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Hipocalcemia: problema esquecido e risco econômico oculto

Por Phibro Sáude Animal
postado em 12/09/2016

3 comentários
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Por Ken Zanzalari - PhD em zootecnia pela Universidade do Tennessee e nutricionista com certificação concedida pelo American Registry of Professional Animal Scientists (ARPAS). Trabalha na Phibro Animal Health, especializando-se no manejo e nutrição da vaca em transição.

A transição do final da prenhez para a lactação requer enormes adaptações fisiológicas da vaca leiteira. Uma das mudanças mais importantes que ocorre, envolve o balanço de cálcio. As vacas que são incapazes de manter concentrações de cálcio adequadas no sangue são suscetíveis a taxas mais elevadas de transtornos metabólicos no início do período pós-parto e produzem menos leite. Estas vacas são classificadas como hipocalcêmica subclínica, com concentrações de cálcio no sangue entre 5,6 e 8,5 mg por dl, ou como hipocalcêmica clínica, mais comumente conhecida como febre do leite, com concentrações de cálcio no sangue abaixo de 5,5 mg por dl.

Um problema esquecido

A importância de manter concentrações de cálcio adequadas no sangue da vaca leiteira em transição tem sido esquecida e negligenciada. Pesquisa publicada em 2012 ilustra a importância do cálcio na produção de leite no início da lactação, quando comparado a dois importantes metabólitos de energia mais comumente monitorados nas vacas recém-paridas (ver Tabela 1). Esta pesquisa mostrou que baixas concentrações de cálcio no sangue têm uma influência negativa maior na produção de leite do que os ácidos graxos não esterificados (AGNE) ou beta-hidróxidobutirato (BHBA), e esta condição pode persistir durante as três primeiras semanas após o parto.

Tabela 1. Perda de leite associada aos exames de sangue por semana, após o parto


Fonte: Adaptado de Chapinal et al., 2012

O custo de uma doença oculta

Ainda que o nosso entendimento sobre o metabolismo do cálcio nas vacas leiteiras em transição seja bom, não é completo. Isto tem levado a diferenças consideráveis nas recomendações nutricionais para vacas leiteiras no pré-parto, visando manter concentrações adequadas de cálcio no sangue e reduzir as taxas de incidência tanto da hipocalcemia clínica como da subclínica. Contribui para estas diferenças nas recomendações a falta de acordo dentro do setor leiteiro quanto o limiar adequado para a hipocalcemia subclínica.

A concentração de cálcio no sangue que era utilizada tradicionamente para determinar a hipocalcemia subclínica era de 8,0 mg por dl., porém pesquisas recentes, , desafiam este limiar tradicional e sugerem que uma concentração mais apropriada para as vacas leiteiras no periparto é 8,5 mg por dl ou acima. Ao elevar o limiar para a hipocalcemia subclínica para 8,5 mg por dl e usando dados de 2011 do National Animal Disease Center, em Ames, no estado de Iowa, os níveis de incidência de hipocalcemia subclínica aumentam de 25 para 51 por cento, de 41 para 61 por cento e de 49 para 67 por cento para as vacas de primeira, segunda e terceira parição, respectivamente.

Ainda que cada caso de hipocalcemia clínica (febre do leite) traga consigo um custo mais significativo do que a hipocalcemia subclínica (US$ 300 comparado com US$ 125), a perda de receita associada com a hipocalcemia subclínica excede a da hipocalcemia clínica, uma vez que as taxas de hipocalcemia subclínica em uma fazenda leiteira típica são 15 vezes maiores do que as de casos clínicos.

Estudos recentes

Um recente trabalho publicado no Journal of Dairy Science apoia dois importantes conceitos:

1. A hipocalcemia subclínica antes e depois da parição tem efeitos negativos bastante significantes sobre a produção de leite e a reprodução;

2. O conceito de elevar o limiar para a hipocalcemia subclínica de 8,0 para 8,5 mg por dl descreve de forma mais adequada o ponto em que se iniciam os efeitos negativos sobre a saúde e o desempenho do animal.

Em outro estudo com 55 rebanhos e mais de 1.900 vacas, os pesquisadores demonstraram dois pontos-chave:

1. Uma semana antes da parição, as vacas de alto risco (vacas com concentrações de cálcio no sangue iguais ou menores do que 8,4 mg por dl) produziram 3,17 kg de leite a menos nos quatro primeiros testes do DHIA (Dairy Herd Improvement Association) do que as vacas de baixo risco (vacas acima de 8,4 mg por dl);

2. As vacas que caiam no grupo de alto risco, uma, duas e três semanas após o parto produziram significativamente menos leite do que as vacas de baixo risco (ver Tabela 1), demonstrando que as baixas concentrações de cálcio no sangue tanto antes como depois do parto têm efeitos negativos significantes sobre a produção de leite no início da lactação.

