Fundador do Booking.com quer produzir 1 milhão de litros diários no Oeste da Bahia
Empresário holandês criador do Booking.com vai criar vacas e produzir laticínios em Jaborandi (BA); ele promete revolucionar o setor com tecnologia de ponta nas fazendas.[...]
Publicado por: MilkPoint
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Agora, além de investir seu dinheiro em startups, gringas e brasileiras, e de ser conselheiro no badalado aplicativo de transporte Uber, ele decidiu empreender em algo menos virtual, bem distante do cenário "pontocom". Koolen começa a erguer neste ano, em Jaborandi, no sudoeste da Bahia, um projeto que nasce com a ambição de ser o maior laticínio do Brasil.
Para construir as instalações da primeira fazenda, a Agri Brasil pretende arrecadar R$ 1,5 bilhão. Cerca de R$ 500 milhões devem vir do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que é gerido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A autarquia já aprovou o pré-projeto da empresa de Koolen. Entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões sairão do bolso dele, e o restante está sendo negociado com outros investidores.
A ideia é produzir 1 milhão de litros de leite por dia no primeiro ano de operação. É muito leite. A Fazenda Colorado, maior produtora do País (dona da marca Xandô), produziu em 2014, por exemplo, 53 mil litros por dia, segundo levantamento do MilkPoint. Executivos do setor acreditam que o projeto é de difícil execução.
A construção da primeira fazenda deve começar no segundo trimestre deste ano, e a produção de leite, em 2016. O plano é comprar as primeiras vacas dos EUA e iniciar as atividades com a produção de leite UHT. A meta é estender a produção para itens como leite em pó, manteiga e leite condensado. "O projeto nos encantou", diz José Márcio de Medeiros Maia, superintendente da Sudene.
A empresa planeja criar unidades de negócio - cada uma com quatro fazendas. Cada fazenda terá 30 mil vacas e, segundo a companhia, deve gerar 1,2 mil empregos. Koolen e seus sócios já compraram uma área de 31 mil hectares para abrigar a primeira unidade de negócio.
O interesse dele pelo Brasil não é recente. Começou em 2006, quando o fundador do Booking.com procurava um lugar para investir em grãos (o agronegócio não era um setor de todo desconhecido do empresário, já que sua família manteve uma fazenda de produção de leite na Holanda até 1987). Pesquisando na internet, Koolen fez contatos por aqui, alugou um jatinho e foi conhecer o interior do País. Em três semanas, visitou mais de 50 cidades. Roda Velha, a 990 km de Salvador, foi o município que ele escolheu para iniciar suas plantações de soja, milho e algodão.
Nordeste
A cidade fica no sudoeste da Bahia, conhecida no setor agrícola por seu excelente microclima que oferece chuva e temperaturas mais amenas se comparadas às do semiárido baiano e por suas terras baratas. Enquanto um hectare no Sudeste varia de R$ 30 mil a R$ 100 mil, no oeste da Bahia a faixa de preço é de R$ 7 mil a R$ 12 mil.
Com o empreendimento, as visitas de Koolen ao Brasil se tornaram frequentes. Entre idas e vindas, ele reencontrou um velho conhecido da família - o empresário holandês Willy van Bakel, que atua há mais de 30 anos no mercado de laticínios. É dele, aliás, a ideia de montar um grande negócio de leite no Brasil. Em janeiro do ano passado, os dois marcaram uma reunião no aeroporto de Guarulhos e acertaram os detalhes da parceria que deu origem à Agri Brasil.
Bakel já estava no País havia um ano para estudar a viabilidade da operação. Boa parte de sua experiência no setor vem de uma grande empreitada americana: ele desenvolveu mais de 50 fazendas produtoras de leite nos EUA entre 1999 e 2008. Seis delas fracassaram e a imprensa americana chegou a relatar a frustração dos fazendeiros.
Assim como foi lá fora, o projeto de Bakel (e agora de Koolen) é ambicioso. A empresa dominará todas as etapas da cadeia de produção. Isso significa que ela vai, no mesmo local, produzir o alimento para as vacas, retirar o leite, processar e fabricar outros produtos - que devem chegar ao mercado sob a marca Nassau Foods. Segundo Antonio Martins, sócio brasileiro do projeto e ex-diretor do Banco Central, a Agri Brasil pretende produzir sua própria energia, por meio de biogás.
Projeto
O destino da produção é o mercado externo. Hoje, o País exporta 1% do que produz e importa cerca de 1 bilhão de litros de leite em produtos lácteos por ano. "Queremos colocar o Brasil no mapa mundial da indústria do leite", diz Koolen coisa que nenhuma
empresa brasileira conseguiu fazer até hoje, por questões sanitárias e até por falta de estímulos para se investir no setor, que é altamente pulverizado.
Existem cerca de 250 mil fazendas que produzem e comercializam leite no mercado formal no Brasil. A maioria delas está nas regiões Sul e Sudeste. Minas, Rio Grande do Sul e Paraná respondem por 53% da produção nacional, segundo dados do IBGE referentes a 2013.
Entre as maiores do País, no entanto, há uma baiana, também de Jaborandi. A Agri Brasil será vizinha da Fazenda Leite Verde, dona da marca Leitíssimo, que ocupou o 16º lugar no ranking do Top 100 do MilkPoint. Fundada por neozelandeses, a empresa trabalha com o sistema de pastoreio, em que a vaca se alimenta no pasto.
O modelo da Agri Brasil será o de confinamento, no qual as vacas se alimentam no cocho, dentro de um galpão. O ambiente, segundo a empresa, terá tecnologia de ponta para garantir o bem-estar dos animais e a produtividade. Koolen já fala até em instalar webcams na fazenda para o consumidor acompanhar o processo - online, portanto, como tudo o que fez antes.
Crise
Há 15 anos, o holandês Willy van Bakel identificou nos EUA uma boa oportunidade para produtores de leite canadenses e europeus iniciarem novos negócios: o investimento em solo americano seria menor lá do que naqueles países. No total, ele desenvolveu 54 unidades entre 1999 e 2008. Seis outros projetos, no entanto, não foram para frente. Com a crise financeira, os bancos interromperam o financiamento e a construção ficou pela metade, segundo Bakel.
Em 2010, o 'Wall Street Journal' publicou uma reportagem com depoimentos de fazendeiros possessos. A reportagem relata que a antiga empresa de Bakel, VrebaHoff Dairy Development, usava o dinheiro dos próprios fazendeiros para erguer as unidades. Mas, para os que não tinham dinheiro suficiente, ele providenciava financiamento com bancos. A companhia faturava com a cobrança de taxas de serviços e de uma porcentagem sobre o custo final do empreendimento, que poderia passar de US$ 10 milhões, segundo o jornal.
Bakel diz que os fazendeiros e ele perderam dinheiro. O empresário acabou não conseguindo vender as fazendas que ficaram pela metade. Segundo ele, apenas um dos produtores entrou com uma ação civil reclamando o dinheiro de volta. As 54 fazendas em operação nos EUA, segundo Bakel, vão bem. A média de produção de leite por vaca é de 13 mil litros por ano.
A reportagem é do Estado de São Paulo, adaptada pela equipe MilkPoint.
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JABORANDI - BAHIA
EM 28/04/2015

