carregando...
Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

China: uma luz no fim do túnel?

Por Valter Bertini Galan (MilkPoint)
postado em 26/02/2016

19 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

As importações chinesas de leite voltaram a crescer, bastante fortemente, no mês de janeiro deste ano. Como mostra o gráfico 01 (que apresenta as importações mensais chinesas de leite em pó integral e leite em pó desnatado) os volumes comprados pelos asiáticos no primeiro mês deste ano totalizaram 153 mil toneladas dos dois produtos, 4,4 vezes mais produto que em dezembro/2015, 49% mais do que em janeiro de 2015 e somente 4% abaixo do total importado em janeiro de 2014 (quando foram importadas cerca de 160 mil toneladas de leites em pó, volume recorde de compra dos chineses na série de dados desde 2009).

Gráfico 1.
Importações chinesas de leites em pó (toneladas por mês). *Clique no gráfico para ampliar. 



Estariam os chineses definitivamente voltando ao mercado? Finalmente começará uma recuperação sustentável dos preços internacionais? Bem, é interessante ponderar algumas informações adicionais:

• Apesar do crescimento extremamente acelerado das importações em janeiro, a CLAL projeta, para o total ano de 2016, um crescimento bem menor das compras chinesas de leites em pó. A estimativa é de que o volume de leites em pó comprado pelos chineses no mercado internacional chegue a 620 mil toneladas neste ano, com crescimento de 13% em relação a 2015, mas ainda assim, 33% abaixo de 2014. Isto pode indicar que esta concentração de compras em janeiro pode ser resultado de uma estratégia de recuperação/formação de estoques de produtos a preços historicamente baixos;

• O mesmo estudo estima um crescimento da produção local chinesa de leites em pó, da ordem de 8,5% - ou seja, a despeito do seu custo mais elevado de sua produção, os chinesas estão optando por elevar seu abastecimento local;

• Sazonalidade de oferta nos grandes exportadores mundiais: de acordo com a curva sazonal típica da produção de leite (observe no gráfico 2), a produção de leite nos Estados Unidos e na União Europeia tende a crescer, sazonalmente, a partir de março, atingindo seu pico em maio e, a partir daí, começando sua queda. Assim, o impacto nos preços internacionais do crescimento da produção nos EUA e na União Europeia tende a ser potencializado, neste período, pelo próprio crescimento sazonal da oferta nestes mercados;

Gráfico 2. Curva sazonal de produção de leite nos Estados Unidos, União Europeia (28 países) e na Nova Zelândia (Janeiro = 100%).



• Movimentações de preços internacionais: apesar dos volumes significativamente maiores comprados pelos chineses no mês de janeiro, não foi observada nenhuma movimentação relevante de preços nos indicadores mais utilizados pelo mercado (preços do leite GDT e preços quinzenais acompanhados pelo USDA). Na verdade, a cotação média do GDT de janeiro/2016 para o leite em pó integral foi 3,6% menor que a média verificada em dezembro de 2015; em fevereiro, a tendência de queda foi ainda mais reforçada (na média do mês, o leite em pó integral ficou 12,7% mais barato que em janeiro/2016);

Os contrapontos indicam que ainda pode ser cedo para concluir por uma volta definitiva dos chineses ao mercado internacional mas, esta movimentação bastante diferente do que vinha acontecendo nos últimos meses, mostra que novos elementos podem estar surgindo no cenário internacional.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Avalie esse conteúdo: (5 estrelas)

Comentários

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 26/02/2016

Valter, isso é ótima notícia e eu diria que é normal e desejável que o volume saia na frente dos preços. Isso é um bom indicador. Suba de preços sem aumento de volumes não resulta em suba continuada de preços. Como dizem os traders, "volume confirma preço".

Então o primeiro passo que precisávamos ver para a recuperação dos preços internacionais está dado. E não quer dizer que tenha que aumentar volume todos os meses. Queremos a média aumentando. Se a média dos volumes aumentar, a média de preços irá reverter para cima em algum momento.

Olha, de todas, a melhor notícia do ano!  Parabéns pelo trabalho. Traz mais dessas.

Angelo Calgaro

Mangueirinha - Paraná - Indústria de laticínios
postado em 26/02/2016

Parabéns Galan, muito bem informado do que acontece no setor Lácteo do Mundialmente.
Enfim uma boa notícia.

