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Saúde uterina no pós-parto: dilemas e decisões

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 03/08/2006

3 MIN DE LEITURA

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Ricarda e Zequinha

Mensagem importante:

 

 

  • Contaminação bacteriana do útero ocorre em mais de 90% das vacas de leite na primeira semana pós-parto.

  • Antibioticoterapia intra-uterina não tem se mostrado efetiva na recuperação do desempenho reprodutivo de vacas com infecção uterina pós-parto, podendo resultar em descarte de leite e risco de contaminação do tanque de leite com resíduos de antibiótico.

  • Infecções uterinas têm grande impacto na redução do consumo de matéria seca no pós-parto e na subseqüente produção de leite. Prevenção é essencial!

Produtores de leite e técnicos têm muitas decisões e dilemas quando consideram o tratamento das infecções uterinas pós-parto. A grande decisão é tratar ou não tratar? O dilema inclui: retorno econômico do tratamento; recuperação da capacidade reprodutiva, ricos de eliminação resíduos de antibiótico no leite, e, principalmente, a prevenção da ocorrência do problema.

Vacas que apresentam alterações sistêmicas decorrentes da infecção uterina devem ser tratadas tão logo seja feito o diagnóstico, nesse caso, a decisão é uma só: tratar, mas todos os dilemas continuam existindo.

Definição do Problema

No pós-parto, o útero contém fluído e debris (restos placentários) que favorecem o crescimento dos microorganismos. A contaminação bacteriana ocorre em mais de 90% das vacas de leite na primeira semana pós-parto. A instalação da doença vai depender do número e da virulência dos microorganismos contaminantes e da capacidade de defesa do útero.

Diferentes tipos de microorganismos podem ser isolados no conteúdo uterino no pós-parto. A maiorias deles são contaminantes do ambiente que são eliminados normalmente durante as primeiras seis semanas pós-parto. No pós-parto normal, a vaca resolve a contaminação uterina pela rápida involução do útero e da cérvix (redução do diâmetro), contração e expulsão do conteúdo e mobilização dos mecanismos de defesa natural (produção de muco, anticorpos e células de defesa). Vacas com problemas no parto ou pós-parto apresentam redução da habilidade de controlar a infecção uterina.

Partos gemelares, distocias ou desordens metabólicas podem reduzir a capacidade de contração uterina, dificultando a expulsão do conteúdo uterino no período normal, favorecendo o crescimento dos microorganismos.

Problemas de parto, retenção de placenta e/ou metrite reduzem a capacidade das células de defesa de removerem os microorganismos.

A duração da infertilidade associada à infecção do útero depende da severidade e da duração do processo inflamatório. A resolução da inflamação ocorre com o tempo. A fertilidade é restaurada na vaca com pós-parto normal de 40 a 50 dias após o parto.

Tratar ou não tratar?

A retenção de placenta é definida como a condição em que a vaca não expulsa as membranas fetais até 24 horas após parto. Isoladamente, apenas o fato da vaca não expulsar a placenta não é motivo para que a vaca receba tratamento, mas se o caso evoluir para metrite, e a vaca começar a apresentar sinais sistêmicos de infecção como febre ou redução de apetite e da produção de leite, o tratamento deve ser iniciado com antibiótico parenteral (intra-muscular, na maioria das vezes) e terapia de suporte (fluidoterapia endovenosa ou oral, antiflamatório não-esteróide).

Dados de pesquisa mostram que o uso de antibióticos intra-uterinos nos casos de metrite pós-parto não tem nenhuma eficácia comprovada, mas essa prática ainda é muito comum. A infusão uterina com antibióticos nesses casos pode causar lesões irreversíveis, pois a parede uterina já esta muito fragilizada pela infecção.

Uma alternativa para tratar as vacas que apresentam infecção uterina pós-parto, mas não apresentam comprometimento sistêmico, é a aplicação de prostaglandina. Na literatura, não existe um consenso sobre os benefícios desse tratamento, mas os resultados de pesquisa mostram que quanto menor a taxa de concepção na primeira inseminação pós-parto, maiores são os benefícios do tratamento com prostaglandina.

Prevenção é essencial!

Existe uma relação entre a ocorrência de retenção de placenta/metrite e a redução da ingestão de matéria seca e da produção de leite. Vacas que apresentam retenção de placenta e metrite no pós-parto, mesmo sendo tratadas, não recuperam a produção de leite nos primeiro 20 dias da lactação.

