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Estro: implicações para fertilidade - Parte 3

POR JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

E RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 13/11/2018

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Este texto é a parte da palestra apresentada pelo Dr. Ronaldo Cerri, da Universidade da Columbia Britânica do Canadá, no XXII Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia de 22 e 23 de março de 2018.

Expressão do estro e fertilidade

  • Efeito do estro, sua intensidade na P/IA e a perda de gestação

Em uma série de estudos recentes utilizando diferentes sistemas de MAA (monitoramento automático de atividade), fazendas, calendário de estudos e localização geográfica, tornou consistente a observação de aumentos substanciais em P/IA (prenhez por IA) em eventos de estro com alto pico de atividade (Madureira et al., 2015; Burnett et al., 2018; Madureira et al., 2018) e grandes quedas no tempo deitado no dia do estro (Silper et al., 2017).

É crença comum que as vacas que mostram o estro "bom" são mais férteis, no entanto, isso tende a ser associado com mudanças na ECC, produção de leite, número de lactações e até mesmo a condição de saúde. Na verdade, tem-se observado maior intensidade de pico de atividade e duração do estro com o aumento do ECC, bem como em vacas primíparas. Mas, a maior P/IA ainda ocorre apesar desses e outros fatores de risco conhecidos por afetar as taxas de concepção. Consistentemente, as vacas com alta intensidade de pico apresentam aproximadamente 10 a 14 unidades percentuais maiores de P/IA do que vacas com baixa intensidade de pico, o que representa uma melhoria de 35% na fertilidade (Madureira et al., 2015 [Figura 1]; Burnett et al., 2018; Madureira et al., 2018).

Previamente a estes estudos recentes, somente Lopez-Gatius et al. (2005) relataram uma melhoria associada com o aumento relativo na atividade de caminhada das vacas. É possível que as informações já disponíveis no software de gestão de rebanhos possam ser utilizadas para calibrar o MAA para que as condições fenotípicas atuais das vacas possam ser consideradas. O uso da intensidade máxima e da duração das medições pode ajudar na previsão da fertilidade e melhorar a tomada de decisões em programas reprodutivos usando monitores de atividade. Além disso, há potencial para usar sistemas de MAA como uma ferramenta objetiva e precisa para talvez selecionar os animais de expressão de estro e fertilidade superior, embora este tema ainda necessite de mais investigação.

Figura 1. Distribuição da prenhez por IA (%) de acordo com o pico de atividade (% relativa de aumento da atividade) durante o estro detectado em sistema de MAA com sensor instalado na perna da vaca (Madureira et al., 2015).

A exibição de estro apenas (sem distinção de intensidade) no momento da IA (Pereira et al., 2014) foi associada a redução das perdas de gestação. Outro estudo do mesmo grupo no Brasil, (Pereira et al., 2015) realizou um grande ensaio de campo e foi um dos primeiros estudos a descrever o imenso impacto da expressão do estro na redução das perdas de gestação. Além disso, este estudo mostrou que este efeito é verdadeiro para os programas de IA e de transferência de embrião, indicando uma possível modificação importante do ambiente uterino como a causa para a melhoria da fertilidade.

Pereira et al. (2015) também relataram que os animais que exibem estro na IA diminuíram as perdas de gestação, independentemente do diâmetro do folículo pré-ovulatório, que é algo que normalmente observa-se em outros estudos sobre a intensidade do estro.

Mais recentemente, outro conjunto de dados do Brasil (Madureira et al., 2018) também demonstrou o imenso efeito da intensidade do estro na perda da gestação. As vacas com maior intensidade de estro tiveram significativas diminuições das perdas embrionárias tardias e nas perdas fetais iniciais (Figura 2) demonstrando que a comunicação concepto-endométrio em várias fases da gestação está comprometida. Este resultado prático de Pereira et al. (2015) e Madureira et al. (2018) corroboram com os dados do grupo do Dr. Cerri em vacas de corte que mostraram uma extensa modulação de expressão gênica de transcritos chaves relacionadas com o sistema imunológico e moléculas de adesão no tecido reprodutivo de vacas que expressaram estro (Davoodi et al., 2016; Povoas et al., não publicado).

Coletivamente, parece que a expressão de estro e sua intensidade tem efeitos positivos importantes na manutenção da gestação, particularmente definindo um ambiente endometrial mais ideal para receber o concepto.

Figura 2.  Porcentagem de perda de prenhez de acordo com a intensidade do pico de atividade durante o estro. Baixa intensidade (menos de 300% de aumento relativo) e alta intensidade (maior ou igual a 300%) nos episódios de estros detectados por monitores de atividade (P = 0,03; Madureira et al., 2018).

Confira o 1º e o 2º artigo dessa série abaixo:

Estro: implicações para fertilidade - Parte 1

Estro: implicações para fertilidade - Parte 2

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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