele. A eficiência alimentar melhorou (mesma produção de leite; 30,4 kg/d, com menor consumo alimentar), assim como a concentração plasmática de niacina (Dias et al., 2018).

A vitamina B12 é importante para o crescimento da microflora ruminal, mas exclusivamente, se a dieta contiver também cobalto. A exclusão progressiva do cobalto, devido aos efeitos nocivos para os trabalhadores das fábricas de ração, aumenta o risco de deficiência da vitamina B12 em ruminantes. Além disso, no Brasil, a maioria das gramíneas tropicais apresentam deficiência de alguns minerais, dentro dos quais se encontra o cobalto (Prado, 2008), existindo deficiência do micromineral em tecidos animais em várias regiões do país (Moraes et al., 1999) ao ponto de apresentar-se casos clínicos em animais que não receberam a correta suplementação mineral (McDowell, 2003). A síntese ruminal aparente de B12 é negativamente afetada pela quantidade de amido degradável no rúmen em vacas leiteiras (Schwab et al., 2006; NASEM, 2021).

A suplementação de vitaminas do complexo B, em muitos estudos, mostrou benefícios positivos. Ao avaliar a suplementação, você tem alguns pontos a serem considerados:

  • O fluxo duodenal está relacionado tanto à dieta quanto ao produzido pela microflora do rúmen e é realmente difícil de ser determinado com precisão;
  • O aumento constante do desempenho animal conduz com um aumento constante, tanto das necessidades de vitaminas pelo próprio ruminante, quanto de sua microflora ruminal;
  • As exigências ruminais de vitaminas do complexo B, que permitem uma melhoria da produção de proteína metabolizável e dos ácidos graxos voláteis, devem ser fornecidas através de moléculas não protegidas à ação ruminal;
  • A deficiência de vitaminas do complexo B causa disfunções metabólicas, devido à atividade coenzimática fundamental dessas vitaminas. A consequência, é redução do estado geral de saúde e do desempenho animal;
  • A suplementação de vitaminas hidrossolúveis protegidas da ação ruminal (microencapsulação) é a única maneira de se garantir que elas sejam disponíveis para o animal;
  • Estresse, aumentos da exigência de energia e das infecções causam um incremento das necessidades de vitaminas. Nestes casos, é útil incorporar vitaminas do complexo B protegidas da ação do rúmen.

Conhecendo-se a importância da suplementação de algumas vitaminas do complexo B e doadores de grupos metil, durante a transição das vacas leiteiras, a Vetagro desenvolveu o MecoVit®. Esse produto foi testado tanto para biodisponibilidade dos nutrientes (Fontoura et al., 2019), quanto para a promoção da saúde do fígado, prevenindo a deposição de lipídios no órgão (Zang et al., 2019). Outras fontes microencapsuladas de vitaminas do complexo B (Microtinic®B-ComplexMicrotinic®B-12  e Microtinic®PP), também da Vetagro, estarão disponíveis no Brasil no futuro. A Farmabase, parceira da Vetagro, distribui o MecoVit® no território brasileiro.

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Referências disponíveis mediante solicitação.

Este é um conteúdo da Vetagro.

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