AJURICABA - RIO GRANDE DO SUL
EM 04/03/2015

RUY BARBOSA - BAHIA
EM 02/02/2015
$$$$500.000.000,00. (QUINHENTOS MILHÕES)

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL
EM 29/01/2015

PIRAPORA - MINAS GERAIS
EM 24/01/2015

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/01/2015
Ficaria feliz também, se a SUDENE e um Ex-ministro da fazenda, não estivessem no meio, já fica meio suspeito.
Toda vez que vejo esses enormes projetos me lembro do Eike Batista, amigo do presidente, com dinheiro do BNDS, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás.
Antes a conversa era, milionário brasileiro investindo no Brasil, depois que estourou a bomba, ele só tinha investido dinheiro do povo.
Será que esse holandês, não está fazendo o mesmo, 300 milhões agora e depois se não der certo, só o povo perderá...
Abraços!!!

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/01/2015
Fico feliz, otimista, orgulhoso e torcendo por este holandês realizar este projeto em nosso Pais, geração de emprego, crescimento do entorno, abertura de divisas, aquecimento do mercado, valorização da pecuária etc. Muito bom.
Peço a Deus que o ilumine, precisamos de gente assim!
Abraço
PIRACICABA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 19/01/2015
Boa tarde! Estou tentando falar com você, mas acho que estamos com o email errado. Pode me mandar um email? mpc@agripoint.com.br - Obrigado.
QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS
EM 19/01/2015
Primeiro taxados de loucos, hoje exemplo para inúmeros projetos de produção a
pasto em larga escala país afora. Este deve ser o futuro deste projeto. Como mencionado ninguém tira 300 milhões do seu bolso em um projeto que não se mostra viável.
O Brasil precisa aprender muito sobre sua capacidade produtiva. É uma verdadeira lição de empreendedorismo. Coisa que em países de economia desenvolvida se aprende desde os primeiros anos escolares.