A retenção de placenta/metrite tem sido relacionada com a ocorrência da outras desordens metabólicas. Vacas com de retenção de placenta/metrite apresentam 16 vezes mais chances de desenvolver cetose e 2,4 vezes mais chance de apresentar deslocamento de abomaso, e o intervalo parto concepção é aumentado. Pensando no retorno econômico da atividade leiteria, os produtores não podem permitir que as vacas iniciem a lactação com infecção uterina.

A retenção de placenta/metrite é uma doença multi-fatorial. Fatores que podem contribuir para a ocorrência dessas doenças são: abortos, parto gemelar, distocias, assistência inadequada ao parto, estresse, desbalanço nutricional, excesso de condição corporal e doenças infecciosas.

A redução ou a eliminação desses fatores vai permitir que a vaca inicie a lactação em condições de gerar lucros.

 

 

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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ANDRÉ PEITER

SOBRADINHO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2012

Tenho uma vaca que não esta segurando cria, quero dizer que ela entra em cio coloco no touro mas no dia seguinte ela solta sangue na vulva, e depois de ums 40 a 60 dias ela entra em cio novamente. Qual o tratamento que devo fazer para a vaca ficar prenha.

Desde  já obrigado

André Peiter.
MARCIO RANGEL BORGES

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2006

Estou com uma vaca de 2ª cria, que teve retenção de placenta por por 6 dias. Ela foi tratada com antibiótico (oxitetraciclina) e ECP, e gostaria de saber se o uso do antibiótico foi correto, e se pode provocar a secagem da vaca, ou mesmo a queda de produção durante a lactação.

Desde já obrigado,
Márcio Rangel Borges

<b>Resposta dos autores:</b>

O tratamento com ECP deve ser feito assim que a vaca é diagnóstica com retenção (24 horas após o parto), e o
tratamento com antibiótico dever ser feito quando a
vaca apresenta febre, queda de apetite e prostação.

Não conheço nenhum trabalho sobre redução da produção por tratamento com antibiótico.

Até mais,
Ricarda.
ISMAEL ROBERTO BIEGER

CAMPINA DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL

EM 10/08/2006

Olá,

Sou estudante de medicina veterinária da UFSM e gostaria de saber quais são os agravantes de tratamentos intra uterinos, em qualquer fase da lactação, seja com antibióticos ou com lugol em vacas leiteiras, e qual é a eficiência do tratamento com antibiótico parenteral, antinflamatório e prostaglandina nos casos de retenção de placenta e metrite.

Que antibiótico tem se mostrado competente nestes casos? Parabéns pelo artigo e muito obrigado!

<b>Resposta dos autores:</b>

1- Agravantes de tratamentos intra-uterinos. Os tratamentos intra-uterinos não são recomendados no pós-parto imediato, pois a manipulação uterina nesta fase pode agravar o quadro (septicemia, ruptura, aderências). Nos casos de endometrite clínica, quando a vaca já tem mais de 30 dias pós-parto, podemos fazer a infusão uterina com antibiótico preparado especialmente para essa finalidade.

O Lugol é recomendado apenas nos casos de endometrite crônica, pois faz uma irritação do endométrio.

2- Eficiência do tratamento com antibiótico parenteral (o antibiótico deve ser escolhido de acordo com resultado de antibiograma), antinflamatório e prostaglandina nos casos de retenção de placenta e metrite? No pós-parto imediato, quando a vaca manisfesta sintomas de metrite puerperal aguda, com febre, redução do consumo e da produção de leite, devemos tratar "a vaca não o útero".

Nesse caso recomendo a antibioticoterapia sistêmica, o uso de antinflamatório não esteróide e fluidoterapia intravenosa ou oral. A prostaglandina é eficiente na redução da ocorrência de retenção de placenta quando aplicada uma hora após o parto. Nos casos de infecção uterina com presença de CL, a aplicação de prostaglandina é recomendada, para fazer luteolise e fazer a vaca ciclar.

LUIZ FELIPE

ITANHANDU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/08/2006

Estou com seguinte problema: minha novilha segurou a placenta, tratei com antibiótico, prostaglandina e solucionei. Agora, com 15 dias de parto, está soltando um muco sujo. O que é isso?

Obrigado

Luiz Felipe Loureiro

<b>Resposta do autor: </b>

Luiz Felipe, isso faz parte do processo de limpeza uterina da vaca. Nessa fase do pós-parto não é recomendado tratamento intra-uterino. Se a novilha não estiver com sintomas clínicos, como febre, apatia e perda de apetite, ela não precisa ser tratado novamente. Essa novilha deve ser examinada por palpação retal com 30 dias pós-parto para verificar a involução uterina.

Até mais,
Ricarda.
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