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Estratégias para diminuir a taxa de reabsorção embrionária precoce em fêmeas bovinas

POR LEANDRO FRANCISCO GOFERT

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 31/03/2005

3 MIN DE LEITURA

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Nas fêmeas bovinas, exceto em condições de stress muito intensos, a taxa de fertilização é bastante alta, sendo em média de 90%, ou seja, desde que existam espermatozóides viáveis presentes na tuba uterina, quando da ovulação, cerca de 90% desses óvulos serão capazes de formar um embrião.

Analisando a diferença entre a taxa de fertilização e a taxa efetiva de prenhez aos 30 dias de gestação (possível através da ultra-sonografia), percebemos claramente que o período crítico em que acontece a maioria das perdas embrionárias se dá entre os dias 16 a 18 após a ultima ovulação.

Esse período crítico é denominado de período de reconhecimento materno da gestação, onde, através de um mecanismo fisiológico, o concepto bovino se alonga de modo extraordinariamente rápido no corno uterino, ocupando todos os receptores de ocitocina contidos no endométrio e, ao mesmo tempo, deve ser capaz de liberar uma quantia adequada de Interferon δ, de modo a inibir a produção de PGF 2α uterina, evitando a luteólise e mantendo a gestação.

Para ser capaz disso, o embrião deve encontrar um meio adequado no endométrio uterino para que seu crescimento seja rápido, pois, do contrário, com crescimento abaixo do necessário, a luteólise e a posterior reabsorção embrionária será inevitável.

Pesquisas recentes demonstram que alguns fatores influenciam no ambiente uterino, determinando diminuição das taxas de reabsorção embrionária.

O primeiro fator relevante é o nível sanguíneo de progesterona circulante durante o período entre a ovulação e o reconhecimento materno da gestação. Existe uma correlação direta entre maiores níveis de progesterona e melhora do ambiente uterino e taxa de crescimento embrionário, resultando em melhor reconhecimento materno e melhora da prenhez.

Dessa forma, uma das estratégias para diminuir a reabsorção embrionária precoce é utilizar mecanismos capazes de aumentar a concentração de progesterona entre a ovulação e o período crítico.

Existem hoje algumas estratégias hormonais capazes de promover isso, como:
 

  • A indução de um corpo lúteo acessório, fazendo ovular o folículo dominante da primeira onda após a ovulação. Isso se faz aplicando uma dose de GnRH, de hCG ou de LH, do 5º ao 8º dia após a ovulação. Com essa manobra, no período crítico, teremos 2 corpos lúteos trabalhando, melhorando os níveis de progesterona e o crescimento do concepto.



  •  
  • A utilização de eCG (Gonadotrofina coriônica eqüina), em protocolos de sincronização da ovulação, também é capaz de induzir a formação de um corpo lúteo muito mais produtivo em relação à progesterona, comprovadamente diminuindo a reabsorção embrionária precoce.

Outros mecanismos também passíveis de diminuir a reabsorção embrionária se baseiam na inibição da luteólise, sendo possível citar:
 

  • A utilização de anti-inflamatórios não esteroidais potentes no período crítico pode diminuir a capacidade uterina de produzir PGF 2α e diminuir a luteólise precoce.



  •  
  • Dietas ricas em ácidos graxos Omega 3 e Omega 6 (Óleo de peixe, por exemplo), promovem uma mudança na cadeia de degradação do acido araquidônico, provocando a síntese de PGE (que não é luteolítica) ao invés de PGF 2α.

E finalmente, existe um outro mecanismo comprovadamente eficaz para evitar a perda embrionária precoce, que é:
 

  • A utilização de BST (hormônio do crescimento), no período entre a ovulação e o período crítico, que atua sobre o embrião acelerando seu crescimento, de modo que durante o reconhecimento materno da gestação o concepto ocupe adequadamente o corno uterino e secrete altos níveis de Interferon δ, inibindo a luteólise e a perda da gestação.

