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Para analisar o negócio leite

POR PAULO DO CARMO MARTINS

PANORAMA DE MERCADO

EM 02/05/2005

4 MIN DE LEITURA

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Todo produtor de leite deve ter o seu olhar em três dimensões: a sua propriedade, os mercados de insumo e de produto e o Governo. Quem se dedica somente à sua propriedade e não olha para fora dela, dificilmente terá futuro na atividade. O inverso também é verdadeiro, ou seja, é impossível ser bem sucedido na atividade sem ter olhos apurados para o que passa dentro dela. Nesse caso, como medir a eficiência da sua propriedade?

Em Janeiro deste ano travei uma instigante conversa com o Dr. Jacques Gontijo, Vice-Presidente Comercial da CCPR, quando ele me fez, como Chefe-Geral da Embrapa Gado de Leite, um desafio: encontrar indicadores que possibilitem aferir se uma propriedade apresenta desempenho eficiente. E, acredite, essa não é uma tarefa fácil. O primeiro ponto a solucionar diz respeito ao conceito. Embora bem sedimentado em termos teóricos, eficiência pode ser analisada sob a ótica econômica e técnica. O que traz conflito é que nem sempre uma propriedade leiteira tem eficiência técnica e econômica ao mesmo tempo. Eficiência técnica significa produzir o máximo possível com a melhor combinação de insumos. Já eficiência econômica significa combinar os insumos de tal forma que se obtenha o melhor retorno econômico possível.

Sou daqueles que entende ser muito importante a busca incessante e contínua pela melhoria da eficiência técnica. Mas, o objetivo mesmo, tem de ser a eficiência econômica. O pai da ciência econômica - Adam Smith, há mais de 200 anos atrás e olhando para a realidade da Escócia, cunhou uma imagem que eu considero definitiva. Para ele, um produtor de leite não levantava às 4:00 hs. da manhã, mesmo sob o rigoroso inverno escocês, simplesmente porquê queria produzir muito leite, ou muito menos porquê queria assegurar que os filhos do médico ou do alfaiate cresceriam com bochechas róseas, ao consumir leite. Para Smith, o produtor de leite escocês gostava mesmo era de si e de sua família. E, para assegurar que seus filhos iriam crescer saudáveis e de bochechas róseas é que ele se submetia ao penoso trabalho de cuidar das vacas e delas retirar o produto que lhe assegurava adquirir tudo - ou quase - necessário para o bem-estar de sua família.

Portanto, tecnologias que assegurem aumento da produção de nada adiantam se não asseguram aumento de ganhos para o produtor, ou seja, o que se deve buscar, ao fim e ao cabo, é a eficiência econômica no processo produtivo. E é isso que explica, em grande parte, porquê uma série de técnicas desenvolvidas por pesquisadores não são adotadas por produtores. Quando uma tecnologia reduz custo, reduz risco e é de manuseio compatível com as condições sócio-econômicas do produtor, esteja certo, é como aquele velho ditado popular: fogo acima e morro abaixo... ninguém segura.

Mas voltando ao assunto do desafio posto, ou seja, encontrar indicadores fáceis de serem calculados, que permitam aferir eficiência econômica na atividade leiteira. Formamos um grupo seleto, com a participação do próprio Dr. Gontijo, do renomado Prof. Sebastião Teixeira Gomes e dos pesquisadores da Embrapa Gado de Leite Luiz Carlos Takao Yamaguchi e Arieverton Fortes e eu. Ao final, esse grupo concluiu que cinco variáveis devem ser consideradas.

A primeira, inspirada no Prof. Vidal, diz respeito ao número de vacas em lactação por hectare. Essa é uma medida de eficiência técnica. Outra medida é a produção de leite anual obtida por hectare. Se um produtor tem baixos indicadores nestes dois parâmetros, dificilmente consegue ganhar dinheiro na atividade leiteira. Mas, ao obter índices técnicos próximos aos que se obtém nos institutos de pesquisa, nem sempre o produtor está ganhando dinheiro. Daí a necessidade de se considerar três outros indicadores. Esses, de caráter econômico. O primeiro é a Taxa de Remuneração do Capital. Esse é um indicador importante, pois permite aferir quanto cada Real aplicado em leite está dando de retorno. Se o retorno de uma propriedade for, por exemplo, 6% ao ano além da inflação, o melhor seria aplicar o dinheiro em uma caderneta de poupança. Tem que ser superior. O segundo indicador é o Capital Imobilizado em ativos por litro produzido. Quanto maior esse indicador, menos eficiente é a propriedade em análise. E o terceiro é o Capital de Giro em relação ao capital imobilizado na atividade.

