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Possíveis explicações para o ajuste de preços em MG e GO

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PANORAMA DE MERCADO

EM 23/06/2008

4 MIN DE LEITURA

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O mercado de leite foi sacudido por um ajuste de preços atípico em um período em que normalmente há elevação dos valores, tanto pela queda de produção no Sudeste e no Centro-Oeste, como pela elevação dos custos de produção pelo maior uso de suplementação e volumoso conservado. O epicentro desse ajuste ocorreu em Minas Gerais e Goiás. Neste último, o leite spot caiu cerca de R$ 0,10/litro e em Minas Gerais os preços ao produtor, para o leite de junho, recuarão algo próximo a R$0,03-R$ 0,04.

Entretanto, é oportuno considerar que esse movimento não é uniforme em todos os estados. A rigor, até agora, apenas MG e GO de fato têm reduções de preço anunciadas. Nos demais estados, se fala em estabilidade ou até alguma elevação. O Conseleite do Paraná, por exemplo, fala em elevação de 1,4 centavo ou 2,35% em relação a maio. No Rio Grande do Sul, apesar da redução anunciada pela Eleva em algumas regiões, na média os valores parecem estáveis, o mesmo ocorrendo em São Paulo. No RJ, a briga entre Parmalat e Perdigão mantêm as cotações elevadas.

O que houve, portanto, em Minas Gerais e Goiás? A indústria desses estados têm sugerido que o movimento nada mais é do que um ajuste de preços em relação a Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que ficaram mais competitivos para acessar o principal mercado, representado por São Paulo.

O gráfico 1 dá uma pista de que de fato, os preços em Goiás e Minas Gerais se distanciaram em relação aos estados do sul a partir da segunda metade do ano passado, depois da forte elevação das cotações em todo o país. Enquanto após o pico, PR, RS e mesmo SP verificaram uma redução significativa nos valores, MG e GO caíram bem menos.

De julho de 2005 a março de 2007, o preço médio em MG era R$,038 por litro maior do que a cotação do PR. De setembro de 2007 até maio de 2008, a diferença subiu para R$ 0,085. Em relação a SP, o preço goiano de julho de 2005 a março de 2007 era R$ 0,022 menor; de setembro de 2007 até maio de 2008, passou a ser R$ 0,04 maior.

O gráfico 2 mostra as duas diferenças (MG-PR e GO-SP). Fica evidente que a perda de competitividade de MG e GO frente a PR (e também RS e SC) e SP. Porém, nota-se que essa diferença já vinha sendo consumida nos últimos dois meses, dando mostras do enfraquecimento relativo em MG e GO já a partir de março.

Porque a diferença entre esses estados subiu no segundo semestre de 2007 e início deste ano? A razão principal provavelmente foi a agressividade de empresas exportadoras, que puderam manter preços mais elevados no final do ano passado mesmo em um ambiente de queda de preços. Hoje, o cenário externo é bem menos favorável; os preços externos estão cerca de 15% mais baixos do que nos picos de 2007 e o câmbio está também entre 15 e 20% pior para exportar.

Outro aspecto relevante foi a forte concorrência na região que engloba Sudoeste Mineiro, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Sul de Goiás, que produzem uma quantidade importante do leite brasileiro, além de reunir muito leite spot, mais sensível a especulação. Além das principais exportadoras Itambé e Nestlé, a Eleva (Perdigão), Italac, Parmalat, Piracanjuba, Embaré e Morrinhos mostraram apetite, acompanhadas por empresas locais, como a CALU, de Uberlândia. A Nestlé, ao passar a captação da fábrica de Ibiá de 400 mil para 1 milhão de litros diários (mudando o mix de produtos da fábrica), precisou de leite. O resultado disso foi a elevação das cotações e um certo descolamento em relação aos preços de outros estados.

