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Alternativas para o pasto que sobra no verão e falta no inverno

Por Marco Aurélio Factori e Juliana Aparecida Martins Factori
postado em 05/10/2016

12 comentários
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A pastagem, por se tratar de uma forrageira e ser um vegetal, tem o seu crescimento totalmente dependente do clima. Todo fator climático adequado ao crescimento da forrageira, seja ela tropical ou de clima temperado, está inteiramente ligado à produtividade animal, pois, quanto mais capim e de melhor qualidade, maior será a produtividade. Desta forma, em função das adequadas condições para o crescimento (nutrientes, água, luz e temperatura) todo manejo associando estes fatores contribuirá para o sucesso. No verão, em função das condições adequadas para o crescimento forrageiro, temos um excesso de produção de forragem ou uma forragem disponível para corte e consumo de boa qualidade e que, na maioria dos sistemas, acaba sobrando.

pastagem bovinos - produção animal
 
Mas, se a forragem sobra, o que fazer? Que destino poderei dar a esta forragem que sobra no verão em função das adequadas condições e falta no inverno pela falta de condições para o crescimento? Embora engraçado, o produtor rural não está preparado para nenhuma delas em muitos casos. Ao produzir forragem, por muitas vezes nos deparamos com sistemas falhos e na maioria deles os nutrientes extraídos não são nem repostos, o que interfere na produção.

Nos sistemas de pastejo rotacionado preconiza-se a rotação de piquetes em função do período de descanso do capim bem como dias de ocupação e ajuste de lotação. Pois bem, começaremos a falar do fim, que é a falta de forragem. Se há inverno, há falta de condições para o crescimento, sobretudo luz e temperatura que limitam o crescimento forrageiro. Neste sentido, se não há comida para os animais, têm-se que suprir esta falta. Desta forma, se não temos capim no pasto, teremos que suplementar no cocho.

Uma das alternativas mais utilizadas, principalmente por produtores de leite, é o uso da cana com ureia. A cana, embora forrageira, tem sua produção ótima e ainda produz açúcar no colmo na época seca do ano - que coincide com a baixa produção de capim. Sendo assim, fica fácil utilizar uma forragem que produz no inverno ou época seca para suprir a falta de outra no mesmo período. O que falta neste caso é a ureia acrescida na cana, para corrigir o teor de proteína bruta na alimentação de ruminantes.

Outra opção a ser utilizada é a silagem. Esta pode ser de capim ou de milho, sorgo e aí por diante. Não falaremos de capim. Neste momento, abordaremos a silagem de milho. Um volumoso caro, porém, acessível à maioria dos produtores pela facilidade da técnica. Como escrevi, é cara e por isso deve ser fornecida na dieta dos animais mais produtivos, para que a viabilidade do sistema ocorra. Neste caso, planta-se o milho e com esta área de milho faz-se a silagem para suprir a falta de alimento na seca, ou naqueles sistemas que se utilizam da silagem o ano todo.

A vedação do pasto, que consiste em reservar uma área de pastagem (geralmente 1/3 da área total de pasto) é uma importante e fácil saída para contornar a estacionalidade de produção. Neste manejo, o excesso de pasto do verão fica reservado (logicamente que passará do seu ponto ótimo de manejo e então sua qualidade diminuirá). Todo animal que irá se alimentar deste capim por meio do pastejo, por volta de três meses após o diferimento, deverá receber suplementação para que a diminuição do valor nutritivo do capim seja suprida ao animal. Um manejo fácil e acessível que pode ser feito pela maioria dos produtores.

Outra possibilidade de conservar forragem que sobra no verão e falta no inverno é a ensilagem do capim excedente do sistema de pastejo, que não foi pastejado em função das condições favoráveis e talvez, falta de animais para ajuste de lotação. Se no verão temos alta produção de capim e acaba sobrando no sistema, esta forragem pode ser ensilada e fornecida para os próprios animais do sistema. Obviamente que na silagem de capim, deve-se atentar para alguns pontos, como o excesso de água, mas que normalmente são facilmente contornados. O excedente de produção pode ser aproveitado no sistema a custos reduzidos em relação à silagem de milho.

Com custo mais elevado, poderemos em grande escala fazer feno. Porém, em pequenas propriedades a fenação torna-se um processo custoso em função do uso da mecanização, entretanto, é também uma ferramenta possível dentro de um sistema. Toda forragem excedente pode virar uma forragem desidratada e assim, suprir a demanda animal do sistema. Também, pode ser um produto de venda e acréscimo na renda do sistema.

De forma geral, colocar o excedente de produção na posição de conservado é fácil, porém são tantos os fatores dentro da propriedade rural que por muitas vezes a decisão é tomada de imediato e, por isso, tudo acaba indo morro abaixo. Para tanto, o planejamento agropecuário nunca pode ser deixado de lado e deve ser aplicado de forma rigorosa. Produzir animais em pasto, como todo outro sistema, deve atender todos os pontos, principalmente no fator provimento de comida. Sim, prover comida para animais não é brincadeira. A produção forrageira depende dos fatores climáticos e por isso não temos o quanto vai sobrar, e sim devemos saber, essencialmente, que não irá faltar. Porém, se sobrar, terá muitas saídas e artifícios para contornar. Para a falta, muitas vezes não há remédio.

Quero concluir este pequeno texto dizendo que na produção agropecuária temos que ser bons de conta. Saber o que fazer com o que sobra é muito mais fácil do que saber o que falta de imediato. Porém, o fato de sobrar pasto significa que foi produzido muito e por isso eu tenho que calcular o quanto eu poderei produzir. O que quero dizer é que se temos um pasto adubado com ureia e ao mesmo tempo não temos animais suficientes para se alimentar dele, definitivamente precisamos tirar o pé do acelerador.

