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Incidência de endometrite clínica e eficácia de dois métodos de diagnóstico em vacas leiteiras Holandesas

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E ADOLFO FIRMO FERREIRA

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 05/12/2011

12 MIN DE LEITURA

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O período imediatamente após o parto é de suma importância na vida reprodutiva da vaca. Uma involução uterina normal e o restabelecimento da função ovariana no pós-parto são cruciais para que se obtenha curto intervalo de parto e nova concepção, condição necessária para otimização da produção de leite e bezerros (DOHMEN et al., 2000).

Vários estudos realizados nos últimos anos têm demonstrado e comprovado uma diminuição da eficiência reprodutiva em vacas leiteiras nos mais diversos locais do mundo e isso tem tornado o desempenho reprodutivo uma das maiores preocupações da indústria leiteira (SEEGERS, 2006). Diminuição no número de bezerros produzidos ao ano, redução na produção de leite por vaca anualmente, além de custos operacionais extras causados pelo aumento do número de serviços por concepção são exemplos que ocorrem devido ao baixo desempenho reprodutivo (SEEGERS, 2006).

Em vacas de leite problemas como enfermidades puerperais (pré e pós-parto) e metabólicas (STEVENSON e CALL, 1988), reduzem o desempenho reprodutivo e, indiretamente, a produção de leite por dia de vida útil da vaca (BRITT, 1985; FOOTE, 1975), devido a uma baixa taxa de prenhez e maior intervalo de partos.

Infecções uterinas, além de comprometerem o bem-estar animal, podem causar graves prejuízos na fertilidade dos animais e, como tal, devem ser encaradas como algo que é necessário diagnosticar e tratar. Devido ao fato da endometrite não causar repercussões sistêmicas, os efeitos são mensuráveis através de impactos na reprodução (SHELDON, 2004; Le Blanc et al., 2002). A doença uterina clínica e subclínica estão associadas com subfertilidade e infertilidade (SHELDON et al., 2008).

Devido à importância da eficiência reprodutiva para lucratividade do rebanho leiteiro e dos efeitos negativos da incidência de endometrite clínica no desempenho reprodutivo subsequente das vacas leiteiras se faz necessário a definição de uma técnica eficaz e prática para o diagnóstico da endometrite.

Um estudo foi conduzido com o objetivo de comparar a eficácia de dois métodos de diagnóstico da endometrite clínica (técnica da mão enluvada vs. vaginoscopia de imagem) e avaliar a incidência de endometrite clínica em vacas leiteiras Holandesas.

Foram realizados os exames de mão enluvada em 117 vacas Holandesas pertencentes a uma fazenda comercial, localizada no município de Uberlândia - MG, entre 30 e 90 dias pós-parto (DPP). Destas, 72 foram submetidas também ao exame de vaginoscopia de imagem. O rebanho da Fazenda avaliada é constituído de aproximadamente 450 vacas em lactação, mantidas confinadas o ano todo, recebendo dieta total devidamente balanceada.

O exame foi realizado ao final do período voluntario de espera (período definido por cada fazenda para iniciar o programa reprodutivo das vacas depois do parto). Para a coleta do muco foi utilizado um brete de contenção dos animais de forma que os mesmos fossem submetidos ao mínimo possível de estresse.

Após limpeza da vulva com papel toalha seco, o vaginoscópico de imagem (IMAGIN VET®) foi introduzido na vagina da vaca e a câmera foi guiada por uma sonda para a captura da imagem, a partir da qual foi feita a avaliação do fundo da vagina e do muco vaginal.

Em seguida foi utilizada a técnica da mão enluvada, e esta lubrificada com soro fisiológico foi colocada, através da vulva, no fundo da vagina. O conteúdo do muco da vagina foi retirado para o exame. Esse método foi validado e não provoca a contaminação bacteriana do útero, não causa uma resposta inflamatória ou atraso na involução uterina (SHELDON, et. al., 2006).

O muco vaginal foi avaliado de acordo com a cor e a proporção e volume de pus, segundo uma adaptação da classificação proposta por McDougall et al. (2007). O muco foi classificado em muco limpo ou cristalino, sem muco, muco turvo e muco purulento.

Após a coleta do muco vaginal foi feita a avaliação da condição ovariana com aparelho de ultrassom equipado com transdutor retal linear de 7,5-MHz (DP-3300vet Mindray), para determinação da presença de corpo lúteo e folículos e a avaliação da involução uterina.

