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Para onde o mercado aponta!!

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 19/02/2004

2 MIN DE LEITURA

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Ao final de 2003, a expectativa de comportamento dos preços do leite aos produtores era de aumento a partir dos primeiros meses do ano. Mesmo após o estouro da crise da Parmalat, os agentes de mercado continuaram acreditando em recuperação nos preços do leite logo nos primeiro meses de 2004.

Nos levantamentos de mercado, o índice de pesquisados que acreditavam em aumento nos preços passou de 1,4% para 11,84%, indicando o início de uma tendência positiva para os preços do leite. As opiniões dos outros 88,16% dos entrevistados se dividiam igualmente entre a tendência de queda e estabilidade nos preços.

Porém, a reação nos preços ao produtor depende do mercado final, dos preços que a indústria recebe. Se o mercado reagir lentamente, os preços aos produtores também tendem a subir de maneira mais lenta.

Nos primeiros meses quatro meses do ano, no acompanhamento do mercado de 1999 a 2003, os preços do leite longa vida no atacado aumentaram, em média, R$0,15/litro ou 19,4% em valores nominais. Observe esta evolução dos preços nas tabela 1 e figura 1.
 

 


Mesmo em 2003, ano em que se registrou os aumentos menos expressivos, os preços aumentaram outros R$0,06/litro do longa vida no atacado em maio.
Para 2004, a reação nos preços também é esperada. Essa reação normalmente ocorre nos meses de fevereiro e março por ocasião do período de volta às aulas.

No entanto, em 2004 dois fatores depõem contra os patamares que os valores deverão atingir. O primeiro é com relação ao consumo final, que já vinha enfraquecido desde o segundo semestre de 2003; e o segundo se relaciona com a própria questão da Parmalat.

Enquanto o mercado se ajusta, ainda há muito leite sendo colocado no mercado a preços baixos.

Diversas indústrias, que esperavam melhores remunerações em fevereiro, anunciaram ter que praticar novas reduções nos preços do longa vida para continuar colocando produtos no mercado.

Embora este fato ainda tenha que ser confirmado pela pesquisa final, a ser completada no final de fevereiro, a presença de longa vida a preços de R$0,98/litro em diversas prateleiras de supermercados corrobora com a afirmação de que esteja ocorrendo esta pressão.

O mercado ainda está se reajustando. Se por um lado a crise da Parmalat abalou todo o cenário, por outro, o cenário, até o momento, indica que a situação se estabilizará mais cedo do que se acreditava as análises mais pessimistas.
Em valores reais, com a inflação acompanhada pelo índice IGP-DI da FGV (Fundação Getúlio Vargas), os valores atuais do longa vida são os mais baixos dos últimos cinco anos.

O atual R$1,08/litro se aproxima apenas dos R$1,09/litro do longa vida registrado em dezembro de 2000, ano em que os preços do longa vida haviam "despencado" 44% de julho a dezembro. Observe a evolução dos preços, em valores reais, nos últimos cinco anos na figura 2.

 


Em média, no período analisado, o valor real - considerando a inflação - do longa vida no atacado foi de R$1,35/litro.

Este valor corresponde a um preço médio entre R$1,52 a R$1,59/litro ao consumidor. Se o preço do longa vida tivesse apenas acompanhado a inflação pelo IGP-DI nestes últimos anos, o preço pago pelo consumidor estaria em torno de R$1,55/litro, quase 30 centavos acima do atual preço médio do produto no varejo.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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FERNANDO G. RODRIGUES

RESENDE - RIO DE JANEIRO

EM 05/03/2004

Lembre que há tempos houve uma perseguição ao leite "barriga mole" o que deve ter sido orientado e patrocinado por algum 'mafioso' destruindo este mercado que passou das padarias para supermercado!

TEMOS QUE REVETER ESTE QUADRO.

Lembre que no Vale do paraíba (médio) uma multinacional retroagiu e manipula o preço do produto, pouco importando com conseqüências, mesmo tendo uns dos melhores e mais fáceis comércios do país.

<b>Resposta do autor</b>:Prezado senhor Fernando,

Obrigado pela participação!

A sua observação sobre os fatos do mercado é correta; sua colocação quanto à necessidade de produto de qualidade ao consumidor é incontestável. Porém, mesmo assim, eu gostaria de discutir alguns pontos.

