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Relação entre escore de condição corporal, momento da inseminação e a porcentagem de nascimento de macho:fêmea

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 20/01/2010

2 MIN DE LEITURA

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Este resumo foi apresentado por M. M. McFarlane, B. J. McFarlane, e J. R. Pursley na reunião anual da Sociedade Internacional de Transferência de Embriões (IETS) realizada em janeiro de 2010 em Córdoba, na Argentina.

Os resultados de alguns levantamentos mostram que a chance de nascimento de uma fêmea é menor do que de um macho em rebanhos leiteiros (porcentagem de macho:fêmea em dois grandes grupos de dados foi de 54:46; Ryan and Boland 1991 Theriogenology 36, 1-10, and Berry et al. 1995 J. Anim. Sci. 78, 76 abst). Os dados desse estudo foram analisados para determinar a relação entre o escore de condição corporal (ECC) da vaca no momento da inseminação artificial e o gênero da cria.

Vacas Holandesas de 3 fazendas foram inseminadas em tempo fixo de 8 horas antes (-8) a 16 horas após (+16) a aplicação da segunda dose de GnRH do protocolo Ovsynch e tiveram o escore de condição corporal avaliado no momento da IATF (1 = muito magra e 5 = muito gordo).

Dados prévios do laboratório do Dr. Pursley indicaram que vacas inseminadas -8 e +16 horas, receberam a IA aproximadamente 36 e 12 horas antes da ovulação, respectivamente, e o longo tempo de incubação in vivo dos espermatozóides aumenta a porcentagem de nascimento de fêmeas. O escore de condição corporal das vacas foi classificado em <2,5 = baixo; 2,5 a 3,5 = médio e >3,5 = alto.

Foi detectada uma significante correlação entre ECC e a porcentagem de macho:fêmea (P < 0,05).

Tabela 1. Relação entre o escore de condição corporal e a porcentagem de macho:fêmea.



A inseminação aproximadamente 36 horas antes da ovulação tendeu (P = 0,10) a reduzir a porcentagem de machos no grupo de alto ECC, 46:54 comparado com 62:38 nas vacas que receberam a IA aproximadamente 12 horas antes da ovulação.

A taxa de perda de gestação entre 28 e 56 dias após a IA não foi diferente (P >0,10) entre as três classificações de ECC, sugerindo que a diferença na porcentagem de macho:fêmea não é resultado de perda de gestação especifica de um determinado sexo.

Em resumo o ECC no momento da IA altera a porcentagem de nascimento de macho:fêmea, e o desvio para produção de macho em vacas de alto ECC pode ser corrigido pela alteração do momento da inseminação em relação a ovulação.

Os pesquisadores sugerem que o escore de condição corporal altera a porcentagem de macho:fêmea devido a alterações no ambiente da tuba uterina e do útero, o que interfere de forma diferente na taxa de sobrevivência dos espermatozóides que contém os cromossomos X e Y.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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DANIELA MORAES DE OLIVEIRA

BRAGANÇA PAULISTA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 10/02/2010

Que interessante, mas estatisticamente falando obteve um bom resultado, mesmo que não sai na integra ao menos para ter uma melhor noção? A teoria da velocidade dos espermatozoides é muito boa Seria interessante novas pesquisas na área.
Adorei a reportagem. Estão de Parabéns.
TIAGO MORAES FERREIRA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/01/2010

Parabéns Ricarda.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2010

Prezado Marco Antonio Parreiras de Carvalho,

Infelizmente o trabalho ainda não foi publicado na integra.
A teoria é exatamente essa a velocidade do espermatozóide X e Y é diferente, por isso se tenta alterar o momento da IA para fazer o desvio da proporção de macho:fêmea.
Quando ao efeito do excesso de proteína na dieta, existem sim estudos que mostram que o excesso ou o desbalnço de proteína pode comprometar a taxa de concepção das vacas. Nos radares publicado em 12 e 26/08/2008 (Proteína da dieta, balanço energético negativo e fertilidade em vacas leiteiras - Parte 1 e 2), tem uma revisão sobre esse assunto.
Obrigada pela participação!
Ricarda.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2010

Prezados leitores,
Muito obrigada pela participação!
Esse assunto realmente desperta muito interesse. Seria muito bom se com apenas a mudança do momento da inseminação conseguissemos aumentar o número de fêmeas nascidas na fazenda.
Esses resultados são todos preliminares, ainda não podem ser empregados de forma rotineira na fazenda, pois como muito de vocês comentaram a inseminação muito antes da ovulação pode resultar em queda da concepção.
No radar publicado em 01/07/2008 (Dicas para aumentar o sucesso da IA - Parte 2), tem uma discussão sobre momento da IA e a taxa de concepção.
Um abraço,
Ricarda.
CLAUDIO WINKLER

CARAMBEÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/01/2010

Muito interessante a pesquisa!
Até onde entendo, creio que essa diferença de "velocidade/resistência" entre os espermatozóides X e Y explique também o número maior de fêmeas na monta natural, e muito menor, por exemplo, na FIV, ambos comparados à IA. Tem tudo a ver com a distância entre espermatozóides e óvulos no início do processo. Maior distância, maior tempo pra acesso, menor possibilidade de machos.

