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Você ganhou dinheiro com leite

POR PAULO DO CARMO MARTINS

PANORAMA DE MERCADO

EM 03/05/2004

3 MIN DE LEITURA

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Toda afirmação simples em economia pode levar a erro, com a exceção desta. Ainda mais quando o caso é o Brasil, com suas características regionais muito peculiares. Se estamos falando de leite, o risco de erro é ainda maior. Mas assumo o risco: você ganhou dinheiro com leite nos últimos doze meses!

Em outro artigo aqui mesmo nesta coluna, no mês de janeiro, discuti a falta de dados do mercado lácteo, que permitam afirmações mais seguras. Até mesmo as grandes empresas do setor tomam muitas decisões no escuro. Felizmente, uma parceria inédita entre OCB, CBCL, Embrapa Gado de Leite e Cepea/Esalq/USP irá gerar os primeiros dados de monitoramento desse mercado, no Brasil. A divulgação está prevista para os meados do ano e será apenas o embrião de um trabalho que precisará ser aprofundado e expandido nos próximos anos. Enquanto isso não acontece, a alternativa é utilizar os dados disponíveis, que são gerados por entidades respeitáveis, mas necessariamente não possibilitam a profundidade e a especificidade requeridas para que os produtores e laticínios tomem suas decisões quanto ao mercado.

Veja o Gráfico 1. Nele está representado o comportamento dos preços médios recebidos pelos produtores de leite no Brasil, tendo por base o levantamento feito sistematicamente pelo Cepea/Esalq/USP nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia. Também está ali representado o comportamento dos preços pagos pelos consumidores brasileiros, não somente leite, mas tudo que é necessário para o consumidor se manter, o que inclui produtos de higiene, de saúde, além de produtos alimentares, dentre outros. A base é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, divulgado pelo IBGE mensalmente, mais conhecido como o Índice do Custo de Vida.

Para muitos, gráficos e índices complicam, por serem difíceis de serem entendidos. Na verdade, eles existem exatamente para facilitar o entendimento de situações analisadas. É como matemática: muitos não gostam sem ter se dedicado a entender. O Gráfico 1 é muito fácil. No caso do preço do leite, considerei o valor recebido pelos produtores em março de 2003 como 100. Os valores mensais são proporcionais a março de 2003, portanto. Então, em julho de 2003, os preços médios efetivamente recebidos pelos produtores de leite, ou preços correntes, foram quase 18% a mais que os preços pagos em março daquele mesmo ano.

Numa comparação entre a evolução do preço recebido pelos produtores e o custo de vida, percebe-se que o preço do leite evoluiu favoravelmente. Isso significa que o produtor ganhou poder aquisitivo em todos os doze meses analisados.
 


Ocorre que o preço dos insumos pode ter se elevado tanto, que a elevação de custos seja maior ou desfavorável à elevação do preço do leite. Mas não é isso que se observa no Gráfico 2. Ali estão representados os preços de insumos em São Paulo, coletados pelo Instituto de Economia Agrícola. Embora tecnicamente não seja muito correto assumir o comportamento de preços de um Estado como nacional, a ausência de dados nos impõe esta limitação. Veja que a ração esteve mais barata em nove dos treze meses. Além disso, o preço médio de uma vaca subiu menos que o preço do leite. Apenas o salário mínimo manteve-se em patamar superior.

 


Também o comportamento de preços de alguns derivados lácteos foram favoráveis à cadeia do leite, conforme Gráfico 3. Somente a mussarela, o queijo prato e a manteiga tiveram desempenho desfavorável, ainda assim em poucos meses da série.

 


A conclusão, portanto, é a seguinte: baseado nos dados acima, se você produziu leite nos seis estados de maior produção da Federação, se tem propriedade estabilizada em termos de rebanho, se a atividade é bem gerenciada, e nada de muito grave desfavoravelmente ocorreu entre o carnaval do ano passado e o carnaval deste ano, você ganhou dinheiro com leite.

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PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/05/2004

A análise do articulista parece simplista. O produtor de leite pode ter perdido menos dinheiro no periodo analisado do que no mês de referência, Março de 2003. Creio, porém, que nem esta conclusão seria verdadeira se outros insumos fossem analisados, como medicamentos por exemplo.

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Senhor Paulo,

A análise é compatível com o espaço disponível nesta coluna. Portanto, aceito seu comentário sobre a simplicidade da mesma. Solicito que leia novamente o primeiro parágrafo. Veja lá que abro o artigo nesta linha...Solicito também que veja os artigos publicados entre 26/01 e 19/02 neste prestigiado espaço, quando analiso alguns insumos e preços de leite por estado, o que inclui itens que pesam mais no custo de produção de leite que os produtos veterinários.

Obrigado por sua atenção em enviar-me seus comentários.

