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Lona preta versus lona dupla face na vedação de silos: viabilidade econômica

Por Rafael Camargo do Amaral e Thiago Fernandes Bernardes
postado em 22/10/2009

7 comentários
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O mercado brasileiro de lonas plásticas para a vedação de silos horizontais disponibiliza aos consumidores basicamente dois tipos de lonas, a lona de coloração preta e a lona dupla face, ambas confeccionadas em polietileno.

Pesquisas recentes demonstraram superioridade da lona de 200 µm dupla face em relação à lona de 200 µm preta, em relação à menor presença de microrganismos aeróbios e menores perdas de matéria seca na camada superior do silo (Bernardes et al., 2009). A lona dupla face por apresentar uma camada de plástico de coloração branca, reflete parte da luz solar incidente, permitindo menor aquecimento e menor entrada de oxigênio na massa.

Apesar de evidenciado por pesquisas científicas a viabilidade da lona dupla face, também se torna necessário apresentar se existe viabilidade econômica no uso deste material. Dessa forma, adotamos um modelo para exemplificar qual a melhor tomada de decisão para a compra da lona para vedação do silo.

A Figura 1 apresenta um silo trincheira de 30 metros de comprimento, base menor de 4 metros, base maior de 5,5 metros e altura de 3 metros. Apesar do silo apresentar 3 metros de altura, considerou-se com o abaulamento do silo, altura de 3,40 metros. A partir de dados de pesquisas, assumiu-se que 56 cm da camada superior sofre influência do tipo de lona utilizado, o qual representa no exemplo 2,31 m2 de área do painel e 69,30 m3 de volume.

O tipo de volumoso utilizado foi o milho, onde se considerou teor de matéria seca de 30% e custo de R$ 306,00/t MS (Amaral, 2009 - Dados pessoais). A cotação do preço das lonas foi realizada no município de Piracicaba no mês de setembro de 2009, onde o valor encontrado para lona preta de 200 µm foi R$ 0,85/m2 e R$ 1,05/m2 para lona de 200 µm dupla face.

Para o silo em questão, a quantidade de lona necessária será de 30 metros (comprimento do silo), 3 metros de sobras para cada extremidade e, a bobina deverá apresentar 8 metros de comprimento (em função da largura da base maior). Assim, serão necessários 36 metros de comprimento por 8 metros de largura, totalizando 288 m2 de lona. Esse valor de área gera um custo de R$ 244,80 para lona preta e de R$ 302,40 para lona dupla face, ou seja, até o momento a lona dupla face apresentou acréscimo de R$ 57,60 em relação à lona preta para as dimensões do silo em questão.

Segundo Bernardes et al. (2009), silagens de milho armazenadas com lona preta de 200 µm apresentaram perdas de matéria seca de 20% na camada superior do silo ao passo que as silagens vedadas com lona dupla face de 200 µm proporcionaram perdas de 12% de matéria seca.


Figura 1. Dimensões de um silo trincheira.

A partir desse dado, é possível calcular a quantidade e o custo da silagem armazenada na região periférica do silo. No exemplo, o volume da camada superior é de 69,3 m3 e considerando que essa região do silo apresenta densidade de 550 kg MV/m3, a quantidade de forragem no momento da ensilagem será de 38,12 t MV ou 11,44 t MS (considerando 30% MS da forragem). Dessa forma, pode-se inferir que neste volume de massa (11,44 t MS), o silo vedado com a lona preta terá 8% de perdas a mais quando comparado ao silo vedado com lona dupla face, ou seja, 920 kg MS perdido.

Portanto, o silo vedado com lona preta apresentou 0,92 t MS de perdas a mais do que o silo vedado com a lona dupla face para o silo trincheira em questão. Como o custo da tonelada de MS da silagem de milho é de R$ 306,00, o prejuízo do silo vedado com lona preta foi de R$ 281,52. Descontando a economia de R$ 57,60 na compra da lona preta, o prejuízo real da utilização da lona preta em relação à lona dupla face foi de R$ 223,92.

Deste modo, é importante ressaltar que mesmo economizando R$ 57,60 na compra de uma lona preta (mais barata), na abertura do silo, a fermentação é prejudicada pela inferioridade desta, o que causa maiores perdas e, consequentemente, eleva o custo do volumoso, gerando prejuízo ao invés de economia. Apesar de R$ 223,92 ser aparentemente quantia pequena, deve-se considerar que o silo em questão apresenta por volta de 280 t MV de capacidade de armazenamento, o que equivale ao uso desse silo para um rebanho de 70 vacas em lactação alimentadas por um período de 150 dias.

Referências;

BERNARDES, Thiago Fernandes ; NUSSIO, L. G. ; AMARAL, R. C. ; SCHOGOR, A.L.B. . Sealing strategies to control the top losses of corn silage. In: XVth International Silage Science Conference, 2009, Madison. Proceedings...XVth International Silage Science Conference, 2009. p. 213-214.

