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Manejo de vacas primíparas visando aumentar a eficiência reprodutiva futura

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 03/09/2008

4 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada pelo Dr. Tom Geary, no XII Curso de Novos Enfoques na Reprodução e Produção de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2008.

A reprodução é um dos principais fatores limitantes para a eficiência produtiva de bovinos. Atualmente, um problema reprodutivo comum que os produtores enfrentam é conseguir que as novilhas (ou vacas) de primeira parição (primíparas) voltem a emprenhar. Este é um problema comum porque estamos tentando emprenhar novamente uma vaca que ainda não alcançou o seu peso da maturidade e muitas vezes se vê frente à tarefa de consumir energia suficiente para atender as necessidades de crescimento, lactação e manutenção. Os produtores não tinham este problema anos atrás porque não tentavam cobrir as novilhas para que parissem com dois anos de idade. As novilhas pariam pela primeira vez com três ou quatro anos de idade.

Na maioria das fazendas, a taxa de prenhez das vacas de primeira cria é a mais baixa do rebanho. Economicamente, a vaca primípara é geralmente o animal mais caro/mais valioso da fazenda por causa do dinheiro investido em seu desenvolvimento e porque ela ainda não trouxe nenhuma receita para a fazenda. Devido à despesa envolvida no desenvolvimento de cada novilha de reposição e para levá-la até a parição, os produtores não podem permitir que estas vacas sejam excluídas do rebanho por causa de falhas reprodutivas, ainda na primeira lactação.

Os produtores podem facilmente justificar as despesas adicionais para assegurar que estas fêmeas sejam novamente cobertas ao invés de ter que criar uma outra novilha de reposição. As novilhas que parem pela primeira vez com dois anos de idade produzem mais bezerros durante suas vidas do que aquelas que parem pela primeira vez com ≥ 3 anos de idade (Pinney et al., 1972; Cundiff et al., 1974; Chapman et al., 1978). O desenvolvimento destas fêmeas para parir pela primeira vez com 2 anos de idade pode aumentar a receita da fazenda, mas pode ainda não ser lucrativo, a menos que possamos emprenhar novamente a maioria destas fêmeas.

Numerosos estudos foram realizados ao longo dos últimos 40 anos para identificar os problemas envolvidos na melhora da eficiência reprodutiva das primíparas. As vacas mais velhas necessitem de 40 a 60 dias para se recuperarem da parição, antes de começarem a ter ciclos estrais regulares e poderem ser novamente cobertas, as vacas com 2 e 3 anos de idade podem precisar de 70 a 90 dias. Este intervalo desde a parição até o reinício dos ciclos estrais é muitas vezes denominado de intervalo de anestro pós-parto.

O anestro pós-parto mais longo e o atraso da nova cobertura atribuído ao balanço energético negativo das vacas jovens após a parição tem sido ampliado pela seleção genética em busca de maior produtividade. Quando o potencial genético da fêmea está "fora de sincronia" com o ambiente produtivo, o atraso na reprodução é um dos primeiros indicadores fenotípicos desta assincronia. Isto pode ser observado em novilhas com maior grau de sangue Holandês mantidas em sistemas de produção menos adequados as suas exigências, essas geralmente apresentam anestro pós-parto muito prolongando e muitas vezes secam vazias.

Para aumentar a taxa de prenhez, especialmente entre as vacas jovens, os elementos chave são reduzir o anestro pós-parto para aumentar o número de oportunidades que uma vaca tem para conceber. A melhora na eficiência de uma nova cobertura pode ser alcançada através de recursos adicionais de ração e mão de obra, alternativas de manejo, ou seleção para reduzir as necessidades nutricionais das vacas.

A distocia (dificuldade na parição) é outro problema muito comum entre as vacas primíparas, aumentado o anestro pós-parto e atrasando a nova cobertura (Brinks et al., 1973; Laster et al., 1973; Bellows e Short 1978). Uma das razões que levou a inseminação artificial a ser tão popular entre as novilhas é a habilidade de evitar a distocia ao cobrir as novilhas com touros que comprovadamente levam a uma parição fácil.

Em um estudo com 1.382 fêmeas mestiças (1/2 Red Angus, 1/4 Charoles, 1/4 Tarentaise), Rogers et al. (2004) relataram que as novilhas que apresentaram distocia tiveram um risco 25% maior de serem descartadas, principalmente devido a falhas reprodutivas subseqüentes, do que as fêmeas do mesmo rebanho que pariram sem assistência. Este mesmo estudo revelou que as vacas que tiveram dificuldades na parição tinham um risco ainda maior (58%) de serem descartadas por falha reprodutiva subseqüente, sugerindo que os produtores precisam evitar a distocia também entre as vacas.

Quando a assistência durante a parição é necessária, a assistência precoce diminuiu consideravelmente o intervalo entre a parição e a prenhez subseqüente. Depois que uma novilha passou uma hora e meia em estágio II de trabalho de parto (cascos visíveis), cada 30 minutos de atraso na assistência resultou em um aumento de 6 dias no intervalo até a prenhez.

Lembrem-se, quando os preços da ração para suplementação forem mais altos, cada vaca primípara que volta a emprenhar com sucesso se traduz em uma economia igual ao que custa uma novilha de reposição para a sua fazenda, qualquer que seja este custo.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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