Fazendas leiteiras e a mão de obra
Espaço Aberto: A mudança de grande parte da população rural para a cidade, chamado de êxodo rural, ocorreu devido a industrialização, a intensificação do comércio e a busca por uma melhor qualidade de vida. As leis trabalhistas nunca consideraram que entre as relações informais patrão/empregado há um relacionamento afetivo que ocorre quando a convivência (inclusive familiar) é muito intensa. Por Gilson Gonçalves Costa (Produtor e Presidente da Associação "Nata do Leite")
Publicado em: - 3 minutos de leitura
As leis trabalhistas nunca consideraram que entre as relações informais patrão/empregado há um relacionamento afetivo que ocorre quando a convivência (inclusive familiar) é muito intensa. O reflexo disso aliado ao processo de busca por empregos nas grandes cidades acarretou no aparecimento e na evolução das favelas. Em consequência, o meio rural ficou com baixa disponibilidade de mão de obra e várias tarefas passaram a ser mecanizadas. Mas para que estas máquinas funcionem, ainda é necessário da mão do homem, no mínimo para ligá-las.
A produção leiteira é uma atividade milenar, muito tradicional e de baixa rentabilidade e ainda que tenha-se mecanizado algumas etapas do processo, ainda é bastante dependente da força do trabalho humano, aliás, é uma das maiores empregadoras no meio rural.
É sabido que a lida com gado de leite exige muito, é um trabalho duro, normalmente começando de madrugada e praticamente sem descansos. Sábados, domingos, feriados são dias em que o cidadão que trabalha com outras atividades gozam de folga, entretanto, para nós da produção de leite são dias de trabalho como qualquer outro. Mesmo usufruindo dos direitos da CLT a mão de obra para este serviço está cada dia mais difícil. A baixa escolaridade ou até nenhuma, dificulta encontrar funcionários com responsabilidade, fidelidade e compromissos com o empreendimento.
O país tem priorizado, com muita sabedoria, a educação dos trabalhadores e portanto, as pessoas que não se especializaram, se sentem discriminadas e até condenadas a trabalharem na atividade rural. É comum na cidade se a pessoa se sentir afrontada em um negócio usar a expressão "assim você fará eu voltar pra roça", referindo-se ao meio rural como o pior lugar para trabalhar, ignorando uma melhor forma de se viver e até a possibilidade de ter uma renda líquida mais atraente.
As dificuldades de encontrar empregados para trabalhar com gado leiteiro é muito grande, embora em alguns casos a remuneração seja bem maior que nos estabelecimentos urbanos, considerando postos de serviços para o mesmo nível cultural. Em algumas fazendas, os funcionários já participam dos resultados financeiros. Esses funcionários moram nas fazendas e usufruem de benefícios que em outras atividades não existem tais como: leite para o consumo familiar, cria animais para o consumo, moradia, energia elétrica, água e etc. O que é descontado no recibo de pagamento, normalmente é "pro forma", uma vez que esse costume vem da época em que eram "agregados". Antigamente os funcionários e suas famílias eram tão integrados à fazenda que eram tratados dessa forma. O pior é que esse costume pode vir contra os empregadores (se não constar o desconto nas folhas de pagamento), pois em uma contenda judicial estes benefícios serão incorporados aos salários. Na Indústria e no Comércio não existe o "direito" do funcionário levar alguma mercadoria produzida com o seu trabalho para sua despesa ou uso.
É muito difícil a profissionalização das relações com o funcionário rural, conforme prevê a CLT, uma vez que temos de considerar a proximidade enorme que existe; pelo fato dele morar na fazenda juntamente com toda a família o que cria um vinculo afetivo que as leis não enxergam. A relação paternal, advinda das melhores condições socioeconômicas dos patrões e piores dos empregados deveria ter sido extinta com a formalização das relações trabalhistas, no entanto essa é uma prerrogativa que os empregados não querem perder.
O relacionamento do empregador com o empregado evoluiu bastante, pressionado pela legislação e o reconhecimento dos direitos e deveres de ambas as partes. Empregadores e empregados já entenderam a importância do bom relacionamento para o sucesso do trabalho com gado de leite. É de extrema importância à capacitação dos funcionários, reuniões de serviços, troca de informações profissionais, ouvir, respeitar e levar a sério as opiniões dessas pessoas que são os verdadeiros parceiros.
A pecuária leiteira é uma atividade movida a detalhes, portanto o empregador e o empregado têm de gostar e dedicar muito, caso contrário às chances de insucessos são grandes.
Gilson Gonçalves Costa é Produtor de Leite em Itaberaí-GO, Engenheiro Agrônomo e Presidente da Associação "Nata do Leite"
Material escrito por:
Gilson Gonçalves Costa
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SANTA HELENA - PARANÁ
EM 12/10/2014
VINHEDO - SÃO PAULO
EM 10/01/2014
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/10/2013
Abraço.
Olímpio

