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Taxa de Concepção do Touro (SCR): uma nova avaliação de fertilidade de touros

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 05/07/2010

9 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada por Joseph C. Dalton, no XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2010.

Introdução

De 1986 a novembro de 2005, uma avaliação da fertilidade de touros conhecida como ERCR, ou "Taxa de Concepção Relativa Estimada" era calculada e publicada pela Dairy Records Management Systems (DRMS; Raleigh, NC, EUA). Essa taxa de concepção relativa estimada é um cálculo de fertilidade baseado na taxa de vacas inseminadas com um determinado touro que não retornam ao cio em 70 dias, em relação aos demais touros do rebanho usados na reprodução (Clay and McDaniel, 2001). A taxa de não retorno é uma medida indireta da fertilidade e foi definida por Rycroft em 1992 como sendo "a porcentagem de vacas que não são inseminadas novamente em um determinado período de tempo após a inseminação, normalmente de 60 a 90 dias".

A ERCR é expressa como a diferença em porcentagem da taxa de concepção de um touro de IA comparado com a média dos demais touros do rebanho. Sendo assim, um touro com uma ERCR de +4 tem 4 pontos percentuais a mais do que o touro médio (0 ERCR), e 8 pontos percentuais a mais do que um touro com uma ERCR de -4.

Em maio de 2006, o Laboratório de Programas de Melhoramento Animal (Animal Improvement Programs Laboratory) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) passou a ser responsável por gerar e distribuir avaliações de ERCR. Inicialmente, essas avaliações eram feitas sem mudanças nos cálculos. No entanto, após alguns anos de pesquisas (Kuhn and Hutchison, 2008; Kuhn et al., 2008) sobre o desenvolvimento de métodos para melhorar a acurácia das avaliações de fertilidade dos touros, o Laboratório de Programas de Melhoramento Animal do USDA publicou em agosto de 2008 a taxa de concepção de touros (SCR).

Segundo Norman et al. (2008), foram identificados fatores que "estavam relacionados ao touro que fornecia o sêmen e que ajudavam a melhorar o valor preditivo de uma unidade de sêmen resultar em uma prenhez". Esses fatores associados ao touro usado na IA estão apresentados na Tabela 1 e contribuem para o cálculo do SCR. Além disso, para permitir uma estimativa melhor do sucesso de um touro em produzir uma prenhez, foram identificados os fatores das vacas que distorciam essa medição da fertilidade do touro. Esses fatores das vacas são conhecidos como "variáveis perturbadoras", e são retiradas da equação para melhorar o SCR (Norman et al., 2008).

Tabela 1. Informações incluídas e excluídas da avaliação da Taxa de Concepção de Touros (SCR) para fornecer a melhor estimativa para a capacidade de um touro produzir uma prenhez.



Quais são as diferenças entre ERCR e SCR?

Enquanto o ERCR era baseado na taxa de não retorno em 70 dias, o SCR é baseado nas gestações confirmadas.

Segundo Norman et al. (2008), informações relevantes disponíveis incluindo "serviços subsequentes, datas de parição, resultados de exames de prenhez, designações de não inseminar e códigos de terminação são usados para a confirmação do status de prenhez para cada inseminação".

Na Tabela 2 está uma comparação entre ERCR e SCR. A avaliação com SCR é mais precisa do que ERCR, principalmente devido ao maior número de inseminações e de rebanhos entrando na equação do cálculo da SCR, aliados ao fato de que ela é baseada em um modelo mais complexo.

Além dos critérios mostrados na Tabela 2, a inseminação deve ocorrer entre 30 e 365 dias de lactação para ser incluída no cálculo do SCR. Quando ocorrem inseminações consecutivas dentro de 10 dias, apenas os dados da última inseminação são armazenados (Norman et al., 2008). As inseminações de novilhas, vacas doadoras de embriões e daquelas inseminadas com sêmen sexado são excluídas (Norman et al., 2008). Além disso, todas as inseminações para um rebanho são eliminadas se ≥ 50% das vacas em lactação não têm suas inseminações registradas ou se a taxa de concepção do rebanho for < 10% ou > 90% (Norman et al., 2008).

