FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Glândula mamária: como funciona esta máquina?

EDUCAPOINT

EM 16/10/2019

0
1
Conhecer como o leite é formado dentro da glândula mamária é importante, porque ajuda no diagnóstico preciso da qualidade físico-química e microbiológica do leite. Assim, é possível fazer uma interpretação correta das análises de qualidade do leite, bem como avaliar se as metodologias utilizadas são as mais indicadas. Isso permite que seja proposto soluções rápidas e precisas para problemas que venham a surgir na industrialização do leite.

A glândula mamária é uma evolução das glândulas da pele, provavelmente das sudoríparas. Ela passa por um processo de desenvolvimento maior durante a puberdade do animal, embora somente comece a produzir leite com a presença da gestação, por ação de diversos hormônios, entre eles, destaca-se a progesterona.

O úbere é composto por quatro quartos, sendo que os posteriores são um pouco maiores que os anteriores e, por isso, produzem 20% - 30% mais leite. Entre os quartos, existe uma fina camada de tecido conjuntivo separando-os. É importante notar que essas camadas de tecido conjuntivo podem delimitar as inflamações localizadas, ou seja, as inflamações podem ficar restritas a apenas um quarto mamário.

Além disso, existe o ligamento suspensório medial, que é a principal sustentação do úber e também há os ligamentos suspensórios laterais direito e esquerdo. Esses ligamentos vão se relaxando gradativamente com o avançar da idade e das lactações.

O úbere possui uma rica irrigação sanguínea, o que vai ajudar na disseminação de medicamentos, como antibióticos.

Aprofundando-se mais para compreender como o leite é formado na glândula mamária, observa-se que o úbere é formado por duas estruturas: a cisterna da glândula e a cisterna do teto, onde o leite fica armazenado dentro da glândula mamária. Aproximando ainda mais, percebe-se que o tecido mamário é formado por lóbulos, que, por sua vez, possui como unidade funcional o alvéolo.


Figura 1: Esquema de corte transversal na glándula mamária

Os alvéolos são as estruturas que possuem as células secretoras, unidades funcionais responsáveis pela produção de leite. Essas células recobrem todo o alvéolo sintetizando e excretando os componentes lácteos.

Assim, os nutrientes que chegam até os alvéolos mamários pelos capilares sanguíneos são transformados em componentes que fazem parte do leite. A glicose, por exemplo, é transformada em lactose. Os aminoácidos, por sua vez, vão compor as caseínas do leite e os ácidos graxos vão compor a gordura do leite.

É importante salientar que nem todos os componentes do leite sofrem esse tipo de transformação. Alguns deles, por exemplo, imunoglobulinas, vitaminas, sais e albumina, são transportados do sangue ao leite sem sofrer essas transformações.

As vias de transporte de nutrientes ao leite são diferentes para cada componente. Existem 5 tipos de transporte:

1) Transporte via exocitose

Nesse tipo de transporte, os componentes são sintetizados no Complexo de Golgi, excretados pela célula secretora para a luz do alvéolo através de vesículas.

São transportados dessa forma os seguintes componentes do leite: proteínas, água, lactose, oligossacarídeos e sais (fosfato, cálcio e citrato).

2) Transporte via membrana

Nesse transporte, os componentes do leite atravessam a membrana da célula secretora. Isso requer transportadores específicos, como bombas de sódio e potássio, com gasto de energia.

Os seguintes componentes do leite que passam por esse tipo de transporte são: íons, glicose e aminoácidos.

3) Transporte via transcitose

Nesse caso, os componentes atravessam toda a célula secretora. Assim, na parte basal da célula acontece a endocitose dos componentes, que podem sofrer uma maturação nos endossomos, sendo excretados via exocitose na parte apical da célula. Esse transporte de componentes desde a parte basal da célula até a parte apical é chamado de transcitose.

Chegam ao leite por transcitose os seguintes componentes: imunoglobulinas, proteínas séricas, enzimas e hormônios.

4) Transporte via paracelular

Nesse caso, não há a passagem dos componentes pelo interior das células, mas sim, pelos espaço entre as células. Não há transformações bioquímicas durante o transporte desses componentes.

Esse tipo de transporte é fechado durante a lactação e aberto durante a gestação, ou seja, não existe durante a lactação, apenas durante a gestação. Esse transporte também pode ocorrer nos casos de mastite, onde há inflamação e extravasamento de plasma no espaço intersticial.

São transportados dessa forma: leucócitos e plasma.

Já o transporte de caseínas, proteínas séricas, lactose e sais é constante durante toda a excreção do leite.

5) Transporte via destacamento ou brotamento

Há, no entanto, um componente que possui um transporte um pouco diferenciado: a gordura. Os glóbulos de gordura são sintetizados no retículo endoplasmático liso na parte basal ou medial da célula. Esses glóbulos, à medida que vão sendo formados, se unem e formam um único glóbulo que vai até a parte apical (superior) da célula.

Ao chegarem na parte apical da célula, os glóbulos começam a fazer uma pressão, alcançando a luz alveolar através de um destacamento, também chamado de brotamento.

Assim, quando o úbere está cheio de leite, a pressão na parte apical será tão grande que a excreção de gordura cessa. É por isso que a concentração de gordura no início da ordenha (1%) é diferente da concentração no final da ordenha(11%). Por isso, é essencial fazer a ordenha completa e misturar bem o leite total.

Todo esse mecanismo é influenciado por hormônios, sendo o principal deles a prolactina que tem um pico de produção na terceira semana após o parto.

Outro hormônio importante é a ocitocina, que é responsável pela contração dos alvéolos, ou seja, quem controla a “descida” do leite. Qualquer estímulo positivo, como a presença do bezerro, a voz do ordenhador, estimula a produção de ocitocina pela vaca. Já em situação de estresse o animal produz adrenalina, que impede a contração dos alvéolos.

Se você quiser saber mais informações sobre a composição do leite e todas as tecnologias envolvidas no processamento de produtos lácteos, acesse o conteúdo completo do curso on-line Tecnologia de leite e derivados lácteos, do EducaPoint.

Nesse curso, o Prof. Dr. Rafael Fagnani, da UNOPAR, explica em detalhes todas as etapas produtivas, desde o processo de formação do leite na glândula mamária, sua composição e propriedades físico-químicas, até a entrada da matéria-prima na indústria, bem como todas as etapas de beneficiamento industrial, tanto dos leites fluidos quanto dos derivados lácteos.

Você pode fazer a aquisição do curso individualmente ou optar pela assinatura e ter acesso a todos os cursos da plataforma, que hoje são mais de 160 cursos! Clique aqui para saber mais informações sobre os planos de assinatura!

Mais informações:
contato@educapoint.com.br
Telefone: (19) 3432-2199
WhatsApp (19) 99817- 4082

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.