Paulo Martins

JOSÉ ALMEIDA DE OLIVEIRA

MAJOR ISIDORO - ALAGOAS - EMPRESÁRIO

EM 07/05/2004

Dr. PAULO:

Em dezembro de 2002, os produtores que vendiam leite a ILPISA, em Alagoas, recebiam pelo litro do produto a quantia de R$0,44 (quarenta e quatro centavos). Atualmente, esses mesmos produtores, depois de observar a propaganda televisiva do Governo Federal no que se refere a inflação dos últimos 16 meses (15%), recebem pelo mesmo leite produzido a quantia de R$0,44 (quarenta e quatro centavos). Aonde se encontra o lucro da atividade? E os R$0,0506 que a inflação engoliu, em qual bolso se hospedam? E a ração, a mão de obra do trabalhador, a energia, o material de limpeza, todo o gasto de uma propriedade rural? Não é preciso acrescentar que a labuta diária do produtor rural não faz parte do texto de uma página escrita.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Senhor José de Almeida,

Quando redigi este artigo esperava esta reação de parte do publico. Afinal, esta é uma atividade tida como pouco rentável por muitos. Mas resolvi ir na contra-mão. Nao conheço as estatísticas de Alagoas, nem sei também se os pressupostos do artigo se enquadram no caso do Senhor. Não afirmei que todos os produtores de leite do Brasil tiveram lucro.

Obrigado pelos seus comentários.

Paulo Martins
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/05/2004

Prezado Paulo,

Parabéns pelo artigo, porém creio que há um fator muito importante que talvez não tenha sido devidamente considerado na sua análise. Refiro-me ao ponto de partida da análise, ou seja, o valor base utilizado: o preço do leite e todos os demais preços em março de 2003. A conclusão mais acertada para os dados apresentados seria que a situação do produtor de leite melhorou, no período analisado, em relação ao ponto de partida, ou seja, março de 2003. Isto não quer dizer, em absoluto, que o produtor tenha ganho dinheiro com o leite durante o citado período. Ademais, a afirmação ganhar dinheiro, no meu entendimento, pressupõe ter lucro na atividade. Desafio qualquer produtor especializado de leite a demonstrar que opera com lucro em sua propriedade, ao longo de um período de um ano. Por LUCRO, entenda-se receita do leite maior do que todas, DISSE TODAS, as despesas (inclusive depreciações, remuneração do capital próprio, remuneração do administrador, etc.). Uma conclusão talvez eu possa tirar do seu artigo: você não é produtor de leite! Acertei?

Abraços,

Renato Fonseca
Produtor em Três pontas - MG


<b>Resposta do autor</b>:Prezado Renato,

Obrigado por sua elegante e inteligente carta. Em termos cientificos, voce está corretissimo. O que os dados permitem afirmar é o que você afirma. Concordo que carreguei na afirmação que dá titulo ao artigo, embora nao me sinta motivado a modificá-la. Por outro lado, há sim produtores ganhando dinheiro com leite, mesmo quando se levanta o custo econômico, o que inclui todos os custos da atividade, inclusive o custo de oportunidade. Fiz isso para 150 propriedades em 5 estados e somente 26 apresentaram prejuízo. Quanto à sua hipótese que não seria produtor de leite, voce acertou. Nao sou. Considero a atividade leiteira intensiva em administração. Como a grande maioria dos pesquisadores em leite que me relaciono, nao produzo leite, pois se assim o fizesse, iria na propriedade somente uma vez por semana e, fatalmente, nao conseguiria obter o retorno compatível com minhas expectativas.

Um abraço,

Paulo Martins
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/05/2004

Caro Paulo,

Esta informação não é precisa. Ela parte do pressuposto de que em Fev/2003 o produtor já tinha lucro ou empatava as receitas/despesas o que não pode ser afirmado com os dados apresentados.

<b>Resposta do autor:</b>Prezado José Ronaldo,

Sua observacao está correta. Baseei-me, contudo, tambem em dados disponíveis em tres artigos publicados nesta coluna, por mim, entre 23/01 e 19/02.

Paulo Martins


ADALBERTO VUOLO JUNIOR

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/05/2004

Há que se considerar outros aspectos além do da ração. O preço de vacas, por exemplo, é melhor nem comentar pois quem depende de dinheiro do lucro de leite para comprar vacas está em má situação. Sugiro que considere itens como energia elétrica, medicamentos, sal mineral, salários, encargos sociais, assistência veterinária, valor de animais de descarte para corte, valor de animais para reprodução, manutenção de máquinas, combustíveis, materiais de ordenha, sementes de milho e sorgo, adubos e corretivos e agroquímicos, fretes diversos e outros. Verificaremos que todos estes produtos subiram de preço. Também, no gráfico, fica claro que a situação no carnaval deste ano reproduziu o verificado no carnaval do ano passado.

<b>Resposta do autor</b>:

Prezado Senhor Adalberto,

Concordo com o Senhor, se quis afirmar que deveria eu ter considerado mais variáveis para embasar a afirmação constante no artigo. Veja, contudo, os dados sobre os insumos que o senhor lista, nos artigos publicados entre 22/01 e 19/02 nesta mesma coluna.

Obrigado,

Paulo Martins
MilkPoint AgriPoint