Diminua a sua adubação nitrogenada. Se me falta pasto, devo adubar mais, até certo ponto. Rentabilidade do sistema de produção em pasto, segundo a literatura é de até 30% para gado de leite e 14% para gado de corte. Se considerarmos um sistema correto isto é verdadeiro. No entanto, se colocarmos perdas de o quanto falta e o que sobra, com certeza esta rentabilidade decresce muito. Se considerarmos um país em crise, com certeza todo crédito recebido e deixado de ser gasto com certeza é fundamental para o sucesso. Os cálculos devem ser mensurados previamente antes do investimento com um profissional habilitado e competente para tanto.

Negociar produtos baratos possibilita uma venda mais adequada nos tempos de crise! Uma compra bem negociada nos garante um conforto financeiro para a venda. Se falta alimentos, não produzimos e presenciamos a perda de produção - não vendo o saldo positivo da atividade, além de perdas em relação ao animal. Se sobra, perdemos em dobro por presenciar o que já gastamos em investimentos sem o retorno esperado.

Senhores, definitivamente não poderemos pensar que tudo está maravilhoso e tudo vai dar certo. Não devemos imaginar que não teremos estacionalidade, pois isso nunca vai ocorrer. A falta sempre existirá em algum momento e, sim, precisamos nos planejar. Façamos conta, busquemos assistência. Busquemos informações dentro do nosso sistema. Assim entenderemos o quanto pode faltar e acima de tudo, o quando pode sobrar. A produção agropecuária é como se fosse um carro, que aceleramos e freamos na medida que precisamos. O que sabemos, com certeza, é que precisamos andar e ir até algum lugar.
 

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Comentários

Rodrigo Cordeiro

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 05/10/2016

Muito bom

Eduardo Basílio

Uberlândia - Minas Gerais - Corretor de mercadorias e comodities agrícolas
postado em 06/10/2016

Marco Aurélio e Juliana, parabens pelo texto. Muito bom!

Arnaldo Alves de Oliveira

Naviraí - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 06/10/2016

Bom conteúdo para alertar o produtor na busca de alternativas e gestão do negócio.

Roney mendes de Arruda

Cáceres - Mato Grosso - Pesquisa/ensino
postado em 06/10/2016

PArece simples, não é complicado mas infelizmente a maioria dos produtores deixam para preocupar com a falta, já no começo do inverno e na verdade essa preocupação deve ser na época da abundância de forragem, mas como o Dr. disse o produtor deve ter bem claro quanto precisa de alimento para seu rebanho o ano inteiro.

Walter Van-Deste

Congo - Paraiba - Consultoria/extensão rural
postado em 07/10/2016

Alguém me diz por favor a raça da vaca que está no artigo ?? Obrigado

Helton Hipolito de Moraes

São Paulo - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 07/10/2016

Senhor Walter, bom dia.

Pela inserção e conformidade do úbere e cauda, pela disposição e formato das orelhas, pela coloração, pela conformação da cabeça, pelo pequeno porte, o animal aparenta ser cruzamento das raças Jersey X Gir Leiteiro ( Jirsey, em estudo e formação por pesquisadores da secretaria de agricultura do estado de  de São Paulo). Espero ter ajudado.

Segue mais fotos: https://www.flickr.com/photos/agriculturasp/sets/72157624102717036/   ;

Walter Van-Deste

Congo - Paraiba - Consultoria/extensão rural
postado em 07/10/2016

Prezado Helton
Muito obrigado pelas informações, um abraço

Marco Aurélio Factori

Presidente Prudente - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 08/10/2016

Prezados senhores de um modo geral e Senhores Walter e Helton.

Obrigado pelos comentários e nos colocamos a disposição para qualquer esclarecimento.
Senhor Walter, a foto citada não fora nos que colocamos e sim o pessoal da edição. No entanto, concordo com o colega Helton, que menciona ser um animal mestiço Jersey e Gir, denominado Jersolando. Agradeço pelas contribuições e nos colocamos a disposição. Att. Marco Aurélio Factori.

Joao Gomes de Azevedo

Muriaé - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 09/10/2016

A vedação do pasto, que consiste em reservar uma área de pastagem (geralmente 1/3 da área total de pasto) é uma importante e fácil saída para contornar a estacionalidade de produção. Neste manejo, o excesso de pasto do verão fica reservado (logicamente que passará do seu ponto ótimo de manejo e então sua qualidade diminuirá). Todo animal que irá se alimentar deste capim por meio do pastejo, por volta de três meses após o diferimento, deverá receber suplementação para que a diminuição do valor nutritivo do capim seja suprida ao animal. Um manejo fácil e acessível que pode ser feito pela maioria dos produtores.

Boa tarde Dr Marco: Penso que para os pequenos produtores esta técnica deste paragrafo é a mais viável. Peço esclarecimento de quantos % de suplementação devo acrescentar para suprir o da forrageira envelhecida?

Walter Van-Deste

Congo - Paraiba - Consultoria/extensão rural
postado em 10/10/2016

Caro Helton de Moraes

Agradeço o envio do seu email.

Obrigado

Marco Aurélio Factori

Presidente Prudente - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 10/10/2016

Prezado João Gomes.

Neste sua pergunta não há uma resposta única e sim para que eu responda a este questionamento necessito de mais informações de cada caso. No entanto, devo salientar que o animal ao comer uma forragem envelhecida deverá receber uma suplementação proteica, seja via ureia (sal mineral com ureia, proteinados, ou fontes proteica como o farelo de soja, por exemplo. Depois daí, irá variar com cada caso. Se precisar, presto assistência técnica on line ou presencial. Caso interesse, entre em contato pelo e-mail: mafactori@yahoo.com.br      Att. Marco Aurélio Factori.

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