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Desmitificando as Mangueiras e lavagem nos Sistemas de Ordenhas

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 04/09/2020

7 MIN DE LEITURA

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Já abordamos esse assunto em outros textos aqui no site do MilkPoint, sobre o uso das mangueiras em Ordenhadeiras. Entretanto, percebemos em conversas, viagens, encontros técnicos, muitas duvidas recorrentes sobre esse componente, quanto a sua durabilidade e manuseio.

Ao observar atentamente uma ordenhadeira, seja ela sistema balde ao pé ou canalizada, modelos os quais a grande maioria dos produtores brasileiros utilizam, percebe-se que esses equipamentos são compostos em grande parte por mangueiras, seja as mangueiras para conectar o vácuo seja para transportar o leite, ou para água de lavagem.

Sendo assim, as mangueiras fazem parte de nosso equipamento de uso diário na ordenha e as mesmas necessitam de substituição periódica, comprimentos exatos e encaixes em diâmetros compatíveis e seu desempenho ou características variam conforme sua fabricação.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, logo devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Podemos encontrar variadas matérias primas para fabricação das mangueiras para sistema de ordenha entre elas: borracha, silicone e PVC. O mais comumente encontrado e trabalhado nos sistemas de ordenhas são mangueiras produzidas a partir do PVC devido principalmente ao custo de aquisição frente as demais matérias primas.

Entre temperaturas ambientes de 5ºC a 35ºC as mangueiras de PVC resistem bem, entretanto quando saímos destas temperaturas ou aproximamos as suas extremidades, podemos alterar sua maleabilidade e rigidez da mangueira podendo causar transtorno ou dificuldade no ato de ordenhar.

Possuímos a influência da temperatura ambiente e suas variações em decorrência a estação do ano em que estamos. Havendo períodos de calor intenso acima 35°C e períodos de frio e no Sul do país a amplitude térmica é grande e no inverno não são raros termos temperatura abaixo dos 5°C e até mesmo abaixo de 0°C.

Nos estados do Sul, principalmente no inverno o choque da temperatura, a lavagem e os produtos utilizados na mesma atacam a composição do PVC, assim alterando suas características, tornando a mangueira mais rígida, comumente chamada no sul de “mangueira dura”. Isso ocorre principalmente nas mangueiras de uso já avançado, o que gera inconveniência na hora da ordenha e até mesmo alguma dificuldade.

Mangueiras de Vácuo – devido ao ressecamento podem começar a escapar das conexões e não deixam os conjuntos alinhados. Podem apresentar trincas e vazamentos.

Mangueiras de leite – podem apresentar enrijecimento das paredes, dificuldades de alinhamento dos conjuntos, podem escapar de conexão do coletor.

Portanto as trocas das mangueiras de PVC são recomendadas a cada 6 meses de utilização, após isso, além do inconveniente citado acima que é catalisado pelo frio ou calor extremo, podem apresentar trincas e formação de biofilme interno que poderá causar transtorno na qualidade do leite.

Uma questão de grande importância é durante a ordenha e o manuseio das mangueiras, ou seja, aplicação das mesmas e o uso agressivo que elas sofrem: força interna do vácuo, passagem constante da gordura do leite, pisoes dos animais, desgaste por arrasto em superfícies abrasivas, flexões exacerbadas, amplitudes de temperatura do ambiente, choques térmicos na lavagem, produtos químicos na lavagem e muitas vezes à própria água utilizada após ordenha na lavagem leva a desgastes precoces dos componentes das mangueiras.

Para melhor entendimento adotamos a rotina de trabalho abaixo;

No processo diário de ordenha:

1. Sanitização do sistema de ordenha (Temperatura Água 35 a 40 ° C)

2. Ordenha propriamente dita (Leite na faixa de 37°C de temperatura)

3. Pré enxague (Temperatura Água entre 35 a 40°C)

4. Lavagem Alcalina (Varia conforme o fabricante do detergente em via de regra entre 76 a 80°C)

5. Enxague (Geralmente temperatura ambiente)

6. Lavagem ácida (temperatura em torno de 40°C, mas varia conforme o tipo de detergente ácido)

7. Pós enxague ou não, depende da estratégia da fazenda (Temperatura ambiente ou 35 a 40°C).

Em nosso trabalho diário de uso das mangueiras há um componente que por vezes é negligenciado, que é água utilizada no processo de ordenha. Na atividade leiteira, a quantidade e a qualidade da água são fundamentais para suprir as necessidades de consumo do homem e dos animais, além da limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos visando garantir a saúde humana e animal necessária para a produção de leite. Infelizmente a qualidade da água por vezes não tem sido considerada quando se deseja desenvolver a atividade leiteira ou produzir leite de melhor qualidade.