Higor Balduino

OUTRA - OUTRO - Revenda de produtos agropecuários
postado em 27/02/2016

Ótima notícia...parabéns!!

Antônio Carlos de Souza Lima Jr.

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
postado em 29/02/2016

Muito bom Valter!
Sem dúvida é um bom sinal.

Flavio Suguimoto

Goiânia - Goiás - Produção de leite
postado em 29/02/2016

E o GDT será que reage amanhã?

Thiago Narciso

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite (de vaca)
postado em 29/02/2016

Infelizmente isso não significa muita coisa para nós produtores. Só vai aumentar a margem de lucro dos laticinios e do varejo. O que temos que fazer é diversificar a atividade pecuária e começarmos a desabastecer o mercado interno. Assim os setores de beneficiamento e venda vão começar a respeitar um pouquinho mais o setor primário. Sem produtor rural não tem laticínio, nem tão pouco varejo. Ha anos atrás o Leite em pó estava disparado e o valor ao produtor aumentou muito pouco. Esse Litro de Leite já tinha que ter passado de R$1,30 há 3 anos atrás, porém o mercado não deixou, importando toneladas de leite do cone sul. Produtor de Leite do meu Brasil, vamos diversificar a atividade pecuária, desabastecer o mercado. Ai eu quero ver!!!!!!!

José Antônio

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite
postado em 29/02/2016

      Concordo plenamente com o Thiago e acrescento que diversos setores de economia tem seus preços corrigidos conforme planilhas de custos que estes apresentam pois são organizados e lutam pelos seus interesses. O leite também é um produto essencial para o ser humano, mas devido ao fato de ser perecível , um setor bem pulverizado,desorganizado e com falsos representantes, fica mais difícil de desenvolver estratégias para reduzir demanda como faz setores como a carne,soja,etc...Por isso que diversos países de primeiro mundo por serem culturalmente mais evoluídos desenvolvem politicas Anti- Dumping, regulação da cadeia produtiva( definindo margens de preços para cada elo de cadeia,subsídios da cidade para o campo (devido à essencialidade do produto),infra-estrutura(como estradas,fomentos e etc...).
          Mas infelizmente aqui no Brasil , a redução da demanda acontece porque começa a quebrar produtores. É impossível um setor evoluir com tanta insegurança e déficit econômico, o pouco que acontece é devido a garra de alguns que sempre ficam nadando contra a maré.
         A  esses que ficam sempre apontando para o produtor que melhore a produtividade,sugiro que compre uma propriedade e vá tirar leite , duvido,pimenta nos olhos dos outros é refresco.
        Vamos lá produtores de leite do Brasil. RUMO AO DESABASTECIMENTO.
        Meu e-mail : freitasnarciso@globo.com

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 29/02/2016

Como é interessante ver a dificuldade que os diversos elos desta cadeia tem de enxergar o todo.

Imaginem que somos uma trading, uma atacadista, certo? É o que fazemos da vida, comprar e vender, inclusive temos know-how em importações. Temos uma demanda de produto lácteo X em grande quantidade.

Fazemos uma tomada de preços e descobrimos, num dado momento, que podemos comprar de fora do país o mesmo produto (para não dizer melhor, pois temos coisa boa também), só que digamos aqui custaria R$10.500, de lá R$7.600. Neste exemplo, 28% mais barato, já tudo levado em consideração.

O que alguns nos propõe neste nosso negócio fictício é que, por simples altruísmo, deixemos de comprar por R$7.600 e compremos por R$10.500. Simples. Quem de vocês faria isso?

Alguém faz isso em seu negócio? Vamos botar os pés no chão, nos unir e entender que estamos no mesmo barco. Todos.

SUGESTÃO PRÁTICA: Marcelo Carvalho abriu um espaço fantástico para sugestões objetivas exatamente no sentido de tentar fomentar a criação de um mecanismo do próprio setor para lidar com estes momentos, mas não vi nenhuma sugestão lá.

Seria ótimo ver contribuições concretas. Todos os elos dependem do produtor. Se este vai mal, é só uma questão de tempo, todos vão mal. É o que pregamos há anos. No entanto, NÃO É A SOCIEDADE QUE TEM QUE PAGAR POR ISSO.