Também, aponta-se o crescimento da produção de leite em MG e GO. Há relatos de crescimento entre 15 e 25% na captação de várias empresas, no primeiro semestre de 2008 em relação ao primeiro semestre de 2007 que, diga-se de passagem, foi um semestre de baixo crescimento, muito diferente do segundo semestre de 2007. Esse crescimento, conforme já comentado em artigos anteriores, não foi acompanhado pela elevação das cotações do longa vida, pó e condensado no atacado. Ainda, Goiás perdeu os 2% de isenção de ICMS que tinha e, com isso, o final da campanha de marketing de leite, que ajudava a consumir o excedente goiano.

Para complicar, São Paulo passou a recolher 18% de ICMS sobre o leite UHT que vem de fora, o que piorou a competitividade desse leite. Provavelmente, a recuperação dos preços em São Paulo (veja novamente o gráfico 1), praticamente se equivalendo a MG e GO, se deve a isso, ainda que nao se possa provar e que, especula-se, parcela importante do varejo (por exemplo, o pequeno e médio varejo) não esteja aplicando a legislação até por desconhecimento. De qualquer forma, São Paulo deve voltar a ter o maior preço do país, como ocorria até meados do ano passado. No caso de MG, um fator adicional: o leite cru passou a recolher os 12% de ICMS para transitar para SP, sendo mais um fator a dificultar a competitividade do leite mineiro.

Essa é a explicação da movimentação atual. É difícil a previsão futura. Há quem especule que as quedas continuarão, contaminando outros estados, outros acham que o ajuste é pequeno, dependendo de uma pequena redução da oferta, que seria suficiente para estabilizar os preços. Mercado externo e crescimento econômico interno são também variáveis relevantes nessa equação.

A palavra de ordem continua sendo cautela, tanto para produtores como para a indústria. Com novas plantas sendo construídas, com preços recorde de vacas (aliás, é provável que a falta de animais será um gargalo que teremos em breve) e custos nas alturas, um tranco muito forte vai resultar em escassez de leite no ano que vem. Para o produtor, é fundamental manter-se informado e controlar custos, dentro do possível.

Gráfico 1. Preços do leite ao produtor nos principais estados produtores.


Gráfico 2. Diferenças entre as cotações entre MG-PR e GO-SP.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/07/2008

Prezado Sr. Marcelo

Como sempre, brilhante e sensata sua análise sobre o mercado de leite em Minas e Goiás. Às vezes o senhor não nos dá a informação que queríamos, mas infelizmente a realidade hoje não é nada agradável a nós, produtores de leite. O ano passado teve um reajuste de 40% em relação a junho de 2006, esse ano o reajuste foi de 10%.

A recuperação de preços que tanta euforia trouxe a nós, produtores, se foi. Os preços pagos hoje mal cobrem os custos de produção. Na verdade, o sonho acabou e quem quiser continuar nessa atividade deve ter os pés no chão e seguir fazendo uma análise fria e realista sobre as verdades do mercado e da política para a agropecuária brasileira.

Lucas Aguiar
EDMILSON

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2008

Marcelo, Boa Noite.

Concordamos plenamanete com suas observações quanto a necessidade de grande cautela e controle rígido dos custos para mantermos na atividade até possível melhora, a qual não temos certeza que virá no curto e médio prazo.

Mas, em sua matéria, outro assunto me deixou bastante instigado: ("aliás, é provável que a falta de animais será um gargalo que teremos em breve").

Poderia comentar com maiores detalhes e dados esta preocupação, pois acho que esta possível falta de reposição de vacas leiteiras poderá ser mais um grande vilão ou uma ótima oportunidade para nós produtores de leite. Para isso, teremos que nos programar e planejar com certa antecedência!

Abraço e bastante reflexão a todos Produtores de Leite.

<b> Resposta do autor</b>

Caro Edmilson,

Obrigado pela carta. Acho que com a arroba valorizada, se o preço do leite cair muito, o que vai ocorrer é um abate de vacas e cobertura de muitas vacas com touros de corte, como ocorreu no passado, podendo gerar um novo ciclo de oferta em menor crescimento.

Abraço
CELSO MAYER BUENO

TOLEDO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/07/2008

Boa noite! Vejo que a unica maneira do pequeno proutur continuar na atividade é a união da classe, em função disso, em Toledo, PR, há 4 anos fundamos a Associação dos Produtores de Leite, com o objetivo de diminuir os custos na produção de alimentos nas pequenas propriedades do municipio, já que nossa produção média por propriedade é de duzentos litros/ dia.

