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Uso da condutividade elétrica do leite para detecção de mastite

Por Marcos Veiga Santos
postado em 24/11/2005

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O uso da condutividade elétrica (CE) do leite como indicador de mastite já é bastante conhecido, sendo que os primeiros estudos iniciaram-se a partir de 1940. Existe uma enorme variedade de pesquisas que foram desenvolvidas para avaliar a acurácia e adequação deste método. Mais recentemente, a avaliação da CE do leite tornou-se disponível nos modernos sistemas de ordenha, nos quais a medição pode ser feita ao longo do período de ordenha e estas informações podem ser imediatamente utilizadas pelos produtores.

Conceitualmente, a CE mede a capacidade de uma solução de conduzir uma corrente elétrica entre dois eletrodos, cujos resultados são expressos em miliSiemens (mS). Deste modo, as concentrações de íons (cátions e ânions) como Na+, K+ e Cl- são os principais determinantes da CE do leite. Estes íons são transportados pelas células da glândula mamária a partir do sangue em condições normais.

Por sua vez, quando a vaca apresenta mastite ocorre aumento das concentrações de Na+ e Cl- no leite, o que tem como conseqüência o aumento da CE. No outro sentido, o K+ e lactose encontram-se diminuídos nos casos de mastite, o que mantém a osmolaridade inalterada. O aumento do teor de gordura do leite reduz a CE, devido à sua característica de baixa condutividade dos glóbulos de gordura.

Além da mastite, outros fatores também podem influenciar a CE, entre os quais se destacam a raça, ordem de parição, estágio de lactação e composição do leite. Um exemplo de variação da CE de vacas com mastite ao longo da lactação é apresentado na figura 1, na qual ocorre uma diminuição nas primeiras semanas e aumento gradativo no restante da lactação. Resumidamente, a curva da CE segue o mesmo padrão da curva de CCS, pois a prevalência de mastite tende a aumentar com o avanço da lactação.

Figura 1 - Média de CE do leite (em milimho) durante a lactação (DIM: dias em lactação) (Fonte: (Norberg et al., 2004).

A CE do leite de vacas sadias (sem sintomas de mastite) varia de 4 a 5 mS, sendo que estes valores aumentam para 5,75 em casos subclínicos e para 6,73 mS para casos clínicos de mastite, ainda que possa ocorrer variação entre os animais e em função do tipo de agente causador de mastite.

Na última década, os avanços na tecnologia para medição da CE do leite permitiram o uso deste método para o monitoramento da mastite nos rebanhos leiteiros. Nos equipamentos de ordenhas mais novos, é possível que sensores e programas de computador sejam instalados, o que permite que toda vaca seja automaticamente avaliada quanto a sua CE em toda ordenha. Nestes equipamentos, normalmente as medições diárias são comparadas com os limites normais daquela vaca e em caso de elevação da CE, o sistema alerta o proprietário para uma avaliação individual da vaca com suspeita de mastite.

Neste tipo de diagnóstico de mastite, pode-se atingir cerca de 80% de sensibilidade (identificação correta das vacas infectadas) e 75% de especificidade (identificação correta das vacas sadias). Desta forma, o uso da CE para detecção de mastite subclínica pode ser uma excelente ferramenta para controle de mastite, quando a medição é acoplada à ordenha, pois permite a identificação precoce e um monitoramente diário de casos de mastite do rebanho.

Fonte: Livestock Production Science, v. 96, p.129-139, 2005.

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