Esses três últimos indicadores são universalmente utilizados em análise econômica. São usados no setor industrial e de serviços. E o setor lácteo estará dando mais um passo de maturidade, se passar a utilizá-los como referência. Afinal, custo de produção é profundamente importante em qualquer atividade econômica. Mas, é o básico. É como medir temperatura e pressão. Se estiver fora do padrão, é possível afirmar que o paciente está com problemas de saúde. Mas, se o resultado estiver no padrão, não é possível afirmar, categoricamente, que o paciente goza de saúde integral e terá vida longa.

Há um longo caminho a seguir no sentido de tornar conhecido e de fácil manuseio esses indicadores. É necessário estabelecer como medi-los na prática. Também é necessário definir medidas consideradas boas para cada um dos indicadores. Em linguagem sofisticada, significa estabelecer os indicadores benchmark. Um exemplo prático: se alguém está com temperatura acima de 37 graus, é mau sinal. E qual será, para leite, uma boa taxa de retorno do capital? Qual é o índice ideal em termos de capital imobilizado por litro produzido? Quantas vezes uma propriedade deve girar seu capital em relação ao seu ativo, para ser considerada eficiente? E o que dizer dos indicadores técnicos analisados em conjunto com os indicadores econômicos? A partir da definição desses parâmetros de referência, será possível indicar propriedades eficientes. E, ao conhecer os processos que essas propriedades utilizam, será possível disseminar tecnologias com maior segurança.

Esse é um caminho que Embrapa Gado de Leite e Universidade Federal de Viçosa pretendem seguir, nesse caso, por intermédio do professor Sebastião Teixeira Gomes. Iremos pesquisar propriedades. É esperar para ver, entender, crer e aplicar ao seu negócio.

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JOSÉ ALMEIDA DE OLIVEIRA

MAJOR ISIDORO - ALAGOAS - EMPRESÁRIO

EM 21/06/2005

Não é um comentário que farei, mas solicito uma informação: qual o parâmetro ideal para que uma propriedade leiteira obtenha êxito na atividade obedecendo aos critérios do artigo.



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado Senhor José Almeida,



Estes indicadores permitem estabelecer comparação de desempenho entre propriedades.



Demonstram se a empresa está sendo bem gerida ou não. É possível obter bons resultados com praticas diferentes nas propriedades. Não existe no Brasil trabalho que estabeleça conjunto de práticas que assegure desempenho de sucesso, pois não há sistemas de produção bem definidos. Sugiro ler artigo que eu e colegas da Embrapa Gado de Leite escreveram. Consulte a seção Radar Técnico - Gerenciamento deste MilkPoint, <a href=http://www.milkpoint.com.br/mn/radarestecnicos/artigo.asp?nv=1&area=14&area_desc=Gerenciamento+e+administra%26ccedil%3B%26atilde%3Bo&id_artigo=23799&perM=6&perA=2005>clique para ler</a>.



Paulo do Carmo Martins
MAURICIO PRIONE

SOROCABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/05/2005

Titulo da matéria: Para analisar o negócio leite



Prezado Senhor Paulo de Carmo Martins Sou de uma Cooperativa de Laticinios do Interior de São Paulo, mais precisadamente de Sorocaba, e , li, com atenção seu artigo e posso testemunhar ser uma questão relevante ao produtor de leite, e , sobretudo do pequeno produtor, que ~por vezes não tem acesso aos indices e parâmetros, para medir a eficiência de seu negocio. Hoje sabemos se, em qualquer atividade não medirmos a eficiencia, os custos, as margens, para tomarmos decisões rapidas e precisas, estamos fadados a levarmos o nosso negócio, qualquer que seja ele ao fracasso. Acompanho com interesse este assunto, pois comungo com ele, penso igualmente como o nobre prof., pois vejo no dia a dia, varios produtores não levando este assunto com a importancia que merece. Caso este estudo leve para formulas que ajudem e atenda os produtores, através de planilhas ou algo semelhante, solicito a gentileza que me informem, que tentarei na medida do possivel estender estas informações, já que, repito, a Cooperativa que trabalho é eminentemente de pequenos produtores, e estas soluções , tenho a certeza que ajudaria, e muito a todos. Cumprimento mais uma vez pelo artigo e pela iniciativa.



<Resposta do autor:</b>



Prezado Senhor Mauricio,





Conheco o trabalho que é realizado em sua cooperativa pelo Senhor Juliao, a quem aprendi a respeitar. Quanto ao texto, agradeço o envio desta mensagem. Certamente iremos desenvolver formas de aplicação dos indicadores que estao listados de modo bem pratico. Quando isto acontecer, o senhor será informado.



