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Como melhorar a saúde uterina das vacas

EDUCAPOINT

EM 21/02/2019

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O período de pico de produção de leite é no início da lactação (dentro de 30 a 60 dias após o parto) quando o útero da vaca está involuindo e o ovário está retornando à ciclicidade. Os processos concorrentes com a produção de leite são a involução uterina e a restauração da atividade ovariana, que não trabalham bem durante o início da lactação e se tornam ainda mais desequilibrados quando a vaca passa por extremo balanço energético negativo e/ou por doença metabólica durante o início da lactação. O potencial resultado final é que a vaca não fica gestante durante o período de reprodução. 

As vacas entram em balanço de energia negativo pós-parto. Manter a oferta adequada de glicose circulante durante o balanço energético negativo é um desafio para a vaca. A vaca sofre uma série de mecanismos homeorréticos que visam elevar a oferta de glicose.

O aumento do equilíbrio energético e da taxa de entrada de glicose no início da lactação coordenam os mecanismos homeorréticos (mudanças coordenadas no metabolismo para conseguir suprir novos estados fisiológicos, que normalmente não sofrem influência da nutrição ou fatores externos). Esses mesmos mecanismos podem afetar o sistema reprodutivo que está sendo submetido a restauração durante os primeiros 30 dias pós-parto.

Além de um grande aumento na gliconeogênese hepática pouco depois do parto, a vaca assume um estado de resistência à insulina que redireciona a glicose para a glândula mamária. Apesar destes mecanismos, a vaca pós-parto tem concentrações de glicose no sangue cronicamente baixas porque não consegue satisfazer a exigência de glicose. 

A glicose pode ser um mediador da reprodução pós-parto porque atua como substrato para a produção de leite e também é essencial para a função do sistema imunológico inato e da reprodução.

Dois processos essenciais ocorrem nos primeiros 30 dias pós-parto - restauração da ciclicidade ovariana e involução uterina. Esses dois processos essenciais podem ser diretamente afetados por metabólitos pós-parto e hormônios metabólicos.

Em circunstâncias normais, a involução uterina é completada durante o primeiro mês pós-parto. Durante a involução, o útero diminui de tamanho, restabelece o epitélio luminal, e as células imunes (principalmente polimorfonucleares - neutrófilos ou PMN) infiltram o útero para limpar o tecido placentário residual, bem como os microrganismos infecciosos.

A vaca pós-parto tem um sistema imunológico deprimido particularmente durante o primeiro mês após o parto. Com relação à involução uterina e à doença, a teoria atual é que o perfil metabólico das vacas pós-parto suprime o sistema imune inato por efeitos na função PMN.

Na maioria dos casos, as mudanças nas concentrações circulantes de nutrientes e metabólitos que ocorrem na vaca pós-parto são exatamente opostas às que beneficiariam a função de PMN. Há boa concordância entre as análises in vitro da função PMN e evidências epidemiológicas que indicam que o perfil metabólico anormal durante o período periparturiente predispõe a vaca à doença uterina durante o período pós-parto inicial e infertilidade pós-parto posterior.

A glicose é o principal combustível metabólico que o PMN usa para gerar a queima oxidativa (burst oxdative) que leva à atividade de matar os micro-organismos. A glicose é armazenada como glicogênio dentro do PMN, que sofre um período breve (aproximadamente 14 dias) de maturação e diferenciação de células progenitoras dentro da medula óssea antes da sua liberação. É durante este tempo que o glicogênio é armazenado dentro do PMN.

As concentrações de glicogênio nos PMN na vaca pós-parto diminuem de forma semelhante à diminuição da glicose no sangue pós-parto. Galvão et al. (2010) observaram que as vacas que desenvolveram doença uterina tinham menor concentração de glicogênio em seus PMN. Sua conclusão foi que a menor reserva de glicogênio levou a uma capacidade reduzida de queima oxidativa em PMN, o que predispôs a vaca para a doença uterina.