Também foi criado, através da secretaria de agricultura, um programa de melhoramento genético, e o município já tem 26 condominios de inseminação artificial, sendo que o municipio de Toledo, em menos de sete anos, passou de nono lugar no ranking nacional para o terceiro no ultimo ano. Esse é o exemplo de que a união faz a força.

Marcelo, em nome dos produtores de leite de Toledo, venho agadecer a sua preocupação pela permanência do prudutor no campo. Um abraço e continue lutando pelo produtor.
PEDRO LUIZ NUNES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/07/2008

Caros editores,

Fomos informados ontem sobre nova queda de preços patrocinado pela maior cooperativa do país, de 3 centavos. Fico com pena de mim mesmo e de todos pobres produtores de leite deste pais, pois não temos o direito de planejarmos nossa atividade e sequer sonhar.

Somos aviltados por um mercado cartelizado, descompromissado, imediatista, irresponsável e que sob o menor sinal de aumento de oferta, achata o valor do nosso produto, como se fôssemos descartáveis. Como defensor do cooperativismo, sinto-me derrotado. É incrivel como nossa felicidade não pode durar mais que alguns meses.
BEATRIZ MARTINS RIBEIRO FERDINANDES

ARAPONGAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 01/07/2008

Boa noite! Estamos mais uma vez preocupados com os preços. Primeiro parabéns pelos produtores que estão preocupados pela falta de união da classe, temos que mudar nossas atitudes urgente. Todas indústrias fazem reuniões para terem limites de territorio, para discutir os preços, para nao tirar os produtores de uma industria para outra, etc; e com isso fazem um cartel.

Se a indústria não pode abaixar sua margem de lucro, nós também não podemos, porque estamos no mundo globalizado que está inflacionado. Tudo que estamos comprando esta subindo todos os dias. Quem tinha que dar o preço do leite final é o produtor; ele sabe qual é o custo e para isso todos nós temos que nos unir. As redes de supermercados foram as que mais cresceram, uniram-se para ter poder de compra para abaixar o custo e com isso aumentaram sua margem de lucro. Temos que nos unir para que aconteça isso com nós.

Parabens Marcelo pela sua matéria. Produtores, está em nossas mãos a mudança.
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/06/2008

Caro JOSÉ HUMBERTO

Realmente acho que deveria procurar um piscólogo, porque em momento nenhum citei que a tal "mania de perseguição" era sua.

Talvez por esse comentário seu, um profissonal ligado à psicologia detectaria que o problema esteja começando a fazer parte de seu perfil psicológico. Não tenho absolutamente nada contra você, só não concordo com algumas colocações mirabolantes que tem feito nesse debate.


<b>Caros José Humberto e Sávio,

Acredito que tivemos uma discussão oportuna em torno da movimentação dos preços de leite, cada um com uma experiência diferente, fruto de uma realidade igualmente distinta.

Entendemos que nos aprofundarmos em aspectos pessoais, não relacionados ao tema em questão, nada mais acrescentará ao debate. Assim, o MilkPoint não publicará mais cartas sobre esse assunto que não estejam diretamente relacionadas ao tema da notícia.

Um cordial abraço,

Marcelo</b>

ROBERTO ANTONIO PINTO DE MELO CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/06/2008

Prezado Marcelo: meu abraço e parabéns pela análise. Tantos já deram suas válidas opiniões, resta pouco a considerar. Recorro à sabedoria popular; "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe." Os bons preços de meados de 2007 animaram todo mundo, a produção aumentou, os preços de vacas subiram. Isso é natural e os ciclos se repetem há muito tempo.