Sim, existe fraude e, como em qualquer outra atividade, existe muita gente de má fé trabalhando com longa vida. No entanto, não entrarei nestes méritos, pois cabe a entidades competentes investigar, julgar e punir os que agem desqualificadamente. Por isso, vou manter a discussão nos quesitos qualidade e mercado.

O leite brasileiro, apesar de estar melhorando consistentemente nos últimos anos, ainda não é de boa qualidade. Existem inúmeros dados que corroboram com esta afirmação. Sendo assim, não é o processo de fabricação do longa vida que mina a qualidade do leite, mas sim a própria matéria prima. O processo UHT permite que um leite de pior qualidade dure 5 meses na prateleira, sem refrigeração, mas não é o processo em sí que torna o leite ruim. Não sou especialista em processos industriais, e confesso estar pisando em terreno que conheço pouco, mas pelo que sei, as perdas de características nutricionais do alimento no processo UHT são maiores que as que ocorrem na pasteurização.

Porém vamos avaliar sob outra ótica. Lembra-se do leite pasteurizado quando a matéria prima era de má qualidade? Muitas vezes, o leite comprado pela manhã estava azedo a tarde. E mesmo que não estivesse azedo, qual era a qualidade de um produto em vias de azedar?

O longa vida alterou esta situação e, como o nome diz, deu vida longa a um produto que durava pouco. Aí vieram as aflições para os produtores, pois esta característica do longa vida também abriu espaço para bacias distantes participarem do mercado de leite fluído.

De todo este assunto, o mais importante de tudo, quando se trata de longa vida, é a preferência do consumidor. Eu realmente discordo da visão simplista de que o consumidor foi enganado. Houve sim um trabalho de marketing, muita propaganda e o longa vida tomou seu espaço. Porém, não há marketing de sucesso em que propaganda seja independente de qualidade. O consumidor pode até ser enganado, mas não por muito tempo.

No caso do longa vida, outros atributos de qualidade foram percebidos pelo consumidor, como por exemplo, a praticidade e a padronização. Por incrível que pareça, no mundo de hoje estes são dois dos atributos mais procurados pelo consumidor.

Aliás, o próprio crescimento dos supermercados nas vendas de alimentos são fruto desta busca por praticidade por parte do consumidor. Isso ocorreu no mundo todo.

A qualidade que o senhor se refere é a qualidade organoléptica intrínseca do leite. Neste sim, o longa vida perde para o pasteurizado por algumas razões, das quais destaco duas principais: Primeiro, pela qualidade da matéria prima do leite brasileiro, independente de ser longa vida, queijo, iogurte ou pasteurizado. Segundo, com o amplo espaço tomado pelo longa vida, a parcela do mercado destinada ao leite pasteurizado ficou menor. O leite, na maioria dos casos, destinado à pasteurização é o de melhor qualidade na indústria. Como reduziu a demanda, e a qualidade vem aumentando gradualmente, é mais fácil colocar um produto de melhor qualidade ao consumidor. Existem cooperativas produzindo leite pasteurizado que chega a 9 dias na vida na geladeira.

Eu compro leite pasteurizado e há muitos anos não vejo leite azedar. A qualidade melhorou.

Concordo na necessidade de reverter a situação, mas talvez não da forma que o senhor se referiu. O setor tem que tomar medidas para que o consumidor perceba a qualidade intrínseca do produto, busque qualidade e pague por ela. Assim, o setor entra num círculo virtuoso de aumento de qualidade, aumento de demanda e aumento de receita. É bom para todos, inclusive para os produtores de longa vida. Esse é o caminho. Reverter não é voltar ao que era o mercado de alguns anos atrás. Dificilmente o consumidor voltará a consumir, em peso, o barriga mole, assim como aconteceu com a garrafa de vidro na década de 70, quando o próprio barriga mole tomou seu espaço.

Em mercado, deve-se olhar para a frente, inovar e melhorar o produto e a apresentação. Olhar para trás só tem lógica se for para entender os fatos que nos trouxeram ao presente.

Por fim, gostaria de deixar bem claro que não é minha intenção defender ou atacar um produto no mercado. Minha função é relatar o que está havendo e analisar as possibilidades. Por ser pragmático, uma necessidade para quem trabalha com mercado, já fui acusado, neste mesmo espaço, de ser pago pelas multinacionais para defender o longa vida.

Não há como defender um produto, pois quem julga é o mercado. Se sou a favor ou contra, o único momento em que posso expressar minha preferência é na compra do que levo para minha casa.

Atenciosamente,

Maurício Palma Nogueira
engenheiro agrônomo
MilkPoint AgriPoint