Dez dicas infalíveis para perder dinheiro com Leite (Parte 1)
Tendo convivido com produção de Leite há muitos anos e trabalhado profissionalmente há mais de 20 anos com produtores de todos os tipos, com visões as mais diferentes possíveis sobre a atividade, arrisco um pequeno guia de como ser absolutamente ineficiente na atividade e poder queixar-se com base sobre as agruras de ser produtor de Leite.<br>São atitudes que muitos produtores adotam, algumas atitudes isoladas, outros um grupo de atitudes e que os transformam sempre em próximos ex produtores.
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Tendo convivido com produção de Leite há muitos anos e trabalhado profissionalmente há mais de 20 anos com produtores de todos os tipos, com visões as mais diferentes possíveis sobre a atividade, arrisco um pequeno guia de como ser absolutamente ineficiente na atividade e poder queixar-se com base sobre as agruras de ser produtor de Leite.
São atitudes que muitos produtores adotam, algumas atitudes isoladas, outros um grupo de atitudes e que os transformam sempre em próximos ex produtores. Como é sempre tempo de começar a errar, sigam abaixo as dez dicas.
1 - Descuidar da Alimentação
Não existe nada mais desastroso e que contribua tão rapidamente para inviabilizar uma propriedade leiteira do que se descuidar da Alimentação. Respondendo por aproximadamente 50% dos custos totais de produção e de perto de 60% dos custos diretos em uma situação normal, há diversas formas para se obter um desastre. Pode-se simplesmente não plantar a quantidade necessária de volumoso, quer seja para corte ou para pastoreio, e a partir daí fica fácil perder muito dinheiro.
A falta de volumoso próprio em quantidade e qualidade adequada deflagra algumas situações bem interessantes. A primeira e mais comum é limitar a produção há um nível muito aquém do necessário para cobrir os custos totais, e a produção só consegue cobrir os custos diretos, matando a propriedade aos poucos pois a mesma perde a capacidade de investimente e de recuperar os bens depreciados.
A segunda atitude demanda um grau maior de "coragem", pois envolve grandes aquisições não planejadas de alimentos de terceiros, principalmente concentrados e conseqüentemente grande dispêndio financeiro, aumentando a participação do item alimentação no custo total e elevando em muito o potencial de risco, pois qualquer problema na produção levará facilmente a propriedade para o vermelho.
Como as margens de lucro em situação normal giram ao redor de 18 a 20%, é muito fácil comprometer a atividade quando há falta de comida ou quando a mesma é obtida de forma não planejada e com custos elevados.
Existem outras variantes, tais como trabalhar com capineiras que se assemelham a varas de pescar, ensilar milho muito seco, não adubar forrageiras em pastoreio rotacionado, ter uma super lotação das áreas de pastoreio, e outras diversas atitudes que levam a propriedade a adotar os procedimentos já descritos acima, ou procurar compensar a baixa produção com uma excessiva aquisição de concentrados.
2 - Ser um péssimo empregador
Contrate sempre mal, busque funcionários que já trabalharam em todas as propriedades vizinhas, sendo sempre demitidos. Fomente o espírito de delação e discórdia entre seus empregados, gerenciando-os por fofocas.
Remunere seus funcionários ou muito acima do valor regional e exigindo atitudes de subserviência ou com valores tão baixos que para sobreviver os mesmos precisam cometer pequenos deslizes de conduta. Como o item mão de obra ou o "pro labore" representam o segundo item em importância no custo de produção, com valor médio ao redor de 10% do custo total, adote atitudes que levem os funcionários a sempre trabalharem em desunião e contra você. Aceite empregados que espancam animais, que tocam vacas para ordenha com cavalo a galope e cachorros, empregados que chegam bêbados para trabalhar, que não cumprem horários e tarefas.
Caso você, por incapacidade, tenha contratado funcionários comprometidos com a propriedade, nunca os treine, nem reconheça os seus esforços, tire-os das atividades que executam com precisão e dedicação e os coloque em outras atividades que não conhecem. Caso seja necessário um capataz ou administrador escolha o mais despreparado e mais fofoqueiro para incrementar ainda mais a insatisfação.
Torne todo dia de pagamento uma tortura, pagando os funcionários sempre fora do prazo ou com cheque sem fundo, e deixando os funcionários em eterna insegurança quanto a sua subsistência.
Não respeite as folgas semanais nem as 11 horas de intervalo entre as jornadas, fazendo com que os trabalhadores não tenham tempo para suas atividades pessoais. Sempre fale mal da atividade para os seus funcionários ou familiares envolvidos com a produção de leite fazendo com que todos trabalhem achando que serão despedidos quando o negócio fracassar.
3 - Qualidade do Leite
Como o mercado começa a remunerar por qualidade, levando em conta critérios como Contagem de Células Somáticas e Contagem Bacteriana Total, você deve simplesmente trabalhar como se Leite não fosse um alimento. Nunca siga um plano de prevenção e controle de Mastites. Não faça remoção dos primeiros jatos, não aplique pré dip e pós dip, nunca revise sua máquina de ordenha, mantendo as borrachas desde o dia que você a comprou e remendando com tiras de câmara de ar as borrachas que furarem.
Caso você precise comprar teteiras compre as mais baratas possíveis, pois já que é material que precisa renovar para que gastar tanto comprando a teteira certa? Não trate as vacas com casos clínicos de mastite, as que não curarem sozinhas acabam morrendo e não incomodam mais.
Não seque as vacas com uso de antimastíticos para vaca seca, pois isso é pura bobagem. Mantenha os animais em ambientes sujos e com alta contaminação, de preferência um lamaçal em volta do curral ou em baixo de árvores. Deixe os animais entrarem em banhados. Se em sua propriedade os animais são confinados, nunca renove as camas e deixe os corredores e áreas de trânsito sempre imundas.
Se você estiver em uma região que não capte leite quente e precisou adquirir um tanque resfriador, trabalhe com tanques feitos com aço inox não alimentício, feitos a marreta ali na cidade vizinha e que demoram quase o dia todo para refrigerar o leite. Lembre-se de comprar produtos de limpeza para o tanque e para a máquina de ordenha apenas pelo preço, pois o mais barato sempre tem vantagens.
Nunca leve em consideração as análises vindas dos laboratórios credenciados, pois são apenas conversas fiadas do comprador para baixar o seu preço, e não possuem nenhuma confiabilidade apesar de serem executadas nas mais renomadas instituições do país.
(parte I de III)
Material escrito por:
Mario Sérgio Zoni*
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SALVADOR - BAHIA - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS
EM 02/02/2018
Bastantes boas dicas.
Gostaria de ver as partes II e III.
Abs,
Nô Brito