Fatores "novos", ou melhor, "do momento", voltam a perturbar: escaramuças tributárias de SP e MG fazem sobrar leite em MG. Clima particularmente favorável no fim do outono e início do inverno no sudoeste e Triângulo mineiros mantém a oferta elevada. A curto prazo a "reação" dos produtores virá de menor produção em face de entrada da seca e do preço alto do concentrado. A médio prazo, o absurdo aumento do preço de fertilizantes (especulação com petróleo) vai pesar muito no custo para o próximo ano: então, ou teremos preço ou não teremos leite suficiente; portanto, teremos preço, em face da demanda global que incentivam investimentos da indústria.

Tendo preço, vamos ter produção e, se crescer muito, o preço cai. Resumindo, "a mão invisível do mercado" tratará de ajustar as coisas, com episódios intercalares de desajustes e sobressaltos. Produtores devem ter atenção permanente e ações adequadas, oportunas e flexíveis , para evitar ocorrência de prejuízos contundentes, desestimulantes ou até incapacitantes.
Abraço e sucesso, nessa sua cruzada importantíssimas para o setor.
Roberto
ALEXANDER NEVES ZUQUIM

ARCOS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/06/2008

Marcelo,

Parabéns pela reportagem, oportuna e esclarecedora.
Abraço
CARLOS FERNANDO SILVEIRA BUENO

MOGI GUAÇU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2008

Caros Amigos produtores de leite de vaca.
Que atividade nobre é essa nossa não é mesmo? Eu ainda criança ouvia meu pai recolher o gado, algumas vaquinhas, pouquinho leite 50/70 litros dia, ordenhá-las, manualmente claro, mas no escuro ainda, porque tinha que levar longe, pois o laticinio passa lá e não cá.
Um dia disse a ele: pai deixa essa atividade, ninguem olha para a gente, ninguem dá importância, ninguem se junta para fortalecer e impor algumas condições, temos que dizer amém para o que querem pagar para o nosso leite, quando pagar e para receber tinha que viajar quilometros.

Fui embora, lutei com a vida em outras atividades, ganhei dinheiro, estudei, fiz minha faculdade e depois de 30 anos de uma semana para outra me vi no meio de um montão de vacas holandêsas, produção de 30 a 35 litros dia/cada e numa produção de mais de 1.500/ dia. Que beleza, mas hoje mesmo li noticias que haverá redução no preço do leite e pela minha surpresa mais a tardinha recebi uma informação de que a partir de primeiro de julho haveria uma redução de R$0,10 por litro pago ao meu leite, pensei um momento e me perguntei: a quem devo recorrer, a quem devo me juntar para me defender dessa infame noticia, eu que acabo de investir em instalações, em animais de primeira qualidade, treinamento de meus colaboradores, etc. etc. e etc.

Ai pensei e disse para mim mesmo, tantos anos se passaram e parece que estou me vendo e vendo meu pai a 30 anos atrás, diante de uma noticia parecida a essa de hoje, só nós restava ficar com as calças na mão, curvar-se para frente e dizer amém.

Amigos produtores de leite, estive recentemente percorrendo o interior de alguns paises Europeus tradicionalissimos produtores de leite e ví o quanto são unidos e respeitados, afinal de contas produzimos alimento e de grande importancia na mesa de qualquer brasileiro, vamos nos unir de verdade, vamos levantar nossa bandeira branca simbolizando o leite e exigir um preço justo e que tenha paridade de reajuste com o alimentos que nossas vacas precisam e merecem, com os medicamentos que nossas vacas e rebanhos leiteiros precisam e merecem, vamos dizer aos que nos querem botar preço e condições guela abaixo que temos força e sabedoria para dizer que só queremos um preço justo e compatível para que nossa atividade possa crescer, ter qualidade, ser competitiva e que possamos dar ao nosso rebanho leiteiro comida, medicamento e qualidade e não pensar de primeira "vou acabar com elas ou pegar as calças na mão", curvar-se para frente e dizer amem.

Abraços a todos amigos produtores de leite de vaca.
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2008

Boa Noite Marcelo.
Acabei de mudar de idéia em relação ao mercado externo e outras coisitas. Ainda não tinha lido o artigo da página inicial do site. A estatística do IBGE.

O título não me chamou a atenção, já estava indo embora do site quando resolvi lê-lo. Resumo: 9,2% de aumento na captação em relação ao 1º trimestre/07 e queda de 1,1% em relação ao 4º trimeste/08.