Gostaria de saber, porém, se foi feito também o levantamento das taxas de concepção entre os três grupos de ECC. O grupo de animais inseminados com ECC<2,5 apresentou maior percentual de fêmeas, mas a taxa de concepção foi boa o suficiente para justificar inseminações com poucos dias em lactação, menos do que idealmente se preconiza, por exemplo? Não acharia razoável, por exemplo, sujeitar-se a trabalhar com taxas de concepção na faixa de 20%, só para tentar obter algumas fêmeas extras, principalmente se o sêmen utilizado for bastante caro (normalmente é o caso, nas 1as 2 inseminações da lactação).
DURVAL MARTINS DA SILVEIRA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/01/2010

Alguns anos atras trabalhei com aparelho americano,mais precisamente em 99,numa fazenda de gado de corte em Camapuã MS.Uma das propostas dele era fazer sexagem em até 70% de acordo com estágio do cio.Com leituras do muco vaginal,se conseguia perceber em que patamar estava o estro manifestante;se estava no inicio no meio ou no fim.
insminacão no inicio + femeas,intermediária iguais e no fim + machos.
Segundo a teoria o sptzY é mais leve,possui menos energia,possui maior velocidade(chega primeiro),porém morre rápido,enquanto o sptzX é o contrario,por isso as vacas insminadas mais cedo dão mais femeas.
Infelizmente este trabalho não foi a frente,agora vendo este trabalho achei que poderia haver correlacão entre ambos.
Grato.
Durval M. da Silveira
CRMV MS 0803
MARCO ANTONIO PARREIRAS DE CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 26/01/2010

Excepcional este trabalho. Teríamos como acessá-lo na íntegra?
Sabe-se que o espermatozóide humano Y tem maior velocidade que o X. Se fizermos analogia para o gado, teoricamente, a inseminação mais próxima da ovulação tenderia ao nascimento de machos. Por outro lado, o espermatozóide X tem maior sobrevida que o Y no ambiente útero/trompa. Então, a inseminação mais precoce levaria a um maior nascimento de fêmeas. Embora o espermatozóide Y seja mais rápido, neste caso, ele morreira antes de se encontrar com o óvulo e o X faria a fecundação. Em minha propriedade procuro seguir esta intuição e tenho, aproximadamente, 60% de fêmeas e 40% de machos, nos últimos quatro anos.
Não sabia da diferença, entre os sexos, relacionados a condição corporal. Já observei que as vacas de mais alta produção tem maior dificuldade de concepção em relação àquelas com menor volume de leite no momento da inseminação. Meu questionamento em relação a este fato seria a possibilidade de que as vacas de maior produção estariam consumindo maior volume de concentrado. Poderia uma ração muito proteica reduzir as taxas de concepção?
Enfim, este é um tema muito atrativo e o resultado de pesquisas semelhantes à relatada são muito interessantes.
Marco Antonio Parreiras de Carvalho
GEORGE HENRIQUE PEROTY

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 25/01/2010

Qual foi a taxa de prenhez nos animais inseminados 36 hs antes, se é relevante estes números? Em relação ao ECC, vacas com ECC médio deram a média 50% em relação macho:fêmea. Acredito que é a condição corporal que deveríamos ter em nossas vacas leiteiras. Temos muito a aprender com semen sexado.
Para q possamos melhor utilizar.
WILSON MENDES RUAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 25/01/2010

Trata-se de pesquisa muito interessante e que certamente, provocará nos pesquisadores um aprofundamento maior. Nutro a esperança de que esses estudos possam trazer uma contribuição aos pecuaristas, em especial ao pq que tem menor acesso às tecnologias mais sofisticas nesta área.

Sucesso aos pesquisadores
Wilson Mendes Ruas
JOSÉ CLAUDIO CAMPOS CARVALHO

CAÇAPAVA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/01/2010

Acredito que as inseminações antecipadas para produção de maior percentagem de fêmeas irão reduzir muito a taxa de conçepção.
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 21/01/2010

Parabéns pela divulgação do trabalho! Temos muito ainda que aprender. Essa área é muito complexa e envolve muitos fatores, com alguns destes ainda não elucidados.

Um forte Abraço,
Ronaldo Mendonça dos Santos.
MÁRCIO EDGAR RODRIGUES LEITE

ITUMIRIM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/01/2010

Muitíssimo interessante o tema abordado!
Espero que outras pesquisas aprofundem e/ou aprimorem as informações para torná-las possíveis de aplicação no campo e que os produtores possam tirar proveito deste conhecimento.

Parabéns!
BRUNO MOURA MONTEIRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/01/2010

Teve diferença estatística entre as taxas de prenhez dos grupos inseminados 12h e 36h antes da ovulação?
Porque se não, efetivamente é uma prática de manejo à ser adotado nas propriedades de leite.
Apesar de achar que ainda temos muito a aprender sobre sexagem seminal em bovídeos, em relação a preço, praticidade e resultados, como em peixes por exemplo...
Abraços.
MilkPoint AgriPoint