Vamos usar a cabeça, lembrar que proteções lá na frente contam contra nós, buscar ver onde estamos errando neste país, corrigir os erros e criar ESTRATÉGIAS que tem, sim, que ser encabeçadas pelo produtor.

Tem uma ideia? Que tal compartilhá-la aqui:
http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/editorial/sobre-a-representacao-de-produtores-de-leite-98957n.aspx

João Leonardo Pires Carvalho Faria

Belo Horizonte - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 29/02/2016

Um mercado espetacular mas ainda é cedo para comemorar!

José Antônio

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite
postado em 01/03/2016

      Meu caro Wagner esse seu exemplo fictício só acontece aqui pois em outros países de primeiro mundo que tem políticas agrícolas sérias eles simplesmente aumentam as tarifas de importação para proteger seus produtores do famoso "Dumping", como exemplo os USA que constantemente aumentam as tarifas do setor de laranjas quando o Brasil aumenta a exportação para proteger seus produtores. Muito simples não é.
      Num país que 1L de água custa 3,00, uma dose de cachaça (100 ml) custa 2,00, e um produto essencial como o leite "centavos", meu caro tem alguma coisa errada.
      Somente com os produtores de Leite promovendo um desabastecimento para conquistar uma regulação da cadeia produtiva com 50% do preço final para o produtor  como preço mínimo é que as coisas podem melhorar.
      Ai sim meu caro os outros dois elos da cadeia  vão querer se unir ao produtor para conseguir um preço final digno para toda a cadeia. É assim que outros setores funcionam se unindo para garantir margens dignas principalmente para o elo essencial da cadeia.
      Não é apertando o produtor que se consegue evoluir,mais sim garantindo margens dignas para poder investir e não como é hoje uma economia de subsistência.
      Quem mais luta,mais se organiza e mais se une,mais ganha, É assim nesse mundo que vivemos

                                                                                                            Abraços

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 02/03/2016

Caro Wagner,

O México é um exemplo de país importador, onde seus produtores sofrem com preços baixos devido as importações e a sociedade paga um alto preço, também devido as importações. Aqui não vai ser diferente.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 02/03/2016

José Antônio, o velho discurso de acusar o resto do mundo de subsídios e barreiras não cola mais no Brasil. Hoje só quem tem isso, dentre os players do leite, somos nós. Para vender aqui dentro qualquer um paga 28-32% de penalidade por não ser do Mercosul. Isso é proteção artificial.

Dumping? Que dumping? Esse é outro chavão que foi incutido na cabeça do produtor brasileiro e que nos mantém no grau de ineficiência que temos. Veja os preços que os produtos estão cotados na Oceania. Os produtores lá estão agonizando. E nos EUA tu achas que a coisa está bonita para o produtor? Tampouco está. E o mercado deles, fechado? Não, tem aumentado as importações e caído as exportações.

Todos estamos no mesmo barco. Pedir proteção do Estado e depois querer liberdade? Temos que decidir: a mão pesada de políticos decidindo a vida do setor ou nós parando de nos acusar e resolvendo nossos problemas.

Mundialmente, não existe viabilidade no leite nas escalas praticadas no Brasil. Somos quase um dinossauro do setor. Ainda temos latão, leite em freezer, resfriador de imersão, 700.000 de CCS e 1.000.000 de contagem bacteriana, quando o mundo não aceita mais que 400.000 e 50.000, respectivamente.

Temos milhares de produtores com menos de 100L dia, rebanhos com mais da metade do plantel improdutivo, presença de tourinhos, gado mestiço com Nelore, vacas com 10-15L dia com 1 a 2 kg de ração, ausência de planejamento e reserva alimentar, muitos produtores que não moram na propriedade, produzem pouco leite e querem viabilidade econômica e competitividade contra produtores que estão de 30 a 50 anos na nossa frente, produzindo acima de 1.000L dia com eficiência. Ao invés de trabalharmos para apararmos nossas arestas, pedimos proteção contra um ilusório dumping.

Havia um tempo que esse tipo de clamor sensibilizava. Hoje não mais. Te pergunto: foste no link que apontei acima sugerir ao Marcelo uma forma de organização dos produtores que funcione? Tens um plano de proteção viável? Quem vai pagar esse plano, o cidadão da cidade?