Pasmem: aumento da comercialização de leite in natura de 10,8%; aumento do faturamento de 49,6%
aumento do preço médio da tonelada de U$1.733 contra U$1.283 ou seja 35,1%. Leite em pó 25,6% de aumentono volume e 140% em faturamento. Alerta o artigo: os dados ainda são preliminares.

Significa que os valores devem ser maiores ainda para o primeiro trimestre de 2008. Pergunta-se: e nós?

Não há justificativa plausível para a redução do preço ao produtor. "Se" nada resolve, mas se fossemos unidos e bem representados, os captadores do nosso leite teriam que explicar muito bem o que está acontecendo. Se as galinhas dos ovos de ouro morrerem quero ver o que farão. (a Argentina já tem um bocado de fazendas fechadas há muito tempo, por inviabilidade econômica).

Temos que reagir a isto, alguma coisa está muito errada, os números da matéria são de órgãos oficiais, imaginem quanto os laticínios não estão ganhando! E nós?

Marcelo, entre no assunto, comente-o com sua visão privilegiada da área. Fiz apenas um comentário de leigo, precisamos da sua análise técnica. Obrigado, boa noite.
Lucas Spadano
MÁRIO CORREIA DA SILVA

UBERABA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 27/06/2008

Mais uma vez o mercado se aquece, e quem fica por baixo, o pecuarista, justamente pelo o que o Sr. Renato Calixto Saliba disse: "nós produtores não somos organizados". Além dessa desorganização, ainda tem um grande fator que muitos dos produtores ainda não vêem, que é a mão de obra especializada dentro da fazenda. Porém, mesmo assim fica difícil de trabalhar. Como que faz hoje uma compra de adubo para fazer o plantio de milho para ensilar neste próximo ano? e olha que estamos apenas em Junho e já há preço aproximadamente de R$ 1.600,00 de um N,P,K.

De algum modo, teremos que estabelecer uma força, uma pequena associação em cada cidade ou região, na qual terá poder de barganha, afinal "uma andorinha só não faz verão".

Sr. Marcelo Pereira, muito esclarecedor seu artigo, e mais, temos que ficar atendo nas noticias, afinal, são elas que mostram o que esta havendo no mercado.
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2008

Boa tarde Marcelo. Parabéns novamente por mais esta matéria de cunho importantíssimo.

A carta do Elio, mostra uma parte da realidade de MG, muita gente entrou no negócio leite por mera especulação, ora, como já foi dito, a lei de oferta e procura é inexorável. As condições atípicas climáticas em Minas, com chuvas até poucos dias atrás, em algumas regiôes, ajudaram na manutenção da produção, pasto em boas condições etc., mas o frio vem chegando com força e a maioria das pastagens estão acabando. Na minha região o processo de redução da produção está em pleno andamento, com o preço de captação aquém da expectativa, só quem não tiver juízo vai tentar manter a produção via suplementação, ração e subprodutos.

O negócio é partir para cana, capineira e pronto. Não se pode esquecer do sal. Custo baixo para enfrentar a situação. Posso estar errado, mas lá para agosto, setembro, vai ter laticínio correndo atrás de produtor de leite. Nitidamente, trata-se de uma acomodação do mercado, tendo em vista o volume de aquisições realizadas; as grandes captadoras estão se estudando, estão sintonizando o mercado, mas não acredito em cartel, elas teriam muito a perder, não existe mercado cativo.

O que nós produtores temos a fazer é promover a união da classe e nos ajudarmos na busca de soluções viáveis para a produção de leite.

O Milkpoint tem sido de enorme valia e pode ser o embrião desta união tão propalada, mas tão difícil de ser realizada. A especulação dentro da área pode ser vista nos canais de leilão, tem gente pagando 5.000,00 por vaca de dez anos e até mais, juízo é bom, tem gente que chegou agora e está ajudando muito na queda do preço da captação, para satisfação dos captadores.

