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Superovulação em vacas da raça gir com diferentes concentrações de FSH/LH em oito subdoses

Fabrício Rasi de Almeida Prado 1, Gilson Hélio Toniollo 2

Em função dos rebanhos zebuínos desempenharem um importante papel econômico e social na pecuária brasileira, sendo assim, de interesse nacional e internacional a aquisição e multiplicação de animais de elevado valor genético.

Entretanto, grande parte das metodologias e biotecnologias desenvolvidas e utilizadas na obtenção e criopreservação de embriões foram desenvolvidas em taurinos.

Por isso, estudos que atendam às peculiaridades fisiológicas dos zebuínos devem ser realizados e poderiam justificar, por exemplo, a maior sensibilidade a criopreservação e o estágio de desenvolvimento embrionário relativamente mais avançado dos embriões zebuínos, quando comparados com embriões taurinos coletados no sétimo dia de animais superovulados (Fonseca et al., 2001).

A técnica de superovulação é um dos passos fundamentais no programa de transferência de embriões em bovinos. Segundo Reichenbach et al., 2002, o desenvolvimento folicular apresenta a particularidade de, na maioria dos animais, consistir de duas ou de três ondas de crescimento, sendo cada onda formada por um grupo de folículos com diâmetro maior ou igual a 4mm.

Ressalta-se que a emergência da terceira onda folicular está associada com uma fase luteínica mais prolongada. O aproveitamento mais racional desses folículos que se tornariam atrésicos pode ser obtido por meio da superovulação.

A superovulação pode ser definida, portanto, como um método de estimular diversos folículos terciários desenvolverem até o estágio de pré-ovulação, com subseqüente ovulação.

A variação do número de embriões após diferentes tratamentos superovulatórios tem sido atribuída a fatores individuais, utilizando tratamentos idênticos, obtiveram respostas altamente variáveis.

Em relação as concentrações do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) presentes no extrato pituitário comumente usado para estimular a resposta ovulatória, encontraram melhores resultados em preparações com baixa concentração de LH, salientando que as altas concentrações de LH causam ovulação prematura ou luteinização de folículos ocasionando baixa resposta superovulatória (Visintin et al., 1999).

Zanenga & Silva, 1988, não encontraram redução no número de embriões viáveis em fêmeas Bos taurus indicus em superovulações consecutivas.

O objetivo do tratamento superovulatório em vacas é o de obter o número máximo de embriões fertilizados e transferidos com alta probabilidade de ocorrência de prenhes (Mapletoft et al., 2002).

Foram superovulados 67 vacas Gir com 300, 400 ou 500 UI de FSH/LH, sendo administradas em 8 subdoses decrescentes, com início em fase aleatória do ciclo estral, durante 4 dias consecutivos, com intervalo de 12 horas (tabela 1). Apresentavam condição corporal 3,5 a condições de pastoreio.

As colheitas de embriões foram realizadas pelo método não cirúrgico no dia 7 após a primeira inseminação artificial com o cateter de Foley 20 Fr/ch, fixado no corpo do útero para lavagem simultânea dos dois cornos uterinos.

Tabela 1: Protocolo utilizado na superestimulação nas vacas doadoras da raça Gir

 


Os resultados das superovulações, considerando os números de vacas em estro, embriões viáveis e estruturas totais no dia da colheita, estão na tabela 2.

Tabela 2: Números médios de embriões viáveis, estruturas totais, vacas em estro da raça Gir superovuladas com 300, 400 ou 500 UI de FSH/LH.

 


De acordo com Monniaux et al., 1983, o estado ovariano no momento do tratamento parece ser fator determinante na resposta superovulatória, sendo uma característica constantemente pesquisada para elevar o índice de recuperação de embriões viáveis.

Moor et al., 1984, relata a existência de outros componentes da dinâmica folicular, como o tamanho, a distribuição e as condições dos folículos antrais que podem afetar a resposta ovulatória frente ao tratamento hormonal. Ainda, salientam que apesar das melhorias nas técnicas de transferência de embriões, o problema maior continua sendo a baixa taxa de recuperação de embriões viáveis, podendo ser devido à variação individual frente ao estímulo superovulatório.

O LH excessivo durante o tratamento de superovulação causa a ativação prematura dos oocistos. Em vacas superovuladas com FSH, a alta concentração de LH resultou em baixa fecundação (Bényei & Barros, 2000).

Das variáveis analisadas apenas o tratamento com 400 UI de FSH/LH influenciaram a recuperação de embriões viáveis. Nas vacas que receberam 300 UI e 500 UI a taxa de recuperação de embriões viáveis foi de 1,44 e 1,63 respectivamente, não apresentando diferença estatística (P>0,05).

