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Saúde Ruminal em vacas leiteiras

Por Phibro Sáude Animal
postado em 02/05/2016

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Por Lucas Barbosa - Coordenador de Serviços Técnicos da Phibro Saúde Animal

Fazendas leiteiras passam por uma série de desafios diários de alimentação que podem conduzir a um ambiente ruminal inadequado. A dieta formulada, por exemplo, muitas vezes não é a mesma que chega à boca dos animais, alimentos mudam de composição ao longo do tempo e a grande maioria das fazendas não realiza análises bromatológicas com a frequência devida.

Precisão diária na oferta da alimentação, número de tratos, espaço de cocho, mistura do vagão, folga de funcionários, agrupamentos incorretos, entre outros, podem fazer com que animais sejam mais propensos a ter problemas com queda de pH ruminal além do normal. O excesso de fermentação ruminal pode ser danoso, levando a um quadro chamado de Acidose Ruminal. Este distúrbio metabólico é muito importante, mas bastante negligenciado por produtores e veterinários, e o motivo para tal negligência é que os casos clínicos são incomuns de serem encontrados em propriedades leiteiras. Porém, quadros de acidose subclínica ou SARA (do inglês; acidose ruminal subaguda) são mais comuns do que se imagina, mas como o próprio nome diz, nesses casos não observamos sinais clínicos nos animais, o que nos leva a pensar que não temos o problema. Na literatura, existem diferentes definições para a SARA, porém, de uma maneira geral dizemos que um animal tem acidose subclínica ou SARA quando o pH ruminal atinge valores inferiores a 5,6 ou 5,8 por um determinado período de tempo.

O pH ruminal é determinado pelos ácidos graxos voláteis (AGV´s) e o correto balanço entre a entrada e saída desses ácidos graxos do rúmen é responsável por manter um pH estável. A entrada de AGv´s no rúmen é determinada pelo consumo e digestibilidade de carboidratos, relação concentrado, forragem e taxa de retenção. Já a saída é composta pela absorção pelas papilas, tamponamento via saliva e taxa de passagem.

Na pecuária de leite do Brasil, em geral temos dois sistemas de produção quando nos referimos a forma de alimentação. Um de vacas confinadas recebendo TMR (normalmente vacas de alta produção) e outro com vacas recebendo dieta parcial no cocho em um número limitado de refeições. Dentro desse segundo sistema, o mais comum é o fornecimento de ração na sala de ordenha e a forragem a vontade no cocho ou no pasto. Sistemas exclusivamente a pasto ainda são raros no nosso país. Apesar de distintos, nesses dois sistemas citados acima a ocorrência de SARA é bastante alta, por motivos diferentes que serão explicados abaixo.

1- Vacas de alta produção:
Na maioria das vezes que trabalhamos com vacas confinadas buscamos a máxima produção e com isso tentamos nos manter em uma linha muito tênue onde se equilibram a saúde e a máxima produção de leite. Para alcançar níveis altos de produção, a quantidade de carboidratos não fibrosos (CNF) que se oferece para as vacas por dia é bastante alta, o que leva os animais a serem mais susceptíveis a desenvolverem quadros de SARA. Oetzel 2007, compararam dietas de garrotes confinados com vacas de leite em início de lactação. Apesar de, geralmente, vacas consumirem uma dieta com mais forragem e fibra, a quantidade de CNF consumida foi igual tanto em garrotes confinados quanto em vacas em início de lactação, isso porque o consumo de matéria seca é bem maior em vacas de leite. Devido ao consumo semelhante de CNF o pH ruminal também foi semelhante entre os dois tipos de animais, mostrando que ambos os grupos estão sob risco semelhante de acidose.

2- Vacas comendo concentrados em poucas refeições/sala de ordenha: É uma situação bastante comum no nosso país, principalmente para vacas de média e baixa produção. Na maioria das vezes, nesse cenário o consumo de CNF total não é tão elevado como no caso citado acima, porém o fornecimento em poucas refeições faz com que grande parte do aporte total de carboidratos diários entre no rúmen de uma só vez, fazendo com que o pH ruminal desses animais apresentem maior flutuação e consequentemente maior susceptibilidade a distúrbios ruminais. French & Kennelly 1990, mostram que o fornecimento de concentrados em menor frequência (menos vezes por dia, mas na mesma quantidade) faz com que as vacas tenham menor pH ruminal e maior ocorrência de SARA.

