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Câmeras de vídeo podem substituir a detecção visual de cio?

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 27/02/2012

3 MIN DE LEITURA

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A detecção de cio é necessária para a obtenção de boa eficiência reprodutiva do rebanho. A detecção do cio é feita classicamente pela observação visual do comportamento de cio. Entre os comportamentos do animal em cio a aceitação da monta é o mais confiável e tradicionalmente usado como sinal de cio. No entanto o manejo dos rebanhos, a produção de leite e a genética das vacas mudaram nos últimos 30 anos. Durante esse tempo, foi observado um decréscimo na intensidade e na duração do comportamento de estro. Por exemplo, a duração do cio relatada em estudos dos anos 70 era de 15 horas contra 9 horas nos estudos recentes. Eram relatados nos estudos dos anos 70 mais de 50 aceitações de monta por período de cio, contra 9 nos estudos recentes. Consequentemente a eficiência da detecção de cio pela observação visual vem caindo, e é relatado como menor que 50%. Nos Estados Unidos são perdidos aproximadamente $300 milhões de dólares por falha ou imprecisão na detecção de cio.

Essa situação tem motivado o desenvolvimento de ferramentas auxiliares para a detecção de cio. Pedômetros e outros dispositivos eletrônicos que medem atividade podem resultar em eficiência de detecção de 37 a 90%. Detectores mecânicos e eletrônicos de monta, giz para pintar a base da cauda apresentam eficiência que varia de 26 a 98% dependendo do estudo.

Bruyère et al, (2012) com o objetivo de avaliar um sistema de vídeo para detecção de cio conduziram um experimento por 6 meses, de outubro de 2007 a abril de 2008, com 35 vacas leiteiras de 3 raças diferentes entre 2 a 6 meses de idade. Quatro câmeras foram instaladas em 2 free stall e conectadas a um computador equipado com software específico para detecção de movimento. Cada vaca foi identificada no vídeo a partir de fotos de cada uma delas (lado direito, lado esquerdo, de frente e de costas). Este sistema permite a continua observação das vacas bem como o armazenamento das imagens. A eficiência do sistema de vídeo foi comparada com a da observação visual do cio. Ambos os métodos estudados se baseavam na aceitação de monta como sinal evidente de cio.

A concentração de progesterona no leite foi usada como método de referência para determinação do período ovulatório das vacas, foram analisados ao todo 84 períodos ovulatórios das vacas.

O sistema de vídeo detectou 80% dos períodos ovulatórios e a observação visual detectou 68,6% (P=0,07), sendo considerado similar o resultado dos dois métodos. Quando os dois métodos foram combinados a detecção foi de 88,6%. De oito a 32 minutos (média 20 minutos) foram usados para analisar as imagens armazenadas, quando estes foram comparado aos 40 minutos (quatro períodos de 10 minutos) dedicados a detecção visual os autores concluíram que o sistema de vídeo pode economizar o tempo operacional gasto para detecção de cio e até pode substituir a detecção visual de cio.

Podemos considerar que o sistema de vídeo pode ser uma alternativa futura para auxiliar a detecção visual de cio, porém ainda não foram apresentadas analises econômica da instalação do sistema de vídeo.



Figura 1. Representação esquemática do sistema de câmeras instalado no free-stall. (Fonte: Can video câmeras replace visual estus detection in dairy cows? P. Bruyère, T. Hétreau, C. Ponsart, J. Gatien, S. Buff, C. Disenhaus, O. Giroud, P. Guérin. Theriogenology 77 (2012) 525-530).

As setas indicam a direção das câmeras
ACF - área de distribuição automática de concentrado
Concrete alley - área de concreto
Feeding alley - área de alimentação
Waiting area - área de espera

Artigo publicado na revista científica Theriogenology 77 (2012) 525-530 pelos pesquisadores P. Bruyère, T. Hétreau, C. Ponsart, J. Gatien, S. Buff, C. Disenhaus, O. Giroud, P. Guérin. "Can video câmeras replace visual estus detection in dairy cows?"

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 09/03/2012

Prezado Guilherme,

Obrigada pela participação!

Eu também não acredito que essa seja uma solução para nossas fazendas, mas gosto de falar sobre esse assunto para mostrar que tem muita gente estudando o problema da detecção de cio, pois este não é um problema só das nossas fazendas.

Vamos torcer para que alguma ferramenta útil seja desenvolvida em breve.

Um abraço, até mais,

Ricarda.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/03/2012

Prezada Ricarda Maria dos Santos: Se levarmos em conta a necessidade de se ter um funcionário encarregado para o monitoramento através das câmeras, não seria muito mais viável, ainda mais em se tratando de "free stall", onde a presença humana, vinte e quatro horas ao dia, é indispensável, utilizar este empregado para a tarefa da detecção de cio? Explico - no meu Sistema de Criação Intensiva de Gado de Leite é utilizado o sistema de "tie stall" e a inseminação artificial a tempo fixo (IATF), aliada à transferência embrionária (TE) não se utiliza muito do método convencional de detecção de cio, uma vez que o mesmo é, via de regra, induzido. Mas, se não fossem estas metodologias, como eu tenho, vinte e quatro horas ao dia, funcionários dentro dos barracões e em contato com os animais, seria o mais lógico que eles assumissem a tarefa da detecção, sendo, portanto, despiciendo o uso de tais câmeras.

Talvez, num sistema de criação a pasto, este modelo de tecnologia possa ter algum suporte e se justifique, eis que o gado não permanece em contato visual com o ser humano, por várias horas ao dia.

Em métodos confinados, não entendo a praticidade deste enredo.

E atente-se para o fato de que me encontro, vinte e quatro horas, conectado, via internet, através de meu Computador, com o meu sistema e já possuo as tais câmeras dentro do mesmo, muito embora os objetivos sejam de mera comunicação visual.

De qualquer forma, a informação foi importante, porque demonstra outra realidade, desconhecida por nós, e que pode, se aperfeiçoada (embora, pelas razões acima expendidas, eu não acredite muito nisso) obter alguma glória no futuro.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

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