Estes dados mostram que a administração de 400 UI de FSH/LH neste protocolo pode aumentar a taxa de recuperação embrionária. Mais estudos são necessários para determinar qual é a melhor concentração de FSH/LH adequada aos protocolos de superovulação em bovinos, em especial em animais da raça Gir.

Referências Bibliográficas

BÉNYEI, B.; BARROS, C.C.W. Effect of superovulation on performance of bovine embryo donors imported from temperate zone to tropical climate during the first two years of adaptation. Arq. Bras. Med. Zootec., Aug. 2000, vol. 52, n 4, p. 366-371. ISSN 0102-0935

FONSECA, J.F.; SILVA FILHO, J.M.; PINTO NETO, A.; PALHARES, M.S.Superovulated zebu cows embryonic developmental stages. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., Dec. 2001, vol. 53, nº 6, p. 671-676. ISSN 0102-0935

MAPLETOFT, R.J.; STEWARD, K.B.; ADAMS, G.P. Recent advances in the superovulation in cattle. Reprod. Nutr. Dev. v.42, p. 601-611, 2002.
MONNIAUX, D.; CHUPIN, D.; SAUMANDE, J. Superovulatory responses of cattle. Theriogenology, v.19, n.1, p. 55-81, 1983.

MOOR, R.M.; KRUIP, T.A.; GREEN, D. Intraovarian control of folliculogenesis: limit to superovulation? Theriogenology, v.21, n.1, p. 103-16, 1984.

REICHENBACH, H.D.; OLIVEIRA, M.A.L.; LIMA, P.F.; SANTOS FILHO, A.S.; ANDRADE, J.C.O Transferência e criopreservação de embriões bovinos. In: Gonsalves, P.B.D.; Figueiredo, J.R.; Freitas, V.J.F. BIOTÉCNICAS APLICADAS À REPRODUÇÃO ANIMAL, 1ªed. São Paulo, Ed. Varela, 2002 p.153-160.

VISINTIN, J.A.; ARRUDA, R.P.; MADUREIRA, E.H.; MIZUTA, K.; CELEGHINI, E.C.C.; ASSUMPÇÃO, M.E.O.A.; GUSMÕES, P.P.G.; CANDINI, P.H.Superovulação de novilhas da raça Nelore com diferentes doses de FSH/LH e congelação de embriões pelo método one-step com etilenoglicol. Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. [online]. 1999, vol.36, nº 5 [citado 13 de Novembro 2004], p.00-00. Disponível na World Wide Web: https://www.scielo.br.php?script=sci_arttext&pid=S1413-95961999000500009&Ing=pt&nrm=iso. ISSN 1413-9596.

ZANENGA, C.A.; SILVA, A. Número de embriões viáveis obtidos em relação às superovulações consecutivas em Bos indicus. Revista do Centro de Ciências Rurais, universidade Federal de Santa Maria, v.18, suplemento, 32, p.32, 1988.


___________________________________
1 Médico Veterinário, Mestrando em Reprodução Animal, UNESP-Botucatu,
2 Médico Veterinário, Professor Dr., Departamento de Obstetrícia e Reprodução Animal, UNESP-Jaboticabal

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LEANDRO FRANCISCO GOFERT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 07/03/2006

Animais da raça Gir são realmente considerados difíceis num programa de TE, pois tendem a apresentar resultados mais baixos e variáveis que outras raças zebuínas como Nelore, Brahman ou Guzerá.



Contudo, se me permitem gostaria de sugerir algumas mudanças em relação ao protocolo de superovulação utilizado que, creio gerariam resultados mais consistentes:



1) Iniciar as aplicações do FSH 4 dias após a colocação do dispositivo (dia 0) ao invés do 5<sup>o</sup>dia. Iniciaria a superestimulação dos folículos recrutados numa fase mais jovem, tendo maior certeza que todos continuariam crescendo. No 5<sup>o</sup> dia, teoricamente, alguns dos folículos recrutados já poderiam estar atrésicos e consequentemente não responderiam, diminuindo o número de foliculos capazes de ovular ao final do processo.



2) Retirar o dispositivo na ultima aplicação de FSH, pois está comprovado em experimentos (Ciro Barros e equipe) que a manutenção da progesterona além desse ponto gera efeitos deletérios aos embriões produzidos.



Sem pretender ser dono de nenhuma verdade, creio que valeria a pena tentar repetir um experimento como esse com essas alterações de programa.



Mas parabéns pelo excelente trabalho.
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