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Comentários

Walter Jark Flho

Santo Antônio da Platina - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 23/10/2009


Faço silagem há mais de 15 anos. Uso ,como cobertura, lona preta de 200 micras.
Após fechamento cubro a lona com pó de serra para ter um melhor isolamento térmico. Nunca tive perdas na parte superior. a não ser em alguns pontos onde ocorrem perfurações da lona . Estas perdas são insignificantes . Não entendo como podem ocorrer perdas de até 20%. Isto é um absurdo ,e, provávelmente não estão associados ao tipo de lona utilizado. Vale lembrar que faço silagem de milho sem nenhum inoculante. Perdas como as citadas pelo autor inviabilizam ouso.
Acredito que produtores experientes poderiam contribuir. Para que ocorram perdas de 20% o processo de ensilagem deve ter sido muito mal feito.

Walter

Rafael Camargo do Amaral

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 23/10/2009

Prezado Walter Jark Flho,

As perdas de matéria seca total em um silo confeccionado com milho são por volta de 12-15%, sendo que na zona periférica encontram-se valores de 20% (área demonstrado no artigo), e esses dados são provados com metodologia científica adequada para esta determinação.

O que o senhor pode estar confundindo é silagem putreficada com perdas de matéria, pois nem todas as perdas de matéria seca são visuais.

Quando digo que na zona periférica do silo tem-se 20% de perdas, digo que de 100 Kg MS ensilados, nessa porção haverá no momento da abertura 80 kg MS, podendo ser silagem visualmente deteriorada ou não.

Note que silagem putreficada é um estágio mais avançado de deterioração.

Atenciosamente
Rafael e Thiago

Renato Luiz Silva Guedes

Piraí - Rio de Janeiro - Consultoria/extensão
postado em 23/10/2009

O Sr. Walter Jark poderia nos mostrar os números? Para justificar a crítica sobre o trabalho dos tecnicos Rafael Camargo e Thiago Fernades, e também para passar a experiência para outros leitores. Gostaríamos que nos explicasse se esta operação (cobrir com pó de serra), não aumenta os custos com mão de obra.
Obrigado!

Bruno Soares

Pompéu - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 23/10/2009

Prezados;

Terei de concordar com a experiência dessa vez, pois também fazemos uso de lona preta, e mesmo sem inoculante, as perdas são desprezíveis; digo até que não ocorrem se o plástico não for danificado acidentalmente.
No nosso caso, após fechar a silagem com plástico, colocamos uma camada de 5 a 10 cm de terra em cima de toda a superfície que foi coberta, evitando assim a incidência solar e uma possível entrada de ar.
Com esse procedimento, temos há vários anos uma ração de qualidade excepcional, como já disse, sem perdas.

Grato.

Walter Jark Flho

Santo Antônio da Platina - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 26/10/2009

Prezado Rafael ! É provável que eu tenha entendido mal. Entretanto, no artigo se faz menção sòmente a camada superficial . Embora não seja especialista , sei que no processo de fermentação há consumo de energia em todo o silo, e não sòmente na camada superficial . A ênfase na lona me levou a este raciocinio. Nas condições de fazenda não tenho condições de avaliar perda de matéria seca. Entretanto, o que o Sr Bruno Pereira diz è verdadeiro. Cobertura com terra é ainda melhor.
Com relação ao comentário doSr Renato não tenho como mostrar números. A única coisa que posso afirmar que a silagem logo abaixo da lona é perfeita. Provávelmente ,se há diferença de perdas entre lona preta e lona dupla face,haverá diferença entre lona exposta ao sol e lona coberta com terra, e pó de serra,no meu caso. Já vi silos em que a lona fica exposta .Visualmente há perda de qualidade na parte superficial

Agradeço a atenção e os comentários.
Walter















Rafael Camargo do Amaral

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 02/11/2009

Prezado Walter Jark Flho,

O efeito de terra sobre a lona, com certeza beneficia o processo de ensilagem, com relação a fermentação.

Em 17/03/2008 foi publicado no milkpoint o artigo: Vedação da silagem: efeito da presença de terra sobre a lona.

O grande problema no uso da terra é o seu transporte para o silo e o perigo de contaminação sobre a silagem durante o descarregamento.

Estamos realizando alguns experimentos com o uso de bagaço de cana sobre a lona, porém, não temos resultados dos experimentos.

Atenciosamente,

Rafael e Thiago

Fabricio Albanez Fernandes

Contagem - Minas Gerais - Indústria de insumos para a produção
postado em 11/12/2009

Bom dia
Existe no mercado nacional dois produtos da empresa Poliagro, específicos para silagem. Um produto é a Mantasilo, branca nas duas faces, feita com material 100% virgem, aditivado para resistir a radiação solar e com certificado de garantia por 12 meses. Outro produto é a Silona, preta, com 50% de material reciclado e 50% virgem aditivada e com garantia de 6 meses. Uma lona boa para cobrir silos tem que ser confeccionada com polímeros plásticos de baixa densidade e aditivados. Produtos feitos com polímeros de alta densidade realmente não vedam bem o silo e tendem a ressacar muito com a ação solar, onde realmente ocorrerá o rompimento da lona ou mesmo a passagem de ar pela lona.

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