Quantos, em momentos folgados como 2007 e 2013, fizeram uma reserva de capital para uma crise? Estas são as coisas que temos que começar a discutir.

Aqui não tem ninguém acusando ninguém. Trabalhamos 365 dias por ano, totalmente neste tema, ajudando muitos produtores a assumirem o comando de seu negócio e a pararem de se queixar e lhe digo: é hora de sair do estágio de negação. Enquanto não aceitarmos nossas ineficiências ficaremos marcando passo e nos queixando, isso quem sobreviver.

A indústria passou seu mau pedaço dois anos atrás. Ela é quem estava no lado da queixa e teve que pagar para trabalhar. Hoje é o produtor. Amanhã será o consumidor e assim vamos indo. É normal. Não é complô de ninguém, nem desejo que alguém se rale. É o ciclo da coisa. Entender ele é a postura mais inteligente que temos a tomar e precisamos uns dos outros para isso.

Thiago Narciso

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite (de vaca)
postado em 02/03/2016

Caro Wagner,

Concordaria com vc, se eu não fosse produtor Rural.  Acho justo você ter essa visão, pois esse é o discurso do setor de beneficiamento e venda. Porém não é a realidade que vivemos. Vamos responder algumas questões:

Não existe barreira alfandegaria para o MERCOSUL. O nosso governo troca eletrodomésticos e outro produtos da linha branca com o cone sul por leite. Só esse mês de fevereiro o nosso governo liberou a entrada de toneladas de leite do Uruguai e da Argentina. Quem ganha com isso? A industria de eletroeletrônicos, que não estão vendendo nada no mercado interno. Os laticínios, compram leite com preços abaixo do custo da produção nacional. O governo, que ajuda a segurar a inflação. E o produtor? Com o custo operacional lá em cima. Fica como? Continua com seu produto desvalorizado.

Outra questão. NÃO existe DUMPING? O que os grande laticinios fazem não é DUMPING? Pensa comigo. Se eles importam JUNTOS do cone sul sem impostos quando o preço esta baixo. Armazenam e depois começam a festa do Leite à granel. Encharcando o mercado, os médios e pequenos laticinios de leite com valores a baixo do mercado. Isso é o que? Política de mercado? Lei da oferta e da procura?.

Se não existe barreira fiscal coerente para o cone sul, então os nossos insumos teriam que ser desonerados tb. Então caro Wagner acredito que devemos fazer um estudo mais profundo sobre o mercado de Leite cru refrigerado, pois vamos perder volume e qualidade em um curto espaço de tempo.

José Antônio

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite
postado em 03/03/2016

           Caro Wagner, primeiramente parabenizo não só a você como também a Milkpoint e outros como o Marcelo, pois hoje pelo menos existe esse fórum, aproveitando esse instrumento maravilhoso que é a internet.
           Primeiramente lembro que a maioria das propriedades rurais hoje não tem esse possibilidade, pois a lógica dos outros setores é sempre como já falei garantir seu lucro.
           Para conseguir o sinal de celular 2G( uma carroça) na minha propriedade tive que fazer um investimento em repetidora ,antenas e etc...pois a exigência para as operadoras hoje é cobrir 80% da área urbana dos município, foi preciso também por conta própria contando com a ajuda da prefeitura pressionar a operadora para fazer manutenção na torre da cidade que estava sucateada.
           Li o link do Marcelo sim, e achei muito bom  pois o diagnóstico dele e igual ao meu a necessidade dos produtores se unir,organizar e lutar por seus interesses.
           Coloquei o exemplo acima do sinal de SMS para ver como a zona rural no Brasil é sempre relegada a segundo plano no que tange a infra estrutura básica , como outro  exemplo as estradas que em sua grande parte são de terra e em muitas vezes os produtores rurais tendo que arrastar caminhão de leite com seus tratores,burros e etc...
           Por isso coloquei em outro comentário que comprem uma propriedade e vão produzir leite no Brasil pois as análises macro -econômicas são importantes mas é preciso conhecer a micro economia para se saber a realidade.
           O perfil dos produtores de leite é muito variado por quantidade,qualidade,regiões e etc... por isso as políticas  ter que ser vista pela regra e não pela excessão.
           As condições objetivas do produtor de leite para se unir, organizar e lutar, não são favoráveis tais como pulverização, distância,acesso a tecnologia como comunicação citado acima e o mais importante ainda o tempo pois como já citou o Dr. Thiago em outro comentário o produtor de leite tem que fazer parte da super estrutura, estrutura e infra estrutura de sua empresa sendo o administrador, bombeiro, mecânico, agrônomo,zootecnista e etc,etc,etc...em grande parte pela pequena margem que sobra para o produtor , tentar sobreviver e quem sabe evoluir.
           Acompanho a cadeia de leite a 50 anos , vendo sempre a duras penas a evolução de produtividade do produtor e a sempre diminuição do percentual de participação no preço final do produto, como diz aquele ditado "estão matando aos poucos a galinha".
           Como balanço dessa análise é um absurdo um pais como este ter que importar produtos lácteos, será que a baixa média de produção de leite vaca/dia em relação a outros países que é histórica é por que os produtores são autofágicos ou porque os outros tem políticas mais consequentes .Acredito na segunda hipótese.
           Estou esperançoso que com a sua ajuda, a do Marcelo, da milkpoint  e outros construiremos uma organização nacional. Meu e-mail "freitasnarciso@globo.com.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 02/04/2016

