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Fatores associados com perda de gestação em fêmeas leiteiras mestiças

Flavia Freire Franco¹, Fransergio Rocha de Souza¹, Luísa Cunha Carneiro¹ e Ricarda Maria dos Santos¹.

Estes dados serão apresentados no 26th World Buiatrics Congress que será realizado em Santiago, Chile de 14 a 18 de novembro de 2010.

A produção de leite, o estresse térmico e as enfermidades são alguns dos muitos fatores que podem influenciar a fertilidade da fêmea bovina (CHEBEL et al., 2004). O desempenho reprodutivo é afetado por efeitos deletérios do estresse térmico no ovócito, na fertilização e no desenvolvimento embrionário inicial (HANSEN e ARECHIGA, 1999). Sartori et al. (2002) e Leroy et al. (2005) demonstraram que os embriões produzidos nas vacas em lactação possuem qualidade inferior aos produzidos em vacas não lactantes, novilhas ou vacas de corte.

Um dos fatores que contribui para a infertilidade das vacas é a perda da gestação durante o período de desenvolvimento embrionário final que se estende do dia 28 até o dia 42 após a inseminação artificial (IA) e o desenvolvimento fetal que se estende do dia 42 depois da IA até o parto. Santos et al., (2004) baseados num levantamento de vários estudos, estimaram que a incidência de perda de gestação varia de 8,3 a 24% em vacas de leite lactantes e 1,5 a 10,2% em novilhas de leite.

A mortalidade embrionária ocorre, principalmente, nos primeiros dias após fertilização e durante o processo de implantação (VANROOSE et al., 2000). O estresse térmico provavelmente contribui para a perda de gestação, por um decréscimo na função placentária e no crescimento fetal (COLLIER et al., 1982). A identificação dos fatores que causam a morte embrionária e fetal pode ser útil para a definição de estratégias para reduzir as perdas.

Os fatores que afetam a mortalidade embrionária não estão bem caracterizados e esclarecidos, pois são multifatoriais e de difícil diagnóstico. As causas de perda de gestação são classificadas como infecciosas e não-infecciosas, sendo as causas não-infecciosas responsáveis por mais de 70% das perdas. Muitos dos estudos sobre perda de gestação foram feitos com vacas Holandesas puras, sendo necessária a realização de estudos com vacas mestiças mantidas em clima tropical.

O objetivo desse estudo foi avaliar a incidência e os fatores correlacionados com a perda de gestação em vacas leiteiras mestiças lactantes (primíparas e multíparas) e novilhas não-lactantes.

Foram analisados os dados de 461 gestações de vacas lactantes e 119 gestações de novilhas, coletados de maio de 2007 até junho de 2009, em uma fazenda leiteria localizada no Triângulo Mineiro.

O rebanho era composto por 500 vacas mestiças em lactação, ordenhadas duas vezes ao dia e sem bezerro ao pé, alimentadas com silagem de milho ou sorgo no período do inverno, e durante o verão, mantidas em sistema de pastejo rotacionado, suplementadas com concentrado devidamente balanceado e sal mineral, com produção média de 19,50 kg de leite/dia.

As novilhas eram criadas a pasto sob manejo rotacionado no verão e, no inverno, receberam complementação da dieta com silagem de milho ou sorgo e eram suplementadas com concentrado balanceado e sal mineral. O rebanho era rotineiramente vacinado contra as doenças infecciosas da reprodução.

O manejo reprodutivo da fazenda era feito a cada 30 dias, onde se realizava exame com aparelho de ultra-som equipado com transdutor retal linear de 7,5-MHz (DP-3300vet Mindray), no qual se avaliava: presença de corpo lúteo (CL) nas vacas com mais de 30 dias pós-parto (DPP), para determinar o retorno à ciclicidade e a condição uterina.

Vacas com mais de 30 dias pós-parto, com boa condição uterina, ausência de problemas de cascos e mastite, escore de condição corporal (ECC) igual ou superior a 2,5 (1 = muito magra, 5 = muito gorda), eram submetidas a protocolo de inseminação artificial em tempo fixo ou sincronização do estro com aplicação de prostaglandina.

As vacas que apresentaram cio antes da primeira avaliação, ou antes, do diagnóstico de gestação eram inseminadas da forma convencional, ou seja, 12 horas após a detecção. As vacas com mais de 4 inseminações eram submetidas a monta controlada.

O diagnóstico de gestação foi realizado em duas fases, primeiro entre os dias 28 e 44 pós-IA e depois foi feita a confirmação entre 45 e 60 dias após a inseminação, por exame de ultra-som, sendo considerada gestante a vaca que apresentava feto com batimento cardíaco ao exame ultra-sonográfico.

