ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Perdas embrionárias em gado de corte e de leite

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 24/08/2011

4 MIN DE LEITURA

0
0
Por José Luiz Moraes Vasconcelos, Fernando Henrique Sousa Aono, Marcos Henrique Colombo Pereira

Introdução

A lucratividade dos sistemas de produção de gado de corte ou de leite está relacionada com a eficiência reprodutiva do rebanho, que pode ser afetada por perdas reprodutivas ocasionadas por doenças infecciosas.

Estudos demonstram que cerca de 40 a 50% das causas de perdas de gestação estão relacionados a doenças infecciosas e dentre os agentes infecciosos a IBR, BVDV e leptospirose vem sendo associadas a desordens reprodutivas [1].

O vírus da IBR tem efeito negativo na fertilidade, pois influencia na qualidade dos embriões, causa morte embrionária e abortos [5,6]. Estima-se que 70 a 90% das infecções por BVDV ocorram sem a manifestação de sinais clínicos e que o principal problema econômico é decorrente da infecção intra-uterina, que pode estar associada a morte embrionária e aborto [3,4]. A leptospirose também pode causar morte fetal, abortos e infertilidade [2]. O objetivo deste estudo foi avaliar a taxa de perda de gestação e o efeito da vacinação contra doenças reprodutivas no início do protocolo de IATF na taxa de prenhez em vacas de corte e em vacas de leite em lactação.

Material e Métodos

Foram realizados 05 experimentos para determinar o efeito da vacinação contra IBR, BVDV, Leptospirose, PI3, BRSV nas taxas de prenhez e de perda de gestação de vacas de corte (n=6145) e vacas de leite em lactação (n=1960) após IATF.

No experimento 01 e 02 foram utilizadas vacas nunca vacinadas contra doenças reprodutivas e no experimento 03 os animais recebiam imunização para Leptospirose semestralmente. Nos experimentos 01, 02 e 03 as vacas receberam o mesmo protocolo de IATF [D0-2mg de benzoato de estradiol (Estrogin) e inserção de dispositivo intravaginal contendo 1,9g de progesterona (CIDR®); D7-dinoprost trometamina (PGF2α, 12,5mg, Lutalyse); D9-remoção do dispositivo, administração de Cipionato de Estradiol (1mg, ECP®) e Remoção de Bezerros; D11-IATF]. No experimento 01, nenhum esquema de vacinação foi realizado e foram avaliadas 3464 gestações em 20 propriedades para determinar a taxa de perda de gestação entre 30 e 120 dias. O experimento 02 foi realizado em 07 propriedades, foram utilizadas 2384 vacas, divididas aleatoriamente dentro do mesmo lote para receberem ou não a vacina contra IBR/BVD/Leptospirose (5,0 mL, i.m., Cattle Master® 4 + L5, Pfizer Animal Health, Lincoln, USA) seguindo o seguinte esquema de vacinação: primeira dose no inicio do protocolo de IATF e a segunda dose (reforço) no momento do primeiro diagnostico gestacional (30 dias pós IATF). O experimento 03 foi realizado em 01 propriedade, foram utilizadas 297 vacas divididas aleatoriamente dentro do mesmo lote para receberem ou não a vacina contra IBR/BVD/Leptospirose, entretanto a primeira vacinação ocorreu trinta dias antes do inicio do protocolo de IATF e a segunda dose no inicio do protocolo de IATF, caracterizando um esquema de pré-vacinação.

Em vacas de leite, no experimento 04 foram utilizadas 1140 vacas com produção de leite de 21,3 ± 8,2 Kg/dia de 37 propriedades que não realizavam a vacina contra IBR/BVD/Leptospirose e no experimento 05 foram utilizadas 820 vacas com produção de leite de 24,5 ± 8,7 Kg/dia em 16 propriedades que utilizavam vacinação contra IBR/BVD/Leptospirose em seu programa sanitário anual. Nestes dois experimentos todas as vacas foram inseminadas em tempo fixo com o protocolo: D0-aplicação de cipionato de estradiol (2mg, ECP) e inserção de dispositivo intravaginal contendo 1,9g de P4 (CIDR); D7-aplicação de prostaglandina (12,5mg, Lutalyse); D9-retirada do dispositivo e aplicação de cipionato de estradiol (1mg, ECP); D11-IATF. No inicio do protocolo de IATF as vacas foram divididas aleatoriamente em dois grupos para receber ou não uma dose da vacina (5,0 mL, i.m., Cattle Master® 4 + L5). Aos 30 dias após a IATF, foi realizado o primeiro diagnóstico de gestação e revacina��ão das vacas do grupo vacinadas do experimento 04. O segundo diagnostico de gestação foi realizado 41 dias após para determinar a taxa de prenhez do dia 71 e perda de prenhez entre 30 e 71 dias de gestação. Os dados foram analisados por regressão logística do SAS.

Resultados

No Experimento 01, houve efeito de fazenda (P < 0,05) [resultados variando de 1,45% (2/138) a 12,16% (9/74)] e de ordem (P < 0,05) [Primíparas: 9,03% (13/144); Multíparas: 5,06% (168/3320)] na taxa de perda gestacional entre 30 e 120 dias. No experimento 02 houve efeito de tratamento (P < 0,01) nas taxas de prenhez aos 30 [Controle: 53,2% (662/1244) e Vacinadas: 57,4% (654/1140)] e 120 dias [Controle: 48,3% (567/1174) e Vacinadas: 53,5% (578/1080)]. No experimento 03 foi detectado tendência (P < 0,10) de efeito de tratamento nas taxas de prenhez aos 30 [Controle: 52,9% (81/153); Vacinadas: 59,7% (86/144)] e 120 dias [Controle: 50,0% (75/150); Vacina: 57,7% (82/142)]. No experimento 04 os animais que receberam Cattle Master® 4 + L5 tiveram maior (P < 0,05) taxa de prenhez [44,4% (257/579) vs. 37,6% (211/561)] no dia 30; maior (P < 0,01) taxa de prenhez [41,1% (238/579) vs. 31,7% (178/561)] no dia 71 e menor (P < 0,01) perda de prenhez [7,4% (19/257) vs. 15,6% (33/211)] entre 30 e 71 dias de gestação em relação ao grupo controle. No experimento 05 vacinação no inicio do protocolo de IATF não melhorou (P=0,8) a taxa de prenhez no dia 30 [34% (131/385) vs. 34,7% (151/435)]; no dia 71 (P=0,88) [30,6% (118/385) vs. 30,1% (131/435)] e na perda de prenhez (P=0,19) [13,2% (20/435) vs. 9,9%(13/385)] em relação ao grupo controle.

Conclusão

Estes resultados mostram que existem fazendas com diferentes taxas de perda de gestação, e que a utilização da vacina Cattle Master® 4 + L5 teve impacto positivo nas taxas de prenhez. Em vacas que já recebem Cattle Master® 4 + L5 em seu programa sanitário anual não é necessária outra vacinação no inicio do protocolo de IATF.

Referências

1 Grooms D.L. 2010. Programas para controle de doenças infecciosas e melhoria do desempenho reprodutivo. In anais do XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos (Uberlandia - Brasil).
2 Grooms D.L. 2010. Diagnóstico e controle de perdas reprodutivas causadas por leptospira spp. In anais do XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos (Uberlandia - Brasil).
3 Grooms D.L., Bolin S.R., Coe P.H., Borges R.J. &Coutu C.E. 2007. Fetal protectionagainstexposuretobovine viral diarrheavirusfollowingadministrationof a vaccinecontaininganinactivatedbovine viral diarrheavirusfractiontocattle. American JournalofVeterinaryResearch. 68(12):1417-1422.
4 Grooms D.L. 2004. Reproductiveconsequencesofinfectionwithbovine viral diarrheavirus. The VeterinaryClinicsof North America. Food Animal Practice. 20(1):5-19.
5 Kelling C.L. 2007. Viral DiseasesoftheFetus. Universityof Nebraska - Lincoln. Published, as Chapter 50, in CurrentTherapy in Large Animal Theriogenology (2nd Saunders-Elsevier). 399-408.
6 Miller J.M. &Maaten Van Der M.J. 1986. Experimentallyinducedinfectiousbovinerhinotracheitisvirusinfectionduringearlypregnancy: effectonthebovine corpus luteumandconceptus. American JournalofVeterinaryResearch 47(2): 242-240.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MilkPoint AgriPoint