Ocorrência de mastite em novilhas em sistemas de pastejo - parte 2

Os patógenos secundários (estafilococos coagulase-negativa, <i>Corynebacterium</i> spp.) apresentaram prevalência crescente antes do parto (figura 1), e maior que a dos patógenos primários. Após o parto, houve declínio da prevalência de ambos os patógenos primários e secundários. Em cerca de 36% dos quartos houve o isolamento do mesmo agente antes e após o parto, o que significa uma infecção persistente, sendo que o <i>S. uberis</i> foi o agente mais prevalente nesses casos.

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Os patógenos secundários (estafilococos coagulase-negativa, Corynebacterium spp.) apresentaram prevalência crescente antes do parto (figura 1), e maior que a dos patógenos primários. Após o parto, houve declínio da prevalência de ambos os patógenos primários e secundários. Em cerca de 36% dos quartos houve o isolamento do mesmo agente antes e após o parto, o que significa uma infecção persistente, sendo que o S. uberis foi o agente mais prevalente nesses casos.

Por outro lado, aproximadamente 64% dos quartos, principalmente infecções causadas por patógenos secundários, apresentaram eliminação da infecção entre o período antes e após o parto.

Figura 1

Figura 1. Prevalência de IMI antes (A) e após (B) o parto, para patógenos primários (■) e secundários (▲).
Fonte: adaptado de Compton et al., 2007.

Os resultados desse estudo são bastante interessantes, pois são descritos detalhadamente os padrões de prevalência de patógenos causadores de mastite no período peri-parto para novilhas criadas em sistemas de pastejo. Entre os resultados mais significativos podemos apontar a prevalência mais alta de IMI antes do parto e o fato do S. uberis ser o patógeno primário mais prevalente, tanto antes como após o parto. Não são conhecidas as razões concretas para esta alta prevalência, mas pode-se apontar como provável causa a maior exposição ambiental dos tetos a essa bactéria.

A maior parte das novas IMI ocorre no período das 2-3 semanas antes do parto, o que implica na necessidade de medidas de controle específicas para essa categoria animal, uma vez que na maior parte dos rebanhos as novilhas são relegadas a um nível de manejo inferior ao das vacas.

Deve-se lembrar que as primíparas, além de representar a produção futura do rebanho, podem não expressar o potencial produtivo em caso de IMI antes da primeira lactação, o que pode prejudicar o desenvolvimento mamário posterior e reduzir a vida produtiva. No estudo em questão, foi identificado que novilhas diagnosticadas com IMI causadas por patógenos primários após o parto apresentaram aumento de 60% do risco de serem descartadas durante a lactação seguinte.

Considerando que não existem medidas específicas para o controle de mastite em novilhas, além do tratamento de vacas seca e do uso de selante de tetos, pode-se esperar que essa doença tenha importância crescente nessa categoria animal. Entre as razões para essa expectativa, pode-se apontar que os reservatórios dos agentes causadores estão no ambiente e que o aumento da exposição dos tetos leva ao aumento do risco de mastite. Recomenda-se, assim, maior atenção para a ocorrência de mastite em novilhas e aumento no diagnóstico por meio de cultura microbiológica, visando o controle e prevenção da doença.

Fonte:

Compton et al., J. Dairy Science, v. 90, p.4157-4170, 2007.

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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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