É importante lembrar-se deste ponto ao considerar uma estratégia para reduzir a hipocalcemia subclínica. O tratamento com produtos orais (ainda que necessários para as vacas clinicamente hipercalcêmicas no pós-parto) não está relacionado com o impacto negativo que a hipocalcemia subclínica tem sobre a produção de leite.

Além da produção de leite, foi demonstrado que o status de cálcio em torno da época da parição influencia a reprodução. A pesquisa relata que vacas com concentrações de cálcio no sangue acima de 9,2 mg por dl antes do parto tinham 1,5 vezes maior probabilidade de conceber à primeira IA. Vacas com concentrações de cálcio no sangue no pós-parto, durante as três primeiras semanas de lactação tinham 1,3 vezes maior probabilidade de conceber à primeira IA, se as concentrações de cálcio no sangue fossem:

• Semana um pós-parto: Acima de 8,8 mg por dl
• Semana dois pós-parto: Acima de 9,2 mg por dl
• Semana três pós-parto: Acima de 9,6 mg por dl

Pesquisa realizada na Universidade da Flórida em 2012 sugere que um limiar mais apropriado para as concentrações de cálcio no sangue pode ser 8,59 mg por dl, quando as vacas são monitoradas dentro dos três primeiros dias de lactação. Os pesquisadores observaram que as vacas classificadas com hipocalcemia subclínica tinham um risco maior de desenvolver febre, metrite, tinham taxas de prenhez reduzidas e intervalos mais longos até a prenhez, do que as vacas com concentrações de cálcio adequadas no sangue.

Diretrizes práticas para o sucesso

Os benefícios de manter concentrações de cálcio adequadas no sangue nas vacas em transição estão bem documentados, incluindo redução da incidência de doenças metabólicas, menos doenças infecciosas, maior produção de leite e melhor reprodução. A maneira mais prática e eficaz de reduzir a hipocalcemia clínica e subclínica é dar uma dieta pré-parto com diferença cátion-ânion (DCAD) negativa. Pode-se considerar estas diretrizes para o manejo de uma dieta com DCAD negativa no período pré-parto:

• Acidificar totalmente a dieta com uma DCAD de -10 a -15 mEq por 100g. A seleção de um produto mineral aniônico que seja palatável pode ajudar a conseguir uma baixa DCAD ao mesmo tempo em que mantém altas taxas de consumo de matéria seca;

• Monitorar os valores do pH urinário de forma rotineira, especialmente depois de mudanças significativas nos ingredientes da dieta, para assegurar que as vacas estejam totalmente acidificadas. Para as vacas Holandesas, o alvo deve ser um pH urinário entre 5.5 e 6.0 e para as Jersey entre 5.8 e 6.2. Verifique a qualidade da água uma vez que a dureza, pH, alcalinidade e teor mineral podem afetar a acidificação do animal;

• Administrar no mínimo por 21 dias pré-parto. Lembrar que as vacas podem parir precocemente e é melhor ter um número maior de dias no piquete de vacas pré-parto do que um número menor. Dietas adequadamente balanceadas com DCAD negativa podem ser utilizadas por períodos de tempo mais longos;

• Administrar níveis apropriados de cálcio (180 a 190 g por dia), fósforo (42 a 50 g por dia), magnésio (53 a 59 g por dia), cloro (94 a 118 g por dia) e enxofre (47 a 55 g por dia);

• Periodicamente, colete amostra de uma subpopulação de vacas recém-paridas para determinar as concentrações totais de cálcio no sangue, cerca de 48 horas pós-parto.

Pesquisas recentes trouxeram novamente para a nossa atenção a importância do cálcio na vaca leiteira em transição. Administrar adequadamente uma dieta aniônica juntamente com o monitoramento periódico do pH urinário, os níveis de cálcio no sangue, cerca de 48 horas pós-parto, os eventos na saúde da vaca recém-parida e o início do leite podem trazer grande lucratividade para rebanho.

Referências bibliográficas omitidas devido à disponibilidade de espaço, mas estão disponíveis quando solicitadas

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Comentários

heitor

Bom Despacho - Minas Gerais - Estudante
postado em 29/09/2016

Boa noite,
Muito interessante o artigo. Gostaria saber como avaliar o pH urinário a campo. Existe algum equipamento específico? Qual?
Grato pela atenção.

Lucas Barbosa

OUTRA - OUTRO - NENHUM - Técnico
postado em 03/10/2016

Bom dia Heitor.

Existem duas maneiras práticas de avaliar pH urinário a campo. Com fitas específicas para isso, ou com um pHmetro.

Abraço

Alberto Duque Portugal

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 09/03/2017

Independente de avaliar o pH urinário, voce tem alguma recomendação preventiva para vacas multíparas, no ultimo mes de pré´-parto e/ou nas primeiras semanas pós-parto, usando solução de cálcio endovenosa ou subcutânea (esta usada para reverter situações de hipocalcemia clínica).

Haveria algum risco para o animal ? Não estamos considerando alguma perda econômica, se o animal não estiver com hipocalcemia sub-clínica.

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