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Você está sendo "obrigado" a utilizar cana-de-açúcar na alimentação dos seus animais?

Por Thiago Fernandes Bernardes
postado em 31/08/2007

57 comentários
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Durante os dois últimos meses, eu e alguns colegas da área zootécnica, tivemos a oportunidade de interagir com dezenas de técnicos e produtores, com o objetivo de discutir a utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes, durante o curso promovido pela Agripoint. Também, num artigo escrito por mim nesta seção "A sua propriedade utiliza cana-de-açúcar in natura ou ensilada na ração dos animais?", recebi diversas cartas comentando sobre este recurso forrageiro.

Fazendo um "raio x" desse período, pude perceber alguns pontos que me deixaram satisfeito, pois algumas propriedades estão tendo sucesso no manejo alimentar quando a cana-de-açúcar é utilizada, seja ela in natura ou ensilada. Nessas fazendas a cana chegou para sustentar ou aumentar a produção de leite e/ou carne, trazendo novo ânimo a atividade.

Embora, tenha me empolgado por estes aspectos, fiquei um pouco preocupado e intrigado com outros, pois alguns produtores estão se sentindo frustrados com o uso da cana.

Não posso aqui apontar os motivos dessa frustração (que está se tornando um antagonismo); talvez seja pela falta de aptidão da propriedade a espécie vegetal (topografia, fertilidade do solo, clima e logística de produção), ou pela forte pressão que a expansão desta cultura tem provocado nos sistemas agrícolas.

Por exemplo: Os confinamentos localizados na região centro-oeste têm utilizado rações de alto grão (alto concentrado), pois a soja, o algodão e o milho são cultivados próximos aos locais de pecuária, o que reduz o custo da dieta. Com a introdução da agricultura canavieira nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, este cenário deverá ser modificado, pois as rações passarão a ter mais volumoso (cana in natura ou ensilada) e menor proporção de ingredientes concentrados (milho, principalmente).

Recebi relatos de produtores que estão querendo substituir forrageiras nativas, adaptadas há diversos anos nos referentes climas, como a palma forrageira, para se aventurar a plantar cana-de-açúcar numa região que tem sérios problemas de precipitação.

A cana também tem tomado o sul de Minas Gerais, e, nessa região (e também em outras), ocorrem problemas pela falta de mão-de-obra, pois durante a colheita do café (que coincide com a colheita da cana) faltam recursos humanos no manejo de alimentação dos animais. A saída para esse entrave tem sido a ensilagem da cultura, pois as instituições de ensino e pesquisa conseguiram avanços significativos ao longo dos últimos cinco anos. Porém, a propriedade deve estar preparada para este tipo de tecnologia.

Portanto, vão aqui algumas dicas:
1) A cana-de-açúcar é mais uma alternativa de volumoso que temos a disposição. O plano nutricional da propriedade pode ser realizado com sucesso fazendo-se uso com outras fontes, como: pasto, silagem de milho, de sorgo, de capim, feno.

2) As tentativas frustradas de implantação de determinadas técnicas, como o uso de aditivos, têm criado insatisfações, talvez pelo desconhecimento que está distante do produtor, ou realmente haver impossibilidade da sua consolidação, o que podemos chamar de "queimar uma tecnologia". Desse modo, cuidado com matérias jornalísticas sensacionalistas. Não existem produtos que fazem milagres. São apenas ferramentas de manejo que devem ser utilizadas com critérios técnicos e científicos.

3) Quem está utilizando a cana e tem conseguido sucesso, que continue assim.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Thiago Fernandes Bernardes    Jaboticabal - São Paulo

Estudante

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Comentários

João Luiz Abu Dioan

CACHOEIRO - Espírito Santo - Consultoria/extensão
postado em 03/09/2007

Estou utilizando a cana de açucar in natura para alimentação das vacas de leite, é hoje a única alternativa que temos devido à grande estiagem que vem prejudicando o sul do estado do ES, que sempre teve chuvas normais.

Em 2007 chuveu somente 120 mm2 após o mês de fevereiro, com isso, gastamos toda as reservas de silagem ainda na época de chuva, sobrando a alternativa de alimentação com cana de açucar mais 0,5% de uréia com sulfato de amônia e tem dado certo.

João Luiz Abu dioan

Propriedades em Presidente kennedy.

Pedro Henrique L. de Amorim

Brasília - Distrito Federal - Produção de leite
postado em 03/09/2007

Na minha propriedade eu já utilizo a cana com úreia mais o concentrado para vacas leiteiras de média lactação, em torno de 20 l/dia, e o resultado tem se mostrado muito bom, as vacas mantêm a produtividade e o escore corporal delas está muito bom. Melhor que o do meu vizinho que usa silagem de milho e está com uma média menor em torno de 15 l/dia, portanto, a cana é sem dúvida uma opção muito interessante.

Luís Geraldo Papi Fernandes

Santo Antônio da Platina - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 04/09/2007

Existe algum problema ruminal quando se utiliza cana hidrolisada com cal, na dieta de vacas leiteiras?

Resposta do autor:

Caro Luís,

A aplicação de cal na cana in natura começou a ser utilizada pelos produtores sem muitos fundamentos científicos, pois até agora, poucos experimentos foram desenvolvidos, e, os já concluídos, se limitam apenas as alterações químicas provocadas pelo aditivo na planta.

Nós precisamos desenvolver mais estudos com animais (o que já está sendo feito em várias instituições) para sabermos os efeitos benéficos e maléficos provocados pelo tratamento com cal.

Vários pontos ainda são desconhecidos (como o excesso de cálcio na dieta), portanto, devemos trabalhar com cautela. Cana tratada com cal tem acusado cerca de 2,5 a 3% de cálcio na matéria seca. Como o volumoso tem grande participação na dieta, pode ocorrer um desbalancemento entre os minerais, como o fósforo e os micronutrientes, desencadeando uma série de eventos negativos.

A dica que eu dou é ficar atento ao balanceamento de minerais, talvez a solução seria trabalhar com um pouco a mais da exigência preconizada pelo NRC.

Atenciosamente,
Thiago Bernardes.

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