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Mastite: como tratar vacas secas e em lactação?

postado em 28/09/2010

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Esta seção é reservada aos nossos anunciantes.
As informações veiculadas nesta seção são de caráter comercial e não necessariamente representam o pensamento do conselho editorial do site.

 

Octaviano Alves Pereira Neto

Octaviano Alves Pereira Neto é Médico Veterinário, Mestre em Produção Animal e Gerente Técnico da Linha de Bovinos - Novartis Saúde Animal




1- Quais os principais agentes causadores de mastite?

As mastites podem ser causadas por dois grupos microorganismos: agentes infecciosos e agentes ambientais.

O primeiro grupo é composto por bactérias que, em geral, colonizam a pele do teto e, a partir, do orifício do teto (esfíncter) invadem a glândula mamária e alojam-se nas porções secretoras desta, multiplicando-se e gerando um processo inflamatório, de caráter variável.

Os principais causadores das mastites contagiosas (infecciosas) são o Staphylococcus aureus, o Streptococcus agalactiae e o Mycoplasma bovis.

Já as mastites ambientais são causadas por microorganismos presentes no esterco, barro e água, os quais ao ingressar no interior do úbere encontram condições de multiplicação, provocando casos severos de mastites. Dentre os agentes causadores encontramos os coliformes fecais, especialmente a Escherichia coli e o Enterobacter spp, algumas espécies de Streptococcus spp (S. uberis, S. dysgalactiae, S. epidermitis), fungos e leveduras (Candida spp, Cryptococcus spp, Aspergillus spp) e algas (Prototeca spp).

As mastites ambientais costumam ser muito severas (a maioria se manifesta na forma de mastite clínica) e se não forem tomadas medidas rápidas de tratamento há risco da perda do teto por fibrose ou mesmo a morte da vaca por endotoxemia (especialmente nos casos de E. coli), portanto, devem ser alvo de muito cuidado pelos produtores e seus veterinários.

Recomenda-se, sempre que possível, que o produtor busque a assessoria de médicos veterinários para conhecer os agentes causadores das mastites em seu rebanho, através da colheita de amostras de leite e envio ao laboratório para a identificação do(s) agente(s) causador(es), usando o isolamento microbiano e, ainda, a testar a sensibilidade deste(s) aos antibióticos disponíveis. Assim, é possível obter um resultado melhor, reduzir custos com tratamentos pouco eficazes e contornar o problema mais rápido.

2- Que prejuízos a mastite pode causar?

Os prejuízos são inúmeros, tanto diretos quanto indiretos, que vão da perda em produtividade leiteira ao óbito de vacas afetadas.

As mastites podem causar a redução em até 50% da produção de leite, alterando sua qualidade e seu valor nutritivo, gerando aumento da mão de obra na ordenha, representando custos adicionais relacionados ao tratamento e correspondendo a um risco eminente de morte das vacas ou perda de um mais quartos mamários, o que reduz permanentemente a vida útil das vacas.

Os tratamentos realizados com antibióticos devem sempre seguir as recomendações de bula quanto ao período de descarte do leite enviado à indústria. A presença destes medicamentos no leite impede a fermentação e o beneficiamento dos derivados lácteos, especialmente iogurtes e queijos finos, que dependem de microorganismos desejáveis para sua formação e que acabam inibidos pelos antibióticos.

3- Como o ordenhador reconhece uma vaca com mastite no momento da ordenha?

Depende basicamente da forma de manifestação da mastite. Elas podem ser basicamente divididas em três grupos:

- Clínicas agudas
- Clínicas crônicas
- Subclínicas

As duas primeiras são de mais fácil identificação, pois se manifestam através de sintomas bem aparentes, como é o caso da clínica aguda que apresenta um marcado processo inflamatório (calor, inchaço, vermelhidão, queda ou interrupção da produção). Já na mastite crônica o organismo tenta isolar o processo infeccioso com uma cápsula (fibrose) levando ao endurecimento do quarto afetado e sua perda em caráter permanente. O tecido secretor de leite é substituído pelo tecido fibroso, como acontece de forma semelhante a um corte na pele que posteriormente cicatriza e fica endurecido.

Já o último tipo, as mastites subclínicas, são praticamente inaparentes. O leite sofre pequenas alterações na composição e a glândula parece normal, visualmente. No entanto, a produtividade sofre redução e casos subclínicos podem se transformar facilmente em clínicos. Estas vacas, geralmente são as fontes de infecção para as demais, contaminando teteiras e outros utensílios, os quais acabam transmitindo às demais vacas os agentes infecciosos.