Um abraco,



Paulo Martins

ROBERTO TRIGO PIRES DE MESQUITA

ITUPEVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 08/05/2005

No leite, como em qualquer segmento do agronegócio, a análise de resultados econômicos pode ser perfeitamente executada, safra a safra, a partir da gestão pelo caixa, independentemente do porte ou do sistema de produção empregado na fazenda.



Um bom sistema aplicativo para gestão pelo caixa deve ser modulado à gestão de rebanhos, hoje já largamente empregada pela maioria dos produtores de leite. Melhor ainda se a fazenda departamentalizar-se para a cria e para a produção de leite, gerindo-os como centros de lucro completamente segregados.



Para avaliar comparativamente as alternativas de renda máxima em diferentes sistemas de produção regionalizados, basta consolidar em base única de um bom gerenciador de banco de dados, igualmente modulado para a gestão produtiva e econômica, por exemplo em um entidade gestora tipo "EMBRAPA".





MANOEL FRANCISCO DE OLIVEIRA

OUTRO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/05/2005

Parabens pelo Artigo, gostaria de receber detalhado como chegar nesses pontos.

pois acho que no quanto mais rapido detectar o proplema mais eficiete o negocio fica.



Manoel Francisco de Oliveira



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado Senhor Manoel,



Estamos apenas começando a analisar este assunto. Quando estivermos seguros, manteremos contato.



Um abraco,



Paulo Martins







PAULO CESAR DA SILVA AZEVEDO E MARIA AUXILIADORA N. RIBEIRO

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/05/2005

Além dos indicadores mencionados pelo Dr. Paulo quais são os itens de controle usados normalmente em uma propriedade de sucesso ?



Eu quero iniciar um negócio de forma estruturada, comparando com organizações lideres do setor e até de outros setores, com a intenção de encontrar meios de melhorar a qualidade e desempenho (benchmark) e de repente cai aqui este artigo da Embrapa sobre indicadores de eficiencia e de desempenho. É formidável ser brasileiro e ter Embrapa, MilkPoint e especialistas rurais como vocês.



Há 2 meses que elaboro procedimentos e indicadores relativos ao funcionamento de uma propriedade que comprei, mas erradamente eu os considerava junto a outros que na realidade são ítens de controle ( indice de mortalidade, intervalo entre partos, venda de leite, de animais, custos, produção por vaca, etc). Agora já tenho indicadores de desempenho. Só falta confirmar quais são os itens de controle.



<b>Resposta do autor:</b>



Prezados Paulo Cesar e Maria Auxiliadora,



Infelizmente, ainda nao existe uma relação de boas praticas administrativas (vamos chamar assim), que seja comprovavel por casos de sucesso em leite. Na verdade, nem um estudo continuo sobre casos de sucesso existe. Particularmente, fiz estudo com 150 propriedades, mas nao me atrevo a afirmar que sao casos de sucesso. Estou lhe enviando este estudo por e-mail. Quanto aos ítens de controle, estamos analisando-os. Brevemente teremos algo afirmar a respeito. Precisamos avancar ainda nesta questao, com segurança.



Um abraco,



Paulo Martins
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/05/2005

Parabenizo a idéia onde as instituições citadas vão pesquisar o mercado e trabalhar parâmetros técnicos e práticos universais para a mensuração de resultados econômicos em nossa atividade. Mas não é tarefa fácil como todos já sabemos.

A escrituração dos custos não é prática comum nas fazendas e a precisão das informações divulgadas é diretamente relacionada à precisão da coleta de dados. No passado, já foram divulgados resultados de bons questionários com coleta de informações precárias e bons resultados em questionários técnicamente frágeis.

Quando o tema é custo de produção, temos assistido enorme discrepância de opiniões e de valores referenciais, gerando portanto, grandes polêmicas técnicas.

Penso que o Milkpoint poderia ser um bom parceiro nesta empreitada, disponibilizando informações sobre extratos, modelos e distribuição dos produtores de leite. O volume de informações também poderia ser potencializado por um questionário preciso e enviado, com regularidade, a grupos extratificados de produtores voluntários que queiram contribuir com a idéia. Afinal, são 30 mil internautas ligados a pecuária de leite por este site; é um patrimônio respeitável para a busca de informações.

Acho importante criarmos soluções econômicas para modelos domésticos de produção de leite, onde nossas vantagens comparativas estariam sendo adequadamente exploradas e nosso resultado, quantificado com metodologia padronizada.





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