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Terminando 2004 com o pé esquerdo...

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 23/12/2004

4 MIN DE LEITURA

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... para entrar em 2005 com o pé direito!!!

É isso aí, totalmente contrário ao clima do início de 2004, o setor leiteiro entrará em 2005 com perspectivas semelhantes às do início de 2003, dois anos atrás.
O clima de otimismo tomou conta da maioria das análises realizadas no período que antecedia as festas de final de ano. Vários são os fatores que justificam o cenário positivo que se desenha.

Com relação ao mercado, a principal variável que se relaciona com os resultados obtidos pelo produtor, o clima não é diferente.

Em dezembro de 2003 os preços aos produtores haviam recuado, em média, 14% e no mercado "spot", 35%, quando comparados ao mês de preços mais altos do ano.

As perspectivas para janeiro de 2004 eram de queda nos preços, cenário sustentado por 87% dos entrevistados em levantamentos da Scot Consultoria. Essa queda se confirmou e os preços recuaram outros 2,5%, fazendo com que janeiro de 2004 fosse o mês de pior preço dos últimos 26 meses, em valores nominais. Em valores reais, deflacionados pelo IGP-DI, janeiro de 2004 representa o preço mais baixo dos últimos 35 meses.

Ao fim de 2004, o cenário foi completamente diferente. Os preços aos produtores recuaram apenas 5,71% em relação ao preço de julho e agosto (picos de preços). No mercado "spot", os preços reduziram-se 16% em relação aos preços mais elevados do ano (também em julho e agosto). Os valores do "spot" chegaram a R$0,65/litro, em média, e ao final do ano a R$0,55/litro nas principais praças leiteiras, com oscilações entre R$0,48 a R$0,60.
Tanto no "spot" como nos preços aos produtores, a tendência era de estabilidade. Na compra de leite "in natura", a maioria (47%) dos agentes de mercado entrevistados pela Scot Consultoria acreditava em estabilidade para janeiro, com os preços reagindo logo no início do ano, quando normalmente se inicia a recuperação do mercado de leite e derivados. Tradicionalmente as vendas de lácteos se enfraquecem no período das férias de verão - é muito refrigerante, suco, água e cerveja - e se recuperam a partir de fevereiro e março.
Cerca de 7% dos entrevistados aumentariam os preços já no pagamento de janeiro. Os demais, que apontaram estimativa de baixa nos preços de mercado, acreditavam que as mesmas não seriam acentuadas, ficando abaixo de R$0,01/litro.

Observe, na figura 1, o comportamento dos preços nominais do mercado "spot" dos últimos anos.
 


Na tabela 1 estão apresentados os preços do leite pagos em dezembro e as variações, em porcentagem e em centavos, em relação ao pagamento de novembro.

 


O mercado é firme!

No mercado do Longa Vida, no atacado, os preços médios de 2004 foram, em valores reais deflacionados pelo IGP-DI, 2,7% mais baixos que os de 2003 e 10,7% mais baixos que os de 2002. É evidente a perda de renda das indústrias posicionadas no mercado de Longa Vida. Isso tem sido confirmado pelos representantes destas empresas que reclamam constantemente da baixa rentabilidade do produto, algo que não pode ser desconsiderado.

Isso explica um fato que se revelou na pesquisa de dezembro: a estratégia adotada por muitas empresas de reduzir a produção de Longa Vida e aumentar a produção de leite em pó. Buscam os bons resultados com as exportações e, propositadamente, reduzir os estoques de Longa Vida.

Evidente que nem todas que produzem Longa Vida podem adotar essa estratégia, mas de qualquer maneira o fato tende a ser positivo para todas as indústrias.

Sendo assim, o mercado do Longa Vida, que já conta com os preços defasados, soma ainda a possibilidade de redução da oferta, acenando para boas perspectivas.

Reunindo a estes fatores as recentes notícias sobre a recuperação da economia, reabertura de postos de trabalho...humm.... Que receita boa para entrar em 2005!!

Enfim, as expectativas são boas e, embora por diversas vezes os fatos tenham pregado "peças" nas tendências, é pouco provável que algo seja tão relevante para mudar o cenário positivo que se desenha para 2005.

Evidente que cenário positivo não é sinônimo de que tudo seja fácil. O setor ainda coleciona uma série de problemas relacionados ao conceito de cadeia de produção, principalmente. Não se ocupa espaço no mercado, não se melhora a qualidade do produto, não se faz marketing sem um esforço conjunto de todos os envolvidos na atividade da cadeia leiteira.

Algumas ações devem ser urgentes, de curto prazo, como as que visam solucionar as históricas perdas de eficiência da cadeia produtiva, por conta de vários fatores diretamente ligados a conflitos entre os elos envolvidos. Privilegiar os interesses convergentes e minimizar os interesses conflitantes é um ótimo exercício.

A longo prazo, o desafio é reconstruir o cooperativismo, ampliar ações de marketing, realizar parcerias estratégicas, garantir a qualidade da produção da matéria-prima, enfim, modernizar o setor.

Finalmente, nesta época que envolve espírito natalino e a tradicional euforia que a simples mudança de ano traz às pessoas, a equipe da Scot Consultoria não deseja nenhum "milagre" ao setor.

Embora o agropecuarista brasileiro - um lutador por natureza, responsável por 35% da riqueza gerada no país - até mereça, não julgamos que seja correto pedir ou desejar que o destino seja traçado pela sorte ou apenas por intervenção divina.

O que a Scot Consultoria deseja é que o otimismo deste início de 2005 se transforme em entusiasmo. E que o entusiasmo motive todos a agir de maneira pró-ativa, o que possibilitaria atingir o tão almejado amadurecimento da cadeia agroindustrial do leite.

Um feliz Natal e que, nos próximos 365 dias, sejamos capazes de construir um inesquecível 2005!

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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