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Será que o pico de preços está próximo?

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 31/05/2005

3 MIN DE LEITURA

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Ainda na primeira quinzena de maio, informações sobre queda nos preços no mercado "spot" começaram a surgir. Queda no mercado "spot" preocupa especialmente as cooperativas e empresas menores que dependem deste mercado.

Observe o comportamento, em reais nominais, do mercado "spot" nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás.
 


Em maio, os preços do leite "spot" recuaram 2,4%. No entanto, não se trata de um recuo no mercado. Até o presente momento, o que ocorreu foi que as indústrias compradoras não aceitaram integralmente o repasse de 8% nos preços do leite, que as empresas fornecedoras passaram a pedir em abril.

Comparando os preços de maio em relação a março, os valores negociados no mercado "spot" são 5,38% superiores.

No mesmo período, considerando os meses de pagamento do leite, os preços do leite ao produtor, na média nacional, aumentaram 4,75%.

Portanto, esse recuo nas cotações do mercado "spot" ainda não representa indício de virada no mercado. Por ora, não é preocupante.

O que mais preocupa no momento é o comportamento no mercado ao consumidor. De março a maio, os preços do longa vida aumentaram 1,7%. Embora tenha sido registrado um aumento médio de 8% no mês de fevereiro, os preços ainda estão baixos à indústria. O mesmo acontece com outros produtos lácteos.
A cotação do dólar, a mais baixa desde maio de 2002, coloca os atuais preços do leite ao produtor nos patamares mais altos dos últimos 7 anos. Atualmente, considerando o câmbio do final de maio, o leite brasileiro vale, em média, US$ 0,24/litro.

Preço em dólar alto não implica em boas condições aos produtores. Em valores reais, corridos pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), os preços atuais são apenas 3,5% acima dos preços médios para o mês de abril nos últimos 7 anos, e 1,2% inferiores aos preços médios do período de entressafra de 2004.

O câmbio atual, isso vale para todos os produtos, desfavorece a agropecuária brasileira. Mesmo assim, é válido lembrar que dentre as diversas atividades agropecuárias, o produtor de leite é, atualmente, um dos que menos tem por reclamar.

Diversos setores da economia costumam "ler" como exagero a relação da agropecuária com o câmbio. Porém, vale lembrar que a "danada" flutuação do dólar, segundo explicação do Ministro Antônio Palocci, pode trazer tempestades para dentro das fazendas.

O planejamento operacional da produção rural, e a maior parte dos desembolsos, ocorrem durante os meses de chuva: plantio, adubações, ensilagens, coberturas, tratos culturais, etc. Neste período, o câmbio médio, cotação do dólar comercial venda, ficou em torno de R$2,825/US$. Atualmente, o câmbio é 15,22% inferior a esta cotação. Custos altos e preços baixos; esses são os motivos do desânimo que caracterizou os últimos encontros do agronegócio, como a feira Agrishow de Ribeirão Preto (SP), por exemplo.

A valorização da moeda brasileira já refletiu na economia. Segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), os preços de eletrônicos e equipamentos de telecomunicações reduziram-se 15,65% em um mês, de abril a maio. O mesmo deve acontecer com os demais eletrodomésticos e, conseqüentemente, com os alimentos.

A política de alta de juros do Governo traz os resultados esperados: queda na inflação, valorização do salário mínimo em dólares, enfim, sensação de que tudo vai bem na economia.

É um filme que já passou e, provavelmente o final será o mesmo.

Além da pressão da economia, a agropecuária enfrenta a provável mudança na balança comercial e o varejo, que mantém margens elevadíssimas de preços na comercialização de alimentos. O setor produtivo não fica com o dinheiro e não há espaço para reajustes.

Observe o comentário da médica veterinária Gabriela O. Tonini na última edição de A Nata do Leite: "As vendas seguem fracas. E a tendência é que o consumo permaneça inibido no curto prazo. Mesmo com o aumento do PIB brasileiro, e o salário mínimo acima de US$100,00, o consumidor não aceitou repasse nos preços. Na verdade, o preço do leite é baixo ao produtor, baixo à indústria e é alto para o consumidor. Onde está a "mágica" neste cálculo? Está nas margens do varejo. A mussarela, por exemplo, sai da indústria a um preço e chega ao consumidor 80% mais caro."

É preocupante!

O fato é que no curto prazo, a produção leiteira sofrerá maior pressão baixista nos preços. Não é de se admirar que o setor assista uma antecipação dos preços de entressafra.

E também não é de se duvidar que a produção rural amargue um câmbio mais elevado no segundo semestre, novamente no mesmo período que os produtores concentram a maior parte dos desembolsos.

Para o pagamento de junho, produção de maio, os preços tendem a sofrer um leve reajuste, não indicando tendência de alta. O cenário atual é mais para estabilidade nos preços do leite.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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DARCIO PERILLO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/06/2005

Caros amigos do MilkPoint:



Gostaria de saber, se o Panorama de Mercado me informa que o valor do litro de leite pago ao produtor hoje vale U$ 0,24, ou seja, R$ 0,59, porque o laticínio Líder que pagou em maio/05 R$ 0,50 (líquido) o litro e quer pagar agora em 5 de junho R$ 0,47 o litro do leite resfriado em MS (próximo a Nova Andradina)?



Não consigo entender o preço aumentou ou abaixou?