 Há vários aspectos a monitorar na qualidade da água na produção de leite, entretanto vamos permanecer nos aspectos físico-químicos da água sem adentrar na questão microbiológica da agua de extrema importância também.

Porque a qualidade física – química da água afeta a qualidade do leite?

Por reduzir principalmente a eficiência dos processos de limpeza e desinfecção tanto dos utensílios, equipamentos de ordenha e tanques resfriadores, com isso diminuindo a vida útil de alguns componentes dos equipamentos.

O exame físico químico da água deve incluir obrigatoriamente, a análise de turbidez, cor, PH, sólidos totais dissolvidos, dureza, ferro, manganês, sulfatos, nitrogênio amoniacal e nitroso.

Tabela - 1

Parâmetro

Limite

Observação

Cor

15 uH

Presença de ferro e manganês

Turbidez

5 mg/L

Ocorrência de chuvas pesadas

Sabor e odor 

=

Alterada quando salobra e contaminada por algas

Acidez

-

Influenciada pelo tipo de contaminação e poluição do ambiente – ácidos minerais

Alcalinidade

10 a 50 mg/L

Presença de bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos e boratos

Nitrato e nitritos

10 mg/L

Decomposição da MO ou lançamento de adubos nitrogenados

Sílica

2 a 100 mg/L

Formam depósitos nas tubulações de água quando são aquecidas

Ferro e manganês

100 mg/L

Gosto amargo, cor amarela e turva

Sólidos totais dissolvidos

250 mg/L

Responsável por efeitos laxativos e pelo gosto desagradável

Dureza total

10 a 200 mg/L

Causada pelos íons de cálcio e magnésio

Substância químicas indesejáveis e metais

A estudar

Agrotóxicos, antibióticos, ivermectinas, hormônio, inseticidas, fungicidas e metais pesados

Fonte: adaptado de Viana, 2008.

As características físicas química da água de relevância aos processos de limpeza, desinfecção e vida útil dos componentes da ordenha são a dureza e o PH.

A dureza da água é caracterizada pela capacidade de neutralizar e precipitar sabões – sendo calculada a partir da soma concentrações de íons cálcio e magnésio na água como equivalentes de carbonatos de cálcio (CaCo3), expressos em ppm ou em mg/litro conforme verificamos na tabela 2 abaixo. Estes sais formam a chamada “pedra de leite”, sendo necessário para sua eliminação o uso de detergentes ácidos em maior frequência e concentração.

Tabela – 2 Classificação da dureza da água

 

< 100 ppm

Mole

Até 270 ppm

Semi dura

< 360 ppm

Dura

>470 ppm

Muito Dura

 

Há uma reação entre os compostos do detergente e os íons cálcio e magnésio presentes na água dura que produz precipitados insolúveis, o detergente acaba, por conseguinte apresentando ação reduzida e menor capacidade de formar espuma, não atingindo o PH ideal da solução de limpeza. Portanto, diminuindo a vida útil de vários componentes da ordenha com eventual dificuldade ou impedindo de manusear válvulas, agredindo as mangueiras até mesmo danificando os aquecedores de água. O ciclo de limpeza deve atender a especificações quanto à temperatura, tempo, turbulência e concentração de detergentes.

O PH da água pode ser influenciado em função da passagem das águas da chuva sobre os tipos de rochas presentes no solo de uma determinada região incorporando os sais dissolvidos a ela assim conferindo o PH correspondente.

Águas naturais que contém ácidos minerais, ácidos orgânicos e CO2 são ácidas as águas naturais que contém bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos, boratos são alcalinas, não obstante o PH das águas poderá ser influenciado pelo tipo de contaminação do ambiente. Águas ácidas, além de promoveram corrosão de equipamentos, neutralizam detergentes alcalinos dificultando o estabelecimento do PH ideal nos procedimentos de limpeza.

Sendo assim, conhecer a qualidade da água ao menos no contexto aqui descrito físico-químico é muito importante pois a dureza da água é um fator a se considerar conforme Pedraza 1998, água semidura, dura ou muito dura diminuem significativamente a eficiência da limpeza nos sistemas de ordenhas quando os detergentes não incluem abrandadores na proporção adequada.

Portanto, possuímos reflexos negativos na produção com a utilização de águas duras na limpeza aumentando os custos dessa operação devidos aumentos da frequência e ou dosagem do detergente, trocas precoces de componentes e busca de novas estratégias e fórmulas capazes de neutralizar os efeitos da dureza.

Consulte sempre seu técnico de ordenha sobre o desempenho da sua ordenha e componentes para que analisem novas estratégias e novos produtos quanto a sua aplicação, custo e resistência.

Boa Lactação!!!

                                                                                                          Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

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