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 29/04/2008
Além de trabalhar em extensão há mais de 30 anos, acredito tanto na produção de leite que estou iniciando na atividade de produtor. Seu artigo é bastante provocativo e toca na ferida dos ineficientes e teimosos. Infelizmente a realidade é muitas vezes dolorida. Só para ilustrar: Muitos que encontro, tanto eu como meus colegas de extensão, em nossas peregrinações no meio rural fazem o seguinte comentário ou pergunta, - Passeando? Estes continuam igual ou pior a quando os conhecemos a cinco ou dez anos atrás, os outros que nos questionam, duvidam, discutem mas nos ouvem, testam e poem as recomendações em prática, de 120 litros por dia, hoje estão com mais de 1000; de 300 litros, hoje com mais de 1500 litros. Quanto ao lucro? Adquiriram mais terra e se preparam para dobrar estas produções. Muitas destas áreas compradas daqueles que teimam em ignorar as inovações e que trabalho. Só existe o braçal, mesmo em pleno século XXI.

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/04/2008

PERDIZES - MINAS GERAIS - MÉDICO VETERINÁRIO
EM 12/02/2008
Abordou de uma forma direta os grandes erros dos produtores de leite com a finalidade de diminuir custos, mas acabam cometendo graves erros.
Parabéns, Dr. Mário.

JATAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/01/2008
Seus comentários fazem o produtor refletir sobre a atividade que exercem. Nos faz pensar, e pensar é muito importante antes do "agir". Acredito que se nos concientizarmos do que estamos fazendo, traçaremos a meta correta. Parabéns pelas colocações.
Sou produtor há 15 anos (de leite), sou produtor de soja, milho etc.. e ainda gado de corte, mas minha paixão é o leite, e é nela que vou dedicar-me até os últimos dias da vida. Vou ter lucro, vou ter sucesso na atividade. Vou inovar, e é assim que prefiro pensar para agir, grande Abraço. LEITE É VIDA, em todos os sentidos.