A perda entre o primeiro diagnóstico de gestação e até 60 dias após a IA foi considerada perda precoce de gestação. A perda acima de 60 dias foi considerada perda na fase média a tardia da gestação, determinada pelo retorno ao cio após a confirmação da gestação ou pela presença de sinais de abortamento.

A ocorrência de perda de gestação foi analisada por regressão logística no programa PROC LOGISTIC do SAS, incluindo-se no modelo os efeitos de lactação, ordem, intervalo parto/concepção; número de inseminações prévias, tipo de serviço (IA x monta natural), estação do parto e da cobertura.

O total de perda de gestação do primeiro diagnóstico até o parto foi de 16,8% nas novilhas e 23,6% nas vacas em lactação. Vacas em lactação tiveram maior incidência de perda na fase inicial da gestação (até 60 dias após a IA) do que as novilhas (11,9 vs. 3,4%; P=0,01), no entanto a perda de gestação na fase média a final da gestação foi igual (P=0,60), sendo 13,5% para as novilhas e 11,7% para as vacas.

A perda precoce de gestação foi afetada pela estação do ano da parição (P=0,009), sendo de 9,2% para as vacas que pariram no outono/inverno e 16,1% para as vacas que pariram na primavera/verão.

As vacas que receberam monta natural tiveram maior incidência de perda acima dos 60 dias de gestação (19,4% vs. 9,8%; P=0,019), provavelmente neste resultado também esta o efeito da vaca, pois as vacas que receberam monta natural já tinham pelo menos 4 inseminações anteriores, com maior dias pós-parto e, provavelmente, menos férteis. Portanto essa maior incidência de perda na fase média a tardia da gestação pode ter sido por efeito da vaca e não só do touro.

Não foi detectado efeito dos demais fatores analisados na incidência de perda de gestação.

Em vacas mestiças a perda de gestação também deve ser considerada um problema que afeta a eficiência reprodutiva.

¹ Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia


Referências

COLLIER, R. J.; DOELGER, S. G.; HEAD, H. H.; THATCHER, W. W.; WILCOX, C. J. Effects of heat stress during pregnancy on maternal hormone concentrations, calf birth weight and postpartum milk yield of Holstein cows. Journal of Animal Science, v.54, p.309-319, 1982.

CHEBEL, R. C.; SANTOS, J. E. P.; REYNOLDS, J. P.; CERRI, R. L. A.; JUNCHEM, S.O.; OVERTON, M. Factors affecting conception rate after artificial insemination and pregnancy loss in lactating dairy cows. Animal Reproduction Science, v.84, p.239-255, 2004.

HANSEN, P. J.; ARECHIGA, C. F. Strategies for managing reproduction in heat-stressed dairy cow. Journal of Animal Science, v.77, p.36-50, 1999.

LEROY, J. L. M. R.; OPSOMER, G.; DE VLIEGHER, S.; VANHOLDER, T.; GOOSSENS, L.; GELDHOF, A.; BOLS, P. E. J.; DE KRUIF, A., VAN SOOM, A. Comparison of embryo quality in high-yielding dairy cows, in dairy heifers and in beef cows. Theriogenology, v.64, p.2022-2036, 2005.

SANTOS, J. E. P.; THATCHER, W. W.; CHEBEL, R. C.; CERRI, R. L. A.; GALVÃO, K. N. The effect of embryonic death rates in cattle on the efficacy of estrus synchronization programs. Animal Reproduction Science, v.82-83, p.513-535, 2004.

SARTORI, R.; SARTOR-BERGFELT, R.; MERTENS, S. A.; GUENTHER, J. N.; PARRISH, J. J.; WILTBANK, M. C. Fertilization and early embryonic development in heifers and lactating cows in summer and lactating and dry cows in winter. Journal of Dairy Science, v.85, p.2803-2812, 2002.

VANROOSE, G.; KRUIF, A.; VAN SOOM, A.; Embryonic mortality and embryo-pathogen interactions. Animal Reproduction Science, v.60-61, p.131-143, 2000.

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KOLOWYSKYS SILVA DE ALENCAR DANTAS

QUIXERAMOBIM - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/04/2011

Este trabalho sinaliza para o tanto que ainda temos que crescer, no que diz respeito ao conhecimento das interações entre clima-ambiência-reprodução, principalmente no rebanho predominante no Brasil, que entendo ser o Holando-Zebu, e em condições edafoclimáticas de Brasil. A partir daí teremos mais subsídio para resolver tais problemas, sem esquecer de um fator importantíssimo e limitante, em se tratando de rebanhos mais especializados, que é um DIETA, corretamente balanceada por profissional habilitado.
JOSÉ CLAUDIO CAMPOS CARVALHO

CAÇAPAVA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/08/2010

Muito bom o trabalho
Mostra aos defensores das girolandas que reprodução é muito parecido em qualquer raça. Toda vaca que produz muito leite tende a ter transtornos reprodutivos.
MilkPoint AgriPoint