A maioria dos dados disponíveis indica que o perfil metabólico da vaca pré-parto é igualmente importante ao do pós-parto para a saúde uterina subsequente e/ou o estabelecimento da gestação. Em seu trabalho, em que foi criado um índice de desequilíbrio fisiológico, Moyes et al. (2013) concluíram que um índice que incluiu ácidos graxos não esterificados (AGNE), beta-hidroxibutirato (BHBA) e glicose foi preditivo da doença uterina pós-parto, especialmente quando o índice pré-parto foi utilizado.

O perfil metabólico associado à doença uterina já é observado antes ou pouco antes do parto. Isto não é surpreendente, dada a natureza relativamente aguda dos eventos fisiológicos no momento do parto e os mecanismos homeorréticos do início da lactação. A capacidade homeorrética de uma vaca (isto é, capacidade de gliconeogênese, mobilização lipídica, etc.) e sua resistência inerente à doença manifestam-se, em grande parte, após o parto, mas a biologia relacionada a este processo, já está teoricamente em vigor antes do parto.
 
Os danos teciduais e infecção que ocorrem no útero pós-parto levam a uma resposta inflamatória maciça. Isso é particularmente verdadeiro para as vacas que montam uma defesa contra doença sem sucesso e desenvolvem metrite. Metrite leva à infertilidade a longo prazo.

Quase todas as vacas possuem bactérias patogênicas no útero no pós-parto. Algumas vacas desenvolvem metrite (aguda) puerperal, clinicamente diagnosticada por febre, perda de apetite, descarga uterina fetida e inflamação do útero. Outras vacas desenvolvem metrite clínica (descarga fetida sem febre ou perda de apetite) ou endometrite subclínica (inflamação superficial do endométrio). Entre metade a dois terços das vacas permanecem saudáveis (sem doença uterina). As vacas que desenvolvem a doença uterina sofrem de infertilidade a longo prazo.

As vacas leiteiras estão imunossuprimidas após o parto. O sistema imunológico deprimido é teoricamente causado pelo estado homeorrético endócrino e metabólico que suporta o início da lactação. A incapacidade de resolver a doença uterina leva à inflamação que pode danificar o tecido uterino. Embora os sintomas da metrite possam ser tratados com antimicrobianos, a literatura é equívoca em responder se o tratamento de uma vaca para a metrite afeta a fertilidade pós-parto.

As espécies predominantes em vacas com metrite são Trueperella pyogenes (T. pyogenes), Escherichia coli (E. coli), Fusobacterium necrophorum (F. necrophorum) e Prevotella melaninogenica (P. melaninogenica). Essas espécies bacterianas são encontradas no ambiente e acredita-se que tenham acesso ao ambiente uterino no parto da vaca. As bactérias que causam metrite são parte do microbioma bovino normal e não são patogênicas quando encontradas fora do útero.

Por exemplo, T. pyogenes é encontrado na nasofaringe; E. coli no intestino; F. necrophorum no rúmen; e P. melaninogenica é parte da flora normal oral e vaginal. As bactérias que causam o aborto são conhecidas por ter acesso à gestação por uma via hematogênica de infecção ou por infecção ascendente da vagina.

Saiba mais: Doenças do puerpério: saiba mais sobre metrite e endometrite em vacas

Medidas de prevenção

A prevenção na maioria dos casos é inespecífica, porque o que se faz para reduzir a metrite também reduzirá a ocorrência de outras doenças de vacas em transição, tanto metabólicas quanto infecciosas. Isso porque uma grande parte das medidas de redução da metrite visam aliviar os fatores que comprometem a resposta imunológica das vacas em transição. Portanto, prevenir a metrite proporciona um retorno multiplicado ao investimento de tempo e esforço.

A prevenção começa muito antes do parto, quando sao tomadas decisões que afetarão o número de vacas excessivamente condicionadas na secagem. Vacas com excesso de condicionamento são mais propensas a ter perda de peso significativa após o parto e problemas metabólicos.

Confira a seguir algumas medidas preventivas que podem ser tomadas para manter a saúde uterina das vacas:

- Avalie e registre o escore de condição corporal (ECC) de vacas secas e novilhas aos 60 dias antes da data de parto.
 
- Converse com seu veterinário sobre o ECC que você deve usar como um alvo para vacas secas e comunique isso ao seu nutricionista.
 
- Revise a dieta da vaca em transição. A dieta deve conter cerca de 40-50% de FDN (fibra forrageira), bem como uma quantidade modesta de energia alimentar que se situa entre valores relativamente baixos recomendados para vacas secas e dietas de alta lactação enriquecidas com energia, nomeadamente cerca de 1,3-1,4 Mcal/kg.
 
- Também se recomenda equilibrar a dieta da vaca seca antes do parto com 14-15 % de proteína. Um balanço de cálcio e fósforo em um 1,5: 1,0 a 2,5: 1,0 com níveis de potássio controlados para promover um bom metabolismo do cálcio. A dieta deve ter uma boa micro-mistura de vitaminas e minerais para fornecer os níveis essenciais de cobre, zinco, selênio, vitamina A e altos níveis de vitamina E.

- Esteja ciente dos problemas de baixa ingestão de alimentos no curral de vacas no pré-parto. Há cerca de 30% de declínio natural na ingestão de matéria seca desde o início do período seco até o parto. 

Von Keyerlingk e Weary, da University of British Columbia, descobriram que as vacas diagnosticadas posteriormente com metrite ou metrite aguda passaram menos tempo comendo tanto no pré-parto (começando 3 semanas antes do parto) quanto no pós-parto, em comparação com as vacas saudáveis. Elas também foram ao cocho menos vezes durante os períodos de maior competição.

- Evite alojar vacas em currais superlotados. Em muitas fazendas, as vacas no período que antecede o parto são colocadas em currais superlotados com espaço limitado no cocho. Isso também é válido para vacas no pós-parto. 

- Reduza os movimentos no galpão no período de transição e reduza o número de vezes que novos animais são introduzidos nos grupos. 

- Gerencie o conforto das vacas no período que antecede o parto com boa ventilação e movimento do ar para reduzir o estresse térmico e melhorar a qualidade do ar. 

- Certifique-se de que os currais e galpões estejam limpos e secos. Bactérias patogênicas que invadem o útero de uma vaca durante/após o parto crescem onde há uma combinação de umidade, calor e nutrientes disponíveis (esterco). A remoção do material da cama sujo por material limpo e novo nos galpões de vacas no pré-parto e no pós-parto pode ajudar a reduzir os casos de metrite.

- Reduza a porcentagem de partos em free stalls para menos de 2% devido a essa questão da higiene e contaminação bacteriana.

- Desenvolva protocolos de assistência ao parto: O pessoal que ajuda no parto pode ser um fator positivo, porque os problemas de parto aumentam significativamente a metrite. No entanto, a menos que a assistência ao parto seja bem feita e sanitariamente, isso pode ter um efeito negativo. É importante desenvolver protocolos de assistência ao parto com o seu veterinário e treinar os funcionários na assistência ao parto. É necessário praticar os mais altos padrões de saneamento em relação à preparação do pessoal, preparação de equipamentos e preparação das vacas.

- Vacas com metrite são mais propensas a desenvolver endometrite. Desenvolva um protocolo com seu veterinário para monitorar e intervir nesses animais.

Saiba mais: Confira uma dica importante para minimizar problemas uterinos no pós-parto

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Problemas metabólicos e reprodutivos x fertilidade de rebanhos leiteiros

Sanidade e monitoramento de vacas em transição

Perdas de gestação em bovinos: por que ocorrem e como evitar?

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