Qual é o preço médio do litro de leite hoje? (descontado o Funrural)



<b>Resposta</b>



Prezado Darcio,



Para chegar no valor de US$0,24/ litro de leite em maio, foi utilizado o câmbio da época, cuja cotação por dólar era de R$2,384. Em reais, o preço médio do leite no Brasil pago em maio, foi de R$0,573/l e não R$0,590/l. Lembrando que a Scot Consultoria divulga preços brutos, ou seja, com frete e impostos.



Pelo leite produzido em abril, com pagamento em maio, o preço médio do leite na sua região foi de R$0,532/l. Valor 7,2% menor em relação à média brasileira. Descontando o frete e o imposto, esse valor fica próximo ao que o senhor recebeu (líquido).



Os valores que os produtores estarão recebendo em junho, saberemos apenas no final do mês. Porém, no levantamento de maio, 100% dos informantes da sua região apontaram, para junho, manutenção dos valores pagos. Mas o mercado é dinâmico e, é claro que algumas indústrias podem mudar a política de preços.



O preço de mercado que divulgamos é coletado junto ao próprio mercado. Procuramos dessa forma informar da melhor maneira possível o cenário vigente em cada região. Nesse aspecto, a oferta de compra de cada laticínio em particular pode variar, para mais ou para menos.



Um grande abraço,



Cristiane de Paula Turco

médica veterinária

Scot Consultoria



CEZAR PIMENTA GUIMARÃES

PONTA GROSSA - PARANÁ - EMPRESÁRIO

EM 08/06/2005

Acredito que teríamos uma posição de produtor de leite menos satisfatória se a série de análise iniciasse em 01 de julho de 1994, deflacionando ou relacionando ao dólar os preços em nível de produtor tanto para sua produção como para os insumos - (gostaria de ver uma análise do Dr. Nogeira nessa série).



Quanto aos preços de eletrônicos e equipamentos de telecomunicações reduzirem-se em 15,65%, era mais do que esperado, pois os mesmos possuem seus preços sempre em dólares. Quanto ao principal da análise, o pico do leite, parece que o mesmo estacionou brevemente na valorização do real.



Gostei da fotografia desse cenário.

Cezar Pimenta Guimarães



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado Cezar,



Obrigado pelo comentário e pela participação.



Acataremos a sua sugestão e faremos a análise considerando os preços em períodos mais longos. Será interessante até fazê-las em ambas as moedas: Real corrigido e dólar. É uma excelente sugestão.



Atenciosamente,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo





RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 04/06/2005

Tudo bem, Maurício?

Pra DPA, o pico do preço já passou, pois recebemos o aviso de queda de R$0,02 já para junho e tendência de queda de mais R$0,02 para julho. Talvez você, e todos, estejam errados... Ou, na verdade, análise feita pela indústria seja de quanto a oferta (inelástica) se reduz com baixa de preço na entressafra, ao invés de, como se comportam os demais determinantes do mercado.



Abraço,



Renato



<Resposta do autor:</b>



Prezado Renato,



Aqui está tudo bem, e por aí?



Quando a empresa informa o seu produtor, ela fala do mês de referência de produção. Isso faz parte de um amadurecimento, mesmo que lento que passa o setor. Nós, na pesquisa de mercado, conseguiremos captar o que realmente aconteceu com os preços de junho apenas em julho. E a perspectiva de preços para junho, a mesma que o senhor coloca em seu comentário, só teremos no final deste mês corrente.



Sendo assim, a questão não é estar certo ou errado, mas estamos nos referindo a períodos diferentes.



Para maio, pagamento de junho, os informantes que temos dos preços da DPA afirmaram que houve manutenção nos valores pagos.



Os preços da DPA são levantados através de diversos produtores, que fornecem para a DPA, os quais ligamos frequentemente. É a única indústria de grande expressão que não fornece informações de mercado para pesquisa, por isso a necessidade de que o levantamento seja feito junto a produtores



Assim, para se chegar ao "mix" de preços da DPA, que os outros laticínios informam o levantamento é mais lento, pois temos contactar produtores de diferentes níveis de produção para compor os valores pagos pela maior indústria captadora do país.



De fato, o senhor tem razão quanto ao que se espera para o pico de preços. Os poucos que se arriscam a falar de valores para o pagamento de julho, produção de junho, falam que estamos atualmente no pico de preços. O produtor já tem essa informação, embora lembre-se que o mercado pode mudar.



Atenciosamente,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo

AMAURI INÁCIO DA SILVA

PIRACANJUBA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 04/06/2005

Discordo em parte deste artigo no que se refere a manutenção de preços em maio. Em Goiás a baixa no mix em média de foi de quatro centavos.



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado Amauri,



Em nosso levantamento, finalizado há duas semanas, 100% dos entrevistados em todo o Estado de Goiás haviam falado em estabilidade.



Neste início de junho, no entanto, realmente apareceram informações relatando possibilidade de quedas nos preços. Só teremos essa informação a partir do dia 20 de junho. Inicialmente, é pouco provável que o preço caia R$0,04/litro na média geral, mas já aconteceu em outras épocas.



Em algumas indústrias, pode ser que ocorra.



Atenciosamente,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo

RIVALDO DE FARIA

TANABI - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 01/06/2005

Achei a matéria muito boa, principalmente a parte da Dra. Gabriela.

Pois muitos produtores não sabendo certo o que acontece, culpa sempre a empreza.

Abraços e obrigados pelo espaço.



Rivaldo de Faria

Gerente do Laticínios V J Oliveira (Queijos Cambiocó)

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