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Novartis responde: uma vaca com mastite em apenas um teto, o correto é separar o leite de todos os tetos ou apenas do afetado?

postado em 01/02/2012

 

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Um usuário do MilkPoint entrou em contato com a Novartis com a seguinte dúvida: "uma vaca que apresenta mastite em apenas um teto (no qual optei em tratar com bisnaga durante 3 dias), o correto é separar o leite de todos os tetos ou apenas do afetado?"

Confira a indicação de Octaviano Alves Pereira Neto, Médico Veterinário, Mestre em Produção Animal e Gerente Técnico da Linha de Bovinos - Novartis Saúde Animal.

"Tentando responder sua pergunta, há alguns aspectos a considerar:

Problemas de resíduos propriamente ditos

A presença de resíduos de antibiótico é uma grande preocupação da indústria de produtos lácteos devido aos prejuízos que causam durante o beneficiamento do leite (iogurtes, queijos e bebidas lácteas) e também pela possibilidade de selecionar bactérias resistentes ou causar eventuais episódio de alergia em pessoas que se alimentem destes. Os tratamentos térmicos (fervura ou pasteurização) não inativam os antibióticos presentes no leite.

A via intramamária é a recomendada para a aplicação de altas concentrações de antibióticos no quarto afetado, porém diversos trabalhos científicos comprovaram a detecção do antibiótico nos demais quartos mamários não tratados, em diferente concentrações (desde níveis mínimos até resíduos acima do permitido). A integridade física da glândula tratada irá interferir na sua capacidade de reter ou não o antibiótico recebido, podendo haver contaminação entre quartos mamários, afetando a qualidade do leite destes.

Assim, o critério de descartar o leite dos quatro (4) quartos mamários é a recomendação universalmente aceita por técnicos e produtores, pois fica difícil predizer se haverá ou não concentrações acima do permitido pela legislação no leite dos demais quartos mamários.

Problemas operacionais

As vacas em tratamento devem ser removidas da linha de ordenha, para não contaminar o equipamento com leite com resíduo. Muitas vezes poderão ocorrer esquecimentos, confusão sobre o teto efetivamente tratado ou mudança das pessoas envolvidas nas distintas sessões de ordenha e o leite do teto tratado ser enviado por engano à indústria.

Problemas com perdas econômicas

Considerando os dois pontos acima, vale a pena correr o risco? O ato de misturar o leite de uma vaca tratada no de outras vacas (não tratadas) não diluirá o resíduo de antibiótico, como erroneamente alguns produtores podem pensar. Os testes detectam frações muito pequenas de antibiótico, na casa de "partes por bilhão" (ppb), portanto, uma vaca prejudica o leite de dezenas de outras.

Se houver níveis excessivos de antibiótico no leite de apenas uma vaca, este contaminará todo o tanque de expansão da propriedade e, posteriormente, todo o tanque de transporte. O responsável por essa condenação (o proprietário da vaca tratada) pagará toda conta, ou seja, terá que ressarcir todo o leite condenado, o que pode representar milhares de litros (e de reais), dependendo da capacidade do caminhão.

Assim, recomendo que destine o leite dos tetos não tratados para a alimentação de bezerras, por exemplo. O leite do quarto tratado deve ser eliminado, pois podem haver ainda bactérias relacionadas ao quadro de mastite e o excesso de antibiótico pode afetar desnecessariamente a saúde dos animais alimentados.

Obrigado pelo seu contato.

Atenciosamente.

Octaviano"


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