Os testes da bandeja ou a Contagem de Células Somáticas, recebida da indústria que analisa o leite, são testes que permitem identificar o problema dentro do rebanho e, a partir de então, buscar estratégias para contornar seus impactos sobre a produção.

4- Como a mastite subclínica pode ser detectada no rebanho? Como controlá-la?

Como descrito na pergunta anterior as mastites subclínicas são detectadas através de testes ao pé da vaca, o chamado California Mastitis Test ou CMT, ou por Contagem de Células Somáticas, feita em laboratório.

Os dois testes baseiam-se na presença de glóbulos brancos, produzidos pela vaca na tentativa de eliminar a contaminação do úbere e que acabam presentes no leite.

O CMT, também conhecido como teste da bandeja, é feito colocando amostras de leite colhidas de cada quarto mamário, misturados a um reagente. Caso haja grande volume de glóbulos brancos no leite será observada a formação de um gel. A gravidade das mastites subclínicas será determinada pela intensidade da formação de gel.

Identificadas as vacas estas devem passar por uma criteriosa avaliação para determinar a validade do tratamento durante a lactação, geralmente baixa, sendo colocadas em lotes separados das vacas consideradas sadias, sendo tratadas apenas quando forem retiradas da ordenha (secagem), prévia ao próximo parto.

O diagnóstico só tem validade se for para tomada de decisão. São comuns os casos do produtor que detecta o problema, porém não toma medidas para ao menos prevenir a disseminação da doença entre as vacas do rebanho. O diagnóstico deve ser uma ferramenta para dar suporte ao produtor e ao seu assessor veterinário para definir estratégias que visem regularizar o quadro.

5- Como tratar a mastite em vacas em lactação? Qual a maneira correta de aplicação do produto?

O sucesso no tratamento da mastite durante a lactação está associado ao tipo de microorganismo presente, a extensão do problema, a produtividade da vaca e a localização do foco de infecção.

O primeiro procedimento deve ser definir "o tamanho do problema". O diagnóstico pode ser tanto por exame clínico como pelo CMT, avaliando o nível de alteração da glândula mamária e do leite.

Mastites clínicas devem ser SEMPRE TRATADAS. Estas têm sintomatologia evidente, tais como: inchaço, vermelhidão da glândula mamária, febre e presença de pus e o tratamento deve ser feito imediatamente, pois representam um risco à saúde da vaca e podem comprometer permanentemente as estruturas secretoras do úbere.

As mastites consideradas mais brandas (subclínicas) podem "esperar" o momento de início do período de seco para seu tratamento, desde que tomadas medidas adequadas para impedir que tornem-se mastites clínicas (agudização).

6- Qual exame laboratorial é utilizado para identificar o agente causador de mastite no rebanho e o que fazer quando não há possibilidade de se realizar esse exame?

A forma correta para a identificação do agente causador das mastites é a cultura microbiana, feita em laboratório, seguida do exame de antibiograma, voltado a identificar quais são os antibióticos eficazes contra aquele microrganismo específico.

Não havendo suporte laboratorial, o produtor deverá contar com a assistência de técnicos capacitados e de boa experiência, os quais por meio da sintomatologia podem inferir sobre os possíveis agentes etiológicos atuantes. Neste caso, no entanto, a sensibilidade contra os antibióticos disponíveis não é determinada, levando à adoção do método de "tentativa e erro", até chegar ao produto satisfatório. Infelizmente este processo pode ser demorado, caro (pois durante as tentativas se usa produtos aos quais os microorganismos podem estar resistentes) ou ainda corresponder a um risco ao animal, pois pode sofrer a perda de um ou mais quartos mamários, nas infecções mais severas, bem como, vir ao óbito no transcorrer do tratamento.

7- Quais procedimentos de ordenha ajudam no controle da mastite e evitam novas contaminações?

A base dos programas de prevenção e controle está na higiene adotada em todas as fases do processo, desde a higienização dos tetos antes da ordenha, passando pela correta lavagem das mãos do ordenhador e limpeza da ordenhadeira e, por fim, com a implementação de medidas higiênico-sanitárias que melhorem o ambiente ao qual a vaca é exposta, reduzindo o acesso ao barro e ao esterco, acumulados nas instalações.

Uma ferramenta de manejo que impacta na disseminação das mastites é a organização do lote de ordenha: as vacas livres de mastite (geralmente as vacas de 1ª lactação) devem ser ordenhadas primeiro; seguido daquelas com histórico de mastite, porém sem diagnóstico positivo no momento (risco potencial); e, por fim, as vacas com mastites subclínicas identificadas através do teste de CMT. Assim, evita-se a contaminação dos copos das teteiras de ordenha, o que pode, por refluxo, afetar vacas sadias. Este processo é simples e oferece bons resultados na prevenção da disseminação da doença.