Outro importante fator que pode aumentar o risco dos rebanhos a desenvolverem SARA e que é especialmente importante no Brasil é o estresse térmico. Vacas de leite em estresse térmico permanecem menos tempo deitadas e ruminando, aumentam a perda de CO2 devido à hiperventilação, tem maior tempo de retenção ruminal, maior produção de ácidos por unidade de matéria orgânica consumida e, além disso, reduzem o fluxo de tampão salivar para o rúmen. Essas condições em conjunto, propiciam um ambiente ruminal desfavorável para os animais.

Apesar de negligenciada, a ocorrência de SARA é bastante comum em rebanhos leiteiros, Penner et al. 2007, utilizando uma dieta comercial com 54% de forragem, mostraram que aproximadamente 70% das vacas avaliadas apresentaram SARA. Porém, como citado acima, já que os animais não apresentam sinais clínicos específicos muitas vezes esse distúrbio não é visto como importante dentro da propriedade. Apesar dessa dificuldade e de não existirem sinais exatos que comprovem a existência da acidose subclínica, alguns pontos podem ser observados nas fazendas para nos darem indícios de que temos o problema: fezes amolecidas e/ou com presença de partículas não digeridas de fibra, queda e irregularidades no consumo de matéria seca e principalmente queda na porcentagem de sólidos do leite.

Em geral, animais com SARA produzem menos sólidos e apresentam relação gordura: proteína invertida (mais proteína que gordura). Esse decréscimo se torna especialmente importante no cenário atual, no qual os laticínios oferecem bonificações ou penalidades no preço do leite para alta ou baixa produção de sólidos, respectivamente. Em alguns casos, essas bonificações/penalidades podem representar até 10% do valor total pago por litro de leite. Além disso, vacas com quadros de SARA podem apresentar irregularidade e redução na produção de leite.

Diversas perdas financeiras podem ocorrer relacionadas a SARA e para quantificar esse prejuízo, dois pesquisadores avaliaram o impacto econômico da SARA em rebanhos leiteiros. Stone et al., 1999 estimaram que a SARA pode custar 475 dólares por vaca/ano, já segundo T. Mutsvangwa, rebanhos com SARA tem menor eficiência na produção de leite, saúde comprometida e mais descartes involuntários, gerando um custo estimado de aproximadamente 410 dólares por vaca/ano. Dois diferentes autores mostrando números bastante semelhantes de prejuízos financeiros causados pela SARA.

Em resumo, a Acidose ruminal, principalmente na sua forma subclínica é um “adversário” silencioso que gera grandes perdas econômicas na pecuária leiteira. O alto nível de estresse térmico, o grande aporte de CNF para o rúmen de vacas de alta produção e o fato de ser bastante comum o fornecimento de concentrado separado do volumoso nas fazendas brasileiras faz com que esse distúrbio seja ainda mais importante no nosso país, afetando inclusive vacas de mais baixa produção.

No próximo artigo vamos discutir estratégias que podem ser implementadas em fazendas de leite para reduzir a ocorrência de SARA.

Para saber mais entre em contato pelo box abaixo.

REFERÊNCIAS

French N., Kennelly J. J. Effects of feeding frequency on ruminal parameters, plasma insulin, milk yield, and milk composition in Holstein cows. Journal of Dairy Science. 73: 1857-1863.1990;

Mutsvangwa T. Sub-Acute Ruminal Acidosis (SARA) in Dairy Cows. http://www.omafra.gov.on.ca/english/livestock/dairy/facts/03-031.htm

Oetzel ,G. R. Subacute Ruminal Acidosis in Dairy Herds: Physiology, Pathophysiology, Milk Fat Responses, and Nutritional Management. Preconference Seminar 7A: Dairy Herd Problem Investigation Strategies: Lameness, Cow Comfort, and Ruminal Acidosis AMERICAN ASSOCIATION OF BOVINE PRACTITIONERS 40th Annual Conference, Vancouver, BC, Canada, September 17, 2007.

Penner, G. B., K. A. Beauchemin, and T. Mutsvangwa. The severity of ruminal acidosis in primiparous Holstein cows during the periparturient period. J. Dairy Sci. 90:365–375, 2007.

Stone, W. C. The effect of subclinical rumen acidosis on milk components. Pages 40–46 in Proceedings of the Cornell Nutrition Conference for Feed Manufacturers, Cornell University, Ithaca,NY, 1999.


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