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Produção maior e derivados em queda reduzem preços ao produtor

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARLIZI M. MORUZZI

PANORAMA DE MERCADO

EM 26/10/2009

4 MIN DE LEITURA

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O aumento da produção de leite, com o início efetivo da safra nas regiões Sudeste (SE) e Centro-Oeste (CO), já resultou em queda de preços ao produtor. De acordo com o Cepea-Esalq/USP, em setembro, o preço ao produtor caiu 3,2 centavos por litro, ou 4,1%, com média de R$ 0,7426/litro. O movimento de queda de preços dos derivados a partir do final de julho - mais fortemente puxado pela redução dos preços do leite UHT - também influenciou na queda de preços ao produtor.

Segundo o Índice de Captação do Cepea, o volume captado em agosto foi 4,2% superior ao de julho (apenas 0,9% inferior em relação ao ano passado). Agentes do setor consultados pelo MilkPoint informaram que a produção nas regiões SE e CO está crescendo, mas de forma mais amena quando comparada ao ano anterior - as chuvas fortes e frequentes têm dificultado o pastejo do gado e manejo; no sul, a produção de feno vem sendo prejudicada.

Gráfico 1. Preço do leite ao produtor e variação da captação em relação ao mesmo m~es do ano anterior.

Clique na imagem para ampliá-la.

No setor atacadista, as cotações também não são animadoras. O preço do leite UHT, que despontou entre os meses de março a junho, vem caindo desde julho, oscilando atualmente entre R$ 1,15 e R$ 1,25/litro (com citação de negócios até abaixo de R$ 1,10), segundo as fontes consultadas pelo MilkPoint. Os queijos também mostram queda de preços, influenciada também pela maior produção na região Norte e o aumento das importações - nos meses de agosto e setembro, foram importadas 5,2 mil toneladas de queijos (no mesmo período do ano passado, o volume importado foi de 729 toneladas). A mussarela está sendo vendida, em média, entre R$ 6,50 e R$ 7,00/kg, mas segundo as mesmas fontes, há produto importado sendo vendido abaixo de R$ 6,00/kg. O leite em pó se mantém estável, com valores entre R$ 6,30 a R$ 6,80/kg. O mercado do leite spot (comercializado entre as indústrias) ajustou para baixo os preços para a 2ª quinzena, ao redor de R$ 0,60/litro (na 1ª quinzena, as fontes consultadas falaram em negócios a R$ 0,63 - R$ 0,65/litro).

O que traz uma visão mais otimista para o setor lácteo, neste momento, é o mercado internacional. De julho a outubro, os leilões da Fonterra acumulam alta de 65% nos preços do leite em pó integral, com preço médio dos contratos a US$ 3.022/ton no último leilão. Na Europa, os preços também estão em alta nas últimas quinzenas, com o leite em pó superando os US$ 3 mil. A disponibilidade de manteiga na UE está baixa, puxando fortemente os preços para cima (US$ 4.237,5/ton).

Essa alta de preços nos últimos meses - que surpreendeu muitos analistas que acreditavam em uma recuperação de preços apenas no 2º semestre de 2010 - se deve à retomada da demanda, aliada ao início lento da safra na Nova Zelândia (apesar da produção já ter dado sinais de reação) e desvalorização do dólar americano. Informações do Dairy Industry Newsletter indicam que uma das razões para esses reajustes de preços na União Europeia deve-se à corrida dos compradores em garantir produto para entrega de contratos já fechados, à medida que a produção de leite cai além das expectativas (devido à greve dos produtores de leite).

Gráfico 2. Preços do leite em pó integral no Oeste da Europa, na Oceania e nos leilões da Fonterra, em US$/tonelada.

Clique na imagem para ampliá-la.

Em relação às importações de leite em pó de países do Mercosul, as licenças têm sido liberadas lentamente, e a entrada de leite em pó controlada. Em setembro, foram importadas 6,32 mil toneladas de leite em pó - 42,3% da Argentina (preço médio de US$ 2.470/t) e 57,7% do Uruguai (em média, US$ 2.200/t).

Nesse cenário, se os preços externos se mantiverem nos US$ 3.000/ton ou mais, e as importações controladas, é possível que no final desse ano e no início do ano que vem voltemos a participar do mercado internacional, embora seja fundamental buscar novas alternativas que não a Venezuela, que foi quem fez a diferença para o Brasil em 2008. Nesses preços e câmbio atual, o preço médio de equivalência ficaria entre R$ 0,55 e 0,60/litro, o que permitiria a exportação de leite oriundo de regiões de preços historicamente mais baixos, como o Sul do país.

Com a queda nos preços internos, a aposta agora, talvez, seja esperar que os preços externos continuem reagindo, à medida que a demanda se recupera no mundo e a oferta cresce menos, seja em função do clima na Nova Zelândia, seja em função do desestímulo que finalmente vem afetando a produção. Os preços ao produtor, nos próximos meses, dependerão principalmente dos seguintes fatores: oferta interna; preços externos e importações. O câmbio e a demanda não devem ter grandes alterações, sendo menos influentes na direção do mercado.