Também foi feita a avaliação do escore de condição corporal, utilizando uma escala de 1 a 5 (1 - muito magra e 5 - obesa; FERGUSON et al., 1994).

A incidência de endometrite foi avaliada por regressão logística, sendo incluídos no modelo os efeitos de dias pós-parto, presença de corpo lúteo e escore de condição corporal, no programa MINITAB. A comparação entre os dois métodos de diagnostico da endometrite clínica foi realizada pelo Teste de McNemar.

Das 117 vacas examinadas com a técnica da Mão Enluvada, 13,68 % (16/117) apresentaram conteúdo muco purulento, sendo consideradas com endometrite clínica. Das vacas classificadas como sem endomentrite (Tabela 1) foram encontradas 43 sem muco (36,75%), 33 com muco limpo (28,20%) e 25 com muco turvo (21,37%).

Tabela 1. Classificação das vacas com ou sem endometrite de acordo com a característica do muco vaginal.


*Classificação de acordo com McDougall et al. (2007).

Os valores encontrados neste estudo estão de acordo com alguns autores como Le Blanc et al. (2002), que encontraram taxa de 16,9% para endometrite pós-parto em pesquisa realizada com 1865 vacas Holandesas com dias pós-parto entre 15 e 60. Uma proporção aproximada também foi encontrada por Gautam et. al. (2010), que identificaram a prevalência correspondente a 23,3% de endometrite em 441 vacas Holandesas estudadas 20 e 33 dias pós-parto. Potter et al. (2010) encontraram 27% de endometrite clínica trabalhando com 293 animais com 21 a 28 dias pós parto. Jesus et al. (2010) encontraram 18,57% de endometrite clínica trabalhando com 70 vacas leiteiras mestiças de 39 a 70 dias pós-parto.

As vacas avaliadas apresentaram DPP médio de 50 dias, variando entre 30 e 90 dias. A incidência de endometrite clínica foi de 17,95% nas vacas com DPP menor que 50 e de 5,13% nas vacas com DPP maior que 50 (P = 0,077), esse resultado sugere que existe cura espontânea da enfermidade a medida que aumenta os dias pós-parto.

Tabela 2: Efeito dos dias pós-parto, presença de corpo lúteo e escore de condição corporal na incidência de endometrite em vacas Holandesas, Uberlândia-MG, 2011.



Gautam et al. (2010), investigaram se o período pós-parto influenciava a ocorrência de endometrite, realizaram um estudo com 441 vacas Holandesas e, para os autores, alguns animais no mesmo rebanho podem resolver infecções uterinas espontaneamente, assim, à medida que aumenta o DPP surgem mais vacas livres de endometrite. Por esse motivo, fêmeas com menor DPP têm maiores chances de apresentar a doença do que vacas com maior DPP, pois se espera que com o aumento do DPP elas resolvam espontaneamente a infecção. Jesus et al. (2010) trabalhando com vacas leiteiras mestiças, não encontraram efeito do DPP na incidência de endometrite clínica.

A presença de corpo lúteo e o escore de condição corporal não influenciaram (P > 0,05) a incidência de endometrite clínica (Tabela 2). Carneiro et al. (2010) trabalhando com 172 vacas leiteiras mestiças entre 32 e 70 dias pós-parto também não encontraram influência da presença ou ausência de CL na incidência de endometrite citológica (endometrite subclínica), porém, encontraram maior prevalência de endometrite citológica em vacas com escore de condição corporal menor ou igual a 2,5. Não foi detectada (P > 0,05) diferença na eficácia dos dois métodos de diagnóstico da endometrite clínica (técnica da mão enluvada vs. vaginoscopia de imagem; Tabela 3).

Tabela 3: Porcentagem de vacas que foram diagnosticadas com endometrite tanto pelo vaginoscópio de imagem quanto pela técnica da mão enluvada ou que foram diagnosticadas como positivas em apenas uma das técnicas.


a = testes dados como positivos confirmados pelo método alternativo, mas que são negativos pelo método convencional.
b = testes dados como negativos pelo método alternativo, mas que são positivos confirmados pelo método convencional.
Valores do Qui-quadrado maiores ou iguais a 3,84 indicam que as proporções positivas confirmadas pelos métodos alternativos e de referência diferem significativamente para um nível de significância p menor ou igual a 0,05.

Pleicha et al. (2009) comparando três métodos de diagnóstico de endometrite clínica em 1002 animais da raça holandesa: vaginoscópio, dispositivo vaginal (Metricheck, Simcro, Nova Zelândia) e a técnica da mão enluvada, encontraram 40,6% de prevalência de endometrite. Um número maior de animais foram diagnosticados como positivos pelo dispositivo Metricheck quando comparado com a vaginoscopia e a mão enluvada (47.5 vs. 36,9 e 36,8%). Foi detectada concordância para diagnóstico de endometrite clínica entre a vaginoscopia e o método da mão enluvada.

Pela técnica da vaginoscopia de imagem detectou-se 8,3% (6/72) resultados positivos para endometrite clínica e pela técnica da mão enluvada 15,2% (11/72).

A utilização do vaginoscópio de imagem como ferramenta de diagnóstico se mostrou eficaz, porém sua aplicabilidade é baixa, pois é uma ferramenta sensível, de difícil manipulação, além do inconveniente de ter que ser higienizada a cada exame, o que dificulta sua utilização em um grande número de animais no mesmo dia. Já a avaliação da secreção cérvicovaginal, pela técnica da mão enluvada se mostrou bastante eficiente e prática para diagnosticar doenças uterinas, e pode ser realizada em um grande número de animais no mesmo dia sem causar atrasos na rotina de avaliação reprodutiva do rebanho.

Este texto é parte do trabalho de conclusão de curso apresentado à Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia, pelo aluno Adolfo Firmo Ferreira.


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RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 28/12/2011

Prezado Marcos Goulart Pereira (Markito),

Obrigada pela participação!

Infelizmente quando falamos em tratamento de infecção uterina os dados são muito contraditórios, não temos um protocolo a ser seguido, cada grupo de pesquisa e de técnicos defende um tratamento, e não existe uma recomendação definitiva.

Na minha opinião devemos fazer o que dá certo em cada realidade.

Um abraço, até mais,

Ricarda.
MARCOS GOULART PEREIRA (MARKITO.'.)

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/12/2011

Caro Kolowyskys,

saudações

O produto Higiparto é da empresa Vansil, de uso veterinário. Em minha rotina de trabalho durante a palpação semanal ao detectar a presença de secreção purulenta ou muco com pus mais intenso é realizado na sequencia ou noutro dia, na quantidade de 80ml de Higiparto e 20ml de Solução Fisiológica, como ele é composto por iodo e um mucolitico não utilizo a bromexina. Já usei a bromexina injetável, mas é mais trabalhoso por necessitar aplicar mais de um dia para se ter o feito. Bromexina intrauterina nunca testei.

Durante a palpação de vacas PEV e vacas vazias costumo fazer esta ´massagem no ovário e útero´ , tem um trabalho feito a uns 20 anos por um professor meu, foi sua tese de mestrado, mas não me recordo dos dados obtidos. Mas na prática diária de campo tenho sentido que apos realizar este procedimento, principalmente em vacas em PEV que o útero involui consideravelmente, sempre observação de campo. Pode não ter respaldo técnico, mas dá uma satisfação ao palpar, pois se sente a involução. Acredito que a nutrição do animal aliado ao conforto e o manejo são sempre de grande peso nestes resultados. Alguns animais manifestam cio com 20 dias de parida e ainda em PEV, isto é interessante. Mas estas observações são de uma propriedade, que não se pode generalizar. Por enquanto não trabalho com ultrassonografia, não tenho experiência.

O que tenho feito como rotina, após 65 a 70 dias de DEL , é sincronizar os animais.

lembranças e a disposição.

Obrigado,

Markito.´.

    
KOLOWYSKYS SILVA DE ALENCAR DANTAS

QUIXERAMOBIM - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/12/2011

Caro Markito, não sei se o outro comentário que enviei foi recebido, mas o que queria saber seria mais detalhes sobre este produto Higiparto, é humano ou veterinário, qual seria o melhor momento de infudí-lo? Já pensou em associá-lo à Bromexina? Gostaria de saber quando você cita a massagem "ovariana", isto tem algum respaldo em literatura, pois costumo fazer a uterina aos 30 dias, além de avaliação ultrassonográfica, para constatar a presença ou não de líquido endometrial(muco ou pio), e caso não exista, já liberar a matriz para reprodução, quando se trata de vacas mais especializadas, que temos que prenhá-las o quanto antes, quando é mais viável.


Aguardo resposta.
MARCOS GOULART PEREIRA (MARKITO.'.)

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/12/2011

Profa. Ricarda

Saudações

Interessante artigo, parabéns a Sra. e ao Dr Adolfo.

Compartilho do  questionamento do Dr Ronaldo Mendonça dos Santos.

Costumo realizar palpações semanais, e nestes animais ainda em PEV, realizo massagem no útero e ovário. Quando observo segreção purulenta e o utero reduzido de tamanho, praticamente na cavidade pelvica; utilizo uma formulação comercial a base de iodo e mucolitico (Higiparto 80% e 20% Solução Fisiologica) como infusão uterina (100ml da Solução), geralmente uma unica vez e tem se mostrado interessante, devido ao custo e também não há o descarte de leite e nem manejo do animal do lote. Como não tenho dados científicos e nem estatístico para comparar, mas como acompanhamento visual é gratificante, a mudança no aspecto do muco de purulento para cristalino com raias de pus de uma semana para outra, tenho encontrado.

Obrigado

Markito.´.
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 15/12/2011

Saudações Dra Ricarda!
Qual a sua opinião a respeito da massagem e medicamentos intrauterinos?
Achei interessante o método da mão enluvada. Você está utilizando como rotina nos seus trabalhos de campo?
Grato,
Ronaldo.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/12/2011

Prezado Kolowyskys Silva de Alencar Dantas,
Obrigada pela participação!
Realmente esse assunto é controverso.
Realizamos um estudo com aplicação de 2 tipos de PG na segunda e na quarta semana pós-parto, avaliamos incidência de endometrite subclínica (citologia de endometrio), crescimento bacteriano e desempenho reprodutivo. Não detectamos nenhum efeito da aplicação da PG.
Na literatura tem tabalho mostrando efeito positivo, negativo e sem efeito.
Um dos trabalhos mais novo é Dubuc et al. (2011) Journal Dairy Science 94:1325-1338.
Se não conseguir o artigo, me manda um e-mail que te envio.
Até mais,
Ricarda.
KOLOWYSKYS SILVA DE ALENCAR DANTAS

QUIXERAMOBIM - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/12/2011

Dra. Ricarda: Há muitas controvérsias quanto ao uso de prostaglandina no pós-parto imediato, objetivando a aceleração do processo de involução uterina, redução do PEV, e consequentemente diminuição do Intervalo entre Partos(IEP). Não tenho como quantificar(comparar) pois não desenvolvi nenhum trabalho de pesquisa sobre este procedimento. Mas o que observamos na prática(no batidão, como vocês chamam por aí!) é que tal procedimento é favorável. Você teria, ou poderia recomendar trabalhos que demonstrassem fatos acerca desta conduta, como por exemplo um efeito imunoestimulante da PGF?? Aguardo resposta.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/12/2011

Prezado Mucio Paixão de Araujo,


Obrigada pela participação!


Ainda existem muitas controversias sobre tratamento de infecções uterinas. Nos casos de endometrite clínica com presença de corpo lúteo tenho optado por fazer prostaglandina, e nas vacas sem corpo lúteo ECP. Mas não tenho dados para responder com certeza se funcionam, pois a secreção purulenta desaparece, mas precisamos de mais dados para falar da eficiência reprodutiva dessas vacas.


Obrigada,


Ricarda.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/12/2011

Prezado Luciano Martins Redu,


A técnica é simples mesmo. A mão enluvada deve ser introduzida no fundo da vagina do animal e o muco vai ser recolhido para ser avaliado.


Usamos uma luva de palpação mesmo, pois é necessário introduzir o antebraço todo.


Não há problemas para visualização e avaliação do muco.


Obrigada pela participação!


Um abraço, até mais,


Ricarda.
MÚCIO PAIXÃO DE ARAÚJO

LUZ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 07/12/2011

Bem fundamentado!

Qual o tratamento de escolha à campo,sem exames laboratoriais?

Múcio Paixão de Araújo.Produtor de leite em Luz-MG.

LUCIANO MARTINS REDU

ENCANTADO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/12/2011

Boa tarde Ricarda,tudo bem por ai!!!
Gostaria de entender melhor esta técnica da mão enluvada.É simples como descrevestes no artigo. Não seria interessante utilizar uma luva de procedimento preta,para melhor visualização e avaliaçào do muco?
abraço!


Luciano
MilkPoint AgriPoint