Atualmente, os dados de inseminação são avaliados e registrados com base nas raças dos animais. Segundo Norman et al. (2008), no entanto, depois de mais pesquisas e ajustes nos dados, as inseminações usadas em cruzamentos entre raças poderão ser usadas nas futuras avaliações de SCR.

Tabela 2. Comparação entre a taxa de concepção relativa estimada (ERCR) e a taxa de concepção do touro (SCR).



Interpretação da SCR

As avaliações da SCR são publicadas três vezes por ano, em janeiro, abril e agosto, juntamente com as avaliações americanas de genética do USDA. A avaliação da SCR é uma estimativa fenotípica da fertilidade do touro expressa como uma taxa de concepção (CR) relativa e relatada como porcentagem. Um touro médio tem uma SCR de 0,0%. Espera-se que um touro com uma SCR de 3,0% tenha uma CR mais alta do que a do touro médio, ou seja, uma CR de 33% vs. 30%, respectivamente. Além disso, espera-se que um touro com uma SCR de 3,0% tenha uma CR 6% mais alta do que outro com uma SCR de - 3,0%, ou seja, uma CR de 33% vs. 27%, respectivamente. Como descrito por Norman et al. (2008), "o termo espera-se indica quais seriam os resultados se baseados em um número extremamente elevado de inseminações".

Para entender melhor essas estimativas de fertilidade, é importante 1) levar em consideração a importância estatística de um grande número de inseminações e 2) entender o que é intervalo de confiança. O intervalo de confiança é uma faixa em torno da média que tem uma determinada probabilidade de conter a média verdadeira. Digamos que o intervalo de confiança seja de 80%, isso significa que após inúmeras repetições de amostras de dados podemos estar 80% confiantes de que a média estará na faixa entre os intervalos calculados.

A natureza dicotômica de um evento de IA permite apenas dois resultados - ou a vaca emprenha ou não. Consequentemente, quanto maior o número de IAs, maior a chance de caracterizar com mais exatidão a fertilidade do touro. Por outro lado, quando se usa um número baixo de serviços, maior a variação. Isso fica bem evidente na Tabela 3, onde um touro com 300 inseminações (o número mínimo na avaliação da SCR de um touro holandês) tem uma confiabilidade de 54% e um intervalo de confiança de ± 2,0%.

Consequentemente, segundo Norman et al. (2008), se o touro mencionado anteriormente tem uma SCR de 1,0%, haveria uma expectativa de 80% de que a taxa de concepção verdadeira estaria entre -1,0 e 3,0% (sua SCR de 1,0 mais ou menos o intervalo de confiança de 2,0%)." Agora se o número de inseminações aumenta, a taxa de concepção verdadeira pode ser estimada com muito mais exatidão. Por exemplo, no caso de um touro com 10.000 inseminações, uma confiabilidade de 97%, e uma SCR de 1,0%, haveria uma expectativa de 80% de que a verdadeira taxa de concepção estaria entre 0,5 e 1,5% (sua SCR de 1,0% mais ou menos o intervalo de confiança de 0,5%)(Norman et al., 2008).

Tabela 3. Confiabilidade e Intervalo de Confiança de 80% pelo número de inseminações.



Como usar a SCR na tomada de decisões?

É importante lembrar que a SCR é uma estimativa fenotípica e não uma avaliação genética. A Figura 1 mostra as principais fontes de variação na fertilidade. Observe que fatores de manejo e de ambiente, que incluem diferenças entre os rebanhos em termos de nutrição, conforto dos animais, saúde das vacas em transição, precisão na detecção de cio, protocolo de sincronização e condições climáticas (como estresse térmico), respondem por 96% da variação na fertilidade. A genética da vaca e do touro usado na IA respondem por apenas 3% e 1% da variação da fertilidade, respectivamente.

