ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Manejo nutricional de vacas leiteiras visando aumento da eficiência reprodutiva (2ª parte)

POR JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 20/07/2001

5 MIN DE LEITURA

1
0

José Luiz Moraes Vasconcelos

Avaliação da condição corporal pré-parto

Vacas não podem perder condição corporal durante o período seco. É possível aumentar a condição corporal em 0,25 pontos, em escala de 1 a 5, durante esse período.

Evite vacas gordas (>4,0), pois apresentam menor apetite peri-parto (Fig. 1).

A melhor maneira de evitar vacas gordas (>4,0) no peri-parto, é manejar adequadamente a nutrição no terço final da lactação.

Figura 1: Ingestão de Matéria Seca (IMS) em vacas e novilhas de diferentes condições corporais nas últimas 3 semanas antes do parto (Grummer, 1999)

 

Figura 1



Relação entre IMS 1 dia pré-parto e 21 dias pós-parto

É muito importante otimizar a ingestão de matéria seca pré-parto, já que vacas com maior IMS pré-parto apresentam maior IMS pós-parto (Fig. 2). Disponibilize alimento de boa qualidade, à vontade, para maximizar IMS durante o período de transição, e conseqüentemente, no pós-parto. A ingestão de energia acompanha a IMS.

A IMS depende de variáveis como ambiente, qualidade da dieta, competição entre animais, conforto. Sendo assim, é importante prestar atenção nos possíveis fatores que podem influenciar negativamente a IMS.

Figura 2: Relação entre IMS 1 dia pré-parto e 21 dias pós-parto (Grummer, 1998; r=0,54)

 

Figura 2



Considerações sobre alimentação de vacas leiteiras pós-parto

Estratégias após o parto

Os primeiros 60 dias após a parição são críticos para a saúde da vaca e para o sucesso econômico da lactação como um todo. Vacas recém-paridas enfrentam vários desafios que devem ser considerados e controlados.

A. O pico de lactação geralmente ocorre 50 a 60 dias após o parto, determinando a curva de lactação.

B. Para cada 1 kg de aumento no pico de produção, ocorre aumento de 200 a 225 kg de leite na lactação.

C. O déficit máximo de energia ocorre nas primeiras 3 semanas de lactação.

D. Cerca de um terço à metade das vacas de alta produção apresentam cetose, podendo levar à síndrome do fígado gordo se não for controlada.

E. Acidose ruminal é a desordem metabólica predominante em vacas no pós-parto.

F. Vacas com a reprodução em bom funcionamento apresentarão o primeiro cio 15 a 25 dias após o parto.

G. O status energético nas primeiras 3 semanas após o parto afeta os folículos que se desenvolverão 60 dias depois.

Considerações sobre a perda de peso pós-parto

Requerimentos nutricionais para a produção de leite excedem o consumo de energia. A perda de peso deve ser limitada a um máximo de 1 kg por dia, resultando em um total de 1 a 1,5 escores na condição corporal (60 a 90 kg), devendo o balanço energético positivo retomar aos 60 dias após o parto ou até antes. Fatores que auxiliam na manipulação da perda de peso são listados a seguir.

A. As vacas não devem estar excessivamente pesadas (condição corporal - CC - acima de 4,0), o que reduz o apetite e o consumo de MS.

Vacas magras (menos de 3,0 em CC), não apresentam reservas energéticas suficientes, com reflexos negativos na lactação futura.

Um quilo de gordura corporal mobilizada pode gerar o equivalente a 7 kg de leite em energia.

B. Vacas mobilizando peso corporal precisam de proteína adicional para equiparar a energia obtida pela perda de peso. Esta proteína adicional deve ser proveniente de fontes não degradáveis no rúmen e com um perfil de aminoácidos bem balanceado.


Balanço energético negativo pós-parto e a performance reprodutiva

No início da lactação, vacas de alta produção apresentam balanço energético negativo, e sua magnitude influencia o desenvolvimento folicular, o intervalo para a primeira ovulação e a taxa de concepção ao 1º serviço (Tab.1). O anestro pós-parto pode reduzir a eficiência reprodutiva por atrasar o primeiro serviço, pois as vacas que não apresentam estro nos primeiros 30 dias pós-parto, requerem mais serviços por concepção, com maior risco de serem descartadas.

Tabela 1: Relação entre perda de condição corporal nas primeiras semanas pós-parto e a performance reprodutiva

 

Tabela 1



Fonte: STAPLES et al., 1990

BRITT (1992) sugeriu um modelo (Fig. 3) para tentar explicar a menor taxa de concepção em vacas de leite de alta produção, em que o efeito do balanço energético negativo no início da lactação poderia afetar a qualidade dos folículos, influenciando a taxa de concepção pela menor qualidade dos oócitos. Quando os folículos são expostos a condições adversas (balanço energético negativo, estresse térmico, doenças metabólicas) durante o seu desenvolvimento (foliculogênese de aproximadamente 60 dias), os efeitos adversos sobre a qualidade dos oócitos ocorreriam de 40 a 60 dias seguintes, quando os animais estariam ovulando.

Figura 3. Modelo para ilustrar como condições adversas (BEN) durante a foliculogênese poderia influenciar a fertilidade pós-parto

 

Figura 3



O aumento das médias de produção de leite por vaca por ano tem significativamente diminuído a taxa de concepção ao 1º serviço (Tab. 2), entretanto, sem alterar significativamente o período de serviço. Isso porque as propriedades com vacas de maior produção de leite têm compensado esta menor taxa de concepção, devido ao aumento da produção de leite, com aumento da eficiência da detecção de cio.

Tabela 2: Índices reprodutivos de vacas leiteiras de rebanhos com diferentes medias de produção de leite por vaca por ano

 

Tabela 2



Fonte: NEBEL & MC GILLIARD (1993)

Deve-se salientar que este tópico tem sido muito estudado, sendo de conhecimento geral o antagonismo entre alta produção de leite e taxa de concepção. Isto mostra a importância do bom manejo nutricional, visando minimizar perda de peso, associado ao bom manejo reprodutivo, principalmente boa detecção de cio, visando manter boa eficiência reprodutiva do rebanho, já que, fisiologicamente, existe um decréscimo da taxa de concepção com o aumento da produção de leite.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

LARISSA BERTUCCHI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 02/06/2013

mto booom
MilkPoint AgriPoint