Para prevenir a entrada de microorganismos no úbere através do canal do teto, foram desenvolvidos produtos que visam "fechar" temporariamente o esfíncter do teto, chamados de produtos post-dipping. O esfíncter localizado na ponta do teto tem por função mantê-lo fechado; após a ordenha fica relaxado por cerca de 1h30min, facilitando a entrada de contaminantes. Se a vaca deita-se no barro ou entra na água, por exemplo, pode sofrer a contaminação ascendente da glândula mamária.

Por fim, um método bastante drástico, porém efetivo é o descarte das vacas portadoras de mastites crônicas. Estas, além de não apresentarem uma cura efetiva, servem como foco de disseminação e manutenção das mastites dentro dos rebanhos leiteiros. Sua eliminação favorece a redução de novos casos pela remoção de fontes de contaminação (especialmente de agentes infecciosos severos tais como Mycoplasma spp, Nocardia spp e S. aureus resistentes e Pseudomonas spp) e impacta no desempenho geral do programa de prevenção e controle das mastites.

8- Quanto tempo após o tratamento de mastite o leite poderá ser aproveitado para o consumo?

O período de carência, ou seja, o intervalo de tempo compreendido entre a última aplicação do medicamento e a ausência de resíduos indesejáveis destinados ao consumo humano, dependerá do tipo de medicamento usado, dose e via de aplicação.
No caso das mastites, as opções de tratamento podem ser injetáveis, por via intramuscular, tais como as penicilinas associadas à diidroestreptomicina (Agrovet®) com período de carência de 72h, ou pomadas intramamárias (Vetimast® Plus VL), com associação de antibióticos e um antifúngico com período de descarte de 96h.

No caso dos produtos intramamários, o produtor deve ficar atento para não usar, equivocadamente, produtos recomendados para a secagem (designados como VS - "vaca seca") durante a lactação. Estes possuem concentrações elevadas de antibióticos e um veículo destinado a manter o produto por mais tempo no interior do úbere, portanto, acarretando períodos extensos de resíduo.

Os termos VS (vaca seca) e VL (vaca em lactação) discriminam para qual momento cada formulação se destina, evitando assim a presença prolongada de níveis de antibióticos acima do permitido para consumo.

A secagem das vacas deve ser feita 60 dias antes do parto e início da próxima lactação. Neste momento devem ser tratadas com produtos de secagem (VS), porém caso o parto ocorra antes dos 60 dias previstos, o leite deve ser descartado por mais 10 dias, antes de ser enviado ao consumo humano, pois representará sérios riscos de conter antimicrobianos em concentrações de superiores às permitidas, acarretando perda de todo o lote de leite produzido e penalização imposta pelo laticínio comprador.

Por razões econômicas que inviabilizam longos períodos de descarte, certos antibióticos não são recomendados para vacas em lactação cujo leite se destina ao consumo humano. O uso de tais antimicrobianos, quando necessário por sensibilidade do patógeno envolvido, deve ser determinado por médicos veterinários, sendo recomendada inclusive a secagem prematura das vacas.

9- No momento da secagem é recomendado o tratamento preventivo? Por quê?

Sem dúvida alguma, o momento mais indicado de tratar os casos de mastite subclínica é ao início do período seco, pois a vaca passará pelo menos 60 dias (recomendado para descanso e recomposição da glândula mamária para a próxima lactação) com o produto retido na glândula, sem produzir, e o antibiótico poderá agir mais tempo para debelar possíveis infecções presentes.

Mesmo quando não há diagnóstico positivo de mastite é recomendada a aplicação preventiva de um antimastítico intramamário, visando impedir a futura proliferação de microorganismos que entrem na glândula mamária ou estejam latentes no seu interior. Com a secagem, grandes volumes de leite se acumulam e servem como substrato (alimento) para esses microorganismos se desenvolverem, podendo surgir casos de mastites nesta fase ou logo ao início da próxima lactação. Os antibióticos bloqueariam esta multiplicação.

Os produtos indicados para o período seco das vacas, como é o caso do VETIMAST PLUS VS, possuem altas concentrações de antibióticos e no caso deste mencionado, ainda a associação de um potente antifúngico, miconazol e veículo apropriado para dispersar pela glândula mamária e atingir regiões profundas desta.

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