PIRAPORA - MINAS GERAIS
EM 16/01/2015

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/01/2015

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/01/2015
E sr Willy van Bakel.
Se seguram baianos que dinheiro ja evaporou.
CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 15/01/2015
Pessoas acreditando e investindo em produção no Brasil, mesmo com envolvimento de capital público nacional, é algo positivo e que tem que ser estimulado, não afugentado. Os R$300 milhões deles construiriam uma fábrica de leite em pó de 2 milhões de litros/dia hoje, com tecnologia de ponta e sobraria um pouco de dinheiro para o gramado da frente. Isso não é pouca coisa.
Não sou fã de megaoperações. Este me parece um bom projeto para se ter assunto num campo de golf climatizado em Dubai, não necessariamente para van Bakel oferecer o melhor retorno sobre o capital investido a Koolen nem para a SUDENE dizer que este era o melhor emprego dos recursos para o desenvolvimento econômico do NE.
A SUDENE acho que caiu meio que num encanto, mas onde está o projeto alternativo? Quem é o brasileiro que pode hoje chegar com R$300 milhões e dizer à SUDENE "não investe no deles e sim no meu que é melhor para o Nordeste porque..."? Cadê o projeto? Tem?
O aceno de destinação para exportação é algo conveniente que seja colocado no projeto para justificativa, mas que não necessariamente será assim. Vão vender para quem pagar mais e está certo. Quando o pó estiver a US$3.000 lá fora e o mercado doméstico estiver pagando US$5.000, como aconteceu em 2013-14, para quem vocês acham que eles irão vender? Essa é para políticos carimbarem como de "interesse nacional", só isso. Obviamente, na escala que eles estão prometendo (que pode ser só a ponta do iceberg), haverá impacto nos preços regionais onde os produtos deles operarem.
No entanto, no todo, vejo mais prós que contras. São visionários, tem bala na agulha, parecem ter estudado a realidade regional e, SE DEREM CERTO, vão quebrar várias barreiras (produtividade, uso de tecnologias de ponta, escala, mercado etc.), vão formar uma mão-de-obra fantástica (se é que não vão importar também) e, por fim, mostrar o quanto o brasileiro é limitado em termos de visão de mercado internacional de lácteos.
Particularmente, trabalho com a cabeça voltada para outro lado, com outro tipo de sistema de produção, de margens, de relações e alternativas. Não admiro e não sou fã de megaoperações que querem afogar o planeta em leite, mas sou fã de gente de visão e que arrisca o que tem de forma calculada e planejada. Por isso, quero mais é que esse projeto dê certo, porque será uma lição que está mais do que na hora de aprendermos.
ITAPEMA - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 14/01/2015

CAMPINA VERDE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 14/01/2015
https://www.facebook.com/pages/CAMPINA-VERDE-MG-em-foco/446716408718855?ref=hl
BARRETOS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 14/01/2015

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/01/2015
propriedades produtivas.

SALTO VELOSO - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/01/2015
Quantos pequenos produtores uma empresa desse porte não tem condições de pisar em cima.
Se nossos governantes acham que o nosso pais deve crescer em qual o for o setor, incentive o nosso povo a trabalhar, e não incentivar a a dar comida de mão beijada a muitos como fazem.... garanto que ele cresceria com bons patamares e com sociedade menos desigual.

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 13/01/2015
Ainda para exportar leite uht? 87% de água ? Que País de Bananas .......
Apesar que vender água , em forma de leite, não é má idéia .
Será que toda cadeia produtiva de leite do Brasil nunca pensou nisso ??
Vou pedir ajuda ao Arnaldo Jabor para comentar este fato .

BARREIRAS - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 13/01/2015
Quando os Neozelandeses vieram para a mesma região e implantaram a "Leite Verde", parecia que seria mais uma aventura de estrangeiros em uma região com condições edafoclimáticas consideradas não ideais para produção de leite.
Pois bem, aqui na capital paulista você pode ir em qualquer supermercado e comprar o "Leitíssimo", produto de inigualável qualidade oriundo dos cerrados baianos onde ninguém jamais pensaria em produzir leite. Estes produtores trouxeram tecnologia, genética e experiência. Produzem leite com custo menor que os demais, industrializam e distribuem em muitas praças do Brasil
O oeste baiano é uma das maiores fronteiras agrícolas do país, a produção de grãos e subprodutos da agroindústria viabilizam a nutrição de qualquer rebanho leiteiro ou de corte.
Se alguém investe do próprio bolso
300 milhões não está para brincadeira.
Vamos torcer para que mais este empreendimento dê certo para o bem da Bahia.