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Futuro da reprodução dos rebanhos leiteiros - Parte 2

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 10/01/2018

6 MIN DE LEITURA

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Este texto é a parte da palestra apresentada pelo Dr. Matthew C. Lucy, da Universidade do Missouri, no XXI Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia de 23 e 24 de março de 2017.

Novos métodos para diagnóstico de gestação 

Se a vaca não fica gestante na primeira inseminação, o menor intervalo para a segunda inseminação é o melhor cenário (Giordano et al., 2013). Se a vaca não gestante não é observada no cio de retorno, aproximadamente cinco semanas são perdidas entre a IA e o diagnóstico de gestação (35 dias) e um tempo adicional é perdido com o protocolo de ressincronização. Se a gestação pudesse ser diagnosticada mais cedo, isso poderia salvar tempo. Genes são up-regulados durante o reconhecimento da gestação na vaca (16 a 20 dias pós IA; Green et al., 2010) e genes específicos (ISG15, OAS1 e MX2) podem ser usados para detectar gestação nas primeiras três semanas pós-IA. 

O desafio é que o teste de gestação baseado em genes é trabalhoso (pelo menos 8 horas em laboratório). Independente de quando o teste seja aplicado, um teste de gestação ideal seria usual se pudesse ser realizado do lado da vaca e com resposta rápida. Isso permitiria o manejo eficiente das vacas não gestantes. Uma das limitações dos testes de sangue para gestação baseado nas glicoproteínas associadas a gestação (PAG) é que eles não são completados do lado da vaca. As mais recentes versões do teste podem ser completadas em 30 minutos (Mayo et al., 2016) o que já é superior com relação às versões mais antigas que necessitavam de horas. 

Teste genético e seleção genética para fertilidade em vacas de leite

A seleção genética baseada na informação genômica vai melhoras rapidamente várias características das vacas de leite (Pryce et al., 2016). É extremamente importante para a indústria leiteira definir “alta fertilidade” e adotar um programa de seleção genética para atingir a “alta fertilidade” desejada para as vacas. A característica de fertilidade utilizada hoje (taxa de prenhez das filhas – DPR) é a função dos dias em aberto (intervalo do parto até a prenhez). Para fazendas que não interferem na reprodução (por exemplo: não usam PGF2α, GnRH, e(ou) progesterona em nenhum momento e não usam IATF) o DPR é uma excelente característica de fertilidade. As vacas que são saudáveis, ciclam, entram em cio, são observadas em cio, são inseminadas e ficam gestantes num intervalo pós-parto mais curto, consequentemente tem o DPR desejável. As vacas que não ciclam ou não entram em cio ou têm sinais mais discretos de cio, ou não ficam gestantes depois da inseminação têm dias em aberto mais longos, e DPR indesejável. Elas são inférteis porque o sistema reprodutivo delas não funciona sobre o estresse da lactação.

Programas de IATF podem mascarar essas vacas que não ciclam, fazendo elas ficarem gestantes por IATF. Essas vacas podem ter DPR desejável nesses sistemas. O sistema reprodutivo delas poderia não funcionar bem se não fosse a intervenção externa.

Os sistemas de avaliação genética devem desenvolver formas de computar as intervenções externas do programa reprodutivo usadas no pós-parto. Senão as vacas consideradas “férteis” só serão “férteis” quando tratadas com PGF2α, GnRH, e(ou) progesterona ou IATF. No futuro a interrupção abrupta do uso dos programas de sincronização pode gerar uma crise no manejo reprodutivo das vacas leiteiras. É necessário desenvolver uma vaca de leite fértil para o futuro.

Tecnologia de embrião

Seidel (2016) resumiu tecnologias em emergência para o gameta e para a indústria da transferência de embriões. Ele estabeleceu áreas para futuras pesquisa que incluem gametas (óvulos e espermatozoide), embriões e células tronco. Existe a continua necessidade para melhoras na resposta superovulatória (número de embriões produzidos por vaca). A produção in vitro de embriões é possível, mas os embriões produzidos não podem ser congelados com eficiência. Se a escala de produção comercial de embriões congelados de alta qualidade e baixo preço fosse atingida, isso poderia revolucionar o manejo reprodutivo das fazendas leiteiras, particularmente no verão, quando a transferência de embriões apresenta resultados superiores de taxa de prenhez em comparação a IA (Stewart et al., 2011). Embriões geneticamente modificados (CRISPR/Cas9 tecnologia de edição de genes) representam promessas para o futuro, mas o emprego dessas tecnologias está nas mãos do consumir que decidirá se ele quer consumir um alimento produzido por esse tipo de animal.

Conclusão

Os próximos 100 anos será um período de rápidas mudanças na reprodução dos rebanhos leiteiros. A melhora da fertilidade das vacas e do sêmen são alvos óbvios das futuras pesquisas. Serão desenvolvidos produtos mais efetivos para a sincronização da ovulação. Novos métodos para o diagnóstico da gestação irão detectar a gestação mais cedo após a IA e permitir a ressincronização mais eficiente das vacas não gestantes. 

A seleção genética para fertilidade irá permitir a seleção de vacas com alta produção de leite e alta fertilidade. Agora é o momento para definir “alta fertilidade” para os programas de seleção genética. A nova era da seleção genética resultará numa vaca de alta produção de leite e com sistema reprodutivo plenamente funcional e que requer o mínimo de intervenção para ficar gestante.

Referências bibliográficas

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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