O mercado está ruim do ponto de vista externo, o dólar não ajuda na exportação, mas tudo isto está sendo usado para forçar a baixa do preço pago ao produtor. Ora, mas este mercado não é o nosso e sim dos grandes laticínios que estão nos jogando em uma briga que é deles. Porque eles não se juntam e não procuram, através de promoções, propaganda edivulgação, aumentar o consumo interno? Aliás, consumo per capita ridículo! Mas, os "leiteiros" não têm representatividade.Nós temos que trabalhar a idéia de união, para evitar que o problema externo nos afete.

A produção de leite tem que se profissionalizar, nós produtores só seremos respeitados se nos profissionalizarmos, quer do ponto de vista da produção em si, quer do ponto de vista de representação, temos que ter uma câmara setorial criada por nós e não por políticos, para que possamos discutir Brasil afora o que é preciso ser feito, como nos organizarmos setorialmente. Vamos lá, vamos nos mexer, quem quer faz a hora, não espera acontecer.

Um abraço a todos, especialmente ao Marcelo que está virando um líder de primeira.
AGENOR TEIXEIRA DE CARVALHO

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2008

Marcelo,
Concordo plenamente com sua análise.
Quero acrescentar que na "minha opinião" o maior fator que influenciou nesta baixa por aqui (MG), foi a questão da exportação. Um de nossos maiores compradores é a Itambé, que hoje ocupa um significativo papel das exportações do país. Por se tratar de uma "Cooperativa" ela sempre foi reguladora de preços para cima, fato que hoje se torna mais difícil por agravantes como: queda nos preços no exterior, em torno de 15%, desvalorização do dólar e aumento de produção na casa dos 20%.

Imagino que este cenário poderá começar a reverter assim que a nossa produção diminuir devido a fatores climáticos e mesmo a baixa que aparece como um desestimulador para os produtores.
JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2008

Dr. Marcelo:
Vejo que há fundamento (fiscal) no movimento baixista das regiões citadas. Confesso que seu artigo foi muito esclarecedor e o parabenizo (redundância).

Agora, o seu leitor - Sávio Santiago - continua afirmando que tenho "mania de perseguição", o que já esclareci em outra oprtunidade, afirmando da minha frustração em não termos força contra as estratégias pouco éticas da indústria.

Já que existe essa análise "psicológica" por parte desse produtor/industriário de leite, gostaria de encerrar essa polêmica, relevando(vou usar um termos técnico em psicologia) essa bipolaridade do meu aparente antagonista de Resende.

José Humbero (só produtor de leite)
JOSÉ RICARDO VILKAS

ANGATUBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2008

Bom dia a todos!

Aqui de São Paulo também vejo a chuvinha fria citada pelo Sr Paulo Fernando e concordo que com o fim do capim é muito provável que a produção vai cair.
Um teste fácil conto a vocês: a prefeitura de nossa cidade pega leite dos pequenos produtores, coisa de 800 litros/dia. Não sou grande nem pegueno, mas em prol das crianças na escola, quando falta lá, eles pegam leite aqui. Em março começou com 300 litros a cada 3 dias. Agora são 400 todos os dias, e acho que com a chegada das geadas e da chuvinha fria, essa quantia vai aumentar.
Fica assim comprovado tal dano ( ou alegria) da chuvinha!

Ricardo Vilkas
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2008

Olho para o lado de fora aqui na Córrego da Serra ( Santa Isabel do Rio Preto, RJ) e vejo esta chuvinha fria, que a vaquinha não gosta. Vejo a cotação dos fertilizantes para adubar os piquetes e canaviais e levo um susto. Uréia a R$ 80,00 o saco?

Este produtor aqui, modestamente, acha que a produção vai diminuir muito nos próximos meses. Os safristas de plantão, como algum leitor do MilkPoint já mencionou, sem capim, vão desaparecer muito em breve.

Com a disputa dos laticínios pelo mercado, não creio em queda de preço para os produtores, nos próximos 4 meses.

Paulo Fernando.
ANTONIO PAULO DE ARRUDA

RONDONÓPOLIS - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2008

Parabéns Marcelo!