Todos esses mecanismos são comprovadamente eficazes na diminuição da perda embrionária precoce, são testados por pesquisadores americanos e brasileiros e vários deles estão em utilização rotineira no campo, em programas de Inseminação em Tempo Fixo (IATF), em programas de transferência de embriões (TE) e em propriedades leiteiras que trabalham com vacas de altíssima produção, situações onde, devido ao alto valor dessas prenhezes, a utilização dessas técnicas gera um alto benefício econômico.

LEANDRO FRANCISCO GOFERT

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DIONISIO ENCISO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/10/2005

Normalmente me llaman p/ controlar vacas repetidoras, ya sea aquellas que repiten c/ 21 días en promed. o mas de 21días. (Lo que llama la atención del prod. son las que repiten en prom. c/ 21 dias).



Este tipo de vacas en la generalidad de los casos ya estan mas alejado del parto (90-100 días p/ adelante), y por lo tanto ya han pasado esa etapa de balance energ. negat. y otro tanto c/ la defic. de minerales, y prueba de ello es que están ciclando normalmente, nada más que no quedan preñadas.



Exceptuando las enf. infecc.( IBR,DVB etc.), o una endometritis y suponiendo que se realiza un buen servicio de I.A o monta natural, las repeticiones en estas vacas se debería a una falta de ovulación, o una ovulación retardada o ausencia de reconocimiento materno; sin entrar a discutir a su vez el origen de estos problemas, que pueden ser varios.



Teniendo en cuenta todo lo expuesto y también lo que usted había explicado en su articulo de estrategias para disminuir las tasas de reabs. embrionaria; utilizando una GnRH,eCG,antiinflam.no esteroides etc. se podría lograr preñar estas vacas problemas.



Entiendo que usted me va a recomendar prevenir antes que llegar a esto, haciendo manejo nutricional-sanitario en el preparto y posparto; pero en mi caso particular, me llaman para solucionar estos problemas planteados más arriba. Le ruego alguna sugerencia.



<b> Resposta do autor:</b>



Caro Dr. Dionísio,



Excetuando vacas com problemas de fertilidade (que deveriam ser descartadas), vacas repetidoras de cios normalmente, são as melhores vacas em produção de leite.

A mudança metabólica, gerada por essa alta produção, leva a esse animal a ter os seguintes problemas:



- Alta taxa de metabolismo de esteróides no fígado (estrógeno e progesterona são esteróides).

- Intolerância ao calor (stress térmico) comprometendo a qualidade do óvulo.

- Devido ao alto metabolismo do estrógeno, durante o cio, esse hormônio pode ser tão rapidamente retirado da circulação que eventualmente provocará uma falha do mecanismo ovulatório (provocando alta incidência de cios anovulatórios, cistos foliculares ou ovulações tardias).

- Devido ao alto metabolismo da progesterona, o embrião é obrigado a se desenvolver num ambiente uterino pobre de nutrientes e fatores de crescimento, gerando um atraso de seu desenvolvimento. No dia 16 após a ovulação esse concepto tem de produzir quantidades adequadas de interferon tau, para evitar a luteólise, caso contrário, ocorrerá a regressão do corpo lúteo e reabsorção fetal. Como seu crescimento é lento ocorre então alta taxa de reabsorção.



Percebe-se então que, na verdade, sempre que temos animais altamente produtivos temos um decréscimo proporcional na reprodução.

Maneiras de melhorar essa situação poderiam ser:



- Melhorar o conforto térmico, evitando stress que leva a piora da qualidade do óvulo.

- Diminuir o índice de cios anovulatórios ou ovulações tardias com aplicações de GnRH no momento da inseminação.

- Introduzir técnicas visando o aumento da produção de progesterona após a ovulação (uso, por exemplo, de programas de Inseminação em tempo fixo com eCG, que promove uma melhor luteinização folicular e maior produção de progesterona)

- Aplicar GnRH, 7 dias após o cio, o que induz a ovulação do folículo dominante da primeira onda, formando um corpo lúteo acessório (maior produção de progesterona).

- Utilizar mecanismos inibitórios da luteólise (ácidos graxos ômega 3 e 6).



Todos esses mecanismos podem gerar um benefício na resolução do seu problema, porém sempre cabe avaliar se o benefício gerado é compatível com os custos.