Uma possibilidade relativamente plausível nesse momento reside na combinação crescimento moderado da oferta interna e externa ,aliada a amenização da crise no mercado externo e consequente retomada da demanda e, com isso, nova elevação de preços em dólar a partir de março, implicando em um cenário marcado pela volatilidade de preços.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARLIZI M. MORUZZI

Médica Veterinária pela FCAV/UNESP-Jaboticabal.

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BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 11/11/2009

Bom dia a todos;

O que será que nos separa tando do mercado internacional? Porque será que as cotações de leite no Brasil no meio do ano estiveram consideravelmente acima do mercado internacional, e agora no final do ano inverteram essa tendência, apresentando queda enquanto lá fora já são vários leilões de alta. Porque será?

Posso parecer repetitivo, mas o advento do UHT provocou uma concentração de volume nas mãos de poucas indústrias e uma concentração de grandes hipermercados compradores. O resultado disso são alterações de mercado devido a sazonalidade cada vez mais bruscas. É de arrepiar ver um produto cair de 2,80 para 1,05 em sessenta dias, alguma coisa está errada. A impressão que dá é que os elos da cadeia se revezam nos papéis de "refém" e "chantagista" a cada alteração sazonal.

Seria mais ou menos assim: Falta leite, O setor produtivo chantageia o varejo e o consumidor que paga preços estratosféricos por um litro de leite. Ou: Sobra leite, O varejista e os consumidores chantageiam o setor produtivo depreciando os preços à níveis insuportáveis para quem produz.

A verdade é que o número de produtores caiu vertiginosamente, aumentando o volume individual, eficiência sim mas não deixa de ser concentração.
O número de Laticínios caiu vertiginosamente aumentando o volume individual, investimento sim, mas concentação e nesse caso muito devido ao longa vida. A participação de hipermercados na negociação de leite subiu muito. Neste caso, na minha opinião, isso se deve 100% ao advento do longa-vida.
Aí podem dizer alguns: Discurso retrógrado...seria isso?
Seria sim, se o longa vida fosse um produto melhor que o leite pasteurizado, o que comprovadamente não é, perguntem ao Tio Sam e o resto do mundo desenvolvido. Seria sim, se mercadologicamente fosse vantagem deixar de vender grandes volumes no mercado fracionado: para padarias, mini mercados e supermercados de médio porte, e passar esses volumes para os gigantes hipermercados. Mais uma vez está comprovado que não é.

Acho que não podemos nos conformar com os rumos que o mercado está tomando, com essas variações absurdas. Em um intervalo de menos de 60 dias fomos os vilões e os mocinhos da inflação.
É hora de refletir. E que os amigos produtores aguentem R$ 0,40 e R$ 0,50 no final do ano. Acredite, infelizmente vai acontecer de novo.

Sávio Santiago
ROSENBERG OLIVEIRA

FRUTAL - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2009

Olá amigos da equipe milkpoint, parabéns pelo artigo, muito bom, mas não poderia deixar de discordar em partes com o caro leitor de Rio Maria (José Marques) é verdade que os nossos governantes poderiam atuar mais na política protecionista das importações do mercosul, sabemos também que é o governo que mais atuou, porém mesmo assim podia ser melhor. Quanto ao mercado interno dos atacadistas e varejistas que estão deitando e rolando, visto que o próprio artigo menciona que o leite UHT está sendo distribuído no valor de R$1.10 a 1.20. Enquanto chega na mesa do consumidor entre R$ 1.60e 1.90 e em alguns centros maiores, até acima de R$2.00, também a mussarela que foi mencionada, está sendo vendida entorno de R$ 6,00, a 7,00 e chega na mesa do consumidor por R$ 15,00. Há muitos anos que o grande problema está neste atravessador, onde todos estão assistindo e batendo palmas, precisamos como produtores pressionar os governantes e órgãos competentes que tome atitude em relação aos atravessadores.
HOMILTON NARCIZO DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/10/2009

Quando vejo as noticias de leite la fora, especialmente no mercado europeu, os subsidios dados aos produtores por seus governantes, e nós sem nenhum amparo, deixa uma enorme onda de falta de esperança e muito desanimo, pois participei em Goiania,go do Xlll simposio do leite, e quando ouvi de um funcionario da Embrapa, em seu pronunciamento dizendo que os produtores brasileiros èramos previlegiados porque o leite mais bem pago do mundo era o nosso, mas esqueceu de complementar que também os nossos custos eram um dos mais caros pois nos não temos nenhum tipo de subisidio, como os europeus tem.

abraços Homilton
JOSÉ MARQUES

RIO MARIA - PARÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/10/2009

Mais uma vez, um artigo exelente e gostaria de usar esse espaço para infelizmente lamentar a falta de política dos nossos governantes que, em um momento de crise, nada ou muito pouco tem feito para proteger toda a cadeia do leite no país, permitindo assim a entrada de produtos importados, sacrificando indústria e produtor, que acaba penalizado pela falta de políticas definidas para o setor.

A conta é muito simples, mais queijo entrando no mercado, excesso de oferta, redução no preço do queijo (no nosso caso aquí do norte) e consequentemente redução dos preços aos produtores, sufocando ainda mais produtor e indústria, desamparados em meio a um turbilhão de descasos.

Parabéns a toda equipe do MilkPoint.
MilkPoint AgriPoint