Coração do Leite: ''com o surto de febre aftosa na minha região, se iniciou um filme de terror''

"O que mais traumatizou foi que para atender as determinações de organização internacional de epizootia e do programa nacional de erradicação de febre aftosa, foram sacrificados todos os animais situados num raio de 3 quilômetros das propriedades afetadas", comentou Fabrício Nascimento, produtor de leite de Jóia/RS.

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Figura 1Momentos difíceis: quem nunca passou por eles? Nas propriedades leiteiras, isso não é diferente. Às vezes o bolso aperta, o pasto não vai bem, alguma doença acomete o rebanho ou perdemos algum funcionário que sempre foi nosso braço direito. Em outras, o planejado não sai como o esperado e aquela velha frase 'épocas de vacas magras' passa a fazer um baita sentido.

Mas...de repente, depois da tempestade aparece um arco-íris e a 'roda volta a girar' com fluidez e eficiência. É assim que se desenrolam as histórias de superação, cujas cicatrizes ficam marcadas em nós e são revertidas em amadurecimento e resiliência.

Na 3ª edição do Especial Coração do Leite, a Equipe MilkPoint conversou com Fabricio Nascimento, que nos contou com detalhes sobre uma das histórias de superação vivenciadas pela sua propriedade.

23 de agosto de 2000 foi uma data histórica e que ficará para sempre na memória dos moradores de Jóia, Rio Grande do Sul. Nesta data foi decretada emergência sanitária, que perdurou por 5 meses, devido a um foco de febre aftosa em uma propriedade do município.

“Foi o início de um filme de terror, com 72 barreiras sanitárias e propriedades vizinhas afetadas e interditadas. O caso envolveu mais de 900 pessoas entre médicos veterinários, agrônomos, técnicos, peritos, fiscais, exército e outros. O que mais traumatizou foi que para atender as determinações de organização internacional de epizootia e do programa nacional de erradicação de febre aftosa, foram sacrificados todos os animais situados num raio de 3 quilômetros das propriedades afetadas”, comentou Fabrício Nascimento, produtor de leite de Jóia/RS.

Figura 2

Segundo ele, os animais eram jogados em valas e mortos por rifle sanitário, e na sequência, eram soterrados. No total, foram 22 focos que atingiram 597 pequenas propriedades da região, obrigando os produtores a sacrificarem 11.087 mil animais.

“Nossa propriedade ficou fora do raio de 3 quilômetros das afetadas, então não tivemos animais sacrificados, porém não podíamos vender o leite. Por 5 meses o caminhão ficou sem ir à propriedade. Após isso, a coleta voltou gradativamente, mas era preciso levar o leite na estrada e passar pela barreira sanitária. O caminhão não podia chegar nas propriedades. Não era muito leite, mas era nosso ganha pão. Tínhamos 12 vacas com média diária de 7 litros”, completou.

Fabricio comentou que pensou várias vezes em parar com a produção, pois o custo permanecia e era preciso ordenhar as vacas para não prejudicar o úbere, porém, o leite era jogado fora e não gerava receita nenhuma para a propriedade.

“Eu trabalhava de diarista meio turno em uma plantação de fumo, pois tinha aula de tarde e por isso, conseguia me manter ao menos. Meu pai trabalhava para um produtor de soja e esses eram os meios encontrados para conseguir por comida dentro de casa. A paixão pela atividade, a vontade de ter um negócio próprio, independência financeira e principalmente a fé, nos mantiveram neste período e não desistimos da atividade”.

O produtor destacou que na época, eventos de conscientização, explicações e a ajuda para a retomada da atividade contribuíram muito. Atividades de educação sanitária foram realizadas em 26 cidades, com 186 palestras e 69 reuniões, perfazendo um total de 24.662 participantes.

“Saímos fortalecidos, aprendemos a nos reinventar nas crises, entendemos que elas são passageiras e que devemos nos preparar para a retomada. Baseado neste doloroso aprendizado, hoje faço palestras para colegas produtores, ajudando-os a superar as crises, a ver a atividade com outros olhos e obtendo lucro e satisfação no que fazem. Resumindo? Sendo felizes produzindo leite”.

Figura 3

Hoje Fabrício trabalha com 36 vacas em lactação com uma média diária de 28 litros, tendo picos de 32 litros.

Figura 4

Figura 5

“Para ajudar na recuperação do período pós corona, adquirimos mais 14 novilhas de excelente genética, para trabalharmos com 50 vacas em lactação, lembrando que foi feito planejamento forrageiro e temos estoque de comida para todas. O atual momento é difícil, mas logo ali na frente a covid vai ser só uma lembrança, vamos tirar dela um aprendizado para que possamos evoluir como produtores e seres humanos, entendendo a dor do próximo e ajudarmos quando pudermos”, finalizou.

Figura 6

Também tem uma história de superação para contar para a gente? Clique aqui ou envie um e-mail para contato@milkpoint.com.br! Muito obrigada, Equipe MilkPoint

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Marco Antônio Malburg
MARCO ANTÔNIO MALBURG

ÁGUA BOA - MATO GROSSO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/07/2020

Muito interessante a série.
Poderiam mandar fazer adesivos para colocarmos nos carros !!!!!
Rogerio Fukuda
ROGERIO FUKUDA

BIRIGUI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/07/2020

Qual a eficácia dessa vacina ,se um não vacinar os vizinhos que vacinaram tem seu gado sacrificado mesmo vacinados,para que serve essa vacina então ? se vc vacina seu gado ele está protegido ou não ? Será que essa vacina não proteje nada ?
Fabrício Nascimento
FABRÍCIO NASCIMENTO

JÓIA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2020

Rogerio obrigado por comentar, suas dúvidas estão corretas, esqueci de passar para a Raquel por no artigo que na época éramos zona livre de aftosa sem vacinação, e no caso de um foco, o manejo para a erradicação é este, abater os animais em um raio de 3 km.
Espero ter esclarecido, um baita abraço e viva o leite!
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