Eu apenas gostaria de acrescentar o meu estado como mais um em que se teve um decréscimo na ordem de R$ 0,04 a R$ 0,05/l.

Espero não ter mais surpresas desagradáveis como essa, de agora em diante, pois preciso fazer mais investimentos em minha propriedade e se o preço do leite diminuir mais, não vai dar.
Um forte abraço!
RENATO CALIXTO SALIBA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2008

Senhor Marcelo,
Boa tarde, parabens pela matéria.

Vejo duas situações que podem acontecer:
1) os grandes laticínios que já existiam e os novos que compraram vários laticínios podem começar a brigar entre eles por leite e o preço ficará estável ou poderá ter pequena alta;
2) a formação de cartel fica evidente com a diminuição da concorrência, uma vez que novas empresas e as antigas fizeram incorporações de vários laticínios. Suspeito que quando passar essa guerra , eles farão valer a força do cartel e irão impor os seus preços aos produtores e como não somos organizados teremos que nos curvar perante aos poderosos.
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/06/2008

Bom dia Sr Marcelo;

Mais uma vez parabéns por sua análise;

Gostaria de ponderar sobre os motivos dessa tendência de baixa momentânea.

É fato que a política tributária protecionista de São Paulo e a "aparente" retaliação de Minas Gerais, que não atingiu só o Estado de São Paulo, causaram uma reação negativa imediata no mercado. Porém existe muita especulação na compra do leite motivada pelo número incomum de aquisições de indústrias de laticínios.

Alguns laticínios em fase de negociação de venda de seus ativos criaram uma alta de preços irreal no mercado, visando um aumento na captação e, por consequência, valorização de seu ativo em virtude do aumento no faturamento.

Porém, acho que o que está acontecendo é fácil de explicar: uma supervalorização do leite na captação frente aos preços de venda "frios" e desvalorizados de produtos finais (principalmente UHT e leite em pó). Os ajustes serão necessários para equilibrar a balança.
A realidade é que o mercado todo terá que se ajustar e não só Minas e Goiás. Prova disso é a colocação de que a Eleva anuncia baixa em Rio Grande do Sul e a Perdigão (que é a mesma empresa) mantém o leite do Rio de Janeiro com preços elevados diante a disputa por produtores com a Parmalat. A hora que a briga diminuir no Rio de Janeiro a Eleva e a Parmalat naturalmente terão que se ajustar.

Quanto aos comentários de alguns produtores em outras matérias de que haveria uma "conspiração" ou um "golpe", continuo afirmando: a concorrência atual acirrada, entre laticínios, por leite é a maior prova de que isso não passa de "mania de perseguição".
Sou produtor de leite e também me preocupo com momentos em que o mercado se desvaloriza, mas sempre tento resolver da porteira para dentro, sendo cada vez mais eficiente e tornando minha atividade por consequêcia mais rentável.

O mercado é complexo e temos que ser parceiros na cadeia produtiva para suportar essas alterações que cada vez têm sido menos reguladas pela sazonalidade do produto.

Um abraço a todos;
Sávio Santiago
ELIO QUIRINO DA SILVA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/06/2008

Marcelo, parabéns pela matéria!!

Eu acho que você acertou em cheio no seu comentário sobre a redução do leite aqui em Minas. Mas acredito que a lei da oferta e procura ainda teve o maior peso nesse cenário, visto que a produção de leite na nossa região aumentou muito. Muitos aventureiros de plantão voltaram ao negócio, aliado também à melhoria do plantel de vacas de produtores tradicionais. Eu até havia escrito uma carta sobre essa redução ao Milkpoint, visto que não tinha visto nada sobre o assunto em nenhum veículo de comunicação que tenho acesso. Ficamos sabendo direto da indústria que compra o nosso leite.

Talvez esteja aí a resposta de tanta confusão quando vocês noticiaram aquela redução há duas semanas atrás. Bem, o importante é que isso já é fato consumado e precisamos é ajustar os nossos custos e manter a cautela como você havia recomendado no mês de maio e eu não esqueci, apesar de não ter gostado desse cenário que se desenhou!

Um grande Abraço!
MilkPoint AgriPoint