Consequentemente, o esforço de manejo deve ser direcionado para 1) garantir a saúde das vacas no período de transição, 2) fornecer uma dieta equilibrada, 3) assegurar o conforto dos animais e 4) treinar adequadamente os funcionários que trabalham com o manejo reprodutivo, incluindo detecção de cio, programas de sincronização, manuseio do sêmen e técnicas de IA. Após controlar essas áreas de manejo mencionadas acima, os touros selecionados para IA devem ser aqueles capazes de garantir que os objetivos do negócio sejam alcançados, ou mais especificamente, devem ser selecionados touros que tenham as características econômicas desejadas para o rebanho, incluindo produção de leite, gordura e proteína, escore de células somáticas e longevidade produtiva. Os ganhos adicionais em fertilidade podem ser realizados através da seleção de touros com base na avaliação da SCR.



Figura 1. Principais fontes de variação na fertilidade (Adaptado de Weigel, 2001).

Resumo

- A taxa de concepção de touros (SCR) é uma nova ferramenta de avaliação da fertilidade de touros de IA e é publicada três vezes por ano pelo Laboratório de Programas de Melhoramento Animal do USDA.
- A taxa de concepção de touros substituiu a taxa de concepção relativa estimada (ERCR) em agosto de 2008.
- A taxa de concepção de touros é baseada nas gestações confirmadas, enquanto a ERCR era baseada na taxa de não retorno aos 70 dias.
- A avaliação da SCR tem uma exatidão maior do que a ERCR, principalmente por que se baseia em dados de um número muito maior de rebanhos, além de envolver um modelo bem mais complexo.
- Para a avaliação da SCR de um touro holandês são necessários pelo menos 300 serviços.
- A avaliação da SCR é uma estimativa fenotípica da fertilidade de um touro e é expressa como uma taxa de concepção (CR) relativa e relatada como uma porcentagem. Um touro médio tem uma SCR de 0,0%. Espera-se que um touro com uma SCR de 3,0% tenha uma CR 3% mais alta do que a do touro médio.
- Para maximizar a fertilidade e a lucratividade, o gerenciamento dos animais deve ser feito de maneira: i) garantir um período de transição saudável; ii) fornecer uma dieta balanceada; e iii) assegurar o conforto dos animais;
- Incluir o treinamento adequado dos funcionários dos programas de reprodução (detecção de cio, programas de sincronização, manuseio de sêmen e técnica de IA)
Após uma boa administração das áreas de manejo mencionadas acima, devem ser selecionados para IA touros que oferecem as melhores oportunidades de produzirem crias adequadas aos objetivos do negócio.
- Os ganhos adicionais em fertilidade podem ser alcançados através da seleção de fertilidade do touro usando a avaliação SCR.

Referências

Clay, J.S., and B.T. McDaniel. 2001. Computing mating bull fertility from DHI nonreturn data. J. Dairy Sci. 84:1238-1245.
Kuhn, M.T., and J.L. Hutchison. 2008. Prediction of dairy bull fertility from field data: Use of multiple services and identification and utilization of factors affecting bull fertility. J. Dairy Sci. 91:2481-2492.
Kuhn, M.T., J.L. Hutchison, and H.D. Norman. 2008. Modeling nuisance variables for prediction of service sire fertility. J. Dairy Sci. 91:2823-2835.
Norman, H.D., J.L. Hutchison, J.R. Wright, and S.M. Hubbard. 2008. A national sire fertility index. In: Proc. Dairy Cattle Reproduction Council Convention, Omaha, NE, USA, pp. 45-52.
Rycroft, H. 1992. Factors influencing nonreturn data. In: Proc. Nat'l Assoc. Anim. Breeders 14th Tech. Conf. on Artif. Insem. and Reprod., Columbia, MO, pp.43-46.
Weigel, K. 2001. Proper use of ERCR can improve conception rates and farm profitability. Available at: http://www.naab-css.org/education/UsingERCR.html. Accessed Dec 21, 2009.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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