Uma alternativa interessante, que vem sendo usada em algumas fazendas leiteiras brasileiras, durante o verão (quando a taxa de concepção baixa a índices muito ruins), é a utilização das vacas como receptoras de embrião. Superovulam-se, coletam-se e congelam-se embriões durante o inverno, criando um banco de embriões e inovulam-se esses embriões no período de verão (quando existe alta taxa de cios anovulatórios, má qualidade de óvulos, etc) nas vacas do rebanho, 7 dias após a observação do cio.



Tem sido um manejo satisfatório para melhorar a concepção, pois como o verão brasileiro é muito quente, nota-se que a concepção da inseminação artificial é muito baixa nessa época.



Se persistir duvidas, estou à disposição para tentar elucidar.



Atenciosamente,



Leandro F. Gofert.



DANIEL BERNARDON

XANXERÊ - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/07/2005

Gostaria de saber se vacas que são inseminada e após 21 dia repetem o cio, se pode estar ocorrendo absorção do embrião.



Obrigado.



<b>Resposta do autor</b>



Caro Sr. Daniel,



As causas de uma vaca inseminada voltar ao cio, 21 dias após, poderiam ser:



Falha de fertilização (o sêmen não teve condições de encontrar o óvulo);



Falha de ovulação (cio anovulatório);



Reabsorção embrionária.



Lembrar que mesmo em condições ideais de fertilidade (tanto do sêmen quanto da fêmea) é normal uma porcentagem dos animais inseminados falharem e voltarem ao cio 21 dias após.



Esse retorno ao cio só é considerado problema quando ocorrer com a maioria dos animais inseminados ou ocorrer mais de duas ou três vezes consecutivas.



Nesse caso deve-se recorrer a um médico veterinário que irá diagnosticar qual é o problema: do rebanho, do animal, do sêmen ou da técnica.



Existem vários problemas que podem ocasionar essa falha reprodutiva podendo citar:



Doenças reprodutivas;



Stress;



Má qualidade ou armazenamento do sêmen incorreto;



Manipulação incorreta do sêmen ou inseminação mal feita;



Distúrbios ou carências nutricionais.



Qualquer outra dúvida me coloco ao seu dispor para tentar respondê-la.



Atenciosamente,



Leandro F. Gofert.



Médico Veterinário



Tecnopec.
TANIA APARECIDA SANTANA GUIMARAES

OUTRO - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2005

Essa estratégia de utilizaçao de hormônios, qual seria o custo?



É viavel para propriedsades de média produção e rebanho de produção média de 13 litros?



<b>Resposta do autor:</b>



Tudo depende de como está a reprodução em sua propriedade.



Se a reabsorção embrionária é um problema, com vacas repetindo cios e demorando a emprenhar no pós-parto eu sugeriria:



1<sup>º</sup> Lugar: Verificar a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc).



2<sup>º</sup> Lugar: Verificar como está a condição nutricional e mineral do rebanho.



3<sup>º</sup> Lugar: Se utilizar monta natural, verificar a fertilidade do(s) touro(s).



4<sup>º</sup> Lugar: Se todos os problemas citados acima estiverem sob controle, então as estratégias hormonais citadas poderiam ser de grande valia ao seu rebanho.



Cada tecnologia citada tem custos diferentes, procure se informar sobre os custos desses hormônios em sua região, mas apenas para te dar uma noção:



GnRH - R$ 4,00 a dose (Gestran Plus).



eCG - R$ 5 a 7 a dose (Novormon) - contudo este produto não é utilizado sozinho, mas associado a um programa reprodutivo chamado IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo).



Flunixin Meglumine - R$ 10 a 20 a dose (Banamine).



Óleo de peixe - não saberia informar custos.



BST - R$ 14 a 16 (Lactotropin, Booster).



A viabilidade econômica depende justamente em mensurar quanto esse problema representa em sua propriedade, e qual melhora a aplicação dessas técnicas pode proporcionar.



Consulte um veterinário de sua confiança para realizar os exames necessários.



Atenciosamente,



Leandro F. Gofert

Médico Veterinário

Tecnopec.





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