MIRACEMA - RIO DE JANEIRO
EM 19/01/2008

TOLEDO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/01/2008

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/01/2008
PATROCÍNIO - MINAS GERAIS
EM 08/01/2008

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 31/12/2007
Exemplo- quando o mercado está aquecido as indústrias reajustam nosso produto lentamente, com valores insignificantes a longo prazo, já ao contrário quando o mercado é de baixa.
Abraços
Homilton

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/12/2007
Eu tive a oportunidade de conhecer o projeto Balde Cheio, e fiquei maravilhado com o projeto. A fazenda que visitamos tem 2 ha e meio de braquiarào e 1 ha de tifton irrigado, e 1 ha e meio de cana, com 18 vacas com produção de 400 litros dia, com uma mão- de-obra familiar, resultado em um custo de 30 centavos o litro. O preço na época estava em 78 centavos líquido, isso quer dizer que temos que acreditar nos técnicos e aprender muito, mais temos que ter o acompanhamento de um técnico.
Obs: este custo de 30 centavos é com todas despesas de mão-de-obra pagas, resumindo, todas as despesas. Essa é uma dica de como ganhar "dindin". Parabéns - espero o próximo artigo. Um feliz ano novo para todos.

COLMÉIA - TOCANTINS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 29/12/2007
Descreve de forma bem humorada, simples e direta a região em que trabalho. Fico triste de constatar que esta verdade aplica-se também a outras regiões do país.
Fico aguardando outras produções literárias do mesmo nível.
Parabéns.

ITABUNA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/11/2007
ITABUNA - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 11/10/2007

PRESIDENTE VENCESLAU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/09/2007

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 02/04/2007

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 20/03/2007
Nós, vellhos de guerra, já sofridos, temos que desabafar de vez em quando. É muito comum "produtores rurais" deste tipo, mas temos que
lembrar que o contrário também existe...

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/03/2007
Tenho a impressão de que voce não quis ofender os produtores com seu artigo, assim como temos bons e maus produtores, temos bons e maus técnicos. O ideal é quando encontramos bons técnicos trabalhando com bons produtores.
Não precisam brigar técnicos e produtores...
É facil encontrarmos bons técnicos como também bons produtores?! Como identificá-los?
<b>Resposta do autor:</b>
Caro Fernando
Acredito que o número de bons produtores seja muito maior que de ineficientes, assim como o de bons técnicos é muito maior que o de incapacitados. O fato de ter redigido um guia de dicas para a ineficiência, foi uma brincadeira séria para alertar os produtores dos pequenos e as vezes enormes pecados que todos cometemos em algum momento.
O foco principal do artigo é o Planejamento da atividade e a partir daí o Gerenciamento dos objetivos. Uma atividade com tantas variáveis tocada de modo errático ou com foco imediatista pode trazer tamanhas dificuldades para sua execução, que o que é aparentemente fácil para muitos produtores que trabalham com planejamento transforme-se em obstáculos intransponíveis para outros.
Quanto a briga entre produtores e técnicos, falo um pouco sobre a mesma na nona dica infalível para perder dinheiro com leite. Acredito que numa atividade com tantos desafios a parceria entre produtor e técnico é uma das condições si ne qua non para o sucesso.
Mário Sérgio Zoni

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/03/2007
Levantou uma grande lebre, parabéns. Não existe produtor eficiente sem os técnicos e as técnicas, também, não fica nesta atividade quem não reduz custos e nada improvisa.
A cada ano tenho que aumentar a produção para continuar fazendo a coisa certa, pois os mesmos 800 litros do ano passado não cobrem os custos futuros. A até quando tenho que aumentar a produção para continuar na atividade?
Quando virá uma política de preços para o leite?
Por que vendo 01 (um) litro de leite por R$ 0,40 e compro 01 (UM) litro de yogurte por R$ 3,00? Alguma coisa está errada e não é no nosso curral.
Obrigado, um abraço,
Renato B. Freitas
Produtor de Leite em Vitória da Conquista-BA

ITABUNA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/02/2007
Gostaria de perguntar ao Mário, quantas fazendas no Brasil ele conhece produzindo 40.000 litros/ha/ano?
Um abraço a todos.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Fernando Affonso,
Graças a Deus e ao trabalho dos proprietários, bastante propriedades. Apesar de achar, que como sempre insisto em colocar para todos os produtores que assisto, que o número mais bonito é o saldo em conta corrente.
Apesar de não ter respondido ao Paulo, quando de sua carta, não trabalho com valores fixos e sim com percentual variável do faturamento líquido dos produtores que assisto. Apenas como sonho, gostaria de poder trabalhar como me disse o José Ultímio, sendo o sócio que o produtor não tem.
Um Abraço,
Mário