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Diagnóstico de Abortamento

POR JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

E RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 26/01/2009

4 MIN DE LEITURA

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Anotações bem feitas:

Manter as anotações em dia pode ser muito útil nas investigações de abortamento. Datas de cobertura, ordem da parição da vaca, produção e eventos relacionados à saúde (ocorrência de doenças, vacinações) podem ajudar a identificar os fatores relacionados com a ocorrência de abortamento. Outras informações como mudanças na dieta, novos aditivos da dieta, mudanças de funcionários, também devem ser anotadas. Essas informações devem ser mantidas em um formato acessível para serem facilmente analisadas nas investigações de surtos de abortamento.

Antes de se pensar que existe um caso de mortalidade embrionária ou aborto temos que fazer o diagnóstico correto das gestações em todas as vacas. Abortos no terço inicial da gestação são identificados pelo retorno ao cio de vacas já confirmadas como gestantes. Já os abortos no terço médio e final da gestação são normalmente diagnosticados pela presença de descarga vaginal e/ou retenção de placenta. Portanto todos os lotes de vacas devem ser observados diariamente na fazenda. Um estudo relatou que apenas 46% dos abortos são diagnosticados, a maioria passa despercebida e só é detectado quando a vaca não pare no tempo esperado.

Pode ser muito útil estabelecer uma rotina de envio de material para um laboratório de diagnóstico sempre que um abortamento inexplicável ocorrer na propriedade, por exemplo, talvez não seja necessário enviar uma amostra para o laboratório de um caso de abortamento que tenha ocorrido em uma vaca que teve uma mastite muito severa. No entanto devemos sempre lembrar que um caso de abortamento pode ser o início de um surto, e o diagnóstico é importante na solução do mesmo.

Como coletar as amostras:

A obtenção do sucesso no diagnóstico de aborto depende de alguns fatores. O envio de fetos abortados, juntamente com a placenta, a realização de necropsia, incluindo coleta adequada de materiais e a execução de exames histopatológicos, microbiológicos, imunoistoquímicos, sorológicos e micológicos compõem o conjunto de métodos necessários para a obtenção do diagnóstico de causas de aborto.

Considerando que o abortamento muitas vezes possa ser um problema multifatorial, sugere-se um procedimento sistemático de coleta de material, independente da suspeita inicial ou do diagnóstico presuntivo. É importante salientar que na grande maioria dos casos alterações macroscópicas não são observadas e autólise fetal se faz presente dificultando ainda mais o diagnóstico.

No quadro abaixo, segue os órgãos a serem coletados durante a necropsia e os respectivos exames a serem realizados.

Quadro 1. Amostras necessárias para o diagnóstico de aborto bovino.



Para os exames de sorologia da vaca, a primeira amostra de sangue deve ser colhida o mais rápido possível após o abortamento e uma segunda amostra deve ser colhida de 2 a 4 semanas depois.

O Instituto Biológico de São Paulo está preparando um manual de coleta e envio de material para diagnóstico de abortamento que brevemente estará disponível no site: http://www.biologico.sp.gov.br/

Prevenção dos casos de abortamento

Práticas básicas de biosseguridade são capazes de reduzir o risco de introdução de novas doenças na propriedade e espalhar para todo o rebanho. Entre essas práticas estão: quarentena de animais comprados, manutenção do rebanho totalmente fechado (sem introdução de animais de fora), controle das visitas (exigir roupas limpas, desinfecção dos calçados) e desinfecção dos equipamentos que entram em contato com os animais.

Manter a saúde geral e a função imune das vacas é importante para minimizar os riscos de abortamento. Para isso as vacas devem ter: ambiente confortável, dieta balanceada e água de boa qualidade. Especial atenção deve ser dada ao armazenamento dos ingredientes da dieta para evitar a contaminação com fungos e toxinas.

Devemos lembrar que a vacinação não vai ajudar se o manejo não for adequado, a vacina é um complemento de um programa de saúde das vacas. Vacinas seguras e eficazes estão disponíveis no mercado para uma série de doenças que causam abortamento. A maioria das fazendas de leite deve ter um programa mínimo de vacinação contra Brucelose, Leptospirose, IBR e BVD. Sempre um veterinário deve ser consultado para estabelecer o programa de vacinação mais adequado para a fazenda, de acordo com a região e o desafio enfrentado pela mesma.

Também é importante lembrar que o manejo da vacinação deve ser excetuado de acordo com as recomendações do fabricante, obedecendo aos seguintes critérios:

- Comprar a vacina em lojas especializadas (observar prazo de validade, conservação e dosagem)
- Temperatura ideal de conservação 2 a 8º C (varia de acordo com o tipo da vacina)
- A vacina nunca deve ser congelada
- Não expor a vacina aos raios de solares
- Manter dentro do isopor durante a realização do serviço
- Sempre usar agulha limpa para retirar medicamento do frasco
- Inutilizar frascos depois de vazios (depósito de lixo tóxico)

Finalmente, deve ser dada atenção especial ao touro de repasse mantido na fazenda, com a realização de exames periódicos e os mesmo cuidados dispensados as vacas.

Checklist para diagnóstico de abortamento:

Enquanto não se tem a garantia de um diagnóstico conclusivo, manter um sistema de informação adequado e coletar as amostras de forma correta vai aumentar as chances de se chegar ao diagnóstico das causas do surto de abortamento:

Informações necessárias:
- identificação do animal, idade, número de lactações
- origem do animal
( ) compra ( ) própria
- data da cobertura fértil
- tipo da cobertura
( ) IA ( ) monta natural
- data do diagnóstico de gestação
- histórico de abortamento
( ) sim ( ) não
- data da última vacinação
- vacinas utilizadas
- ocorrência de doença grave após a concepção
- sinais clínicos observado no momento do diagnóstico do aborto.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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GILSON ANTONIO PESSOA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 04/08/2009

Quanto a Neospora caninum, uma vez que é difícil se recuperar fetos de aborto, a detecção de anticorpos após o aborto por RIFI ou ELISA é um excelente exame, quando associado com outros diagnóstico e eliminando-se a possibilidade de outras enfermidades.
Quanto ao diagnóstico no feto abortado, o exame de PCR é o mais fididigno. Vejamos que atualmente em rebanhos leiteiros com um adequado manejo sanitário e rigoroso calendario de vacinações (Leptospirose, IBR e BVD), a ocorrencia de abortos por Nesopora caninum é uma das principais.

Abraço
HERICLES ZOTELLI DE OLIVEIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2009

Simples, mas objetivo. Bom artigo.
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