CACHOEIRA PAULISTA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/10/2013

ITAMARANDIBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/05/2012
Bem, meu nome é Claython Fernandes Costa sou empresario no setor varejista de calçados e pecuarista. Foi de grande valia e aprendizado para min ler tais comentarios pois estou ingressando na pecuaria leiteira mesmo sabendo das dificuldades que com muita sabedoria voces abordaram aqui. Minha regiao é conhecida pela cultura do eucalipto aqui nao se planta outra coisa e posso garantir que essa arvore, digo bendita planta que trouxe o pogresso para nossa querida Itamarandiba Mg, Mas eu sou um apaixonado pela pecuria em especial a leiteira e muitos sao os amigos que me desanimam a entrar no setor leiteiro que hoje em nossa regiao é pago R$0,86 o litro
mas fator principal deste desanimo que eles me passam é justamente a mao de obra , mas na produçao de eucalipto também exige uma mao de obra muito mais cara e mais dificil e perigosa pois os equipamentos como moto serras, tratores nescessitam tambem de mao de obra muito qualificada e com muita experiencia resumindo o problema de mao de obra afeta todos os setores e o melhor caminho e a valorizaçao de profissionais creio eu que so assim e que conseguiremos obter sucessos em nossos empreedimentos. parabéns pelos comentarios sabios de todos cada um expos sua realidade de forma democratica. um abraço a todos.
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/04/2012
Basicamente, isto.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/04/2012
Parabéns pela experiência de vida e afirmo, também, que a produção d leite própria tem sido, para mim, um verdadeiro curso de Medicina Veterinária, de Agronomia, de Engenharia Civil, de Engenharia Genética... (rsrsrs).
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 23/04/2012
JATAÍ - GOIÁS
EM 23/04/2012
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 23/04/2012
Meu pai não tinha nem o antigo primário, mas, com a pecuária de leite, formou seus quatro filhos (dois engenheiros, um economista e um advogado), tal como você, o que prova que, com trabalho, tudo é possível.
Engano seu: ser Advogado Trabalhista me tolhe muito as ações, porque a parte legal da coisa, muita vez, impede o arriscar, o alçar voos mais longos, o de sonhar mais além dos jardins.
Talvez, se eu fosse um Médico Veterinário, um Zootecnista, um Agrônomo, tivesse menos obstáculos na caminhada. Ser leigo em pecuária de leite muito me limita.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 23/04/2012
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

ITABERAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/04/2012
Cumprimentamos pela iniciativa de escrever sobre uma das dificuldades enfrentadas pelo setor leiteiro. Realmente encontrar mão-de-obra especializada no nosso setor é complicada. Por isso, temos que contribuir para que nossos colaboradores se qualifiquem e, ao mesmo tempo, fazer com que permaneçam conosco. Trata-se de tarefa difícil mas não impossível. Reiteramos os cumprimentos. Grande abraço.
Walter e Waldomiro - Membros da Associação "Nata do Leite" - Itaberaí/GO
GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/04/2012
Que beleza a sua propriedade! Julgo ser a meta de todos nós produtores de leite atingir o seu nivel de eficiencia, da valorização, premiação e da formalidade com os funcionários.
Depois de 33 anos produzindo leite e tendo esta atividade como única fonte de renda com dificuldades para dar estudos dignos aos filhos (o que consegui), quero ainda perseguir o que você ja alcançou, no entando como bom mineiro, sem querer ofender, desconfio que terei antes de me formar em Advogado Trabalhista.
Gde abç do Gilson
Em tempo, tenho bons amigos em Juiz de Fora, muitos colegas de turma, ai no Gado de Leite.

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/04/2012
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/04/2012
Sou Advogado Trabalhista e Produtor de Leite, e, há sete anos, montei uma equipe para um trabalho árduo e técnico: confinamento integral de bovinos de leite de elite (Holandês e Jersey PO, de alta produção, registrados). A minha equipe é a mesma e nenhum deles pensa em sair. Tenho fila de espera para trabalhar em minha Fazenda. Treino meus funcionários para tarefas voltadas para o manejo do confinamento integral de gado de leite. Produzo, em média, 2000 quilogramas/dia de leite, com níveis internacionais de CCS e UFC. Meus funcionários receberam ensino específico que vai desde a detecção de cio até o toque para confirmação de prenhês, de casqueamento até tratamento de mastites clínicas e subclínicas, da criação de bezerras até a parição de novilhas, de direção de tratores até técnicas de ensilagem, de contenção de endo e ectoparasitas a inseminação artificial, de preparação de animais para pista e torneios leiteiros a tosquia, de nutrição a detecção de doenças metabólicas. Em contrapartida, recebem assistência médica, cestas básicas, cesta de natal, folga obrigatória no dia do aniversário, participação nos lucros, dois salários mínimos por mês, feriados laborados em dobro, ferias anuais, gratificação de natal, têm as parcelas fundiárias e previdenciárias respeitadas, recebem todo dia vinte de cada mês em curso, laboram em regime de turnos de revezamento de 12 X 36 horas, com pagamento de adicional noturno, para os que se agitam nestes horários. Além disso, podem, se quiserem, laborar em sistema de empreitada, em suas folgas, realizando tarefas correlatas e que seriam deferidas a trabalhadores avulsos ou eventuais, recebendo o dia trabalhado como extraordinário e, assim, aumentado sua renda.
Meu nível de faltas e de problemas médicos é ínfimo e, até hoje, ninguém recebeu o "Troféu Morcego" (rsrsrs).
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

CAÇU - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/04/2012
Abraços.

ENÉAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/04/2012

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/04/2012

BOCAIÚVA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/04/2012

PALMEIRAS DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/04/2012
Juliano Lucio Ferreira
Instrutor do SENAR/GO