Marco Antonio Alvares Balsalobre
Dados recentes estimam que na maior região brasileira produtora de carne bovina, em torno de 80% das pastagens passam por algum processo de degradação. Esta informação ilustra a ineficiência da produção nacional de bovinos e explica os baixos índices zootécnicos, uma vez que nossa pecuária tem sua base em pastagens. Vários são os fatores de degradação de pastagens, sendo que entre a escolha da espécie forrageira, a formação da pastagem ou a reposição de nutrientes, manejo dessas plantas é o fator de maior importância.
A condução de um manejo eficiente baseia-se no conhecimento da morfologia e da fisiologia da planta forrageira, sendo os dados gerados pela pesquisa científica a fonte de informação que determina a base para a tomada de decisões.
No contexto da pesquisa com plantas forrageiras tropicais, os estudos se concentram principalmente na parte aérea, deixando o sistema radicular como um componente secundário do manejo de pastagens. Entretanto, sabe-se da existência de um sistema integrado de funcionamento entre raízes e parte aérea destas plantas. Enquanto a parte aérea responde pela síntese de metabólitos orgânicos através da fotossíntese, o sistema radicular fornece água e nutrientes inorgânicos à planta, caracterizando assim uma relação de interdependência. Esta interação, associada a fatores de clima e solo, é que serão responsáveis pela produção e perenidade da pastagem.
Dados da literatura relatam que quando a produção de forragem diminui a ponto de ser notada através da lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente seu sistema radicular, o perfilhamento, a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base de hastes. Isto foi dimensionado através de um estudo onde se observou, para uma variedade de Panicum maximum, que uma redução de 8% na produção de matéria seca do capim reduziu 3,8 vezes o sistema radicular, 4,0 vezes o nível de carboidratos não estruturais de reserva e 1,7 vez o aparecimento de folhas novas.
Dessa forma se explica a causa para a degradação das pastagens: o diagnóstico do fazendeiro é tardio, isto é, quando ele vê a necessidade de diminuir sua lotação animal a planta forrageira já se encontra debilitada. Mesmo dando um repouso a esta área, este produtor o faz apenas até que alguma área foliar seja refeita, não notando que os níveis de carboidratos de reserva e o crescimento do sistema radicular não foram adequadamente restabelecidos. Este manejo inadequado repetido sucessivamente, somado à provável baixa fertilidade do solo, certamente acarretarão na degradação destas áreas.
Dois pontos de vista devem ser salientados na busca de soluções para o problema de degradação das pastagens no Brasil. Num primeiro momento, sob o ponto de vista da pesquisa científica, maior ênfase deve ser dada para estudos que englobem a fisiologia da planta forrageira, incluindo a dinâmica do crescimento de raízes e por consequência sua implicação nas decisões de manejo.
Porém, de nada adianta a existência da informação se ela não for passada para a maior parte dos produtores, e é neste sentido que se insere o segundo ponto. É preciso mostrar aos produtores sobre a necessidade da presença de técnicos dentro de suas terras, assessorando-os e direcionando suas atividades para um sistema lucrativo e sustentável.
fonte: MilkPoint e Eng. Agrônomo Daniel S. Pagotto (Pós-graduando do Depto de Produção Animal, ESALQ-USP)
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