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Efeito do intervalo de parto e estação do ano sobre a eficiência reprodutiva

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 25/10/2011

3 MIN DE LEITURA

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Por Gabriela Lucia Bonato, Karina Favaretto Strini e Ricarda Maria dos Santos

Este trabalho será apresentado no 38º Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária de 01 a 04 de novembro de 2011, em Florianópolis, SC.

Introdução

A exigência de intensificar a produção tem se tornado cada vez maior na atividade leiteira, em contrapartida, em vacas com melhor potencial de produção de leite observa-se declínio da fertilidade (LUCY, 2001). Dessa forma, deve-se buscar intervalo de partos próximos de 12 meses, para isso as vacas devem ser inseminadas e tornarem-se gestantes dentro de um período restrito de tempo. Caso a concepção seja atrasada, a ineficiência reprodutiva pode levar a diminuição da produtividade, comprometendo economicamente a atividade.

Efeitos negativos do estresse pelo calor na fertilidade de vacas lactantes foram observados por Drost et al. (1999). Demétrio et al. (2007) relataram que o aumento da temperatura corporal das vacas diminuiu a probabilidade de concepção aos 28 dias após a inseminação a medida que os dias pós-parto aumentavam.

Objetivou-se com este estudo analisar o efeito da duração do intervalo de partos anterior (IP) e da estação do ano ao parto (EAP) no subsequente intervalo parto-primeira IA (PPIA) e no intervalo parto-concepção (IPC) de vacas leiteiras mestiças.

Material e Metódos

Os dados foram coletados em uma propriedade no Sudeste de Goiás, no período de 2009 a 2010 de um rebanho de 71 vacas mestiças leiteiras, com produção média de 19,70 Kg de leite por dia.

O rebanho foi mantido a pasto no verão e silagem de milho no inverno. O concentrado era fornecido durante o ano todo de acordo com a produção de leite. As vacas foram inseminadas artificialmente e o diagnóstico de gestação realizado mensalmente na propriedade com uso de ultrassonografia (Mindray® DP3300 VET).

O intervalo de parto anterior foi subdividido em três categorias: 1(300 a 365dias); 2(366 a 500dias) e 3(acima de 500dias) e a estação do parto classificada em primavera-verão e outono-inverno.

O intervalo parto-primeira IA e o intervalo parto-concepção subsequentes foram analisados por análise de variância no programa MINITAB, sendo incluídos no modelo os efeitos do intervalo de parto anterior e a estação do parto.

Resultados

Não houve efeito (P>0,05) do intervalo de parto anterior e nem da estação do parto sobre o intervalo parto/primeira IA (Tabela 1), porém estação do parto afetou (P = 0,003) o intervalo parto concepção, ou seja, vacas que pariram no outono/inverno (80,17d) tiveram menor intervalo parto/concepção em relação às que pariram na primavera/verão (118,50d), mas o intervalo de parto anterior também não afetou (P>0,05) o intervalo parto concepção subsequente (Tabela 2).

Tabela 1 - Efeito do intervalo de partos anterior e da estação do ano sobre o intervalo parto/primeira IA.



Tabela 2 - Efeito do intervalo de partos anterior e da estação do ano sobre o intervalo parto/concepção.



Os resultados encontrados corroboram com os de De Rensis et al. (2002) que também observaram que em regiões de verões quentes, a taxa de concepção é menor dentre as vacas que parem no verão e primavera, relativa àquelas paridas no outono e inverno. Outros autores reportaram taxas de concepção no verão menor do que no inverno (VALTORTA & GALLARDO, 1996; GONZÁLEZ et al., 1993). Conclui-se que vacas que parem na estação outono/inverno na região do Sudeste Goiano apresentam melhor desempenho reprodutivo.

Referências Bibliográficas

DEMETRIO, D. G. B.; SANTOS, R. M.; DEMETRIO, C. G. B.; VASCONCELOS, J. L. M. Factors affecting conception rates following artificial insemination or embryo transfer in lactating holstein cows. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 90, n.11, p.5073-5081, 2007.

DE RENSIS, F., P. MARCONI, T. CAPELLI, F. GATTI, F. FACCIOLONGO, S. RANZINI, R. J. SCARAMUZZI. Fertility in postpartum dairy cows in winter or summer following estrus synchronization and fixed time AI after the induction of an LH surge with GnRH or hCG. Theriogenology, v. 58, p. 1675-1687, 2002

DROST, M.; AMBROSE, J. D.; THATCHER, M. J.; CANTRELL, C. K.; WOLFSDORF, K. E.; HASLER, J. F. Conception rates after artificial insemination or embryo transfer in lactating dairy cows during summer in Florida. Theriogenology, v.52, p.1161-1167, 1999.

GONZÁLEZ, C.J.; VAN CLEVE, J.F.; RIQUELME, E. et al. Características descriptivas del estro de vacas lecheras durante el inverno y el verano en Puerto Rico. Archivo. Latinoamericano de la Producción Animal, v.1, p.163-174, 1993.
LUCY, M. C. Reproductive loss in high-producing dairy catlle: Where will it end? Journal of Dairy Science, Champaign, v.84, p.1277-1293, 2001.

VALTORTA, S.E.; GALLARDO, M. El estres por calor en produccion lechera. Temas de Produccion Lechera, n.81, p.85-112, 1996.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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