Prezado Thiago Narciso,

Creio que há alguma confusão aí. Por que afirmas "Não existe barreira alfandegaria para o MERCOSUL", se o que eu escrevi foi: "Para vender aqui dentro qualquer um paga 28-32% de penalidade por não ser do Mercosul"?  Ou seja, no Mercosul não tem tarifa. Os dois estamos dizendo a mesma coisa.

Estás equivocado quanto ao conceito de dumping. Dumping não é "importação que me prejudica". Dumping ocorre quando um país coloca seu produto dentro de outro mercado com valores artificialmente baixos, com o objetivo de derrotar a concorrência (normalmente ação privada) ou se desfazer de excedentes domésticos (normalmente ação governamental).

O que temos não é isso. Primeiro que laticínios não se unem para importar, guardar e estrategicamente depois largar para deprimir preços aqui, como descreves. Isso não acontece.

Tu tens essa impressão porque muito frequentemente é vantajoso importar, porque os preços lá fora estão abaixo dos nossos aqui. Só isso. Isso é normal e até desejável, gostemos ou não.

Te peço que assistas este vídeo para entender minha posição neste tema:
https://www.youtube.com/watch?v=CqLQbXml6Zg&feature=youtu.be

Ou seja, nossa ineficiência tem sido fruto de nossas proteções. Removê-las vai dore MUITO, muito mesmo, mas vai chegar o dia que será necessário. Não defendíamos reserva de mercados para veículos e computadores? O que aconteceu quando Collor os quebrou? Quebradeira, choradeira, desemprego de alguns. Passado anos, voltaríamos atrás? Não.

Mesma coisa no leite. Temos o leite mais vergonhoso em qualidade de todos os grandes players mundiais, somos uma cadeia desagregada, desorganizada, míope, sem transparência, com muita corrupção e custos absurdamente altos devido nossas estradas, impostos, acessos internos às propriedades, baixíssima escala de produção e um povo consumidor analfabeto em qualidade que paga por água na caixinha.

Se quisermos mudar isso precisamos de um choque. Tempo e saliva já não adiantam mais.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 04/04/2016

Wagner,

Muito bonito seu discurso, com certeza  se abrirmos nosso mercado para o leite neozelandês sera a salvação dos produtores de lá.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 05/04/2016

Ronaldo,

Quanto mais fugimos desse assunto mais tempo perdemos. Precisamos entender que essas barreiras vão cair, mais cedo mais tarde, e a única forma de a única forma de estar na platéia do filme "The Day After" é fazendo nosso dever de casa. Podemos discordar e cada um puxar a corda para um lado diferente, ou podemos discordar e todos, mesmo assim, estarmos preparados para esse dia.

Quanto à NZ, eles levam desvantagem do frete até aqui. Tem outros com custo mais elevado, mas por estarem perto concorreriam mais forte para serem nossos "carrascos".

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 06/04/2016

Wagner,

Vamos pelo mesmo caminho do México, só nos tornaremos um grande importador.

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2016 AgriPoint - Serviços de Informação para o Agronegócio. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade