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O que está acontecendo com a avaliação da facilidade do parto?

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 06/08/2020

8 MIN DE LEITURA

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Texto baseado na publicação da Revista Progressive Dairy, de 14 de maio de 2020, por Sophie A.E. Eaglen e John B. Cole.

Antes das avaliações genéticas de abril desse ano, foram anunciadas mudanças no modelo de avaliação para as características "facilidade de parto" e "natimortos". Essas mudanças melhoraram consideravelmente a acurácia dessas características e a estabilidade das avaliações.

Também foi aplicada uma mudança na base das avaliações para características de parto; no entanto, enquanto a habilidade predita de transmissão (PTAs) para a maioria das características diminuíram devido à mudança na base, as PTAs para as características de parto subiram.

Se o progresso genético está ocorrendo de forma lenta, mas constante, por que vemos PTAs mais altos para a facilidade de parto em seu touro favorito? Na verdade, provavelmente há touros que você tem usado frequentemente, que têm altos PTAs para a característica "facilidade de parto" do touro (SCE). Por quê? A resposta simples é: os valores PTA atuais não correspondem à incidência de dificuldade de parto e natimortos na população de vacas.

A boa notícia é que está ocorrendo progressos genéticos favoráveis para as características de parto. As raças Holandesa e Parto Suíço americanas de hoje não apresentam as altas taxas de partos difíceis como visto no passado. Embora tenha reduzido a incidência de partos difíceis e natimortos na população de vacas americanas, não se tem características de parto devidamente ajustadas nas mudanças de bases dos últimos cinco anos. Por causa disso, os PTAs médios dos animais permaneceram constantes, fazendo parecer que pouco progresso acontece (Figura 1)


Figura 1: Tendências genéticas para facilidade de parto do touro (SCE) e das filhas (DCE) em vacas Holandesas americanas.

A história da facilidade do parto e natimortos

Para entender como se chegou até aqui, é preciso voltar para quando "facilidade do parto" e "natimortos" foram introduzidos como características de avaliação nacional nos EUA. Em 1980, a dificuldade de parto na raça holandesa tinha chegada ao ponto em que apenas 86% dos bezerros do sexo masculino nasciam sem assistência. Naquele tempo, 14% de todos os bezerros holandeses que precisavam de assistência ao nascer foram classificados como "nascido com dificuldade." Facilidade de parto é uma característica complexa, tanto vaca, quanto bezerro têm influências genéticas e ambientais. Biologicamente, o parto é uma colaboração entre a mãe e a cria que exigem uma sequência precisa de eventos fisiológicos. Devido a complexa natureza do processo de parto, qualquer dificuldade observada pode resultar de uma grande variedade de fatores. Portanto, aspectos genéticos da característica são difíceis de serem coletados ou estimados e a herdabilidade é baixa. Quando uma característica tem uma baixa herdabilidade, o melhoramento genético leva mais tempo. No entanto, as melhorias da seleção genética na facilidade do parto são cumulativas e permanentes.

De 1980 a 2000, muito pouco progresso genético foi feito para a facilidade do parto. A incidência de partos difíceis em 2000 continuava alta, 11% para o nascimento de bezerros macho, ou seja apenas 3% de redução em 20 anos. Para aumentar o progresso genético em direção à facilidade do parto, a característica foi incluída no Mérito Líquido$ (Net Merit $) em 2003. Na mudança da base genética subsequente, em 2005, a base genética para a facilidade de parto do touro foi estabelecida baseada no PTA médio de touros nascidos em 2000, que era de 8%.

"Natimortos" foi introduzido como uma característica de avaliação nacional em 2006 e seguiu a base genética média de 8% para ambos natimorto do touro (SSB) e natimorto da filha (DSB), correspondendo a incidência de bezerros natimortos naquela época. Enquanto a base genética para a maioria das características é definida em zero, a média de facilidade de parto e natimorto foi mantido igual ao nível de incidência da população base. Dessa forma, o PTA nunca seria negativo, o que fazia sentido, já que as características são expressos em percentagens. O PTA estaria abaixo ou acima da média definida.

Nas duas mudanças seguintes, em 2010 e 2014, a base genética tanto para a facilidade do parto quanto para natimortos foi mantida estável em 8%. Manter as bases constantes manteve uma proporção maior dos animais em um nível de PTA mais alto. Como um PTA mais alto é desfavorável para ambas as características de parto, esta estratégia incentivou o uso de touros na escala inferior do PTA e acelerou o progresso genético em direção a partos fáceis.

Como as características de parto são calculadas e expressas

As características de parto são representadas por duas características principais: facilidade de parto e natimortos. A facilidade do parto fornece uma medida da quantidade de assistência dada ao parto, que se supõe estar correlacionada com a facilidade do parto. Os PTAs são expressos como o percentual de nascimentos difíceis para novilhas, porque a distocia é mais frequente em animais de primeira cria. O natimorto é definido como mortalidade de bezerro ao nascer ou dentro de 48 horas após o nascimento. PTAs para natimorto são expressos como o percentual de natimortos para todas as vacas. Essas características estão correlacionadas. Maior dificuldade de parto está associada a maior risco de natimorto, mas os modelos atuais tratam essas características separadamente.

Tanto a facilidade do parto quanto o natimorto são pontuados em categorias. A facilidade do parto é pontuada em uma escala de 1 (fácil, sem necessidade de assistência) a 5 (muito difícil), enquanto natimorto é 1 (vivo às 48 horas após o nascimento) ou 2 (nascidos mortos ou morreram dentro nas primeiras 48 horas). Isso é diferente de características como "produção de leite", que seguem uma escala contínua onde todos os valores numéricos são tecnicamente possíveis. Embora seja prático pontuar as características de parto em categorias, isso não significa que isso seja biologicamente verdadeiro. Nem todos os partos categorizados como "3" são exatamente iguais. Alguns terão mais ou menos assistência do que outros porque observadores diferentes podem atribuir pontuações ligeiramente diferentes aos mesmos eventos.

Biologicamente, a facilidade do parto segue uma escala contínua, mas não podemos medi-la usando uma medida padronizada como quilos de leite, por exemplo. Em vez disso, usamos estatísticas para transformar as pontuações de facilidade de parto registradas nas fazendas em uma escala subjacente contínua (denominada "escala de risco"). As avaliações genéticas são computadas nesta escala e depois convertidas de volta à chamada escala observada (percentual de nascimentos difíceis e percentual de natimortos) para publicação. Faz-se isso porque um valor de 0,65 na escala não tem uma interpretação simples, mas um PTA para SCE de 4,5 tem um significado claro. Como estamos trabalhando com duas escalas diferentes, há também duas bases diferentes: a base genética na escala subjacente continua e o valor médio na escala observada.

Então, o que aconteceu com a mudança da base? O grupo de touros usados para definir a base genética na escala subjacente vem mudando a cada cinco anos, como se faz para as outras características avaliadas. No entanto, a base observada foi mantida constante. Os animais classificam-se da mesma forma em relação uns aos outros em ambas as escalas, mas os PTAs foram forçados a ter a mesma média ao longo do tempo, independentemente do progresso genético. Isso significa que os PTAs publicados não correspondem mais ao que acontece na baia maternidade das fazendas e, combinados com as novas edições, na verdade levaram a um aumento dos PTAs. Se a genética funcionar, isso não pode ser verdade. Os PTAs sempre foram corretos e precisos. Os touros com valores mais elevados têm descendentes que experimentam mais dificuldade de parto e natimorto. A forma como o PTA é expresso, é que precisa ser atualizada.

A situação hoje

Essa atenção adicional às características de parto funcionaram e um progresso genético mais rápido foi feito a partir de 2000. Entre 2004 e 2010, a incidência de partos difíceis caíram 3%. Em 2010, o progresso genético sofreu uma aceleração pelo início do uso da seleção genômica e em 2014 (após duas mudanças de base desde 2005) a incidência de bezerros machos nascidos das vacas de primeira cria foram reduzidos para aproximadamente 5%. Novos progressos genéticos em conjunto com o uso intenso de sêmen sexado nos últimos anos resultaram na situação de hoje. Nos últimos 16 anos, a pecuária leiteria reduziu muito tanto os partos difíceis quanto a prevalência de natimortos, uma realização de valor econômico substancial para os produtores de leite.

Como a média dos PTAs para SCE e DCE foram mantidas constantes em 8%, uma diferença notável passou a crescer entre os partos observados nas fazendas e os valores PTA dos touros. A expressão da característica como percentual de dificuldade ou natimortos implicava em um nível de incidência que costumava se alinhar com a incidência real de partos observados, mas hoje não. Em outras palavras, um touro com um PTA para SCE de 8% não tem 8% de dificuldade de parto entre seus filhos nascidos de novilhas. O verdadeiro nível de incidência entre os descendentes deste touro será consideravelmente menor.

Para onde vai avaliação das características de parto a partir de agora?

As características facilidade do parto e natimorto precisam de uma mudança na forma como os PTAs são expressos. Os PTAs precisam se alinhar com a incidência observadas na população para que os valores possam ser interpretados corretamente. Embora este texto tenha se concentrado principalmente na raça Holandesa americana, a mesma atualização também deve ser feita para a raça Pardo Suíça. A forma como as características devem ser alteradas exigirá múltiplas discussões. Espera-se que as características sejam atualizadas na próxima avaliação genética oficial em agosto de 2020.

Enquanto isso, a seleção para as características de parto não deve ser posta no modo de espera. As classificações entre os touros não são afetadas pela discrepância nas avaliações. Um touro com facilidade de parto melhor que a média ainda resultará nascimentos mais fáceis do que um touro com facilidade de parto pior que a média. Os valores genéticos dos touros não mudaram, apenas o valor que atribuímos à média está sendo discutido.

Como a média de 8% para a SCE tem sido a base nos últimos 16 anos, pode ser difícil olhar para além desse limiar artificial. É importante saber que esse valor não reflete uma verdadeira incidência. A melhora em ambos as características de parto têm sido de tamanha magnitude que os programas de reprodução não devem ter medo de usar touros com valores de PTA superiores a 8% quando outras características de seleção são favoráveis. Enquanto o Conselho de Pecuária Leiteira para Cruzamentos (Council on Dairy Cattle Breeding) calcula os níveis atuais de incidência e os PTAs atualizados, considere também a experiência em seu próprio rebanho com esses touros. Se um touro funciona bem em seu rebanho, então você está seguro para confiar nessas observações e continuar usando o touro mesmo que seu PTA seja agora um pouco mais alto. Se você estiver usando o mérito líquido $ como seu critério de seleção, você continuará a escolher os melhores touros para suas vacas.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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